29.12.06

MEUS PROFESSORES OURINHENSES, POR NOEL CERQUEIRA


Abro espaço para esse belo artigo escrito por meu amigo Noel Cerqueira para a Folha de Ourinhos.

A foto, que o ilustra, é a da chegada de Marta Rocha ao "Grupinho" , sendo recebida pelo diretor do estabelecimento, profº Dalton Morato Villas-Boas. Ao seu lado, à direita, está Virgínia Bessa, esposa do drº.Alfredo Bessa, em cuja casa a miss achava-se hospedada. Também podem ser vistas na foto, a profª Cleuza Devienne (à esquerda) e Rita Herkrath.
Quem sabe Noel não está entre aqueles alunos que ovacionam a miss Brasil.


Recentemente, passando por Ourinhos - como sempre, retornando de Jacarezinho como vem acontecendo nos últimos quarenta anos - constatei que a Escola de Comércio “do Jorginho” não existe mais. Transformou-se em Colégio Objetivo.
A área ao lado, que pertencia à Igreja Metodista – com salas de aula e quadra esportiva – também se apresenta modificada. Então me ocorreu que naquele local assisti as minhas últimas aulas em Ourinhos.
Na época, o Instituto de Educação “Horácio Soares” inaugurava o curso ginasial nortuno – com cúrriculo regular. Como a demanda era grande, foi exigido um exame de admissão – com objetivo de selecionar os melhores candidatos.
Foi então que os jovens professores Alfredo Cubas da Silva e Anibal Siqueira Monitor instalaram ali um curso prepatório – onde, mais por insistência do meu irmão Aureliano, que interesse e disposição para o estudo, frequentei algumas aulas. Logicamente, insuficientes para obter uma vaga no curso ginasial noturno, exclusivamente pela minha defasagem de conhecimento e não pela qualidade e dedicação dos professores. Registre-se:- o curso era gratuíto, fruto da abnegação de ambos !
O jovem Anibal Monitor, dinâmico também como dirigente da S.M.J. - Sociedade Metodista de Jovens - proprietário de uma Romiseta, possivelmente não foi a única que trafegou pelas ruas da cidade, mas certamente foi a primeira. Não voltei mais a revê-lo. A última notícia dava conta que residia na cidade de Campinas.
Quanto ao Alfredo Cubas, que na época mostrava-se engajado no movimento estudantil, acabamos nos encontrando durante o concurso de delegado de polícia – evidente, que para surpressa de ambos. A prova de campo – pela forma como foi aplicada, exigia esforço além das nossas condições - nos deixou extenuados. Alfredo, reconhecidamente com melhor preparo intelectual, fez carreira na cidade de Campinas. Enquanto seu aluno percorria com denodo – mais de uma dezena de municípios do interior – para alcançar a almejada classe especial.
Antes, havia obtido o diploma do curso primário no Grupo Escolar "Jacinto Ferreira de Sá" - tradicional prédio marron da rua 9 de julho - assinado pelo diretor José Maria Paschoalick. Orgulhosamente, o exibo na parede do escritório - como mais uma prova da cidadania ourinhense !
Certa feita, ao final do terceiro ano letivo, o diretor Paschoalick convocou os pais para entrevista e orientação. Constatando baixo aproveitamente nas aulas de linguaguem - principalmente em leitura. O experiente professor lembrou que José de Anchieta - ou Manoel da Nóbrega (?), também haviam enfrentado problema com a gagueira. Sugeriu que minha mãe exercitasse a minha fala, assim como fez o religioso, colocando pedrinhas debaixo da língua. Depois dos primeiros exercícios abandonei o tratamento e assumi a condição de gago - assim como meu amigo Moia, colega de Tiro de Guerra.
Os primeiros sinais de falta de interesse pela escola, aconteceu durante a quarta-série do curso primário, periodo que o meu aproveitamento foi sofrível - fechei o ano com média um pouco superior à 7,0 - ou 70,0 (?). Lembro porque consta do meu diploma. A professora era uma santacruzense, como minha mãe Eunice, pertencente à tradicional família Castanho, cujo nome o desinteresse por suas aulas não permitiu que fixasse em minhas lembranças.
Os tempos eram difíceis. A cerimônia de diplomação aconteceu no Cine Ourinhos - numa manhã de domingo. Acompanhei no meio da platéia. Havia exigência de roupa social e não foi possível providenciá-la.
A terceira-série, ainda no Grupo Escolar "Virgínia Ramalho", sob a aulas da dona Edith, na companhia do meu primo Levi Cristoni e do amigo Dezidério, morador da Vila Muza, revelou as primeira dificuldades de aprendizado e no meio do ano meus pais providenciaram a minha transferência para o "grupão" - onde já havia freqüentado o jardim da infância.
A classe ficava sob o gabinete dentário - o encanamento denunciava - e certa manhã, ainda no início da aula, a bedel Olenca trouxe a notícia da morte do presidente Getúlio Vargas. Fomos dispensados e não tivemos aulas durante três dias, em sinal de luto - a população ficou transtornada e muita apreensiva com a perda do lider político.
Certamente, foi durante a segunda-série o período mais gratificante do grupo escolar. A professora Alice Silveira, esposa do dentista Sebastião Silveira, morava na rua Maranhão. Em algumas tardes a dona Alice chamava à sua casa os alunos com melhor e pior aproveitamento. Ali nos incentiva a repartir o conhecimento com os colegas - no intervalo o "doutor Sebastião" cuidava dos nossos dentes e ao final da aula sempre havia uma mesa com delicioso bolo e refresco natural. Pura dedicação e carinho da mestra !
Aquele ano letivo ainda não havia terminado, quando no dia 02 de novembro de 1953 - dia de finados - contrariando o ensinamento dos mais velhos fui jogar futebol com o Láercio (da funerária), o Eloy (da pensão Aurora) e um outro menino, acho que era o "Celsinho Gonsalves" - ou seria o "Nego Maeda" ?.
No páteo da ferrovia, onde os caminhões manobravam para encher os vagões, demarcamos o gol e passamos a disputar em "dupla" - divididos entre um grande e outro pequeno, eu com o Laércio e o Eloy com o outro garoto - passamos a disputar "ataque e defesa". Numa das séries, a nossa dupla levava a melhor quando o Eloy (rapaz grandão, como o Laércio) disparou o último chute - não conseguiu fazer o gol, mas o frágil braço direito do menino fransino, então com 8 anos de idade, não resistiu ao impacto e fraturou na altura do punho.
Coube ao doutor Luiz Monzilo, já consagrado médico obstetra, tomar os cuidados para recuperar a fratura. Primeiro, manteve o braço "encanado" imobilizado por talas durante três dias. Depois aplicou o gesso, imobilizando o membro lesionado por outros vinte e um dias. Ainda guardo alguma seqüela do tratamento dispensado - que, felizmente não me impediu de ser um goleiro razoável, é verdade !
Ia me esquecendo, não pude fazer os exames do final de ano. Fui então beneficiado pelo senso de justiça do diretor Dalton Morato Villas Boas que tirou uma média das notas obtidas durante o ano e decretou a minha aprovação - ressalte-se, com mérito ! Com isso, as férias daquele ano foram mais longas.
O "grupinho" então inaugurava o prédio da rua Gaspar Ricardo - antes, para quem não sabe, funcionava em imóvel comercial e residencial defronte ao "grupão", na rua 9 de julho. Ocupávamos uma sala no final do corredor, que também dava acesso para fundos do prédio - ainda sem muro. Ali, sob os cuidados da dileta e inesquecível professora Inês de Souza Leal, fui alfabetizado.
Recentemente, o amigo José Carlos Neves Lopes - titular da coluna Recordando ..., da Folha de Ourinhos - blindou-me com a notícia de que sua mãe levara um dos meus textos para a dona Inês ler. Por ser a expressão da verdade, confirmo de público:- foi ela quem me ensinou não só a desenhar as primeiras letras, como também me cobrou durante toda a adolescência o compromisso de retornar aos estudos.
Certa feita, em outra passagem por Ourinhos, encontrei a dona Inês Leal na padaria da rua dos Expedicionários. Emocionado apresentei a ela a minha família - minha mulher Orminda e os filhos - e lhe prestei conta sobre a continuidade dos estudos e o caminhar da vida pessoal e profissional.
Depois a visitei e pudemos então falar dos seus alunos. O colega Alfredo Wagner Andrade, para nós "Alfredinho", jovem presbiteriano independente, brilhante funcionário do Banco do Brasil - trabalhou em Brasília. O Waldir Marques - do saudoso Bazar 77 - moço religioso, tornou-se expressivo membro da ordem dos jesuitas e vive na França. Dizia ela:- sempre que Waldir vem a Ourinhos me convida para assistir a missa que ele costuma celebrar no âmbito familiar.
Coincidentemente, na mesma ocasião bateu à porta Joaquim Camacho - outro amigo de sempre, filho da dona Maria Camacho, colega da minha mãe desde os tempos de Pau D'Alho - hoje Ibirarema. Dedicado vicentino, angariava donativo para distribuição com as famílias carentes.
Finalmente, não podia deixar de mencionar os professores Homero e Olavo, ambos da Escola Artesanal - por mais que insistissem não conseguiram torna-me um torneiro mecânico, da qualidade dos irmãos Camacho e os Monteiro !
Noel Gonçalves Cerqueira
Guarujá, dezembro / 2006

"A INSTALADORA"

Estão lembrados dessa loja?
O proprietário era o Almiro Cardoso, que morreu ali por finais dos anos 1950, creio.
A foto é de seu filho Almiro e me foi enviada pela amiga Cristina Souza.
Ficava em frente ao Grupão. À esquerda, vê-se uma parte do bar do Gabriotti, pai do meu amigo José Agostinho.

OURINHOS EM 1950




Nessa foto aérea vemos Educandário Santo Antônio que estava sendo erguido em em um dos três terrenos que fizeram parte da Fazenda Múrcia (nome da fazenda de Horácio Soares).
Horácio Soares doou esse terreno às Irmãzinhas da Imaculada Conceição.   
Uma parte da fazenda de café, ainda podia ser vista após a linha férrea que demanda o Paraná.
Outro destaque é  a nova Igreja Matriz que estava sendo construída num quarteirão da Rua Arlindo Luz, tendo à sua frente  a serraria dos Irmãos Mori, em pleno coração da cidade.
No canto direito da foto, nota-se um grande prédio em construção. Trata-se do Seminário Josefino. 
Ourinhos ainda era uma cidade pequena. Seu calçamento havia sido iniciado há  apenas dois anos.
Possuía 394 propriedades agrícolas, das quais a maioria tinha menos de vinte alqueires(322).
Na agricultura predominavam: café,  algodão, milho, arroz e alfafa.
As principais casas de secos e molhados eram: Casa Zanotto, F. Mateus & Cia, Antônio J. Ferreira & Cia Ltda, Tone & Cia, Tertuliano Vieira & Filhos, Carlos Amaral e Irmãos Mori.
986 operários trabalhavam em 160 indústrias de todos os portes.
As consideradas grandes indústrias se dividiam nas categorias: benefício de algodão, serraria, oficina mecânica e fundição, carpintaria, ferraria, serralheria, beneficiamento de arroz, bebidas, farinha de milho, artefatos de metal, torrefação e moagem de café, vendas e reparos de carros Chevrolet, vendas e reparos de carros Ford, fábrica de balas, frigorífico.
Duas estradas de ferro serviam o município: E.F. Sorocabana e Rede de Viação Paraná-Sta Catarina. 
Três trens faziam diariamente a ligação Ourinhos-São Paulo, com duração média de 12 horas de viagem.
O tempo de médio da viagem  Ourinhos-São Paulo por estrada de rodagem era de 8 a 10 horas.
Os vereadores eram: Moacir de Melo Sá, Francisco Cristoni, Benedito Monteiro, Telésforo Tupina, Alberico Albano, Alberto Braz, Altamiro Pinheiro, Joaquim Lino de Camargo Júnior,Álvaro Franco de Camargo Aranha, Domingos Camerlingo Caló, Horácio Soares, Alfredo Monteiro e João Bento Vieira da Silva Neto.
O prefeito era o professor Cândido Barbosa Filho. 
Estavam qualificados 3.335 eleitores .

17.12.06

O COLÉGIO SANTO ANTÔNIO







O ano de 1946 caminhava para o seu final. O profº Cândido Barbosa Filho, já envolvido na política local, dava os primeiros passos da caminhada que o levaria à prefeitura municipal no ano seguinte, quando foi eleito numa disputa que teve como outros candidatos, José Esteves Mano Filho, Tito Prado e Antônio Luiz Ferreira. "Barbosinha", como era popularmente chamado, tornou-se o primeiro prefeito eleito pelo voto popular, após a queda do Estado Novo.
O jornal "A Voz do Povo" noticiava que Barbosinha fora a São Paulo tratar com a Irmã Superiora da Irmandade da Imaculada Conceição, do início da Construção do Colégio Santo Antônio, em terreno doado por Horácio Soares em área de sua propriedade que estava sendo loteada (um terreno de 7.744 m2).
O Colégio Santo Antônio de Ourinhos seria criado no dia 13/6/1947, funcionando, inicialmente, na rua São Paulo, com Jardim de Infância, Pré-Primário e cursos de bordado e corte e costura.
O prédio onde seriam instalados definitivamente os cursos foi concluído em 1950.
A foto, editada por mim a partir de uma vista aérea, deve ser do ano de 1949, e nela se pode ver a escola sendo edificada.

10.12.06

ELES E ELAS (2)

Reinaldo Azevedo, um dos filhos do fundador de "A Voz do Povo" e Mário Curi,
responsável pela construção de vários edifícios na cidade.




À esquerda o juiz Rocha Paes que permaneceu em Ourinhos por muitos anos e Antônio Luiz Ferreira, contador, foi responsável por uma série de iniciativas na cidade e foi prefeito municipal de 1956 a 1959.

9.12.06

ELES E ELAS (1)

Eis o velho Júlio Mori, que veio para Ourinhos em 1918, dono de uma grande serraria localizada no centro da cidade , em frente a atual Catedral e de uma loja de secos e molhados na rua Paraná



Elziro Ribeiro da Silva e "Cali", a soprano de Ourinhos, que brilhava em todos os casamentos cantando "Ave Maria" e nas procissões do enterro, interpretando a canção da Verônica. Por muitos anos o casal teve uma casa de armarinhos na rua Paraná

Trajando terno branco, Celestino Bório, um dos proprietários da Radio Clube de Ourinhos; atrás, Ciro Silva, funcionário da SPP, Tibério Bastos Sobrinho, funcionário da Prefeitura Municipal e o professor Barbosinha, que foi prefeito municipal, eleito em 1947.






3.12.06

RECORDAR É VIVER (5)


Na primeira foto, o monumento aos 50 anos da Sanbra, seu Souza, e três empregados da fábrica, o que está ao
seu lado e o último (Bio Albano) foram meus contemporâneos nos felizes três anos de aprendizagem profissional que ali vivi .
O clube Diacui onde passei felizes tardes de domingo nos anos 1960.
(Foto por Francisco de Almeida Lopes)
A beleza natural de Salto Grande antes da Usina Garcez.
(Foto por Francisco de Almeida Lopes)
A meninada não vê a hora de o padre Duílio terminar a benção para se jogar na piscina . Eu estou com as mãos sobre o queixo, atento às palavras do sacedote.
(Foto por Francisco de Almeida Lopes )

EXAMES FINAIS



Antes da criação do Ginásio de Ourinhos, uma instituição privada, o ensino secundário somente podia ser feito no Externato Rui Barbosa, de propriedade do professor Constantino Molina, que ficava na Altino Arantes. Os alunos tinham de submeter-se a exames finais numa instituição de ensino sob a fiscalização do governo federal.
Em 1937, um grupo de alunos fez esses exames na Faculdade Comercial Brasil, em São Paulo. A nota mais alta entre as alunas foi 8, obtida por Rosa Fragão, Ivone Pierotti e Amélia Neves. A mais alta entre os alunos foi 7, obtida por José Fernandes, Hermínio Nogueira e Jairo Diniz.
Esta coluna homenageia hoje dois desses alunos que ainda estão entre nós: Jairo Diniz e Amélia Neves, minha mãe, que aniversaria no próximo dia 5, ocasião em que completa 83 anos.
(A foto de Jairo Diniz é do jornal Debate, edição 1256)

26.11.06

OURINHOS, FINALMENTE COMARCA.



Ourinhos foi elevado à condição de comarca somente vinte anos após a criação do municipio.
Essa era uma condição legal há muito almejada que tornou-se realidade em 30/11/1938, há quase 70 anos.
Essa foto é da sessão de instalação da comarca. que aconteceu no recinto da Câmara Municipal, em cujo prédio também funcionava a Prefeitura, na avenida Altino Arantes.
Nela identifiquei : o prefeito Horácio Soares e esposa, o cônego Reis Mello, vigário local, Henrique Tocalino, Pedro Medici, José das Neves Junior, Narciso Nicolosi Filho e  Álvaro de Queiroz Marques.

19.11.06

1º VÔO SÃO PAULO-OURINHOS ?












Teria Sido O Primeiro Vôo de Carreira Ourinhos-São Paulo? E Bem provável, POIS uma Anotação that encontrei de hum registro de "A Voz do Povo", de 29/7/1946, Fala fazer Início das Linhas Aéreas São Paulo-Ourinhos-Marília-Presidente Prudente, Pela Arco Iris Viação Aérea SA " , com Duração de 80 Minutos.

15.11.06

VERA LÚCIA COUTO DOS SANTOS, A PRIMEIRA MISS BRASIL NEGRA .


Vera Lúcia foi eleita Miss Guanabara (ainda não havia sido feita a besteira de fundir o estado do Rio de Janeiro com o estado da Guanabara),em 1964. No certame estadual representava o Clube Renascença, fundado por descendentes de escravos. Tinha apenas 19 anos. No certame nacional, obteve o segundo lugar, perdendo para a Miss Paraná , Ângela Vasconcelos . Isso em 1964, numa sociedade onde o preconceito racial ainda era mais forte do que hoje, foi um feito na história do concurso .
Em Long Beach, Vera Lúcia obteve o 3º lugar no "Miss Beleza Internacional".
O fato acabou repercutindo na música popular, no carnaval do ano seguinte, 1965, uma marchinha de Roberto Kelly, cantada com sucesso por Emilinha Borba, "Mulata Bossa-Nova", dizia:

Mulata Bossa nova Caiu na Hully-Gully E só dá elaIê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê Na Passarela A boneca está cheia de fiu-fiu esnobando as loiras e as morenas do Brasil
Em entrevista concedida recentemente ao site "Bafafá"( http://www.bafafa.com.br/default.asp ) , João Roberto Kelly conta como se originou a marchinha:
" Um dia, eu fui a um concurso de Miss Brasil no Maracanãzinho e vi uma mulata quase negra evoluindo maravilhosamente com um “pisar” de passarela muito elegante, muito fora inclusive dos padrões que todas as mulatas encaravam qualquer movimento de passarela. Eu olhei e disse: “Que moça diferente, merece ser fotografada numa música”. Era Vera Lúcia Couto. Me pergunta se eu gosto de mulata? (risos)."
O acontecimento foi comentado num artigo de Rachel de Queiroz (1910-2003) na revista "O Cruzeiro", de 17 de Outubro de 1964, no qual a escritora renomada falava sobre o preconceito racial :
"Vejam o tremendo impacto publicitário que representou a eleição da linda Miss Guanabara. Numa eleição onde as brancas concorriam em maioria, fizemos Miss Brasil, Vera Lúcia Couto, mulata daquela estirpe que, com grande propriedade, se chama imperial. Mulata imperial, palmeira imperial, modinha imperial - qualquer coisa que é ao mesmo tempo belo, tradicional, emocionante e majestoso.
E o êxito de Vera Lúcia lá fora, a simpatia geral com que a receberam, representa não só o sucesso pessoal da beleza da môça, como também o que ela significa para uma humanidade exausta de ódios, de preconceitos mesquinhos - a alegria da boa mistura, a liberdade de cada um nascer da côr que queira e, sobretudo, a novidade daquela presença de beleza fora de padrões e tabus.
Fazendo de Vera Lúcia a nossa miss nacional, na verdade promovemos a legitimação da mulata perante o Mundo."
(http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/17101964/171064_6.htm)

Vera Lúcia esteve em Ourinhos. A foto nos mostra o momento de sua partida num avião da Vasp, tendo ao lado o agente da empresa em Ourinhos, Antônio Pimentel, que deve ter muito o que contar a respeito.



Esta foto é mais um momento da despedida de Vera Lúcia no aeroporto local. Ao seu lado estão duas das mais bonitas jovens da época, Nilza Maria Ferrari e Marilene Bertoni, ambas com experiência de miss na região. Também se acham na foto Luisa Móya Ferrari, mãe de Nilza, e Odete Bertoni, mãe de Marilene.
Fotos por Francisco de Almeida Lopes

5.11.06

OS DIAS DE GLÓRIA DO "OPERÁRIO"


Já falamos aqui algumas vezes do velho time de futebol que morava no coração de grande parte da população ourinhense. Quando o jogo era Operário x Ourinhense, o estádio ficava lotado. O seu campo de futebol estava localizado num quarteirão  em frente ao atual Centro Cultural. Nessa foto dos primeiros anos da década de 1930, vemos as arquibancadas lotadas num dia de jogo entre as duas agremiações. No camarote de honra, achavam-se  Julio Mori e o Dr. Theodureto Ferreira Gomes,  prefeito municipal.
Em 17-1-1942, o jornal "A Voz do Povo" noticiava:
"O decano do esporte ourinhense, o velho pioneiro das tradições futebolísticas de nossa terra, o Esporte Clube Operário, está em grande azáfama mobilizando todo o seu quadro social para a reunião de eleição de sua nova diretoria, para o corrente ano de 1942.
O entusiasmo reinante nos meios esportivos operarianos é animador, e tudo parece indicar que o sodalício da Av. Jacinto Sá, fará uma esplendida escolha para seus diretores, batendo pela eleição de uma chapa que consolide plenamente com as necessidades da simpática sociedade, tornando-a à sua pujança primitiva, como entidade esportiva e social-recreativa."

29.10.06

OS CARDEAIS DO OURINHENSE




Ourinhos teve dois grandes times de futebol de atuação memorável: o Esporte Clube Operário e o Clube Atlético Ourinhense. O primeiro remonta à década de 1920, e tinha na sua direção em 1930: presidente, Hermenegildo Zanotto; vice-presidente, Hermínio Socci; 1º secretário, Edison Leonis; 2º secretário, Ítalo Fioravanti; 3º secretário. Aurélio Sachelli; 1º tesoureiro, Joaquim Miguel Leal; 2º tesoureiro, Ernesto Gonçalves; orador, professor José Galvão, diretor geral, Francisco Ciffone Filho; Conselho Fiscal, Oswaldo Paretto, Américo Cera, Chede Jorge.
Já o Ourinhense parece ter sido fundado em 1931.
Esta foto nos mostra a sua diretoria em algum momento da década de 1930. Nela vemos:
Da esquerda para a direita: João Batista Crivelari , Aristisdes Viana, não identificado, um dos Mori, Benedito Monteiro, Edison Leonis, Carlos Eduardo Deviene e Vasco Fernandes Grilo. Sentados, da esquerda para direita: um dos Mori, Miguel Cury, Julio Mori, Italo Ferrari, não identificado, Antonio Saladini e Antonio Dias Ferraz (genro de Italo Ferrari).

21.10.06

PASCHOALICK E O NOVO CORETO



A foto é de alguma cerimônia na gestão do prefeito José Maria Paschoalick (1956-1959). Pelo número de autoridades presentes pode ser até a da inauguração da nova praça Melo Peixoto, completamente remodelada na sua gestão.
Um novo coreto, de linhas modernas, substituiu o anterior , de 1927. Agora havia um amplo espaço à frente do coreto para abrigar concentrações cívicas. Nesse novo coreto, o marechal Lott fez o seu discurso durante a campanha presidencial de 1960.
A maior parte das árvores da praça fora cortada, removidos para outras praças os bancos com encosto (ainda lá se encontram hoje) Também os belos postes de ferro trabalhado foram substituídos por outros de linhas retas. Como era moda naqueles anos, foi instalada uma fonte luminosa que oferecia espetáculos de água e luz à noite.
O "footing" ainda subsistiu nos anos 1960 e espaço para isso havia bastante na nova praça.
Paschoalick, que teve uma gestão bastante conturbada, pois a UDN não lhe deu trégua, havia sido professor do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá. É a figura em destaque na extremidade direita da foto, entre o juiz Windor e o promotor Bastos. No palanque estavam também Antônio Luiz Ferreira, Esperidião Cury, Domingos Camerlingo Caló, profº Jorge Herkrath e José Del Ciel Filho.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

O COTIDIANO DE UMA PEQUENA CIDADE DO INTERIOR














Esta foto é de meados dos anos 1930.
A tomada foi a partir da Praça Mello Peixoto, vendo-se a principal artéria comercial da cidade - a Rua Paraná,  a perder de vista. Ao fundo, vê-se um cavaleiro. Pessoas circulam pelas ruas. Um cartaz colocado em frente a loja de Vasco Fernandes Grillo, a Casa Vasco, anuncia a programação do Cine Teatro Cassino. 

Na mesma calçada (direita), vemos o armazém do Chico Vara, o salão do Ico (Crivelari),  o prédio do primeiro Grupo Escolar e uma carroça. À esquerda, um cão atravessa a rua, em frente ao majestoso prédio do Banco Commercial do Estado de São Paulo.
Foto por Francisco de Almeida Lopes





7.10.06

SARAU NO GRÊMIO RECREATIVO DE OURINHOS


A foto é dos anos 1930. Os saraus eram comuns na agremiação ourinhense, portanto creio ser essa foto de uma dessas ocasiões.
Por ela podemos ter uma idéia de como era o salão de baile, com as paredes decoradas como era costume na época. Ao fundo o palco, com o nome da associação no topo.
Sentados identifico, da esquerda para a direita: o casal Horácio Soares, o casal Hermelino de Leão; atrás no mesmo sentido: Ezelino Zório, Bráulio Tocalino, Miguel Cury. No palco, Alberto Matachana.

23.9.06

A PRIMEIRA COMUNHÃO


O Decreto "Quam Singulari"que estabeleceu os parâmetros para a primeira comunhão foi estabelecido por São Pio X, em 8 de agosto de 1910. Segundo esse documento, poderiam ser admitidas as crianças desde a idade de sete anos. Há a possibilidade de recebê-la antes de completar essa idade caso a criança demonstre possuir discernimento suficiente.
Sempre foi uma ocasião festiva com a igreja repleta de crianças e seus parentes. Nos anos 1940 e 1950, as crianças eram previamente iniciadas no catecismo, pelas Irmãzinhas da Imaculada Conceição. A ocasião anual era o mês de Maio, em pleno Pentecostes.
Nessa foto vemos um grande número de meninas na entrada da velha igreja matriz. À esquerda estão o sr. Antonio Teiga e uma das irmãs Azevedo. À direita, o padre Eduardo Murante, pároco local. Creio que a freira próxima dele seja a Irmã Benigna.

10.9.06

DESFILE DE 7 DE SETEMBRO (ANOS 1940)


Os desfiles de 7 de setembro, em Ourinhos, iniciaram-se nos anos 1930.
Meu pai fez as primeiras fotos nas ruas da cidade. Muitas delas já não tenho mais, devendo estar em outras mãos.
Era um evento que ele adorava fotografar. Alguns anos depois, José Machado resolveu fotografar os desfiles comercialmente. Quem se incumbiu desse serviço ? O seu Chiquinho. Lembro-me dele saindo de casa bem cedo com a máquina a tiracolo, somente retornando após o encerramento, no começo da tarde. As fotos ficavam expostas com numeração nas vitrines do Foto Machado.
Alguns negativos dos primeiros desfiles ainda mantenho, o que tornou possível resgatar algumas.
Esta deve ser de 1941 ou 1942. Vêem-se alunos do Ginásio de Ourinhos vindos da Altino Arantes e passando pela Praça Melo Peixoto, na altura do velho coreto, que pode ser visto à direita. Creio que a pessoa trajando terno branco à direita seja o profº José Augusto, proprietário e diretor daquela estabelecimento de ensino.
À frente do desfile está a ginasiana Nilda Ferreira, uma das filhas de Antonio  Joaquim Ferreira, dono de estabelecimento comercial na rua do Expedicionário. No grupo feminino que vem após a fanfarra deviam estar: Anair Ferreira Bassi, Alice e Anezia Teixeira, Maria Nazaré Braz, Lucia Prado, Alzira Matachana, Alice Abujamra, Geraldina Vilchez, Lurdes Freitas Oliveira, Zenith Correa, Lavínia Azevedo, Inês G. Leal entre outras.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

4.9.06

O JORNALISTA E O MENINO


Quando adolescente ouvi de minha avó que José das Neves Júnior, meu avô, e Miguel Farah eram grandes amigos, desde os tempos de Salto Grande.
Assim deve ter sido, pois Farah fez questão de publicar em seu jornal, em 1966, o decreto do prefeito Domingos Camerlingo Caló, acompanhado da justificativa, dando o nome de meu avô a uma das ruas de Ourinhos.
Nunca tive proximidade com o grande jornalista, ao contrário de meu primo Jefferson, cujo pendor literário despertara bem cedo, e assim freqüentou a redação da “Folha”.
Lembro-me de Miguel Farah andando pelas ruas da cidade, no exercício de sua atividade jornalística.
Os anos se passaram, e, de repente, uma veia memorialista irrompeu nesse que vos escreve.
Desse modo, começei a escrever para o Jornal da Divisa e, pouco tempo depois, passei a colaborar com a “Folha de Ourinhos”. E assim já lá se vão alguns bons anos.
A amizade com as irmãs Farah foi se solidificando, e laços mais fortes se formaram, envolvendo inclusive minha mãe, Amélia.
Com muito orgulho, vejo-me no ano do cinqüentenário integrando a equipe da “Folha de Ourinhos”, fundada em 7 de setembro de 1956 por Miguel Farah, esse paranaense de Castro (Pr), que desde cedo demonstrou aptidão para as letras. Com a família radicando-se em Salto Grande, o jovem Miguel Farah à medida que o tempo foi passando, acabou por ocupar posições importantes na região: líder político, delegado de polícia (Canitar e Chavantes), vice-delegado (Salto Grande), fiscal, professor, jornalista, promotor público (Salto Grande), escritor e poeta.
Foi um plantador de jornais: Salto Grande, Lorena (enquanto servia o exército) e Ourinhos. Em todos os momentos jornalísticos de sua vida mostrou-se um guardião de valores permanentes muito importantes na sociedade.
Teve atuação destacada na Revolução de 1932, e, em Ourinhos, foi fundador da “Sociedade Amigo de Ourinhos”, tendo também colaborado na formação da Companhia Telefônica de Ourinhos – CTO.

“Três coisas eu jurei defender na minha vida: a Pátria, a Honra e a Família. Isto eu farei, custe o que custar e, aqui fico eu, de viseira erguida para o que der e vier”. (Miguel Farah)

Após a sua morte, o filho Maurício empunhou a bandeira e seguiu adiante. A morte prematura de Maurício legou às suas irmãs o pesado encargo de continuar a batalha.
E assim, coube às irmãs Emma, Elza, Ede, Emery, Enura e Edite dar continuidade ao legado paterno, do qual deram conta embebidas no caldo de valores que Miguel Farah tão solidamente plantara naquela família.
O resultado aqui está. A Folha de Ourinhos é cinqüentenária.
Para homenageá-la, esta coluna foi buscar uma foto que tem um significado muito importante para mim.
É uma das fotos da minha formatura no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, com cerimônia realizada no Grêmio Recreativo de Ourinhos, no dia 13 de dezembro de 1958. A cerimônia teve início às 9h30 com a presença de autoridades escolares, eclesiásticos e vereadores. O paraninfo dos formandos foi o prefeito municipal José Maria Paschoalick, ex-professor daquele estabelecimento de ensino. Receberam seu diploma, naquele dia, 277 alunos. A despedida foi feita pelo profº Luiz Cordoni Júnior, diretor do estabelecimento de ensino, cujo filho Luizito era um dos formando. Falaram, também, o paraninfo e outros oradores.
Pelos formandos discursou este que vos escreve, José Carlos Neves Lopes.
Na foto desse momento, eu estou lendo o discurso e sendo observado pelo representante da imprensa local, capitão Miguel Farah.
Quando poderia pensar o velho Farah que esse menino ainda de calças curtas seria, 40 anos depois, um dos colaboradores do seu jornal.
PARABÉNS “FOLHA DE OURINHOS” !!
PARABÉNS IRMÃS FARAH !!
A LUTA CONTINUA !

3.9.06

UM ENTERRO NO PASSADO

Essa foto é uma das mais antigas da cidade. Meu pai, que tinha uma cópia em seu álbum, nela registrou a data de 1922 Trata-se de foto muito interessante onde vemos a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus ainda sem acabamento nas laterais; à esquerda uma farmácia denominada "Nossa Senhora Aparecida", no local onde mais tarde existiu o "Café Paulista", de João e Júlio Zaki; e uma construção de madeira, na esquina com a atual Altino Arantes, onde, em 1931, Francisco Mayoral instalaria, já em alvenaria, o "Bar Internacional", mais tarde "Bar Paratodos", de Mário Ribeiro da Silva. À direita duas construções que desapareceriam nos anos 1930, com a construção dos prédios do Banco Comercial do Estado de São Paulo e da Casa Vasco, respectivamente, nas duas esquinas com a rua Paraná. Dizia meu pai que a foto retratava o enterro de uma criança. Obervando a foto vê-se um homem com o chapéu levantado, costume de saudação em respeito a um enterro, portanto.....

2.9.06

LOJA MAÇÔNICA JUSTIÇA II, de OURINHOS

Clique sobre a foto




Ela foi fundada em 12-10-1946. Meu tio avô, de Cambará - Pr, Manoel Teixeira Filho. foi um dos fundadores. Entre os ourinhenses, recordo-me do libanês Said Francis, uma figura muito simpática com quem sempre cruzava nas minhas andanças pela cidade. Certo dia do início dos anos sessenta, estava eu na praça Melo Peixoto, quando vi passar um enterro em direção ao cemitério. Nessa época, o caixão ainda era carregado manualmente pelos amigos. Perguntei a um dos presentes quem era o falecido e ele me respondeu: "- O Said Francis". Pensei eu: "que pena, aquele velhinho com um sorriso tão bonito sempre estampado no rosto, vou acompanhá-lo até a última morada. No cemitério, um fato chamou-me a atenção: cada um dos presentes jogou sobre o caixão, já na cova, um ramo de acácia. Diante daquele fato curioso, indaguei a uma pessoa o porquê do ato. Foi quando tomei conhecimento de que a acácia era a planta símbolo da Maçonaria. "Ela representa a segurança, a clareza, e também a inocência ou pureza. A Acácia foi tida na antiguidade, entre os hebreus, como árvore sagrada e daí sua conservação como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas. A Acácia é inicialmente um símbolo da verdadeira Iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura." fonte: www.maconaria.net Na foto, identifico os ourinhenses: dois empregados da antiga São Paulo-Paraná, Amado Jesus P. Lima e Sebastião Rodrigues Braga, o velho Said Francis, os dois irmãos Mattar, os dois irmãos Teixeira Mendes, João Dora, pai do meu colega de ginásio João Batista e Luiz Ferri .
Segundo informação de Wilsom Monteiro, Said Francis nasceu em Kheyam Marjayon, no em 17 de Maio de 1889. Filho de Abdalla Francis e Chaine Abbud Francis. Era viajante comercial na Sorocabana e representava a Industria de Malas Chalala & Cia. Entrou para a Maçonaria na Loja Amor e Virtude, em Ribeirão Claro-P.R. Hoje existe em Ourinhos a Loja Maçonica Said Francis, em sua homenagem. Ele faleceu em 10 de Março de 1963.

IRMÃ VIVALDA

Quem estudou no Colégio Santo Antônio há de se lembrar da irmã Vivalda. Rosto de atriz de cinema, dirigia uma camionete, na cor verde garrafa, creio. Ainda está em Ourinhos, já não usa mais a bela veste da ordem, que trajava nessa foto de setembro de 1954. O rosto ainda guarda vestígios da beleza do passado. Nessa ocasião, nas proximidades do colégio ainda havia uma olaria, cuja chaminé se vê na foto. Foto por Francisco de Almeida Lopes

VASCO FERNANDES GRILLO


Vasco Fernandes Grillo era filho de José Fernandes Grillo, um dos pioneiros de Ourinhos. Vasco teve como irmãos: Alberto e Antônio (casado com Rosa Migliari, de quem me lembro com muita saudade), Elisa (Braz), Benedita (Cury) e Elvira (Vara). Esportista de primeira, foi um dos fundadores do Ourinhense, ele mesmo jogador e técnico. Foi proprietário da "Casa Vasco", especializada em chapéus e calçados, instalada em prédio próprio, um sobrado que ainda existe na praça Melo Peixoto, 176. 



Muito amigo de meu avô, era seu compadre por ter batizado minha tia Lurdes. Nos anos 1940, vendeu sua loja e mudou-se com a família para a capital. A foto mostra o casal Vasco e Petronília e os filhos em 1948.

14.8.06


CLUBE ATLÉTICO OURINHENSE

Eis uma foto interessante. Deve ser de um almoço comemorativo da posse de diretoria do Clube Atlético Ourinhense, associação esportiva que fez história na cidade. Entre os presentes:
em pé - Vasco Fernandes Grillo, Antônio Dias Ferraz, Carlos Eduardo Devienne, Antonio Zaki Abucham, Benedito Monteiro, Julio Mori, Ítalo Ferrari, Miguel Cury, Cândido Barbosa Filho;
sentados à direita : Antônio Saladini, Rafael Papa, José das Neves Júnior, Tuffy Zaki Abucham;
ao centro: Adriano José Braz, Mário Mori, Ico Crivellari, Evilázio Viana, Francisco Vara.

6.8.06




A PÁSCOA DOS MILITARES (1939)

Esta talvez seja a foto mais importante dos velhos tempos de Ourinhos. Isso porque é a que apresenta o maior número de pessoas da cidade, por ocasião de uma cerimônia religiosa na velha Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus - a Páscoa dos Militares de 1939.
À porta da igreja está o cônego Miguel dos Reis Mello, que sucedeu ao monsehor Córdova e seria substituído pelo padre Eduardo Murante, em 1941.
Em primeiro plano, a turma do 1º Tiro de Guerra de Ourinhos. O 2º à esquerda, na primeira fila é Jairo Teixeira Diniz, bem ao centro, com a fita da Congregação Mariana está Humberto Rosa, os dois últimos à direita são Dirceu Correia Custódio e Oriente Mori.
Bem ao centro pode-se ver o prefeito Horácio Soares.
Foto por Frederico Hahn.

1.8.06

AVENIDA ALTINO ARANTES

Eis um ponto da cidade que já se transformou bastante. Nessa foto de um desfile de 7 de Setembro, na avenida Altino Arantes, no início dos anos 1950, vemos à esquerda a casa de Henrique Tocalino (ele é visto com a cabeça já toda branca, apreciando o desfile junto ao muro, ao lado de uma bisneta. No jardim de sua casa, vê-se uma variedade anã do chamado coco-da-baia, uma raridade na cidade. Mais acima, os belos sobrados conjugados construídos por Ezelino Zório, nos anos 1940, um deles residência do drº Bessa , e que ainda não sofreram modificações. Em seguida, o sobrado de Alberto Fernandes Grillo, hoje parcialmente modificado. Ao fundo vêem-se, o belo e raro ipê branco da clínica do dr. Diógenes, que ainda existe, e os coqueiros e árvores da residência do drº Hermelino Leão, substituída hoje por um conjunto comercial. A escola retratada na foto era o Instituto de Educação Horácio Soares, naquele momento passavam pela avenida os alunos do curso normal. À frente, carregando o pavilhão nacional, Luciano Correia da Silva, anos depois, um dos meus professores de português. Foto por Francisco de Almeida Lopes.

OURINHOS NO LIMIAR DOS ANOS 1940



Esta foto aérea retrata Ourinhos no limiar dos anos 1940 (julho 1940). Duas grande fazendas de café ladeiam a cidade: à esquerda a de Jacinto Ferreira de Sá e à direita a de Horácio Soares, que fazia fronteira com a rua Paraná A cidade, seguia na direção norte, tendência que já manifestava nos anos 1930. A praça Melo Peixoto acabara de passar por um tratamento paisagístico na gestão do Prefeito Benedito Camargo. As primeiras casas construídas pela São Paulo-Paraná e financiada a seus empregados já são vistas na Altino Arantes com Monsenhor Córdova. O Ginásio de Ourinhos (estabelecimento privado), recém construído, vê-se isolado e rodeado por cafezais, num dos limites da malha urbana. Logo lhe faria companhia, vizinha mesmo, a Santa Casa de Misericórdia. Também isolada na atual rua Expedicionário, está a Clínica do drº Ovídio Portugal, construída há dois anos. Na esquina da 9 de Julho com Expedicionário , vê -se o recém edificado Grupo Escolar . A cidade acabava de ganhar uma estação rodoviária, na esquina da 9 de Julho com Arlindo Luz. A malha ferroviária da Sorocabana e da São Paulo-Paraná serpenteiam a cidade . Ao sul, praticamente isolado, vemos o campo do Operário Futebol Clube. Passados sessenta e cinco anos. outros limites foram ultrapassados e o cafezal desapareceu.

30.7.06

A RAINHA DO ALGODÃO .


Nos anos 1950 e 1960, quando a agricultura em Ourinhos era mais diversificada, eram comuns bailes ligados a um determinado produto agrícola, como: rainha do café, do algodão. Esta foto refere-se ao Baile da Rainha do Algodão, no qual recebeu o título a jovem Maria Inês Amaral Santos, vista aqui em primeiro plano ao lado de seu pai. Foram princesas: Dinorá Bressanin e Vera Dupas. O dois jovens trajando terno branco, muito comum na época, são: José Vicente Amaral e e Hermilo Tupiná (sentado, à direita).

23.7.06

A PRIMEIRA TURMA DO TIRO DE GUERRA
Jairo Teixeira Diniz , é um dos poucos remanescentes da primeira turma do Tiro de Guerra de Ourinhos, da qual foi o primeiro colocado. Com ele serviram entre outros: Oriente Mori, Alvaro Cretuchi, David Gomes de Souza (parente do Brigadeiro Eduardo Gomes), Alcides Macedo Carvalho, Humberto Rosa, Paulo Matachana, Helio Cerqueira Leite, Assad e Aniz Abujamra, Dirceu Correia Custodio, Mizael Olympio de Almeida, Julio Zaki Abucham, Aparecido Nascimento e José Cardoso.
Essa turma foi criada no dia 3 de outubro de 1938.O Sargento Instrutor era Josias Silva.
Jairo Diniz foi um dos primeiros locutores da ZYS-7 Rádio Clube de Ourinhos, inaugurada no dia 20 de novembro de 1948, nela atuando até 1956, sob o pseudônimo de Norton Cunha. Jairo foi também Funcionário da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná onde foi colega de meu pai.
Graças a uma monografia por ele elaborada, temos um relato fiel de todos os acontecimentos relacionados com a primeira turma do Tiro de Guerra. Merece uma publicação.
Creio ter sido a turma mais fotografada. Além de algumas fotos de desfile feitas por meio pai, inclusive a comemorativa da elevação de Ourinhos a Comarca, há três outras de cerimônias oficiais: a da Páscoa dos Militares, a do Compromisso à Bandeira e esta, cuja ocasião não consegui ainda identificar.
Trata-se de foto realizada por Frederico Hahn em frente ao antigo prédio da Prefeitura, localizado na avenida Altino Arantes, onde hoje se encontra um posto de gasolina.
Em primeiro plano está o 1º Tiro de Guerra; na foto também pude identificar :
Zico Nicolosi, Alberto Matachana, Moacir de Melo Sá, Drº Ovídio Portugal de Souza,Alfredo Devienne, José da Cruz Thomé e José das Neves Júnior.

10.7.06

O MONUMENTO A 1932, NO CLUBE BALNEÁRIO DIACUI.






As ribanceiras do Paranapanema foram palco de luta armada por ocasião da Revolução de 1932.
"Com a oposição praticamente total dos estados, isolado em suas fronteiras, São Paulo via-se às voltas com uma guerra que iria durar mais tempo do que o previsto, e não possuía condições bélicas para enfrentá-la com sucesso, como demonstra a observação comparativa dos quadros e do material bélico dos dois lados em luta. No setor sul as forças do governo central eram comandadas pelo general Valdomiro Castilho de Lima, que contava com os efetivos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, somando aproximadamente 18.000 homens, além da Brigada Gaúcha, 27 corpos de provisórios comandados pelos generais João Francisco e Elisiário Paim, as polícias de Pernambuco e do Maranhão, e ainda o 22º.Batalhão de Caçadores da Paraíba. Os contingentes chefiados pelo general Valdomiro dispunham ainda de artilharia pesada composta por quase cem canhões de 105 m/m e de 75 m/m. Os paulistas que lutavam contra esse destacamento, chefiados pelo general Taborda, somavam aproximadamente 4.800 homens dispostos no eixo da linha férrea da Sorocabana, ramal de Itararé, e no eixo da rodovia de Itapetininga a Ribeira, e mais cerca de 3.500 homens entre a linha férrea e a cidade de Ourinhos. Quanto à artilharia, os constitucionalistas dispunham de quatro canhões da Força Pública, dois de 37 m/m e dois de 75 m/m - que não tiveram valia na luta por falta de quem soubesse manejá-los - quatro canhões do Regimento Misto de Artilharia de Mato Grosso e uma peça de 150 m/m vinda do forte de Itaipus. " http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/6366_4.asp)
Em Ourinhos formou-se um batalhão denominado Teopompo.
O professor Constantino Molina, proprietário do Externato Rui Barbosa, a primeira escola secundária de Ourinhos, escreveu um relato sobre os acontecimentos de 1932 na cidade. 

Ainda nos anos 1950 era comum serem encontrados artefatos de guerra nas dependências do Balneário Diacui.
Lá, na gestão do prefeito Antônio Luiz Ferreira (1960-1963), foi erguido um monumento à Revolução de 1932 .
A foto, por Francisco de Almeida Lopes, registra esse momento

25.6.06

O SÃO PAULO-PARANÁ FUTEBOL CLUBE: ALBERICO ALBANO (Bio)






Em 27 de março de 1937 era criado o São Paulo-Paraná Futebol Clube. Sua primeira diretoria foi constituída por:
Dr. Wallace H. Morton – Presidente
Dr.James Lister Adamson – Presidente “Honoris Causa”
Dr. Alastair T. Munro – Vice-presidente
Hermínio Socci – Diretor Geral
João Batista Lopes – 1º Secretário
Olímpio Jorge de Morais – 2º Secretário
Teobaldo José da Costa – Tesoureiro
Luiz Zanotto – 2º Tesoureiro
Anselmo Gonzáles, Orivaldo dos Santos e José Malaquias – 1º, 2º e 3º diretores esportivos respectivamente
Ormuz Ferreira Cordeiro – Orador oficial
Artur Herrington Smith, Miguel Ospar, Antonio Dias Ferraz, Antonio Lopes, Jorge Torres Galvão e Osvaldo Correia – Membros do Conselho de Finanças
Carlos Eduardo Devienne, Benedito Monteiro, Dirceu Viana, Asdrúbal Nascimento, Castorino Ferraz Bueno, Manoel Lopes, José Bueno Lopes e José Del Ciel Filho – Membros do Conselho de Sindicância
Um dos azes desse time foi Alberico Albano (Bio), membro de uma antiga família ourinhense. Seu irmão Orlando, ainda atuante na Sociedade Vicentina local, também trabalhou na SPP.
Bio foi um dos grandes jogadores de futebol da cidade (Operário Futebol Clube), tendo integrado também o time de bola ao cesto e de futebol da São Paulo-Paraná.
Após a encampação da ferrovia pelo governo federal, foi trabalhar na Sanbra. Conheci-o nessa indústria local, da qual foi um dos principais empregados até aposentar-se.
Bondoso e e alegre, era muito querido por todos, operários e empregados do escritório.
Em 1947, foi eleito vereador pela coligação PSP-PRP.
A foto nos mostra uma das formações do time da ferrovia.
Em pé : Edu Azevedo, Francisco Saladini, Florindo Carrara, Alberico Albano (Bio), Flávio Menezes, agachados, Batatinha, Roque, Euclides Colina, Mudinho, Artur Silva (Brechó). Foto por Francisco de Almeida Lopes

a

19.6.06

ELEIÇÕES E ROMANCE NA OURINHOS DE 1927


Anteriormente à Revolução de 1930, o Partido Republicano Paulista controlava a vida política no estado de São Paulo.
Em 1926, havia sido fundado um partido de oposição que, às duras penas, enfrentava, em 1927, a sua primeira eleição – o Partido Democrático – PD. Nessa época, o voto era distrital, e Ourinhos integrava um dos quatro distritos eleitorais em que se achava dividido o estado, sendo chefe político o dr. Ataliba Leonel, político com raízes em Piraju.
O diretório político do PRP, em Ourinhos, era constituído por:
dr. Jacinto Ferreira e Sá
cel. Vicente Amaral
prof. José Galvão (prefeito)
cel. Antonio Leite
cap. Benedito Ferreira
Hermenegildo Zanotto
Dr. Teodureto Ferreira Gomes.
Cerca de 10 dias antes das eleições gerais (para Câmara Federal e Senado) daquele ano, o chefe político da região, Ataliba Leonel, visitou a cidade, quando lhe foi oferecida uma recepção da qual participaram os próceres do PRP e de sua dissidência, o Partido Oposicionista Municipal (comandado por Emílio Leão, dr. José Esteves Mano Filho, Adelardo Fonseca Teles, José Amaro Silva Leite e Domingos Lourenço.
Nas eleições realizadas no dia 24 de fevereiro de 1927 (data comemorativa da constituição republicana), votaram 162 eleitores, dos quais 114 eram do PRP, 45 do Partido Oposicionista Municipal e 3 do Partido Democrático.
Pelas páginas de “A Voz do Povo”, os oposicionistas reclamavam da presença ilegal de tropas no local de votação (habitual durante a República Velha ). Após as eleições, os membros do PMO aderiram ao Partido Democrático quebrando, assim, a unanimidade perrepista em Ourinhos.
O carnaval daquele ano prometia . Haveria bailes nas quatro noites, 26, 27, 28/2 e 1º/3, no cine Central, promovidos pelo Esporte Clube Operário. Os sócios pagariam 2$000 e não sócios 5$000. A cidade contava com dois melhoramentos: os recém-inaugurados coreto da Praça Melo Peixoto e a nova estação ferroviária (22/2/1927).
Em “ A Voz do Povo”, o articulista reclamava:
“Nos atrevemos a lembrar ao Sr. Prefeito que o cemitério que possuímos é uma vergonha e é uma falta de respeito para com os mortos, pois um cercado de pau em plena ruína, não pode servir de descanso àqueles que já se foram deste mundo. Matadouro não temos e ninguém ignora o quanto nos é prejudicial o ingerirmos carne de reses e suínos abatidos em qualquer lugar.”
Nos jornais daquela época, era muito comum rapaz apaixonado dedicar versos para sua amada. No ano de 1927, um freqüentador assíduo das páginas do jornal local era um jovem de Palmital – Joaquim Miguel Leal. Em fevereiro, o jornal publicava:
VISÃO
Rancho tosco à margem da estrada
Matas, campina verdejante
Flores de perfume inebriante
Lindas borboletas, passarada.
Ao fundo trepadeiras, ramarada,
Um florido mamoneiro adiante
Junto a uma roseira e não distante
O rio, uma barca; só mais nada.
Deslumbrado ao ver tanta beleza
Com que nos brindou a natureza
Pela mente nos perpassa uma visão
Visão bendita. Reconheço, é ela,
Minha deusa, meu amor, a minha bela
O anjo que roubou meu coração.
Palmital, 1927 J.M.Leal 
Desse modo, o jovem Joaquim (Quinzinho), que anos depois viria a ser por longa data (1949-1965) gerente do Banco Brasileiro para a América do Sul (BRASUL), homenageava sua noiva BELARMINA . 

Na véspera de São João (23/6) daquele ano, noticiava “A Voz do Povo”:
“Realizou-se no dia 15 do corrente, às 18 horas, o enlace matrimonial da senhorinha Belarmina, filha do Sr. Francisco Simões de Souza, comerciante nesta praça, com o Sr. Joaquim M. Leal, de Palmital. Foram paraninfos da noiva, o sr. Dario Alonso, representado pelo Sr. Adolfo Alonso;do noivo o sr. Manoel M. Leal. Aos convidados a família Simões de Souza foi pródiga em gentilezas, servindo-lhes uma lauta mesa de finos doces. Os recém-casados seguiram para Palmital, onde fixaram residência.”
O pai da noiva, conhecido popularmente como “Chico Manco”, era dono de famoso bar na cidade. Foi compadre de meu avô, tendo batizado meu tio Herculano.
A jovem noiva de 1927, Belarmina, ainda está entre nós, na vitalidade de seus 96 anos bem vividos. A ela, tão querida de tantos ourinhenses, este artigo presta homenagem.


Quinzinho é o primeiro à direita, sentado. O primeiro à esquerda, em pé, é José Fernandes de Souza, gerente da SANBRA. Na foto, vemos também o ex-vice prefeito Oswaldo Egídio Brisola, Rolando Vendramini, gerente do Banco Mercantil, Plínio de Barros, Geraldo Barros Carvalho.
 



Chico Manco em seu bar, nos anos 1920.
 


















Belarmina Souza Leal 

A FAMÍLIA MATACHANA



Eles nasceram e se conheceram em Castilla Vieja,  Espanha. Ele se chamava Arquipo Matachana e ela Luisa Garcia. As contingências da vida fizeram-na vir para o Brasil, em 1903, em companhia de sua família. Arquipo não resistiu à saudade da amada e veio também para cá. Casaram-se em Pereiras, em 1905, onde nasceram os dois primeiros filhos – Fausto (1906) e Gaudência (1908). Os parentes de Luisa Garcia Matachana, Dario Alonso, Domingos e Adolfo Garcia vieram para a região de Ourinhos a fim de explorar o comércio de madeiras e cereais, então intenso naquela época. Alguns anos depois, em 1910, quando o distrito de Ourinhos ainda engatinhava, o casal Matachana ali fixou-se. Nesse mesmo ano, nascia o terceiro filho, Alberto, a primeira criança a ser registrada no recém-criado cartório de registro civil. Arquipo montou uma casa comercial nas imediações da pequena estação ferroviária da Sorocabana, na rua Antônio Prado (o prédio ainda lá se encontra) – a Casa Matachana. Como era comum, na frente ficava o estabelecimento comercial e, nos fundos, a residência. Tratava-se de estabelecimento onde havia várias seções: calçados, roupas, chapéus, louças, talheres e ferragens, secos e molhados. A grande maioria dos produtos era constituída de importados, pois a nascente indústria brasileira tinha ainda uma produção pouco diversificada. Outros filhos seguiram-se: Luisa – Luisita (1912, Esperança (1914), Paulo (1917), Maria – Mariquinha (l919), Mercedes (1923) e Alzira – Alzirinha (1926). Em 1940, os filhos homens já moços, Arquipo aposentou-se. A Casa Matachana passava a ser administrada pelos jovens Matachana. Arquipo construiu uma casa na rua dos Expedicionários e para lá mudou-se. Ainda nos anos quarenta os irmãos resolveram seguir cada qual o seu caminho, Fausto ficou com a Casa Matachana, Alberto montou a Casa Alberto, na rua 9 de Julho, a melhor e mais refinada casa de roupas e calçados que Ourinhos já teve, e Paulo a Feira dos Calçados, na avenida Jacinto Sá. As mulheres foram se casando: Gaudência com Mario Thomé; Esperança com Silvano Chiaradia, Maria (Mariquinha) com João Antônio Ferreira, Mercedes com o Dr. Luis de Camargo Pires e Alzira (Alzirinha) com o Dr. Raul Gónzales de Moura . Aos poucos foi-se formando uma grande família que notabilizou-se pelo caráter empreendedor de seus membros. Alberto, após quarenta anos, deixou o ramo do comércio e voltou-se para o hoteleiro e o de construção de centros comerciais, orientação mantida pelos filhos quando ele morreu. Fausto esteve à frente da Casa Matachana até a sua morte, o mesmo fez Paulo em relação à Feira dos Calçados. O filho de Gaudência e Mário Thomé, Aldo, arquiteto, foi um dos melhores prefeitos que Ourinhos já teve, as obras que ele empreendeu em sua gestão apontavam para o futuro da cidade. O marido de Esperança, Silvano Chiaradia, muito amigo de meu pai, foi gerente do Banco Francês e Italiano para a América do Sul. Quando deixou o banco montou uma  importante gráfica e papelaria, na rua 9 de Julho, ao lado do antigo Cine Ourinhos. Em 1943, um jovem médico veio para Ourinhos montando uma pequena clínica, chamava-se Luis de Camargo Pires. Casou-se com Mercedes Matachana e juntos criaram o Hospital São Camilo, estabelecimento hospitalar de alta qualidade sediado na rua Antonio Carlos Mori. Tendo existido por mais de quarenta anos, hoje está transformado num dos melhores hotéis de Ourinhos. Os dois filhos do casal, Raul e José Luis, também se dedicaram à medicina. Lamentavelmente, a morte roubou a vida de Raulzinho prematuramente. O marido de Alzirinha, Dr. Raul Gonzáles de Moura, clinicou por muitos anos em Salto Grande, estabelecendo-se depois em Ourinhos. O filho, Ronaldo, também seguiu as pegadas do pai. Luisa faleceu em 1960 e Arquipo em 1967, deixando em Ourinhos uma família com a marca de empreendedores.

20.5.06

O COMÉRCIO EM OURINHOS





O COMÉRCIO EM OURINHOS
por Jefferson Del Rios Vieira Neves

Nos anos 40 e 50, o comércio de secos e molhados da cidade tinha uma freguesia e uma geografia bem definidas.
A então numerosa comunidade rural nipo-brasileira comprava na Casa Suzuki, a maior delas a ponto de ter aquele instrumento oriental de fazer contas. Ficava na esquina das ruas Gaspar Ricardo e Brasil.
Na Avenida Jacinto Sá pontificavam, lá no alto, o Sekino, pai de uma garota belíssima, a Tomiko, que fez ginásio comigo. Anos depois soube que ela se formara em medicina, e estava na Unicamp quando morreu precocemente.
Ainda na Avenida (salvo engano) o Tanaka, que depois se mudou para a Gaspar Ricardo, mais abaixo do Suzuki. Sua filha Nair também estudou comigo.
Não é tudo. Houve outros estabelecimentos, como o do Sr. Choso Misato, pai do atual Prefeito, Toshio. Era muito amigo do meu pai, como o Suzuki e o Tanaka.
Na Rua Paraná, o Tone. Não sei por que razão acho que só entrei lá uma vez.
Os armazéns serviam trechos do municipio.
Todo o lado da Vila Odilon comprava no Tone e no Emporio Santo Antonio, do Tertuliano Vieira da Silva (pai do Porf. Norival).
O pessoal da Boa Esperança, e mais atrás, frequentava a Avenida - onde também estava a forte Casa Carlos, do Carlos Amaral. No centro estavam as grandes casas Zanotto e a Casa Amaral fazendo diagonal na Praça.
As Fazendas Chumbeada e Paraiso, e sitiantes dos lados do "campo da aviação" se abasteciam na nossa Casa dos Lavradores. A Vila Nova não tinha comercio de monta.Os ferroviários tinham sua Cooperativa, mas no dia a dia vinham até nós.
O setor de ferragem e tintas era dominado pelas casas Mori e Vita e Santos.
São lembranças de infância e adolescência.Indeléveis. Ficaram para sempre e ainda sinto os odores de café, fumo de corda, bacalhau (que vinham em caixas), querosene vendido a granel. Cavalos parado na porta, o cheiro dos arreios e das capas de chuva dos cavaleiros.
Esse quadro começou a mudar com a expansão da cidade. A Vila Nova/Margarida fechou a retaguarda da Casa dos Lavradores quando passou a ter comércio próprio. O golpe final veio com a aparição da José Alves Veríssimo seguida da São Marcos. Empresas atacadistas de fora. Zanotto e Amaral fecharam.
A Casa dos Lavradores ficou pequena e irrevelante, e meu pai cerrou as portas em 1959.
--------
Essas anotações serviriam para uma nova edição revista do meu livro sobre a cidade. O projeto está parado na Prefeitura, mas espero que Toshio Misato ainda encontre tempo para tratar do caso. Aguardo um sinal.
Essa nova edição trará fotografias de época do acervo do meu primo José Carlos. O pai dele, Francisco Almeida Lopes - suas fotos e sua historia - é um personagem que falta no livro

Foto por Francisco de Almeida Lopes: residência da família Neves, na rua 9 de julho, 102, esquina com Rio de Janeiro, em 1948, por ocasião das obras de calçamento. Na esquina, a "Casa dos Lavradores", de João Neves.

8.5.06

ALUNOS DO GINÁSIO APÓS O DESFILE



Esta foto foi do primeiro desfile dos alunos que ingressaram no Instituto de Educação Horácio Soares após terem sido submetidos ao exame de admissão que se constituía  de  provas orais e escritas!
A prova oral de matemática era realizada na lousa, com problemas passados pela professora titular Maria Teresa Caetano de Carvalho.
Tenho na memória até hoje uma cena que eu e meu amigo Luiz Gonzaga Tone presenciamos naquele dia de 1958. Estávamos caminhando pelo páteo aguardando a chamada para o exame de matemática, quando passamos pela porta aberta da sala do exame. Lá estava à lousa padecendo com a resolução de um "carretão" Elisabete Capato, tendo ao lado uma professora não muito paciente arguindo-a com certa irritação.

Enfrentamos exames orais (com banca) e escritos até a terceira série do ginásio. Na quarta série já estávamos submetidos à égide da nova legislação de ensino, a Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961.
No regime antigo, tanto o exame escrito e o exame oral eram realizados com o sorteio de pontos que tínhamos que discorrer. Nada de questões com alternativas  como há hoje.
Bem, retornando ao desfile, meu pai, que habitualmente no dia 7 de setembro saía de casa logo cedo com a máquina a tiracolo para fotografar o desfile a serviço do Foto Machado, reuniu um grupo de alunos para uma foto conjunta, a qual ilustra esse artigo. Nela estão alunos de todas as séries. Da minha turma de primeira série estãona primeira fileira agachados:
1- Laércio Cubas da Silva, 2 - José Agostinho Gabrioti, 3 - José Carlos Neves Lopes, 5 - Mário Aparecido Vascão, 6 - Licínio Fantinati
Logo atrás, com meia cabeça aparecendo 1- Auro Tanaka, 2 - José Rubens de Freitas Oliveira, 3 - Marinho Brandimarte. Na primeira fileira em pé, bem no centro, Julinho Carriça Correa.  No canto direito, aparece o rosto de Valter Brandimarte. Quanto aos demais, a memória não gravou os os seus nomes. Bem atrás aparece o casal Reinaldo de Azevedo e esposa.

9.4.06

MARILENE BERTONI E ELISABETH FENLEY - O BAILE DA RAINHA DO CAFÉ


O baile da "Rainha do Café " era realizado, anualmente, em Xavantes nos anos 1960.
Esta é uma foto de uma edição desse baile nos finais dos anos 1960.
Nessa foto estão duas representantes de Ourinhos: da  esquerda para direita : Sylas Amaral Santos (Silas devia ser diretor do GRO na ocasião), já falecido, filho do pioneiro Benício do Espírito Santo, foi casado com Elza Sachelli, Marilene Bertoni, uma das belas ourinhenses de sua geração, portando faixa de Princesa do Café; Elisabeth Fenley, filha de Alice Teixeira Fenley. O  irmão de Bete, Nelson,  seguiu a carreira militar e foi meu contemporâneo. Na extrema esquerda, o  professor de piano Celso Silva, filho de Romeu Silva, gerente do Cine Ourinhos. 

A foto foi tirada no Grêmio Recreativo de Ourinhos, logo após a premiação no famoso baile. 

Foto por Francisco de Almeida Lopes

5.3.06

TEREZINHA SANTAROSA ZANLOCHI





A edição de "Folha de Ourinhos", de 26 de fevereiro de 2006,  noticiou a presença da ourinhense Terezinha Santarosa Zanlochi, hoje professora doutora da Universidade Sagrado Coração, de Bauru, num simpósio promovido pela Secretaria Municipal de Cultura local.

Alguns anos mais nova do que eu, convivemos em muitos ambientes na Ourinhos do passado; um de seus irmãos foi meu colega no Instituto de Educação. Também convivemos por um certo período na USP,  onde ela fazia o curso de história e eu frequentava a pós graduação.
Dona de uma beleza incomum e da simpatia irradiante que herdou da mãe, Terezinha abrilhantou muitos bailes do "Palmeiras", no passado.
A foto é de um baile  caipira dos anos 1960, no "Palmeiras" .
Terezinha é a segunda, da esquerda para a direita.

Foto por Francisco de Almeida Lopes