24.12.09

NATAL NA SANBRA

Aos frequentadores deste blog desejo Boas Festas. Até 2010.
José Carlos Neves Lopes
A instalação de uma fábrica de óleo bruto em Ourinhos - a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro - Sanbra - remonta aos anos 1940. A origem dessa empresa está ligada à Bunge, empresa belga instalada no nordeste brasileiro e à S/A Moinho Santista. Com o caroço que sobrava do beneficiamento de algodão a empresa passou a produzir o óleo de algodão, o que modernizaria a preparação de alimentos com a substituição da banha de porco, muito utilizada na cozinha brasileira. O próximo passo foi a introdução do óleo de amendoim.

Na segunda metade dos anos 1940, teve início a instalação de uma grande fábrica em Ourinhos. Para gerenciá-la veio para a cidade José Fernandes de Souza, que ficou à frente da unidade local por mais de 30 anos. O complexo fabril era constituído de escritório, fábrica, silos e , mais tarde, do solvente, mais uma etapa da extração do óleo bruto. Sua localização era ao lado da via férrea, na vila Boa Esperança. Na unidade de Ourinhos, trabalhou-se principalmente com algodão e mamona. Nos anos em que funcionou na cidade, a Sanbra era a principal empregadora. Com seu tino administrativo, Souza conseguiu levar para o escritório e para a fábrica excelentes profissionais que tive a felicidade de conhecer, pois lá trabalhei por três anos, no escritório.

Anualmente, por ocasião do Natal havia um almoço oferecido aos empregados do escritório e uma festa Natalina no amplo refeitório da fábrica, onde essa foto tirada.

Nela vemos da esquerda para a direita: Cleide, a secretária, um modêlo de eficiência na sua área; atrás dela, Urbaninho Zampieri, tão cedo levado pela morte; Setuko Sekino, também secretária das melhores, da qual tornei-me muito amigo, tendo freqüentado a casa de sua família na Avenida Altino Arantes, onde seu pai tinha uma casa comercial; atrás de Setuko, sua irmã Tomiko, então aluna do curso científico, uma inteligência que partiu muito cedo desta vida; de braço dado com Setuko, Yeda, também funcionária do escritório, uma moça muito alegre que irradiava vida diariamente; ao seu lado, segurando uma bola, Rubens Bortolocci da Silva, o competente chefe da Seção Pessoal, que viria a se eleger prefeito de Ourinhos; em seguida dois empregados da mesma seção, Tupináe o srº Hélio, que era também o responsável pela CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, função da qual muito se orgulhava. Atrás de Rubinho estava uma sua filha. Eu sou o autor da foto.

Aproveito a oportunidade para cumprimentar as irmãs Farah pelo competente trabalho à frente deste jornal e desejar aos leitores e leitoras desta coluna Boas Festas e que estejamos juntos em 2010, quando “Recordando” estará completando dez anos de presença dominical neste órgão.

19.12.09

FALA ROBERTO PELLEGRINO

ANTIGOS PENSAMENTOS

Há uma coisa que me intriga: o que eu pensava, nos meus primeiros tempos de Ourinhos, a respeito de, vindo de Roma, haver atravessado o oceano para ir morar numa cidadezinha quente, "avermelhada" e sem possuir absolutamente nada daquilo com que estava acostumado? Para falar a verdade verdadeira, não lembro. Sou, porém, levado a crer que não me preocupava com esse aspectos, pois estava empolgado com a grande aventura em que havia se transformado minha vida. Sim, era uma grande aventura mergulhar em um mundo tão desconhecido quanto inusitado. Era tudo tão novo para mim -- os edifícios, as ruas, a vegetação, as pessoas, a língua, os costumes, o clima -- que o deslumbramento ante aquela miríade de novidades e o esforço requerido para me inserir naquele contexto não me deixavam tempo para pensar em mais nada.



A PIZZA

No princípio dos anos 1950, eu deixava os ourinhenses atônitos e incrédulos quando declarava detestar pizza. Diga-se de passagem que naquela época não existia na urbe rubra essa iguaria partenopeia, mas sua existência, logicamente, era do conhecimento dos íncolas da Rainha da Média Sorocabana, que a haviam apreciado alhures.
Para explicar minha aversão à pizza, terei de regressar ao tempo em que eu habitava a Caput Mundi, no dizer dos antigos romanos. Perto da minha casa existia uma pizzaria que minha família costumava frequentar. Meu pai, com o espírito democrático que o caracterizava, oriundo da cultura machista siciliana do início do século XX, só pedia pizza à romana, com alice, que ele adorava. Dessarte, na minhan ingenuidade, eu pensava que pizza fosse apenas daquele jeito (odeio até hoje pizza à romana, porém gosto por demais das outras, especialmente a Margherita). E, paradoxo dos paradoxos, eu só vim a conhecer outros tipos de pizza no Brasil!

Roberto Pellegrino

PS.: Em 2001, quando fui à Itália com a Maria Inês, constatei que a tal pizzaria próxima à minha antiga casa ainda existia.





TARDE
Tarde quente e modorrenta. O silêncio quebrado apenas pelo martelar de uma araponga nas imediações. Tudo parado, nenhuma brisa mexe as folhas das árvores, nenhum pássaros canta. Nada. Ninguém. O sol domina tudo; o único sinal de vida vem dos insetos. Eu quero sumir dali, para bem longe, para a capital, que fervilha de gente, de carros, onde se ouve barulho de motores, de buzinas, de vozes.
No final da tarde quente e modorrenta, o silêncio é quebrado por um estrondo, mais outro, mais outro, cada vez mais próximos. E a tempestade cai com violência, molhando a rua, as casas, as árvores, calando a araponga, refrescando o ar.
Eu continuo querendo sumir dali.

Pelleberto Rogrino

NOTEI
Eu notei o semblante compungido dos fieis depois de tomarem a hóstia. Notei o vagaroso caminhar de funcionários, de volta a seus escritórios, após terem almoçado em restaurantes. Notei motoboys arriscarem a vida para ganhar um segundo ou menos, Notei pessoas só falarem de si mesmas, de seus problemas, sem perceber que não são ouvidas. Notei pessoas de mal com o mundo e cujos reclamos são o leitmotiv de suas vidas. Notei gente que adora dar conselhos, perdendo muitas oportunidades de ficar de boca fechada. Notei homens e mulheres adoráveis que iluminam os ambientes com sua presença. Notei mulheres com trajes e chapeus estranhos em cerimônias de casamento. Notei maridos mandarem nas esposas, e vice-versa, como se casamento fosse um exercício de dominação, e não de satisfatória convivência. Notei olhares de amor incondicional de mães e pais dirigidos aos filhos. Notei que já pensei, falei e fiz muitas tolices.

Pelleberto Rogrino

OURINHOS - O PASSADO DESAPARECENDO

Na minha última ida minha a Ourinhos tive a infelicidade de constatar mais duas ações contra o patrimônio histórico-cultural da cidade:
1 - este prédio situado na esquina da Paraná com Cardoso Ribeiro é de 1930. No seu frontespício estava gravada a data . Conheci de perto essa casa nos anos 1950/1960, pois ali morava uma família japonesa de quem fui amigo. Eles vendiam uma coxinha de galinha deliciosa. Às vezes eu ficava ajudando no bar que mantinham ali somente para ser gratificado com algumas elas. Nos últimos anos, uma família portuguesa ali manteve um bar onde serviam um delicioso bolinho de bacalhau. Pois bem, venderam o bar recentemente e o novo proprietário "modernizou a fachada apagando aquela data e removendo os ornamentos que havia na fachada.
Numa cidade em que não preocupação com o passado arquitetônico, fatos como esse vêm se repetindo constantemente.





2 - O segundo aconteceu com o prédio abaixo. Trata-se de dois sobrados germinados existentes na rua Altino Arantes quase esquina com a Antonio Carlos Mori. Era uma das construções mais belas dos anos 1940, obra do construtor Ezelino Zório, que era sobrinho de Henrique Tocalino. Zório com suas construções residenciais trouxe um novo visual, tornando-as mais leves com a utilização de arcos nas varandas e detalhes decorativos sobre as janelas. Ele construiu as últimas casas que a São Paulo-Paraná financiou para os seus empregados. Uma das últimas foi a de meu pai.
Observem o que uma reforma recente fez com esse belo exemplo arquitetônico, no sobrado que foi construído para a família do drº Alfredo de Almeida Bessa.

13.12.09

DRº WALLACE MORTON



Nada há em Ourinhos que registre a memória desse engenheiro inglês que viveu em Ourinhos por cerca de 15 anos, a quase totalidade deles como superintendente da Companha Ferroviária São Paulo-Paraná. Imerecidamente, porque pela sua posição e pelo fato de ter sido o maior empregador da cidade, nesse período, deveria ter pelo menos uma rua com seu nome. Isso sem falarmos no fato de ter sido um bom patrão, bastante popular entre todos os que trabalharam nessa ferrovia, além de ter se integrado ao cotidiano dessa pequena cidade do interior paulista, participando do Rotary Clube local, da direção de clubes de futebol e da comissão responsável pela fundação da Santa Casa de Misericóridia. Uma passada d'olhos nas edições de "A Voz do Povo" desse período dá um amostra de sua convivência franca com o cotidiano de Ourinhos. Meu pai e seus primos Benedito Monteiro e Carlos Eduardo Devienne, que trabalharam sob seu comando, o admiravam muito. No livro "Ourinhos - memórias de uma cidade paulista", o jornalista Jefferson Del Rios narra alguns fatos interessantes que mostram o quanto era um homem simpático. Fato comprovado pelo sorriso franco estampado na foto aqui publicada, feita após uma partida de tênis, esporte que muito apreciava e difundiu.
Sua esposa Marjorie faleceu em São Paulo, e lá foi enterrada (início dos anos 1940).
Após a encampação da ferrovia, em 1944, retornou à Inglaterra, onde faleceu em 1986. Num relato que fez , pouco tempo antes de seu falecimento, sobre sua experiência em Ourinhos (publicado em parte no livro citado acima), ele conclui:

"Com orgulho, posso dizer que nos anos de 1932 até 1944, em que eu era superintendente da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, se a operação da estrada foi um grande sucesso, foi devido à leal cooperação e dedicação ao trabalho que recebi de todos os empregados da estrada, e a todos devo o meu sincero muito obrigado".

7.12.09

FALA ROBERTO PELLEGRINO

USOS E COSTUMES
Os que citarei são mais quatro dos vários usos e costumes para mim estranhos com que deparei, naquele longínquo 1951, ao “mergulhar” na sociedade ourinhense. Faço questão de frisar que o termo “estranhos” não possui conotação negativa, significando apenas que eu nem sequer imaginava sua possível existência, já que na minha terra natal esses três costumes eram diferentes (atentem ao fato de que eu disse “diferentes”, e não “melhores”).
1. O tratamento de “senhor” e “senhora” dado aos pais.
2. O hábito mais ou menos generalizado de adultos não fumarem na frente dos pais, por considerá-lo um ato desrespeitoso.
3. A pessoa declarar que “perdeu o voto” por haver votado, em uma eleição, em um candidato que não se elegeu.
4. O hábito também mais ou menos generalizado de não tomar água gelada, alegando que fazia mal.

Pelleberto Rogrino

MODA
Ano de 1951. Aos 14 anos, eu me vestia à italiana, com roupas trazidas de Roma. Minhas calças eram curtas, bem curtas. Meus coetâneos ourinhenses ou trajavam calças compridas ou curtas, mas estas bem mais longas que as minhas. E por isso eu tinha de aguentar as gozações da molecada... Meu irmão, Franco, com idade entre 18 e 19 anos, vestia calças compridas sem barra, a última moda na Itália. O que também causava estranheza nos ourinhenses, que achavam esquisitas inclusive nossas camisas esporte sem bolsos.
Hoje em dia a moda é universal, globalizada: todos se vestem da mesma maneira, não importa a latitude nem a longitude, mas naquela época as coisas eram diferentes. As novas modas demoravam anos para chegar ao Brasil, e mais ainda para alcançar Ourinhos. Portanto, em termos de roupas, nós, os Pellegrino, éramos estranhos no ninho...
Ah, sim, os sapatos. Meu pai e meu irmão tinham verdadeira obsessão por sapatos bem engraxados (todos os meus tios homens, como legítimos sicilianos, compartilhavam essa mania), e certamente a Ourinhos daqueles anos, com sua terra vermelha onipresente, representava um desafio e tanto.



O TREM
Durante a viagem de trem que de São Paulo nos levou a Ourinhos, em 1951, fiz duas importantes descobertas.
1ª Que no Brasil havia mato pra burro, o que não significava que existiam loucos por manteiga por todo o percurso do trem (em italiano matto = doido; burro = manteiga). O significado da palavra “mato” nos foi explicado por um simpático rapaz que nos ministrou a primeira aula de português. Quanto a “burro”, eu já sabia que não era manteiga, e sim asino, pois se tratava de uma das pouquíssimas palavras da língua portuguesa de que minha mãe se lembrava (já contei que d. Maria era nascida em Jacutinga, MG, e que se mudou para Roma com os pais quando tinha 5 anos).
2ª Que, sim, existiam locomotivas movidas a lenha (na Itália eram elétricas), que espalhavam no ar e nos passageiros cheiro de fuligem, a própria fuligem e faíscas.
O “moderno” trem saiu da Estação Sorocabana não lembro se às 7 ou às 8 da manhã e chegou a Ourinhos às 10 da noite. Uma viagem e tanto!

Roberto Pellegrino


OS URUBUS E AS ANDORINHAS


Qualquer lugar é minha pátria porque de qualquer lugar posso ver o céu.
--Sêneca

Nos meus primeiros dias em Ourinhos, ficava olhando para o céu e admirando o voo dos urubus, que eu não conhecia. Urubu, nome feio para uma ave feia, que, porém, voa magnificamente. E o céu ourinhense era coalhado deles. De perto, com seu andar desengonçado, o urubu chega a ser asqueroso, mas lá em cima, volteando no ar, torna-se majestoso, e sua feiúra, beleza.
Anos mais tarde, os urubus, até então únicos protagonistas, tiveram seu reinado abalado pela concorrência de outras aves: as andorinhas. Embora mais graciosas que os urubus, as andorinhas só podiam competr com as performances aéreas daqueles exibindo-se em bandos. Assim, o céu de Ourinhos passou a apresentar dois extraordinários espetáculos: os magníficos voos individuais dos urubus e as estonteantes evoluções coletivas das andorinhas.

Roberto Pellegrino

AS BARATAS
Domani voglio ritornare a Roma! Amanhã quero voltar a Roma! Foi isso mesmo, em altos brados, que d. Maria Pulcinelli, minha mãe, falou naquele início de noite de outubro de 1951. Sei grito ecoou pela rua dos Expedicionários, próximo à esquina com a Nove de Julho, em Ourinhos. Um grito lancinante, cheio de pavor, no instante em que meu pai acendeu a luz da sala da casa que havíamos acabado de alugar. Lembro-me da cena como se fosse hoje: baratas enormes, parrudas, às dezenas, talvez às centenas, cobriam as paredes, e muitas encetaram uma revoada digna de filme de terror! Nada a ver com os mirrados e “subdesenvolvidos” bacarozzi da Cidade Eterna que, comparados aos seus congêneres tropicias, perdiam de goleada. Minha mãe não regressou a Roma no dia seguinte, nem nunca mais...

Roberto Pellegrino

6.12.09

JOÃO NEVES - UM ARMAZÉM EM TRÊS TEMPOS


Meu avô, José das Neves Júnior, quando transferiu sua residência para Ourinhos, em 1930(morava na Fazenda da Figueira, de sua propriedade no município de São Pedro do Turvo), montou um armazém de secos e molhados denominado “Casa Ourinhense” que pretendia entregar deixar aos cuidados dos filhos homens.
Matriculou os dois mais velhos, João e José, no curso comercial do Instituto Rui Barbosa do prof. Constantino Molina, na Avenida Altino Arantes, e colocou-os à frente do armazém.
Com a ida do filho José para o Exército (1933), o ponto comercial foi assumido pelo irmão João que mudou a razão social para “Armazém do Povo”; à frente desse estabelecimento ele permaneceu até 1943 quando se mudou para Avaré, cidade natal da esposa Henriqueta, a família aumentada com o nascimento do filho Jefferson.
O casal retornou para Ourinhos em 1946, e o armazém reaberto, agora com a denominação “Casa dos Lavradores”. Esse é estabelecimento de que me lembro, pois nasci no ano seguinte, 1947.
Eu era freguês das famosas velas doces que comprávamos com centavos de cruzeiro e que eram acondicionadas nos famosos vidros de balas.
Meu tio manteve esse estabelecimento até o ano de 1959.

A foto é da segunda fase do armazém, nela se vendo o casal João e Henriqueta

2.12.09

FALA ROBERTO PELLEGRINO

Foto: encontro de Ourinhenses em São Paulo

Roberto Pellegrino, filho do Rodolfo, está relatando fatos do seu passado, em e-mails que encaminha para os amigos. Pedi-lhe autorização para inserí-los em Memórias.


NATAL
Muito estranho o Natal de 1951, meu primeiro no Trópico do Capricórnio: aquele calor ourinhense não tinha nada a ver. Lembrei-me da última Missa do Galo a que havia assistido em Roma, na igreja de Santa Agnese, na Via Nomentana, perto da nossa casa. Isso em 1950. Fazia um frio danado. Não que eu sentisse falta do frio, pois o calor, mesmo excessivo, é mais agradável e fácil de suportar. Mas que o Natal tropical não combinava com minhas raízes e com meus usos e costumes era fora de dúvida.
Hoje, no entanto, para mim, Natal sem calor é como amor sem beijo ou macarrão sem queijo. Totalmente sem graça.


CHEGADA AO BRASIL
Uma das coisas estranhas que achei ao chegar ao Brasil – e acho até hoje, embora eu já viva aqui há 58 anos – foi o jeito de os brasileiros contarem nos dedos. Da mesma maneira que alguns outros usos e costumes, como, por exemplo, a predileção pelo arroz, o modo para mim complicado de contra nos dedos foi trazido da China pelos marinheiros portugueses.
Outra estranheza constituiu o primeiro cafezinho tomado em território brasileiro, mais precisamente no Rio de Janeiro, porto em que nosso navio atracou antes de seguir para Santos, onde a família Pellegrino desembarcou, e depois para Buenos Aires. Na então capital do maior produtor mundial de café, eu, meu irmão, minha mãe, meu pai e mais outra família romana, também de quatro membros, fomos, cheios de expectativa, degustar um cafezinho em um bar. Surpresa das surpresas, decepção das decepções: nos serviram café de coador! Em 1951, em certos aspectos, o Brasil era realmente o fim da picada...
O que dizer, então, da mesmice na mesa dos ourinhenses daquela época? Todos os dias comiam-se as mesmas coisas, exceto às quintas e aos domingos, quando era servido macarrão. Quinta e domingo: macarrão e cinema. Ah, sim, depois do cinema, footing na praça Melo Peixoto.
PALADAR
Rio de janeiro é considerata la città più bella del mondo. Isso declarou a professora de italiano e latim, Maria Farina, em 1951, a nós, alunos da 3ª série ginasial do Ginnasio Massimo d’ Azeglio, em Roma. Contei à minha mãe, que ficou toda orgulhosa, pois ela havia nascido no Brasil, em Jacutinga, MG. No mesmo ano, em setembro, quando nosso navio atracou no porto do Rio, deslumbrei-me com a beleza da então capital.
Foi em Santos que fiz meu primeiro contato com um produto tipicamente brasileiro: a garapa ou caldo de cana. Gostei? Não gostei? Não soube dizer. Lembro-me que achei seu gosto muito estranho, exótico. A mesma coisa ocorreu quando experimentei uma manga. Também achei seu sabor esquisito, meio “agressivo”. Meu paladar europeu precisava se acostumar para apreciar devidamente tanto a garapa quanto a manga. E isso aconteceu bem rápido. Em compensação, com a feijoada foi “amor à primeira vista”. Adorei logo de cara. Quanto ao quibe, então, que maravilha! Embora não seja uma iguaria brasileira, conheci o quibe em Ourinhos, vendido na rua pelo seu Abrão (“Quende!”) com sua cestinha. Todos os dias de manhã, ao voltar das compras, minha mãe me trazia alguns, com os quais eu me deliciava. Numa ocasião, eu e o Clóvis Chiaradia comemos todos, isso mesmo, todos, os quibes da cesta do seu Abrão!
No caso do sorvete... bem, aí o bicho pegou. Naqueles primeiros anos da década de 1951, os sorvetes em Ourinhos eram de lascar! Eu, acostumado com os de Roma, tinha de me consoloar com aqueles lamentáveis sorvetes do Bar Cinelândia. Contudo, gostava dos “palitos” de coco queimado.

FESTA DE FORMATURA
Numa manhã de dezembro de 1951 (não lembro se sábado ou domingo), deparei com algo para mim surpreendente. Eu morava na rua dos Expedicionários, numa casa ao lado do Grupão. Fui caminhando e, na rua Nove de Julho, dei com o Cine Ourinhos aberto e cheio de gente. Curioso, entrei. Pela primeira vez na vida presenciei uma cerimônia de formatura, a qual (a cerimônia) nem sabia que existia. Achei muita pompa e circunstância, para falar a verdade, para a entrega de um mero certificado de conclusão de curso primário. Logo me dei conta de que aí havia a influência da cultura norte-americana. Aviso aos espíritos sensíveis e aos provocadores: eu era um garoto de 14 anos proveniente de uma sociedade que, durante o fascismo, havia tomado um porre de pompa e circunstância, e que, depois da guerra, tornara-se asceta nesse âmbito. Por isso minha estranheza.

22.11.09

TITO SCHIPA EM OURINHOS


TITO SCHIPA, nascido Raffaele Attilio Amadeo (1889-1965), foi um tenor italiano que se especializou nos papéis mais leves do repertório italiano e francês. O auge de sua carreira foi no período entre guerras. Sua voz era pequena, porém elegante e bonita, usada com um fraseado aristocrático e impecável dicção. Em 1961 publicou uma autobiografia denominada “Si Confessa” (Dados - The Complete Dictionary of Opera & Operetta por James Anderson).
Pois é, no início dos anos de 1950, o tenor esteve em Ourinhos, se apresentando no cinema local.
Algumas famílias italianas que cultivavam a ópera não perderam a oportunidade e lhe ofereceram recepções em suas casas.
É o que vemos nessa foto na residência de Rafael Fittipaldi. O tenor está ao centro da mesa, vendo-se da esquerda para a direita: Henrique Fittipaldi, Otávio Fittipaldi Fontana, Demétrio Gardin, Fernando Aldo Cesar Fittipaldi, Milton Fittipaldi, Rafael Fittipaldi, Rodolfo Pellegrino,Roberto Pellegrino, José Fittipaldi Lucente e o maestro Guerra.
Sentadas Aida Fittipaldi Gardin, uma acompanhante do tenor as esposas de Rafael Fittipaldi e de Rodolfo Pellegrino.
Foto cedida por Roberto Pellegrino.

16.11.09

"O CORREIO DE OURINHOS"



Esse teria sido o primeiro jornal de Ourinhos. Exemplar nº 7, de 9 de dezembro de 1917.
Editor José Martinho

15.11.09

MEMÓRIAS DE UMA ANDÁ AÇU



Olá! Eu sou uma das Anda-açu que existem na Praça Melo Peixoto.

O professor José Carlos já falou a meu respeito pelas páginas da “Folha de Ourinhos”. Gostei muito do que ele escreveu certa ocasião dizendo que sou a mais bonita entre todas as minhas irmãs que se encontram na Praça.

Somos originárias do Brasil, e nossa presença se faz sentir principalmente nas regiões litorâneas. Os frutos que produzimos têm funções medicinais, e a nossa madeira é usada na fabricação de palitos. Isso significa que não produzimos tão somente uma boa sombra. Como somos muito populares, temos muitas denominações: anda, anda-guacu, andacu-joanesia, anda-assu, andaz, boleita, castanha-de-arara, coco-de gentio, coco-de-purga, conanda-acu, cotieira, fruta-de-arara, fruta-de-cotia, fruta-de-papagaio, fruta-de-purga, inda-acu, inda-guacu, indai-acu, noz-de-bugre, paulista, purga-de-cavalo, purga-de-gentio, purga-paulista.

Quem nos terá trazido para Ourinhos? Infelizmente não sabemos quem foi nosso padrinho Somente temos uma certeza: estamos na praça desde os finais dos anos 1920. Com certeza já somos octogenárias, portanto.

Essa foto, que o professor encontrou no arquivo de seu pai Francisco de Almeida Lopes, é de 1932. Nela se acham soldados que integraram o Batalhão Teopompo, criado em Ourinhos por ocasião da Revolução de 1932. A foto foi tirada por um dos mais antigos fotógrafos da cidade, o alemão Frederico Hahn. Nela, os soldados posaram em frente ao antigo coreto de 1927. Nessa ocasião, 1932, o senhor Frederico ainda não havia se mudado para Ourinhos, ele achava-se estabelecido em Chavantes, onde tinha o Photo Victoria, denominação que o fotógrafo manteve quando mudou-se para a nossa cidade.

O professor José Carlos, ao observar atentamente a foto, verificou que eu estou nela, e tratou de digitalizá-la com destaque para mim. Que maravilha! Eu apareço então no frescor da minha adolescência, ostentando os meus primeiros galhos.

É bom sabermos que fazemos parte da história dessa cidade que tanto amamos. O que nos entristece é ver que estamos envelhecendo sem ter deixado sucessoras. Nenhuma outra Anda-açu foi mais plantada nessa velha Praça. E quando morrermos? Restarão apenas algumas fotos do nosso passado?

Não está certo. Por que a Prefeitura não vai atrás de mudas e as planta na Praça. Se isso ocorrer vamos ficar muito felizes, e tenham a certeza de que zelaremos muito por essas crianças.

Até outro dia.

9.11.09

FAPI 1977 - PAULO DA ROCHA CAMARGO - SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA






A foto, por Francisco de Almeida Lopes, registra o momento do hasteamento de bandeiras por ocasião da edição 1977da FAPI.
Era prefeito na ocasião (1977-1983), o engenheiro Aldo Matachana Thomé.
Tendo comparecido à abertura da feira, vemos ao centro o Secretário de Estado da Agricultura, engenheiro agrônomo Paulo da Rocha Camargo, natural de Rezende (RJ). Também hasteando bandeira, à direita o prefeito Aldo e à esquerda Fernando Quagliato.
Entre os presentes o padre Bernardino da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, Marcos Ferreira de Sá, o vereador Antonio Carlos Nunes Surumba, o ex-prefeito Antonio Luiz Ferreira.

Paulo da Rocha Camargo, n. Resende 02-VI-1920. Engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura de Lavras, MG. Fez curso especializado na Universidade de Nebraska, EU. Ex-Diretor da Divisão de Mecanização Agrícola, DEMA, instalando Postos em mais de 30 unidades em cidades paulistas. Organizou o 1.o Simpósio sobre fabricação de Tratores e Implementos Agrícolas no Brasil. Ex-Diretor Técnico da CEAGESP (Cia. de Entrepostos e Armazéns Gerais de ESP), Delegado do Governo de SP., em vários paizes da Europa, visitando Estações Experimentais de Maquinas. Convidado especial do Governo Hespanhol para a "Féria del Campo" em Madrid. Foi assistente imediato do saudoso Secretario da Agricultura de SP. Dr. José Edgard Pereira Barreto, na implantação da motomecanização agrícola em SP. Em 02-VII-1970, foi nomeado Secretário de Estado para os Negócios da Agricultura do E. SP., pelo Governador Abreu Sodré. Eleito Presidente do Rotary Club de Perdizes, exercício de 1972/1973. Casado com Dona Sílvia de Carvalho Camargo, f. l. de José Francisco de Carvalho e de Da. Esther de Souza Carvalho.

1.11.09

OS BAZARES DE OURINHOS - O BAZAR DO JORGE


Na minha infância e adolescência, havia em Ourinhos três bazares que ficaram marcados na memória da cidade: o do Pedrinho, o da Janda e o do Jorge. O primeiro “pra baixo da linha”; os outros dois “pra cima da linha” (ferrovia que corta a cidade).
Pedro Abujamra tinha o seu bazar no início da Rua Antônio Prado. Filho de tradicional família da cidade era a simpatia em pessoa. Muitas vezes, ainda criança, perguntava-me: Como é que ele sabe tudo que tem à venda em seu bazar?
Ali trabalhou até adoecer e morrer. Uma de suas filhas deu continuidade ao comércio do pai até pouco tempo, em novo endereço.
Outro estabelecimento que fez história e ainda existe é o “Bazar da Janda”, na Rua do Expedicionário especializado em armarinhos e papelaria. Janda, de antiga família de Ourinhos, era esposa do conhecidíssimo Mistugui Kanda. Hoje, Simone, filha do casal, está à frente do bazar.
O Bazar do Jorge estava instalado na Rua Paraná, ao lado do conhecidíssimo Bar do Daniel (Daniel Leirião, famoso zagueiro do Clube Atlético Ourinhense. Na mesma rua, um pouco abaixo havia também o “Bazar Primavera”, da Dona Cali, sobre o qual escrevi em 26 de janeiro deste ano.
O “Bazar do Jorge”, onde havia quase de tudo, foi fundado em 1951 contando com a presença do já famoso cômico Mazzaropi.
Jorge Mansur, nascido em 4 de outubro de 1916, natural de Piraju, estado de São Paulo era filho de Mansur João e de Andume Assaf. Já com família constituída, escolheu a cidade de Ourinhos para se estabelecer.
Conforme narrou-nos sua filha Leyla, de início foi proprietário de um bar onde fornecia refeições para operários que vieram trabalhar na instalação da Caixa D’Água da Prefeitura (na Altino Arantes) e também para pessoas da zona rural que demandavam a cidade para fazer compras. No mesmo local mantinha um brechó de artigos masculinos (sapatos, ternos, gravatas, coletes, etc).
Em 1948, construiu uma casa na Rua Arlindo Luz, número 750, onde residiu por muitos anos, acompanhando todo o progresso da Vila Santo Antonio e bairros vizinhos.
O “Bazar do Jorge” funcionou até 1988, sob o comando do “Seu Jorge” e da Dona Antonia. Por ocasião das Festas Juninas o movimento do bazar aumentava com a grande procura de bombinhas, rojões, fósforos de cor e outros artigos do gênero.
Jorge se casou com Antonia Vivan Mansur na cidade de Piraju em 1940, e tiveram três filhos: Luiz Antonio Mansur, casado com Maria Leonídia de Paula, residente em Salto Grande, onde se dedica ao comércio de artigos de pesca; Leyla Mansur, professora de psicologia e empresária e Leda Maria Mansur, coordenadora pedagógica aposentada, atuando como psicopedagoga, ambas residentes na cidade de Ourinhos.
Faleceu em 29 de novembro de 2004, em consequência de um derrame cerebral, aos 88 anos de idade.
Na foto, do acervo de Francisco de Almeida Lopes, vemos Jorge, o filho Luiz Antonio, atrás a esposa Antonia e, ao lado, Mazzaropi.

27.10.09

JEFFERSON DEL RIOS EM OURINHOS



















Meu primo Jefferson Del Rios, jornalista e crítico de teatro, esteve em Ourinhos para um debate promovido pela prefeitura local durante a Semana de Teatro. Na ocasião, foi convidado pelas proprietárias da Livraria Nobel para fazer uma noite de autógrafos para lançamento na cidade de seu livro "Bananas ao Vento", lançado pela Editora Senac. Um relato importante sobre a vida cultural em São Paulo nos primeiros anos da ditadura militar.
Sobre a obra deixo aqui o link do comentário do jornalista do Estado Luiz Zanin Oricchio.
Na foto, o jornalista e as donas da Livraria Nobel, localizada na Avenida Rodrigues Alves.

25.10.09

CASAMENTO DE NEUSA THOMÉ (1957) E GINCANA DE RUA EM OURINHOS


Assista ao casamento de Neusa Tocalino Thomé e Paulo Miguel de Oliveira em 1957. Foi muito bom ver a figura alegre de Zico Nicolosi tocando acordeão; a Nanci como a conheci naqueles anos recém-casada com o Bertico Soares; o Tufy e Julio Zaki e muitas outras pessoas. Outro detalhe importante é a cena do casamento na Igreja Matriz onde se vê o antigo altar em mármore, hoje, retirado de lá.
Um documento histórico. Igualmente importante é a filmagem de uma gincana na praça Melo Peixoto com a população se divertindo com inúmeras brincadeiras.

O casamento está nesta URL:
http://www.youtube.com/watch?v=sQwdIc3-fRA

O outro é um filme de uma gincana de rua, que foi muito comum nos anos 1950. Neuza Thomé aparece mordendo uma maçã.


http://www.youtube.com/watch?v=_K6ehlPwPYU

Os dois documentos pertencem a Valéria Thomé de Oliveira, a quem agradeço pelo aviso sobre a disponibilização no You Tube.

11.10.09

AS FIGUEIRAS DA PRAÇA MELO PEIXOTO

Não se esqueça de clicar sobre a foto.
Já falamos aqui das "Andá-açu" que ainda estão a embelezar a praça mais antiga de Ourinhos. Esta foto, feita por meu pai no limiar dos anos 1950, chamou minha atenção para a espécie de Figueira denominada figueira benjamim, originária da Índia. Ela se desenvolve rapidamente, o que me leva a crer que suas mudas tenham sido plantadas na praça durante os anos 1940.

Com copas largas, elas propiciavam abrigo para o sol escaldante que predomina em nossa cidade na maior parte do ano. Numa época em que os bancos de pedra tinham encosto, eles eram, portanto, bastante utilizados. Seu grande problema é o fato de as raízes deformarem o piso. Em seus troncos, bandos de andorinhas faziam moradia. Ao final da tarde era uma beleza a revoada que faziam pelo céu da cidade. Em compensação, havia a sujeira que deixavam sobre os bancos e piso interno da praça, o que levou a administração municipal a adotar medidas para expulsá-las da cidade.

Nos anos 1950/1960 uma peste denominada "tripes" abateu-se sobre os ficus no Brasil. Tratava-se de um inseto miudinho que se abrigava sob suas folhas e que com o calor excessivo levantavam voo muito rapidamente e, às vezes, caiam sobre os olhos das pessoas provocando um ardor terrível. Isso ocorreu pelo Brasil afora. A cidade Belo Horizonte foi uma das mais atingidas porque suas ruas e praças eram repletas de “fícus benjamina”.

A sabedoria popular apelidou esses insetos de "lacerdinha", referência ao político Carlos Lacerda. Pois bem, Ourinhos não ficou imune a esse ataque e as figueiras vieram abaixo. Quem se interessar pelo assunto pode consultar um trabalho acadêmico existente na web sobre o tema, denominado "À sombra dos fícus: cidade e natureza em Belo Horizonte" (http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-753X2007000200003&script=sci_arttext).

Essa foto ainda nos proporciona uma visão de como era a Praça no período que antecedeu a sua reformulação para o que temos hoje, na gestão Paschoalick. Em primeiro plano, de frente para a Igreja Matriz havia o belo Marco Zero mandado edificar pelos rotarianos, em 1948, e hoje afundado na sua quase totalidade! A calçada interna era no padrão português.

Observe-se a existência do tanque de areia à esquerda, construído por ocasião do paisagismo levado levado a cabo pelo prefeito Camargo, em 1937, e, à direita, o antigo coreto de 1927. Outro detalhe, sãos os belos postes de ferro fundido trabalhado que hoje adornam o calçadão.

3.10.09

SETE DE SETEMBRO DE 1954



Voltando a falar da participação do Educandário Santo Antônio, nos desfiles de Sete de Setembro, temos aqui uma foto de 1954.
O local é a confluência da Avenida Altino Arantes com a Praça Melo Peixoto, vendo-se ao fundo parte da casa da família de Francisco Mayoral, onde na frente funcionou o Bar Internacional e, mais tarde o Bar Paratodos, do genro de Francisco, Mário Ribeiro da Silva. Uma parte do prédio abrigava a Alfaiataria Lider, uma das mais antigas da cidade. Mais acima vê-se o prédio do Cartório e residência, na parte superior, de Abrahão Abujamra.
Desfilam os alunos (as) do Curso Pré-Primário. Em primeiro plano, vemos portando a Bandeira Brasileira a garota Maria Vitória Silvestrini Brisola, com seu lindo cabelo loiro encaracolado, e, abrindo o pelotão dessa turma, o garoto José Carlos Neves Lopes. À direita do pelotão parece-me ser José Mauricio Correa; um pouco mais atrás Maurício Lahan.
Os alunos do Curso Pré-Primário trajavam uma roupa de marinheiro em branco com detalhes em azul, feita especialmente para essa ocasião.
Após o desfile, o garoto foi levado para uma foto no estúdio do Foto Machado.

27.9.09

OS MIGLIARI


A foto que vemos é de 24/8/1939. Ela nos mostra um grupo de pessoas à frente de um caminhão estacionado à porta da Fundição de Ferro e Bronze, Serraria e Fábrica de Veículos Narciso Migliari & Irmão, na Avenida Jacinto Sá. Motivou a foto, a enorme tora procedente da Fazenda São João, medindo 6426 m2. Os Migliari acham-se à esquerda.

A presença dos Migliari na região remonta às origens de Ourinhos.
Henrique Migliari, natural de Rovigo, Itália, chegou a Ourinhos em 1910.
A família Migliari iniciou suas atividades na cidade no ramo industrial.
Seu filho Narciso casou-se com Cisira Sândano, filha de Heráclito Sândano, natural de Pádova, também um dos pioneiros de Ourinhos.
Narciso foi o proprietário do primeiro cinema da cidade – o Tizim. Os filhos deram continuidade às atividades do pai até os anos 1980.


A descendência de Narciso e Cisira fincou sólidas raízes na cidade, destacando-se na política por meio de Lauro Migliari, vereador e prefeito municipal, e na medicina na pessoa do drº Hélio Migiliari, competente e estimado médico. Os bisnetos também se projetaram na política e na medicina na pessoa do filho do drº Hélio e dos filhos do casal Cesira Migliari e drº Roberto B. de Carvalho, ambos médicos em Ourinhos.






Dr.Lauro Migliari,Dr.Helio Migliari (médico),Olavo Migliari,Clorivaldo Migliari e Orlando Migliari.
Sentadas:
Auta Migliari Denari D.Cesira Sandano Migliari , Herminia Bonetti Sandano Luiza Migliari Fernandes

Convivi na infância e adolescência com duas irmãs de Narciso: Rosa Fernandes Grillo e Maria Sacchelli, muito amigas de meus pais. Delas guardo belas lembranças. Durante os sete anos que meus pais residiram em São Paulo (1967-1974) foram vizinhos de Vanda Sacchelli Fernandes, casada com Renato Fernandes de família cambaraense. Também fomos muito amigos das filhas de Dona Rosa e Antônio Fernandes Grillo, Hilda e Delza.

Luiza Migliari Fernandes também conheci, pois foi voluntária na Santa Casa por muitos anos como minha mãe, Amélia.

Aqui,a Familia Migliari em peso! 
Da esquerda p/direita: 
Com lenço na cabeça,Luizinha,Valderez,Dr.Lauro c/o filho Athos no colo),Cleide (c/o filho Afrânio no colo),Neguita (c/o filho Helinho no colo - o Helinho hoje é o Dr.Helinho vereador),Orlando,Luiza,Olavo,Mercedes (c/Antonio Carlos no colo),Elza,Auta e Clorivaldo. 
Na segunda fileira,sentados: 
Cesira Tereza,D.Cesira,D.Herminia,e em pé,a Marcia,Marilvia e Elizabete. 
Agachados: Mauro,Péricles,Vadinho,Sidney,Fernandinho e Janderley. 
Sentados: Ligia,Carla,Olavinho,Marcos,Dante e Maura.
A foto é de 1962.



Fotos: Acervo de Francisco de Almeida Lopes
           Lauro Migliari
 Wilson Monteiro

20.9.09

O GAROTO E SUA BICICLETA, A BANCA DE JORNAIS E REVISTAS E A SIBIPIRUNA

Durante muitos anos estive à procura desta fotografia de cuja existência eu tinha certeza. Uma busca apurada em negativos de meu pai me fez encontrá-la.
Por que o interesse nela? Não pela minha presença no centro dela, e sim pela banca de revistas que aparece atrás.
Ela foi a primeira banca de revistas e jornais de Ourinhos. Localizava-se entre o Bar e Café Paulista, dos irmãos Zaki, e a velha Igreja Matriz na Praça Melo Peixoto, portanto, numa posição estratégica.
Quem teria sido o dono? Segundo o ourinhense João Previdelli era um baiano de aproximadamente 60 anos chamado Bandeira.
O ano? Deve ser 1956 ou 1957. Nela também se vê uma das jovens mudas de sibipirunas plantadas pelo prefeito Domingos Camerlingo Caló em sua primeira gestão (1952-1955).
Segundo relato da jornalista Vera Brandt http://www.verabrant.com.br/principal.htm era desejo do presidente Juscelino ser enterrado à sombra de uma sibipiruna:
"Certa vez em que o Juscelino, Carlos Murilo, Déa e eu fomos ao cemitério visitar a sepultura do Bernardo Sayão, o Juscelino foi para debaixo de uma árvore e disse: “Eu vou querer ficar à sombra desta sibipiruna. Quando eu morrer vocês me enterrem aqui”.

Muitas sibipirunas ainda são vistas nas ruas de Ourinhos, estão florescendo no mês de setembro.

"Originária do Brasil, especificamente da Mata Atlântica, a sibipiruna é uma espécie da Família das Leguminosas e atinge altura máxima em torno de 18 metros. Esta espécie de árvore, que costuma viver por mais de um século, é muito confundida com o pau-brasil e o pau-ferro, pela semelhança da folhagem. A sibipiruna perde parcialmente suas folhas no inverno e a floração ocorre de setembro a novembro, com as flores amarelas dispostas em cachos cônicos e eretos. (...) A floração da espécie ocorre geralmente 8 anos após o plantio e cada exemplar, cultivado em condições adequadas, pode viver por mais de 100 anos."(fonte: ttp://www.jardimdeflores.com.br/floresefolhas/A21sibipiruna.htm

13.9.09

OS CARNAVAIS DOS ANOS 1960: OS BLOCOS CARNAVALESCOS


Nos bailes carnavalescos, era muito comum a organização de blocos por casais, famílias e grupos de amigos (as).
As inúmeras fotos de carnavais da cidade mostram o quanto esse costume era forte, principalmente nos anos 1960.
Vemos aqui dois deles organizados por um grupo de garotas que estavam sempre juntas:
à esquerda Olenka de Melo Sá, Nilza Maria Ferrari, Marilene Bertoni e Benedita Teixeira; à direita,
Ciomara Matachana, Benedita Teixeira, Nilza Maria Ferrari e Olenka de Melo Sá
ÍNDIO QUER APITO

(Haroldo Lobo-Milton de Oliveira, 1960)

Ê ê ê ê ê índio quer apito
Se não der pau vai comer

Lá no bananal mulher de branco
Levou pra pra índio colar esquisito
Índio viu presente mais bonito
Eu não quer colar

6.9.09

O DESFILE DE SETE DE SETEMBRO (7-9-1959)


O Colégio Santo Antônio, instituição privada de ensino mantida pelas Irmãnzinhas da Imaculada Conceição se esmerava na organização de seus desfiles de Sete de Setembro. Dispondo de mais recursos que as escolas estaduais, quase sempre levava os principais prêmios.
Esta foto (7-9-1959), na Avenida Altino Arantes altura da Praça Melo Peixoto, nos dá uma idéia do que era o desfile do Colégio Santo Antônio. Abrindo-o vinha um carro alegórico enfeitado com vasos contendo copos-de-leite naturais. Era uma homenagem à filha do imperador d. Pedro I, a princesa d. Maria da Glória, representada pela aluna Nilce Maria Ferrari, filha de Nilo e Luisa Ferrari. Ao seu lado dois garotos, o que está à direita era o filho caçula do casal drº Hermelino e Tata de Leão, Carlos Alberto, já falecido.
Após o desfile, Nilce foi ao estúdio do fotógrafo e posou como princesa.

3.9.09

PRAÇA MELO PEIXOTO, ANOS 1930

Eis uma foto interessante feita por Francisco de Almeida Lopes, nos anos 1930, antes do novo paisagismo dado à Praça Melo Peixoto pela administração Benedito Martins de Camargo, em 1937. Por ela é possível se verificar que as Andá-Açu já haviam sido plantadas.

30.8.09

FAPI



Slide de uma das primeiras edições da Fapi, por Francisco de Almeida Lopes.

O FARMACÊUTICO EDMUNDO DE OLIVEIRA MATOSINHO

Na minha infância, o farmacêutico era uma das pessoas mais respeitadas na cidade. Muitos deles não tinham diploma na área, não haviam freqüentado escolas específicas, mas haviam adquirido conhecimentos por meio da prática iniciada já bem cedo e de muito estudo.
Lembro-me de três deles que fizeram história na cidade: o srº Aimoré, que tinha um filho também chamado José Carlos, da mesma idade que eu; o srº Mário, da Farmácia Central, ao lado do Grêmio Recreativo de Ourinhos, cuja filha Maria Alice é minha amiga de longa datae o Sr. Edmundo, da Farmácia Santo Antonio, da Vila Odilon.
Em agosto completou-se dez anos do falecimento de Edmundo de Oliveira Matosinho. Ao escrever sobre ele, aproveito a ocasião para homenagear todos os antigos farmacêuticos com os quais convivi na minha infância e adolescência.
Edmundo de Oliveira Matosinho nasceu em 13 de maio de 1921, em Dois Córregos (SP), tendo vivido a primeira infância na área rural do município. Começou a trabalhar em farmácia desde pequeno, primeiramente em Timburi e depois em Ourinhos.
Na antiga Rua Paranapanema (atual Pe. Ruy Cândido da Silva), no nº 616, fundou, em 1945, o primeiro estabelecimento farmacêutico da vila Odilon, que recebeu o nome de Farmácia Santo Antonio. Ali passou grande parte da sua vida atendendo a população carente da Vila e arredores, granjeando a estima e admiração dos moradores daquela parte da cidade. Foi casado a profª Maria do Carmo Ferreira, filha de Antonio Ferreira e Laura Silva Ferreira. Tiveram três filhos: Edna, Edson e Eduardo. Quando do nascimento do filho Eduardo, Maria do Carmo faleceu.
Edna, amiga de longa data, companheira de bancos escolares no Colégio Santo Antonio, tornou-se psicóloga respeitada na capital, sendo casada com o deputado federal José Anibal. Hoje mantém uma galeria de arte, na rua Minas Gerais (Higienópolis – a Galeria Pontes.
Edmundo faleceu aos 78 anos de idade e foi sepultado no Cemitério Municipal de Ourinhos em 6 de agosto de 1999.

26.8.09

"A VOZ DO POVO", EDIÇÃO DE 9-1-1940, UMA TERÇA FEIRA .

A edição comemorativa dos 13 anos do jornal "A Voz do Povo" circulou com algumas fotos de aspectos da cidade. Devido à comemoração ela circulou numa terça-feira, e não no sábado como de hábito.


Já ouviram falar que o Leite de Magnésia de Phillips era bom no combate à gripe? É o que diz a
propaganda acima. As notas sobre casamento vinham sempre com o título "Enlace". Essa é a do casamento da mãe de minha amiga Cesira Migliari de Carvalho. Os horários de casamento eram os mais diversos possíveis
.


Aqui temos um convite para "Missa de 7º dia" e a propaganda do Externato Rui Barbosa do profº Constantino Molina, a primeira escola de estudos pós primário existente na cidade. Com a criação do ginásio, seu proprietário vendeu-a para o profº Aparecido Gonçalves Lemos, pai do nosso amigo Osmar. O nome do estabelecimento foi mantido.

























  1. Um aspecto da recém remodelada Praça Melo Peixoto ou "Largo do Jardim", ângulo obtido a partir do sobrado do Miguel Cury ou do Vasco Fernandes Grillo.


Na capa dessa edição uma foto do Interventor Federal "Ademar de Barros"

23.8.09

A "BANDEIRA CIDADE DE OURINHOS", 1940.


Em 1º de setembro de 1940, partia de Ourinhos um grupo de jovens em direção ao rio Paraná até o porto de Guaíra, na divisa com o Paraguai. Os participantes dessa expedição, denominada “Bandeira de Ourinhos”, tinham como objetivo estudar as riquezas do Brasil desconhecido. Chefiava-a o profº José Maria Paschoalick, do Grupo Escolar local. O percurso foi feito por canoa seguindo as margens do rio Paraná.
"A Voz do Povo" 14-9-1940
Bandeira Cidade de Ourinhos

Foi muito festiva a sua passagem por Salto Grande. Conforme noticiamos em nossa edição passada, os componentes da Bandeira «Cidade de Ourinhos» daqui partiram no dia l.o do corrente mês para a sua arrojada viagem até Guaíra, ponto final da jornada. Daqui até a cidade de Salto Grande, foram os mesmos acompanhados pelo sr. Horacio Soares, digno e esforçado prefeito municipal desta cidade. Chegando a cidade de Salto Grande, pelas 16 e meia horas, grande massa popular aguardava-os na piscina do Esporte Clube Paranápanema para recebe-los festivamente ao pipocar de foguetes e tiros de morteiros.
Nessa ocasião falou, saudando os saltograndenses, o prof. José Maria Paschoalik, chefe da bandeira. Respondeu-lhe, dando as boas vindas, o nosso inteligente colega jornalista sr. Miguel Farah, que fez um brilhante improviso, rico na forma e em palavras eloquentes disse do significado daquela arriscada aventura, terminando dirigindo palavras de carinho ao nosso prefeito sr. Horacio Soares, pelo estimulo e conforto material e moral que emprestava á nossa bandeira, que, estamos certos, elevará bem alto o nome de Ourinhos"


O retorno dos “bandeirantes’ ocorreu no dia 27 de setembro, ocasião em que foram recepcionados à noite, no “largo do jardim”, com um comício público no qual falaram o prefeito Horácio Soares, o profº José G. de Matos, do ginásio local e, em nome de Salto Grande, o jornalista Miguel Farah. Pela “Bandeira”, agradeceu o professor Paschoalick.

Francisco de Almeida Lopes fotografou a partida da expedição para a memória de Ourinhos

17.8.09

OSWALDO EGÍDIO BRISOLA

(Clique sobre a foto)
Interessante foto feita por meu pai no Programa de Homero Silva, quando se divulgava a realização da 2ª FAPI, em 1967. Homero está entrevistando o padre Arnaldo Beltrami, vigário local. A partir da esquerda o jornalista Salvador Fernandes, o vice-prefeito Osvaldo Egídio Brisola, o vereador João Newton Cesar (que foi prefeito interino), pde Arnaldo, o prefeito Domingos Camerlingo Caló e o ex-prefeito drº Hermelino Agnes de Leão.
Sem dúvida, uma bela foto com um ângulo muito interessante ao focalizar câmera de tv.


Brisola, ex-prefeito, vereador por várias legislaturas, comerciante, partiu dia 7/8. Muito estimado na cidade, era casado com Regina Silvestrini. Foi vizinho de meus pais por muitos anos e lembro-me deles todos com muitas saudades. À família os sentimentos de "Memórias Ourinhenses". Ele aparece nessa foto de uma reunião de amigos no clube Diacui, segurando uma faca .

15.8.09

TRÊS MOMENTOS DA VISITA DO MARECHAL LOTT A OURINHOS (1960).


Os dois partidos políticos que lançaram a candidatura do marechal Lott, PSD e PTB sempre tiveram forte penetração entre os eleitores ourinhenses. Desse modo, a cidade recebeu a visita do candidato durante a campanha eleitoral de 1960.
Nessas três fotos do acervo do jornalista Dirceu Bento da Silva identificamos no coreto da Praça Melo Peixoto:
· o marechal Henrique Teixeira Lott, de óculos escuro;
· o jornalista Miguel Farah;
· a srª Maria Aurora Gomes de Leão (Tatá), esposa do drº Hermelino de Leão;
· o deputado federal Ulisses Guimarães, do PSD;
· o deputado federal da região, Antonio Silvio Cunha Bueno, do PSD;
· Dirceu Bento da Silva, repórter da Rádio Clube de Ourinhos.

10.8.09

ULISSES GUIMARÃES, O TRIBUNO (*06/10/1916 +12/10/1992)

(Clique sobre a foto)
Ulisses Guimarães, natural do Rio Claro (SP), advogado, ingressou na política em 1947, quando foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD). Em 1950, elegeu-se deputado federal, função que exerceu ao longo de onze mandatos consecutivos.
Foi Ministro da Indústria e Comércio durante o regime parlamentarista.
Após a extinção dos partidos políticos em 1966 foram criados a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro – MDB. Ulisses ingressou nesse último.
Em 1973, foi anticandidato à presidência da República em protesto contra a farsa da eleição indireta.
Com a volta do bipartidarismo em 1979, tornou-se presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB.
Foi um dos principais líderes do movimento das “Diretas Já”, no início de 1980.
Na eleição indireta de 1984, Ulisses foi o articulador da candidatura de Tancredo Neves, que foi vitoriosa.
Presidiu a Assembléia Nacional Constituinte de 1988.
Na eleição direta de 1989, foi candidato à presidência da República, ocasião em que teve apenas 4 % dos votos.
Em 1992, o helicóptero que transportava os casais Severo Gomes e Ulisses Guimarães, caiu no mar. Desaparecia assim, o grande tribuno paulista.
O senador Pedro Simon em discurso no Senado (26/11/1992):

"Há um grande silêncio neste plenário. Há uma grande ausência nestas salas e corredores. Não obstante o silêncio e a ausência, silêncio que perturba os nossos ouvidos, ausência que fere os nossos olhos, a voz forte de Ulysses Guimarães ecoa na consciência moral deste Parlamento, de nosso povo e do nosso tempo."
Nas eleições gerais de 1960, o PSD, aliado ao PTB, apoiava a candidatura do marechal Lott. Por ocasião da visita do candidato a Ourinhos, Ulisses Guimarães discursou no coreto da Praça Melo Peixoto, como mostra esta foto do acervo de Dirceu Bento da Silva, então repórter da Rádio Clube de Ourinhos. Além do repórter, são vistos na foto d. Tata esposa do drº Hermelino Agnes de Leão, o jornalista Miguel Farah e o ferroviário Múcio Correa da Silva, que foi vereador em Ourinhos por várias legislaturas.

2.8.09

VERA LUCIA COUTO DOS SANTOS, MISS BRASIL 1964, EM OURINHOS



Já tivemos a oportunidade de escrever sobre a visita de Vera Lúcia Couto dos Santos, a Miss Brasil de 1964, a Ourinhos.
Como há outra foto feita por meu pai na ocasião, retomo o assunto, aproveitando para transcrever trecho do artigo (“Do preconceito de cor”) que a escritora Rachel de Queiroz escreveu para a revista “O Cruzeiro”, de 17/10/1964:

“Vejam o tremendo impacto publicitário que representou a eleição da linda Miss Guanabara. Numa eleição onde as brancas concorriam em maioria, fizemos Miss Brasil, Vera Lúcia Couto, mulata daquela estirpe que, com grande propriedade, se chama imperial. Mulata imperial, palmeira imperial, modinha imperial - qualquer coisa que é ao mesmo tempo belo, tradicional, emocionante e majestoso.
E o êxito de Vera Lúcia lá fora, a simpatia geral com que a receberam, representa não só o sucesso pessoal da beleza da môça, como também o que ela significa para uma humanidade exausta de ódios, de preconceitos mesquinhos - a alegria da boa mistura, a liberdade de cada um nascer da côr que queira e, sobretudo, a novidade daquela presença de beleza fora de padrões e tabus.
Fazendo de Vera Lúcia a nossa miss nacional, na verdade promovemos a legitimação da mulata perante o Mundo. “
Esta foto é mais um momento da despedida de Vera Lúcia no aeroporto local. Ao seu lado estão duas das mais bonitas jovens da época, Nilza Maria Ferrari e Marilene Bertoni, ambas com experiência de miss na região. Também se acham na foto Luisa Móya Ferrari, mãe de Nilza, e Odete Bertoni, mãe de Marilene.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

29.7.09

A NOVA AGÊNCIA DOS CORREIOS


Em 25 de setembro de 1950, meu pai fotografava o lançamento da pedra fundamental do novo prédio dos "Correios e Telégrafos".

A foto captou, em primeiro plano, um belo perfil do saudoso padre Eduardo Murante, vigário local, que fora dar a benção. Em segundo plano, são vistos da direita para a esquerda: Virgílio Varago, antigo morador da cidade que tinha com os filhos uma importante marcenaria na rua Antonio Carlos Mori; Ezelino Zório, construtor, responsável pela edificação da nova igreja matriz e de um grande número de residências da cidade a partir de meados dos anos 1940(era sobrinho de Henrique Tocalino) e Tibério Bastos Sobrinho, por muitos anos tesoureiro da prefeitura municipal, depositário da história local e ainda firme entre nós. É o pai de Vânia Bastos, intérprete renomada da música popular brasileira e do vereador Euler Bastos.
(Publicado na "Folha de Ourinhos")

AMIGAS NO ESTÚDIO FOTOGRÁFICO


A ida ao estúdio fotográfico era uma constante nos anos 1950. Por mais que fotos fossem feitas domesticamente, a ida ao estúdio era obrigatória em determinadas ocasiões: primeira comunhão, formatura, casamento. Grupos de amigos (as) também costumavam se fazer fotografar em estúdio. Aqui vemos um grupo de meninas da minha geração formando um conjunto muito bonito, registrado em 11 de maio de 1958.

Em pé, da esquerda para a direita:

Sonia Cotrim, Dilma de Freitas, Lisandre Castelo Branco, Zoé Machado Branco, Marilene Vinci, Sonia Diniz e Maria Cristina Duarte de Souza.

Sentadas: Loanda Maria Castelo Branco, Marisa Trench de Medeiros e Nielse Maria dos Santos.

Como dizia o poeta Manuel Bandeira (Passado, presente e futuro, Nova Fronteira, 1993, 20ª ed):

"Só o passado verdadeiramente nos pertence.

O presente... O presente não existe:

Le moment où je parle est déjà loin de moi.

O futuro diz o povo a Deus pertence.
Publicado na Folha de Ourinhos)
A Deus, ora adeus !"
(Publicado na "Folha de Ourinhos)

LUIZ RODRIGUES DE SOUZA, UM VOLUNTÁRIO DE 1932





Luis Rodrigues de Souza, voluntário ourinhense em 1932, perdeu sua vida na Revolução Paulista.
Na ocasião, havia-se formado um batalhão denominado "Teopompo", do qual subsistem algumas fotos.
O profº Constantino Molina, espanhol que residiu muitos anos em Ourinhos e foi o fundador do Instituto Rui Barbosa, instituição privada de ensino, escreveu um livro narrando os acontecimentos de 1932 na cidade. (no museu há uma cópia dessa publicação).
Quando da ocasião da ida dos restos mortais do jovem voluntário para o mausoléu existente no Parque do Ibirapuera, realizou-se uma cerimônia, na Praça Melo Peixoto, ocasião em que foi feita esta foto (desconheço a autoria).
Nela vemos dois párocos da cidade: de braços cruzados, Domingos Trivi, italiano que conduziu por muitos anos a Paróquia do Senhor Bom Jesus e Duílio, também italiano, que permaneceu muito tempo à frente do Seminário Josefino. À direita, em primeiro plano, de mãos cruzadas, o prefeito à época, profº José Maria Paschoalick (1956-1959). À esquerda, de óculos escuros, entre os dois irmãos Ferreira de Campos, o profº Alberto Braz, vereador na ocasião. Mais ao fundo está meu pai, Francisco de Almeida Lopes.
(Publicado na Folha de Ourinhos)

26.7.09

Drº Hermelino Agnes de Leão (1903-1973)




 
Publicado na "Folha de Ourinhos, 25-12-2004"

Foi prefeito de Ourinhos por três vezes.
Com a eclosão da Revolução de 1930, tornou-se "governador civil" da cidade, uma vez que o PRP teve de deixar o poder. Nessa mesma condição, foi nomeado pelo interventor de São Paulo, João Alberto, em 1932. Esses dois períodos foram bastante curtos.
Durante o Estado Novo (1937-1945), seu nome foi novamente lembrado para conduzir os destinos da cidade. Isso ocorreu em 1941, tendo a sua permanência se estendido até 1945.
Nesse período de quatro anos, mostrou-se um administrador competente, tendo resolvido o problema que se arrastava há anos - o da captação da água potável. Até então, o fornecimento se dava via Rio Turvo e a água fornecida não era de boa qualidade. Por ocasião do primeiro aniversário do seu governo, em 4/11/1942, esse problema já havia sido resolvido e uma água de boa qualidade jorrava nas torneiras da cidade.
As comemorações que se fizeram nessa ocasião: desfile, jantar e baile , demonstram o quanto ele tinha o respeito da população em geral.
O banquete ocorreu no salão de festas do Clube Atlético Ourinhense. A música esteve a cargo do "Jazz da SPP" (Ferrovia São Paulo-Paraná) .
A saudação ao prefeito foi feita pelo dr. Alfredo Bessa. Ao jantar seguiu-se um baile.
Na sua gestão, foi criado um banco municipal - o Banco Cooperativo de Ourinhos (Decreto Federal nº 10.053. de 22/7/1942), para captar recursos que pudessem ser aplicados na administração do município. A diretoria era formada pelo dr. Hermelino de Leão (presidente), José Neves Lobo, diretor gerente e os conselheiros: Alvaro de Queiroz Marques, Francisco Pinheiro Silva, Antonio A. Leite, Rodopiano Leonis Pereira, Pedro Medici, Horácio Soares, Antonio Carlos Mori e Miguel Cury (os três últimos eram suplentes).
Seu trabalho em prol da construção da Santa Casa de Misericórdia já é bem conhecido.
Esta foto, em frente a estação ferroviária da Sorocabana, retrata a chegada do dr. Hermelino (4/11/1941) após a sua nomeação como interventor municipal.
A saudação foi realizada pelo advogado João Bento Vieira da Silva. A ginasiana Alzira Matachana, saudou o interventor em nome dos estudantes, entregando-lhe um ramalhete de flores.
O dr. Hermelino de Leão faleceu no dia 21 de novembro de 1973, com 69 anos de idade.

O BAR DO "CHICO MANCO"

















Publicado na "Folha de Ourinhos", de 14-11-2004


Até quase o final da década de quarenta do século passado, na rua São Paulo, esquina com a Expedicionário (antiga Piauí), havia um bar que fez história na cidade pela simpatia dos proprietários e pelos quitutes que ali eram servidos. Refiro-me ao Bar do “Chico Manco”. Quem era ele?

Português da Freguesia de Figueira de Lorvão, no município de Penacova, Francisco Simões de Souza, nasceu em 29 de agosto de 1880. Casou-se com Micaela de Jesus com quem teve duas filhas: Maria Amélia de Souza (Galvão) e Belarmina de Jesus Souza (Leal). Veio para o Brasil em 1906, indo trabalhar como mestre de obras no Arsenal de Guerra de Deodoro, (RJ) durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca.

Em 1909, atendendo apelo de patrícios, foi para o Estado de São Paulo participar da derrubada de matas, época em que sofreu o acidente que lhe valeu o apelido de “Chico Manco”.

Em 1914, estabeleceu-se em Ourinhos, tendo trabalhado na fazenda de Jacinto Ferreira de Sá e na serraria de Domingos Garcia. Com a poupança amealhada, montou um bar na rua São Paulo, onde também residia. Nesse estabelecimento, o forte eram os quitutes preparados por dona Micaela: pastéis, sardinhas fritas, bombocados e coxinhas de galinha (galinha mesmo, naquele tempo). Os que freqüentaram o bar guardaram para sempre a lembrança dos deliciosos pastéis preparados por dona Micaela, madrinha de meu tio Herculano e que cheguei a conhecer.

Naqueles tempos, nas imediações do bar, havia: o Cine Cassino, a Agência do Correio, dirigida por dona Alice Machado, o Grêmio Recreativo de Ourinhos, o Posto de Saúde, a Agência Lotérica do Faccini, a tinturaria do Luiz Forti e as residências do dr. Theodureto, Maria Areias, Dela Torre e Suyama Kanda.

Chico Manco, trabalhando em seu estabelecimento, faleceu em 1949.

Sua filha Belarmina ainda está entre nós, com 96 anos a serem completados amanhã, 15 de novembro. Parabéns dona Belarmina !!

A foto é da primeira fase do bar, quando o estabelecimento ainda era de madeira.

OS PRIMÓRDIOS DO BASQUETE EM OURINHOS - O TIME DA COMPANHIA FERROVIÁRIA SÃO PAULO-PARANÁ



 A alta administração da SPP e alguns jogadores do time de basquete:
em pé (4) Engenheiro Wallace Morton,superintendente (6) Benedito Monteiro, contador, (8) Luiz Zanoto, (9) Hermínio Socci, chefe de tráfego
Alberico Albano é último, sentado, à direita.


No centro, Alberico Albano (Bio) que trabalhou posteriormente, na Sanbra,  por muitos anos e foi também vereador na Primeira Legislatura (1948-1951). Ladeando Bio,  dois mascotes do time, os irmãos  Cyro e Cássio Teixeira Tucunduva.

Em Ourinhos, essa modalidade começou a ser praticada no ambiente esportivo dos empregados da Companha Ferroviária São Paulo-Paraná que, além de um excelente time de futebol, formou também um de basquete. Os  treinos e os jogos eram realizados na quadra da SPP, que ficava nas imediações da Avenida Rodrigues Alves, atrás das residências dos administradores.


Em 26-10-1940, o jornal "A Voz do Povo" publicava uma nota:

                                   "S.P.P.
                               Bola ao Cesto
  Reúnem-se hoje às 4 da tarde, os componentes diretivos do Bola ao Cesto, da S.Paulo-Paraná,  para a posse da diretoria.
  A reunião esportiva será mesmo realizada na quadra de cestobol da entidade esportiva ferroviária, havendo em seguida à posse dos novos  diretores, um amistoso treino entre conjuntos da entidade.

  Reina nos meios esportivos da S.P.P., muito entusiasmo pela expansão e prática de esportes. esperando-se que a nova diretoria empregará todos os esforços no sentido de melhorar mais ainda as condições da sociedade, ampliando o quanto possível o seu patrimônio esportivo e tornando-a conhecida e invicta, como veículo de aproximação esportiva, social e cultural ourinhense."



Na última fileira à esquerda são vistos (3) Hermínio Socci (4) Marjorie Morton com a filha no colo e o Engenheiro Morton.
Agachado (2) Alberico Albano (Bio)

A nota  do jornal “A Voz do Povo” , de 23/11/1940, é um registro da modalidade cestobolística  na SPP: 

“Visitou esta cidade, durante a semana passada, uma lusida caravana cestobolística do Escritório Central S.P.P., da Capital, que aqui disputou algumas partidas com os cestobolistas do escritório local da mesma ferrovia.
Sábado, à tarde, as turmas de bola ao cesto visitante e local, mediram forças em belíssima competição, saindo vencedora a primeira por 25 a 10. Domingo, às 11 horas, entraram na quadra sa S.P.P., perante seleta assistência, os quadros principais dos visitantes e locais, tendo, aliás, sido esta a principal partida dos ferroviários, vencendo a turma do Escritório central, por 25 a 11.
Domingo mesmo, pelo Ouro Verde, a caravana regressou para S. Paulo, tendo concorrido embarque”.





Fotos por Francisco de Almeida Lopes




À direita, de terno branco é Amadeu de Souza, tio dos jovens Tucunduva. Ele trabalhava na Agência Ford, de Raul Silva, na Rua 9 de Julho. Cyro Tucunduva é o sexto, da esquerda para a direita em pé. José Tucunduva (Juca) é o terceiro agachado, da esquerda para a direita. Juca apenas jogava no time, não trabalhava na SPP. O segundo em pé à esquerda creio ser Flávio Menezes, que foi  casado com Guiomar Vara.





José Tucunduva (Juca é o terceiro e Cássio Tucunduva  é o quarto, da esquerda para a direita


O penúltimo à direita é Castorino Ferraz Bueno, um dos primeiros empregados da SPP, ainda na época em que a ferrovia pertencia aos fazendeiros da região. Ele foi casado com Nair Migliari.
Tenho a impressão que essa foto é a do primeiro jogo do time. À esquerda estão dois membros da administração: Benedito Monteiro (em meio corpo) e um outro que não sei o nome. 
Cyro Tucunduva é o terceira da esquerda para direita em pé, José Tucunduva (Juca) é o oitavo e Amadeu o da ponta. Cássio Tucunduva é o terceiro agachado, da esquerda para a direita.


Cyro Tucunduva é o primeiro à esquerda, em pé; Cássio Tucunduva  é sexto  Amadeu, tio dos jovens Tucunduva é o último. José Tucunduva (Juca) é o terceiro da esquerda para direita, agachado.



Em pé: (1)Alberico Albano (Bio)(2)Cyro Tucunduva. Agachado Cássio Tucunduva.


Agachados: (1) Cyro Tucunduva, (2) Alberico Albano Bio)