10.12.16

O GUAPURUVU DE HORÁCIO SOARES

Clique sobre a foto.


Este é um postal dos anos 1960 que nos  a praça Melo Peixoto logo após a remodelação empreendida pelo prefeito Paschoalick. A maior parte das árvores fora posta abaixo, principalmente as "figueira-benjamin" que haviam sido tomadas por uma praga denominada na época de "lacerdinha".
A velha paineira, tida como a mais antiga da praça, ainda estava em todo o seu esplendor. Destacam-se também as belas Andá-Açu. 
O novo coreto, ao qual uma passarela dava acesso, tinha a sua frente o "Espaço Cívico"
Na praça anterior, onde havia um banco de areia para as crianças brincarem,  fora edificado um aviário.
No entanto,  o que me chamou a atenção num retorno a este cartão, é que  em seu canto esquerdo são vistas as altaneiras árvores que rodeavam a casa de Horácio Soares, na Arlindo Luz. Na ocasião dessa foto, lá morava o casal Alberto Santos Soares (Bertico) e Nancy Nicolosi. 
Uma delas é um Guapuruvu. "O guapuruvu (Schizolobium parahyba, Vell.), também conhecido como ficheira, garapuvu (ou guarapuvu), bacurubu, badarra, bacuruva, birosca, faveira, pau-de-vintém, pataqueira ou ainda "pau-de-tamanco", é uma árvore da família das fabáceas, sub-família Caesalpinioideae.
Árvore de 20 a 30 metros de altura, 60 a 80 centímetros de diâmetro na altura do peito. Flores grandes, vistosas, amarelas. Tronco elegante, majestoso, reto, alto e cilíndrico, casca quase lisa, de cor cinzenta muito característica. Floresce durante os meses de outubro, novembro e dezembro.
madeira do guapuruvu é pouco resistente, mas presta-se à confecção de embarcações tipo canoas exatamente pela leveza e facilidade de entalhe. É a árvore símbolo da cidade de Florianópolis, capital do Estado de Santa CatarinaBrasil. Suas sementes são usadas contra os efeitos lesivos de acidentes ofídicos na região do Triângulo Mineiro (MG- Brasil). É tambem objeto de estudo de um grupo de pesquisas da Universidade Federal de Uberlândia, em especial da pesquisadora MSc. Mirian Machado Mendes que busca descobrir princípios ativos nesta planta potencialmente úteis à saúde humana. (Fonte: Wikipedia)
 As sementes dessa árvore assemelham-se às fichas que se usam em jogos de roleta. Eu, que morava em frente a essa casa, costumava colecioná-las.
A espécie deve ter sido plantada nos anos 1940, quando Horácio a fez construir. Hoje, há nesse local um prédio de apartamentos, não sei se a Guapuruvu foi conservada
A igreja matriz, finalmente, estava tendo o seu acabamento externo, após a edificação das belas torres.
Ourinhos era uma cidade ainda bucólica, vivendo seus últimos anos de tranqüilidade.
Nas fotos abaixo, uma bela Guapuruvú e suas sementes:
cplantar.com

A espécie abaixo é do Jardim Botanico de Hong Kong

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guapuruvu#/media/File:Schizolobium_parahybum.jpg

As sementes.
tocadoverde.com.br

Foto de Ourinhos - Foto Postal Colombo, do acervo de Francisco de Almeida Lopes

3.12.16

O REPÓRTER FOTOGRÁFICO AMADOR E O DESASTRE NA LINHA FÉRREA - 1937

Francisco de Almeida Lopes, meu pai, foi também repórter fotográfico talentoso. Estas fotos, de  um desastre ocorrido na cidade  em 1937,  são as primeiras  com essa característica:



Se houvesse em A Voz do Povo a prática de ilustrar as reportagens jornalísticas, essas fotos teriam acompanhado o texto abaixo:




A Rua Piauí era a atual Expedicionário.
Fonte: http://www.tertulianadocs.com.br/AVOZDOPOVO_04.09.1937


26.11.16

GOVERNADOR ABREU SODRÉ EM OURINHOS (1967)




Esta foto mostra o momento em que o pároco local, Arnaldo Beltrami dá a benção na cerimônia de inauguração das instalações da Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo – CAGESP.
Nela vemos ao centro o governador de São Paulo (1967-1971)  – Roberto Costa de Abreu Sodré (1917-1999), empresário e político,  um dos fundadores da UDN e integrante da Aliança Renovadora Nacional – Arena; o secretário da Agricultura, Herbert Victor Levy (1911-2002), empresário, banqueiro e político; o prefeito de Ourinhos, Domingos Camerlingo Caló; o vereador João Newton Cezar (foi presidente da Câmara Municipal em três ocasiões) Vemos também  o farmacêutico Plínio de Barros, que foi casado com Sueli Alves da Silva; Armando D’Andrea; o vereador Ary Francisco Negrão (também foi presidente da Câmara) e o jornalista Miguel Farah (na extremidade direita, logo atrás de um assessor do governador.



 Fonte: http://www.tertulianadocs.com.br/


18.11.16

O CINQUENTENÁRIO DA TURMA DE DEBUTANTES DE 1966 DO GRÊMIO RECREATIVO DE OURINHOS



A edição de 3 de setembro de 1966 do jornal O Progresso de Ourinhos saiu com a capa em cores, sendo praticamente dedicada a reportagens sobre as debutantes de 1966 do Grêmio Recreativo de Ourinhos.
Na capa, a manchete foi:



Alice Chiarato, Ana Cristina Paula Lima, Aparecida de Oliveira, Cleide Prioli Gaudêncio, Cleonice das Graças Teixeira, Déa Maria dos Reis, Eloisa de Azevedo, Guacyra Maria Ferrari, Mariângela Baccili Zanoto, Mariângela Cury, Maria Ângela Pinheiro, Maria Dilza de Freitas Faria, Maria Silvia Bueno de Campos, Sílvia Nicolosi Correia, Silza Saccheli Santos








Nas páginas seguintes, as debutantes de 1966 foram entrevistadas sobre algumas de suas preferências e aspirações. Cada uma das debutantes tiveram sua foto publicada no topo da entrevista





O ator  preferido das adolescentes foi, de longe,  Rock Hudson, seguido por Alain Delon; já quanto ao cantor a preferência foi por Agnaldo Rayol.

Rock Hudson

À pergunta sobre a vocação foram citadas: engenharia química, psicologia, música, medicina,  química e magistério.


O Baile das Debutantes, instituído no Grêmio de Recreativo de Ourinhos pelo Lions Clube local em finais dos anos 1950, era um dos mais concorridos.
Na edição de 8-9, foi publicada uma notícia sobre o baile:


Esta edição do  baile revestiu-se de uma característica ímpar pela presença do famoso cronista social da "Folha de S. Paulo", Tavares de Miranda,  como mestre de cerimônia apresentando cada uma das debutantes.
Nesta foto, do arquivo de Francisco de Almeida Lopes, vemos a jovem Guacyra Chiaradia Ferrari.



Foto do Acervo de Francisco de Almeida Lopes, a jovem Guacyra Chiaradia Ferrari e Tavares de Miranda



 A jovem  Aparecida de Oliveira (Teixeira de Freitas)



A debutante Aparecida de Oliveira, seu pai , Benjamim Oliveira (Bija) e Tavares de Miranda


Aparacida de Oliveira, ao fundo o drº Alston Racanello , da diretoria do GRO



Alice Chiarato , Aparecida de Oliveira, Maria Cristina Paula Lima e Cleide Priori Gaudêncio.


 Aparecida de Oliveira e Silza Saccheli Santos


 Aparecida de Oliveira (Teixeira de Freitas)

 Alice Chiarato, Aparecida de Oliveira, Cleonice das Graças Teixeira, Guacyra Chiaradia Ferrari


 Guacyra Chiaradia Ferrari e Aparecida de Oliveira


A primeira à esquerda é Silvia Nicolosi Corrêa 


As mães Maria Aparecida Chiaradia Ferrari e Maria Antonia Baccili Zanoto 


Créditos: O Progresso de Ourinhos, setembro de 1966 in http://www.tertulianadocs.com.br/
Acervo de Cidinha Teixeira de Freitas

11.11.16

O CINQUENTENÁRIO DA TURMA DE 1966 DA ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DE OURINHOS

A ideia da criação de um curso Técnico de Contabilidade nasceu no bojo do  Instituto Educacional de Ourinhos, em finais do anos 1940. Com a dissolução da sociedade mantenedora do Instituto, o professor Jorge Herkrath, do quadro de professores dessa escola  venceu, em 1954, a concorrência da prefeitura para instalar o curso técnico de contabilidade.  Nascia assim a  Escola Técnica de Comércio, na Rua 9 de Julho, 76.


 O professor Jorge comprara a casa que fora do prefeito Benedito Martins de Camargo: residência ampla, um grande espaço para jardim na frente e quintal enorme ao fundo. No espaço ocupado pelo jardim, construiu um prédio com um andar para abrigar a ETCO. Eu fui testemunha desse nascimento, pois morava na casa de meu avô, ao lado, no número 102.
Toda a tramitação que deu origem a esse curso está narrada no artigo que o  jornalista José Carlos Marão escreveu em 1957, podendo ser lido na página deste blog https://ourinhos.blogspot.com.br/2012/05/relembrando-escola-tecnica-de-comercio.html .
Nos anos 1960, com a ampliação do número de alunos, foi construído  outro prédio de um andar nos fundos. Ali fiz três anos de curso técnico.
Um ano após  minha  formatura,  em 1965, outra turma chegava aos seu final, a de  1966. Esses formandos foram, portanto, meus contemporâneos durante dois anos.
Meu amigo  Luiz Tanaka, integrante dessa turma, guardou fotos e convite da formatura que agora integram as  "Memórias Ourinhenses".


20-12-1966



OS FORMANDOS  






À esquerda, o mais alto é Renato Mori, à direita, mesma fileira, Roberto Abrahão Abujamra, já falecido.
 Na segunda fileira,direita para a esquerda,  o sétimo é Ivo Breve 
No centro das 5 jovens, Maria Adelaide de Barros 



O terceiro, na última fileira  é Walter Gaudêncio Brandimarte; Na fileira anterior, Luiz Tanaka é o terceiro, o quinto é Nelson Alexandre Fenley.




Estes 4 mosqueteiros cursaram 8 anos de escola juntos:
Luiz Tanaka, Edson de Oliveira, Nelson Alexandre Fenley, Kazuo Nagashima.

PARABÉNS COMPANHEIROS DE ESTUDOS PELO SEU CINQUENTENÁRIO

5.11.16

AUGUSTO FERNANDES ALONSO, PROJETISTA E MARCENEIRO, UM MESTRE NA SUA ARTE.




No bairro Jardim Paulista, há uma rua denominada Augusto Fernandes Alonso.
Quem terá sido essa pessoa, muitos devem se perguntar.
Augusto Fernandes Alonso era natural da Província de Orense, na Espanha, onde nasceu em 4 de novembro de 1896. 
Veio para o Brasil solteiro, estabelecendo-se inicialmente em Santos, cidade em que  contraiu matrimônio com Olidia Botelho. 
Segundo um de seus netos, o jornalista Aurélio Fernandes Alonso:

"Sobre o motivo de sua vinda para o Brasil até hoje é um mistério na família. Pelo que sabemos veio solteiro provavelmente pela fase difícil que o país atravessava."



Acredito que tenha se fixado  em  Ourinhos por volta de meados dos anos 1920.
Mestre em carpintaria, construiu uma oficina com residência ao lado, na Avenida Altino Arantes, denominada Oficina Santa Maria.
Sentado, na frente da casa nos finais de tarde, é que me recordo dele.
Era um homem culto, amante de ópera, um artesão em carpintaria e também projetista. O belo púlpito em madeira e a porta de entrada da "Igreja Velha"  e a porta de entrada são de sua lavra. Já o disse em outra ocasião, e torno a repetir: o púlpito deveria estar hoje na Catedral. 
Também são de sua lavra as belas escadas em madeira nos primeiros sobrados de Ourinhos. 
Havia até pouco tempo um exemplo de sua arte como projetista: o sobrado duplo que construiu na confluência das ruas Cardoso Ribeiro com Expedicionário, onde moraram suas duas filhas Isabel, casada com Neno Ferrazoli e Olídia (Nena) casada com o professor Norival Vieira da Silva. Se você conheceu esse sobrado faça um esforço de memória para tê-lo novamente à frente. Era um primor de originalidade em termos de concepção arquitetônica e no seu  revestimento externo. Existem ainda dois  ou três sobrados dos anos 1930 e 1940, onde as belas escadas podem ser vistas.
Em artigo publicado no Diário de Ourinhos, seu genro profº Norival conta que o sogro foi o projetista do Hotel Comercial, edificado em 1939, no mesmo local do anterior, na Rua Antônio Prado.
Diz ainda o professor Norival:

"(...) Alonso, que iniciou em Ourinhos a construção dos prédios de dois pavimentos. Muitos sobrados na Avenida Altino Arantes, e o meu sobrado esquina Cardoso Ribeiro-Expedicionário, trazem sua marca registrada nas escadas de madeira, perfeitas e de lances suaves, todas muito semelhantes. Os moldes para a moldagem dos enfeites de parede foram feitos em sua oficina."

Há pouco tempo, em pesquisa nas edições de "A Voz do Povo", descobri que o sobrado onde funcionou o Grêmio Recreativo de Ourinhos, nos anos 1930 e 1940, e mais tarde foi a sede da Câmara Municipal de Ourinhos, na Rua São Paulo, também foi da autoria de Augusto Fernandes Alonso.




Além desses dons Alonso foi também colaborador de "A Voz do Povo", onde podem ser encontrados vários artigos de sua autoria discutindo principalmente problemas da cidade e oferecendo sugestões para resolvê-los.
Foi também vereador pela UDN.
Tendo enviuvado, a primeira esposa morreu de parto, Alonso casou-se com Ivani Alonso.
Alonso teve os filhos: .Oswaldo Fernandes Alonso (falecido), Amilcar Fernandes Alonso (falecido), Isabel F. Alonso (falecida), Olidia Alonso (falecida), a “Lola” esposa de Norival Vieira da Silva, Orizon F. Alonso (ainda vivo, residente em Marília) e Alcedo Alonso, o “Peti”, residente em Cuiabá. Há Francisco Alonso, o Francola que desapareceu antes de 1961  e do qual não se teve mais notícia.




Como se vê, Augusto Fernandes Alonso foi  merecedor da homenagem que a municipalidade ourinhense lhe concedeu, ao dar o seu nome a uma das ruas da cidade.



28.10.16

O DIA DA BANDEIRA DURANTE O ESTADO NOVO 19-11-1939

Clique sobre a foto para desfrutar de alta resolução
O ato em frente a Igreja Matriz. O Tiro de Guerra (primeira turma) à frente, logo atrás o prefeito Horácio Soares e o Juiz de Direito drº Francisco de Barros Pinheiro. 
Ano de 1939, há dois anos o país achava-se sob a égide do Estado Novo, cujo Departamento de Imprensa e Propaganda, o famoso DIP enfatizava os valores nacionais. Assim, do Rio de Janeiro, sede do governo, instruções foram emanadas para todos os municípios no tocante às comemorações do Dia da Bandeira. Comemorações essas das quais deveria participar toda a  população brasileira, sem contar com as louvações ao chefe do governo Getúlio Vargas, e com ênfase ao culto da personalidade, próprias dos regimes autoritários.

 A Voz do Povo, 18-11-1939

Chovera na véspera, sendo assim os desfilantes tiveram de enfrentar o amassa barro nas ruas da cidade, ainda não calçadas. 
 O desfile de estudantes desce a Avenida Altino Arantes, na altura da atual Antonio Carlos Mori. À esquerda a casa de Henrique Tocalino, foram identificados Pedrinho do Bazar e Helio Migliari( ambos de terninho branco), de calça branca um dos filhos de Pedro Médici,  à esquerda da bandeira, de vestido branco (somente roso), minha tia Maria Neves, recitaria uma poesia ao final da cerimônia em frente a igreja. 

Contornando a Praça Melo Peixoto na confluência com a Paraná. Praça que, por força de decreto municipal , passaria chamar-se Praça da Bandeira (denominação que teve vida curta)



O desfile deixa a Avenida Jacinto Sá e sobe a Antonio Prado, na altura da porteira do trem

A cerimônia conforme reportagem de A Voz do Povo, de 25-11-1939: