24.9.16

OS PRIMÓRDIOS DA CONSTRUÇÃO DO NOVO PRÉDIO DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO HORÁCIO SOARES

Edificado pelo construtor Henrique Tocalino, no início dos anos 1940, a fim de abrigar o Ginásio de Ourinhos - instituição particular com subvenção da prefeitura, o velho prédio já não dava conta da demanda escolar para os cursos ginasial  e secundário, em finais de 1958.



(Eram apenas quatro salas de aula e algumas outras precárias no galpão ao fundo)


Nesse ano de 1958, lançaram-se à busca de uma solução para esse estado de coisas, um órgão de imprensa ("Diário da Sorocabana") e o Grêmio Estudantil Rui Barbosa, do Instituto de Educação Horácio Soares.

Essa importante agremiação estudantil passaria a contar com nova direção a partir do dia 21-4-1958, data de sua posse.



Diário da Sorocabana, 1º-4-1958



Assim noticiou na edição de 17-4-1958, o jornal "Diário da Sorocabana":
"Têm trabalhado ativamente os estudantes no decorrer da semana para levar à frente um movimento em prol da construção de novo prédio para o Instituto de Educação "Horácio Soares". Encontramos apoio até agora em todas as instituições  procuradas e têm sido bem sucedidos. Receberam já a oferta de vários particulares dispostos a ajudarem todos os sentidos. A viagem à Salto Grande no dia 20 contará com a presença do maior número possível de estudantes
PROGRAMA E CONDUÇÃO
Os organizadores do movimento, apesar de seus esforços não conseguiram ainda saber sôbre o programa do do Governador Jânio Quadros, não podendo estabelecer ainda  o horário que a comitiva deverá obedecer. Possivelmente os jovens sairão da cidade no período da manhã. Duas empresas de ônibus colocaram à disposição dos estudantes seus veículos para o próximo domingo.(...). "

O diretor responsável do jornal Diário da Sorocabana, Salvador Fernandes e o livreiro José da Cruz Thomé, membro da UDN,  foram recebidos em palácio pelo governador Jânio Quadros no dia 16-4-1958, a quem entregaram uma série de reivindicações do município de Ourinhos, entre as quais a construção de um novo prédio para o IEHS.
Nesse mesmo dia, o jornal "O Estado de São Paulo" publicava:

Jânio, Thomé e Salvador Fernandes

O governador entregou  ao jornalista, um documento de próprio punho, comprometendo-se a atender as reivindicações encaminhadas pelo povo de Ourinhos:

"Muito agradeço o apoio do "Diário da Sorocabana,  que você dirige. Acredite que, para mim, será um prazer o atendimento das reivindicações desse município de Ourinhos, e dessa região, através de sua folha. E, vou prová-lo."

Não obstante as notícias publicadas, os estudantes mantiveram sua disposição de se encontrar com o governador em Salto Grande, o que conseguiram realizar:

Marinho Branco, José Carlos Marão, Carlos Ostronoff, Agenor Rossignoli, Lauro Zimmermann Filho, Alfredo Cubas da Silva
Alguns meses depois, com a oficialização dos procedimentos para a edificação de um novo prédio para o IEHS, os estudantes comemoraram:



"TEREMOS PRÉDIO PRÓPRIO PORQUE TEMOS O DRº JÂNIO NO GOVERNO".

Assim deu-se a construção do novo prédio do IEHS, inaugurado na gestão do novo governador, Carlos Alberto de Carvalho Pinto em  22-4-1961.  Ela foi possível graças  à ação dos estudantes do IEHS liderados pelo "GERB" e ao Diário da Sorocabana, na pessoa de seu diretor Salvador Fernandes com a participação de José da Cruz Thomé. O prefeito à época, José Maria Paschoalick, por razões pessoais e políticas, omitiu-se.


Meus agradecimentos ao jornalista José Carlos Marão, um dos protagonistas da ação aqui relembrada, pelas informações prestadas.

17.9.16

O PRIMEIRO NÚMERO DA "TRIBUNA ESCOLAR" (1-11-1958)






Era uma publicação de natureza exclusivamente educacional, com circulação quinzenal,  de propriedade da Indústria e Comércio Silvano Chiaradia Ltda. 
A redação e oficinas localizavam-se na Rua 9 de Julho, 482 (ao lado do Cine Ourinhos), ou seja onde Silvano Chiaradia tinha a sua loja "A Cidade de Ourinhos" e tipografia. 
O diretor gerente do jornal  era o marido da professora Dalila (Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá), Diomar Antonio de Souza, e tinha como  diretor responsável  o professor Norival Vieira da Silva. Os  redatores eram o professor Rafael Orsi Filho, inspetor escolar da 35ª Zona, de Ourinhos, e meu primo José Luiz Devienne.

José Luiz Devienne (1956)



Uma das matérias do primeiro número foi PESQUISA SOCIOLÓGICA EM VILA NOVA - OURINHOS , que continha este quadro:



Outra matéria desse número, fez-me relembrar  um programa de rádio de que éramos fãs em nossa casa, transmitido  pela ZYS7 - Rádio Clube de Ourinhos, a  HORA DO ESTUDANTE e que ia ao ar às segundas feiras, às 20 horas. O horário fora oferecido graciosamente pelo diretor da emissora, Celestino Bório Júnior ao Grêmio Estudantil "Rui Barbosa", do Instituto de Educação Horácio Soares.

O jovem José Carlos Marão
Foto Sakai

A orientação do programa cabia ao  professor Norival Vieira da Silva, e os locutores eram  os alunos José Carlos Marão, do 2º ano científico e Maria Rita Otero, do 2º ano Normal. O programa tivera início na semana da Pátria e já contava com 14  apresentações. Entre os seus quadros, o mais famoso chamava-se  PERGUNTAS E RESPOSTAS 




Infelizmente, acredito que não exista  a coleção completa dessa publicação. Somente tenho conhecimento de dois números do ano de 1958.
Se alguém dispor de algum exemplar, seria importante que o disponibilizasse para o museu da cidade.
Este exemplar pode ser lido na íntegra em Tertualiana  http://www.tertulianadocs.com.br/

10.9.16

1959 - UMA FOTO APÓS O DESFILE DE SETE DE SETEMBRO





Esta foto foi do primeiro desfile dos alunos que ingressaram no Instituto de Educação Horácio Soares, após terem sido submetidos ao exame de admissão que se constituía  de  provas orais e escritas!
A prova oral de matemática era realizada na lousa, com problemas passados pela professora titular Maria Teresa Caetano de Carvalho.
Tenho na memória até hoje uma cena que eu e meu amigo Luiz Gonzaga Tone presenciamos naquele dia de 1958. Estávamos caminhando pelo páteo aguardando a chamada para o exame de matemática, quando passamos pela porta aberta da sala do exame. Lá estava à lousa padecendo com a resolução de um "carretão" Elisabete Capato, tendo ao lado uma professora não muito paciente arguindo-a com certa irritação.
Enfrentamos exames orais (com banca) e escritos até a terceira série do ginásio. Na quarta série já estávamos submetidos à égide da nova legislação de ensino, a Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961.
No regime antigo, tanto o exame escrito e o exame oral eram realizados com o sorteio de pontos que tínhamos que discorrer. Nada de questões com alternativas  como há hoje.
Bem, retornando ao desfile, meu pai, que habitualmente no dia 7 de setembro saía de casa logo cedo com a máquina a tiracolo para fotografar o desfile a serviço do Foto Machado, reuniu um grupo de alunos para uma foto conjunta, a qual ilustra esse artigo. Nela estão alunos de todas as séries. Da minha turma de primeira série estão na primeira fileira agachados:
1- Laércio Cubas da Silva, 2 - José Agostinho Gabrioti, 3 - José Carlos Neves Lopes, 5 - Mário Aparecido Vascão, 6 - Licínio Fantinati
Logo atrás, com meia cabeça aparecendo 1- Auro Tanaka, 2 - José Rubens de Freitas Oliveira, 3 - Marinho Brandimarte. Na primeira fileira em pé, bem no centro, Julinho Carriça Correa.  No canto direito, aparece o rosto de Valter Brandimarte. Quanto aos demais, a memória não gravou os os seus nomes. Bem atrás aparece o casal Reinaldo de Azevedo e esposa.

3.9.16

DE VOLTA PARA O PASSADO: 1961, AS TORRES DA IGREJA MATRIZ DO SENHOR BOM JESUS



À esquerda padre Domingos Trivi, à direita padre Eduardo Murante


Nesta edição comemorativa dos sessenta nos do mais antigo jornal de Ourinhos, a "Folha de Ourinhos", nada melhor do que um assunto próximo às origens do semanário veterano.
Numa das últimas visitas que fiz ao nosso  saudoso  amigo drº Antonio Ferreira Batista, que foi gerente do Banco do Estado de São Paulo - Banespa entre os anos de 1950 e 1960, quando comentei algo sobre o Padre Domingos Trivi, o srº Ferreira contou-me que havia sugerido a esse pároco uma grande ação para que a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus tivesse finalmente suas torres concluídas.
Desde os finais dos anos 1940, quermesses, leilões de prendas e outras ações por parte dos paroquianos tornaram possível a edificação da nova Igreja Matriz.  
Concluída na parte interna, embora ainda sem um acabamento mais fino,  já nos primeiros anos da década de 1950, cerimônias foram sendo realizadas no novo templo. 
Era necessário, então, a finalização de sua fachada externa e a edificação das torres.
Pesquisando no jornal Diário da Sorocabana encontrei a publicação do balancete das ações desenvolvidas no ano de 1961 pela comissão responsável  por uma grande quermesse sob a presidência de Antonio Ferreira Batista.

Durante um mês foram realizadas, no entorno da Igreja Matriz, quermesses nos dois últimos dias das semanas, cada uma delas sob a supervisão de patronos,  e um leilão de bovinos :



O agradecimento publicado ao final do balancete relata  o que foi essa ação  que tornou possível a edificação das duas torres e o acabamento externo do nosso magnífico templo católico idealizado e iniciado pelo saudoso padre Eduardo Murante.




Eu, um adolescente de 14 anos, morando a meio quarteirão da Igreja Matriz, lá estive em todas as noites de quermesse, abusando do correio elegante para iniciar um namorico  com garotas que se achavam.




À esquerda, o jornalista Miguel Farah discursando, ao centro Odair Alves da Silva e esposa, o padre Domingos Trivi e o radialista Dirceu Bento da Silva

Hoje, com o aniversário da "Folha de Ourinhos", o jornalista Miguel Farah deve estar muito feliz. Da região em que se encontra ele estará vendo que a semente lançada germinou e cresceu. Atingiu a chamada "melhor idade" conduzida com carinho e competência  pelos filhos de seu criador,  e hoje granjeia o respeito de todos os ourinhenses por sua retidão e preocupação com os mais lídimos interesses municipais.
Parabéns família Farah!

Sobre o drº Antonio Ferreira Batista acessar:

24.8.16

Drº JÚLIO DOS SANTOS, ADVOGADO E PROFESSOR DE PORTUGUÊS




Tanto no diz respeito às suas duas profissões advogado e professor ouvi, na infância e adolescência, rasgados elogios à sua atuação.
Quando atuava no Juri, o recinto onde ocorria a sessão costumava ficar lotado por  pessoas que lá iam para admirar a sua oratória; de sua atuação como professor de português no Ginásio de Ourinhos, ouvi de dois de seus alunos, meu tio Herculano Neves, bacharel em direito pela Faculdade do Largo São Francisco e Inês Souza Leal, professora primária da primeira turma de normalistas de Ourinhos, elogios à sua competência no magistério.
Radicado em Ourinhos desde meados dos anos 1930, foi convidado a lecionar no Ginásio recém criado. Na época, não se exigia a formação acadêmica na disciplina para lecionar em ginásios. Desse modo,  era comum advogados lecionarem língua portuguesa e história, principalmente. 

Nesta foto, vemos o drº Julio entre membros do "Operário": é o segundo na segunda fileira à esquerda. Na foto também se encontram, Tufy Saki Abucham e o professor José Maria Paschoalick.



Foi um dos fundadores do Rotary Clube de Ourinhos,  integrante da direção do Clube Atlético Operário e  colaborador do jornal " A Voz do Povo", onde publicou artigos que tratavam de questões jurídicas e de outra natureza.


Casado com Wanda Penteado, desse consórcio nasceu a filha Nielse, minha contemporânea, casada com Ernesto Rondelli, advogado.


20.8.16

PADRE DUÍLIO LIBURDI, UM MISSIONÁRIO JOSEFINO EM TERRAS BRASILEIRAS


Minha tia, Maria Neves (Nim), apesar de pertencer à Paróquia do Senhor Bom Jesus, frequentou muito a Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, nos anos 1950 e 1960. De modo que eu, sendo até os 13-14 anos  muito religioso, acompanhava-a às cerimônias daquela paróquia. Assim sendo, cheguei a conhecer o padre Duílio.
Italiano de Roma, onde nasceu em 1926, ingressou no Seminário  dos Oblatos de São José, em Asti, aos  onze anos de idade.
Sagrado sacerdote em 1951, dois anos depois veio para o Brasil para iniciar uma ação missionária. Sua primeira missão foi a de dirigir , na condição de reitor,  o Seminário de Nossa Senhora de Guadalupe, em Ourinhos,  o primeiro da Ordem em  terras brasileiras.
Esse seminário havia sido inaugurado em 26 de janeiro de 1952, graças a ação dois padres josefinos, Pedro Magnone e Mario Briatore. 






 Nesta foto, de finais dos anos 1950, vemos o padre Duílio ladeado por algumas telefonistas: minha tia Maria Neves, Noêmia Pedroso, Zilda Fernandes e Maria de Lurdes Souza Barros (Lurdão)
Foto por Francisco de Almeida Lopes

Na condição de reitor, Padre Duílio desenvolveu um importante nos primeiros anos de funcionamento do seminário josefino. 



Padre Geraldo Bortolocci da Silva, irmão do ex-prefeito Rubens Bortolocci da Silva.

Em 5 de abril de 1961, foi  foi sagrado o primeiro sacerdote josefino brasileiro, o ourinhense Geraldo Bortolocci da Silva, de antiga família estabelecida na cidade. Isso ocorreu  numa bela cerimônia na Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, recém construída. Eu estive presente,  e guardo na memória esse momento importante.
Cumprida a sua missão em Ourinhos, Padre Duílio exerceu a condição de pároco em vários municípios do estado de São Paulo e do e  do Paraná.
Nos anos 1980, o Padre Duílio lançou-se em outra atividade missionária, dessa vez em Rondônia e Mato Grosso, onde em região de plena selva, atuou como mediador na defesa de pequenos agricultores migrantes face a ação de grandes proprietários. Foi ameaçado de morte inúmeras vezes.


Uma das últimas fotos do Padre Duílio Liburdi

Debilitado pela malária contraída, deixou a região após 12 de trabalho intenso. Ainda serviu à Igreja, em diversas outras localidades, até que, com  a saúde abalada, retornou a Roma onde veio a falecer após  57 anos de atividade missionária.
Por sua ação em Ourinhos e no Brasil, merecia uma homenagem de da municipalidade ourinhense.


As informações e fotos desta página pertencem ao excelente trabalho  que recomendo àqueles que desejam conhecer a obra desenvolvida pelos padres josefinos  no Brasil. Ela pode ser acessada em            http://www.osj.org.br/wp-content/uploads/pdf


13.8.16

A ELEIÇÃO MUNICIPAL DE 1963 EM OURINHOS


Em outubro próximo haverá eleições municipais. 
Refletindo sobre esse assunto, resolvi pesquisar na imprensa local sobre a   eleição municipal de 1963, a que deu a   Domingos Camerlingo Caló, o seu segundo mandato de prefeito. Ele havia sido prefeito no período de 1952 a 1955, sendo sucedido por José Maria Paschoalick (1956-1959) e  Antônio Luiz Ferreira (1960-1963).
Nas eleição municipal de 1963, concorreram à prefeitura duas forte lideranças locais: Domingos Camerlingo Caló e José Maria Paschoalick.


Vivia o país,  nessa ocasião, um clima radicalizado pelas posições políticas assumidas tanto  à esquerda como  à direita. É evidente que esse posicionamento repercutia também no âmbito dos municípios brasileiros.
Podemos dizer que,  em Ourinhos,  tínhamos à direita  os partidos PSP, PRP, UDN e  à esquerda o PTB. Camerlingo era do PRP e Paschoalick do PTB. 
Os três partidos mais fortes na cidade a essa altura eram o PSP (ademarista), o PRP ,  a UDN e o PTB.  Ourinhos tinha   9634 eleitores, dos quais 5028 votaram em Domingos Camerlingo Caló, ou seja, pouco mais de 50 %; embora  eu não tenha encontrado a totalização dos votos brancos e nulos, percebe-se que foi uma eleição disputadíssima.




Um aspecto interessante na eleição de 1963 foi o grande número de jovens na faixa dos  20 e 30 anos que concorreram. Para citar apenas os que conheci: Dirceu Bento da Silva, Irineu Ferrazoli, Luciano Correia da Silva, Arlindo Bicheri, Celso Cruz,Irineu Veronezi, José Luiz Devienne, José Carlos Monteiro, Orison Fernandes Alonso, Hélio Miguel Leal, Jorge de Barros Carvalho, Harugi Seno, Geraldo Bernardini, Ary Francisco Negrão, 
Os vereadores eleitos foram: 

Esta foto, de autoria desconhecida, com certeza foi tirada na cerimônia de diplomação dos vereadores eleitos:


Da direita para a esquerda identifico: o dentista Lauro Zimmerman, Irineu Ferrazoli ,o dentista Ortésio Pereira da Silva, Clóvis Ferraz, tesoureiro da prefeitura, Edu Azevedo, Demerval Ferreira, o prefeito Antonio Luiz Ferreira (em pé), no centro.




Sobrado na Rua São Paulo, onde, no andar superior onde  funcionou o GRO até os anos 1940 e, depois, a Câmara Municipal de Ourinhos.


O jornal "Diário da Sorocabana", que apoiava abertamente a UDN, publicou uma longa entrevista fornecida por escrito pelo candidato professor José Maria Paschoalick, da qual selecionei alguns trechos:



No ano seguinte, com o golpe militar, o professor José Maria Paschoalick chegou a ser preso e foi  aposentado compulsoriamente.