24.12.12

O NATAL DE 1957


Passávamos o Natal invariavelmente em casa de meus avós. Assim foi desde 1947, meu primeiro Natal, até 1964, o último de minha avó.

Família muito grande, afinal eram doze os filhos, nem sempre foi possível a reunião de todos. Somente em duas ocasiões isso foi possível, em 1948 e em 1956. Todas elas registradas em fotos por meu pai.

Os filhos homens já casados quase sempre passavam o Natal na casa dos sogros. Um número grande deles já fora de Ourinhos, o que nem' sempre possibilitava sua presença nessa ocasião.

Meu tio Juca, foi o que mais esteve presente nos Natais em Ourinhos. Ele passava o Natal com a mãe em Ourinhos e o Ano Novo com os sogros na Casa Verde, São Paulo. Uma prática democrática, sem dúvida.

Esta bela foto ilustra um momento natalino em casa de meus avós, na Rua 9 de Julho nº 102.

Após o almoço, um grupo se reuniu no quintal para degustar uvas, numa das poucas ocasiões em que o autor da maioria das fotos aqui postadas ao longo de 12 anos pode se fazer presente, como sempre fazendo pose como era seu hábito ("em fotos devemos posar").

Estamos dispostos em círculo iniciado pela esquerda por meu primo, o jornalista, crítico de teatro e escritor Jefferson, minha tia Nim, meu tio Manolo, minha avó, Lourdes Reclusa, chefe das telefonistas que lá morava na ocasião, eu, o primo Francisco Eduardo (Duá) e meu pai Francisco de Almeida Lopes segurando um cacho de uvas, fruta natalina por excelência.

É com esse feliz clima familiar registrado em foto que desejo saudar todos (os)(as) leitores (as) desta coluna e do blog, agradecendo a sua fidelidade ao longo dos anos que se passaram.

A todos (as) um Feliz Natal e um Novo Ano com a realização de tudo aquilo que almejarem.


16.12.12

EMA BIGI




Não sei se ainda existe a "Companhia Interamericana de Produtos Alimentícios" em Ribeirão do Sul.
No início dos anos 1960, seu proprietário era Aniz Saad. Ele trouxe uma amiga da familia, Ema Bigi, moradora em São Paulo, que tinha poderes mediúnicos extraordinários, a fim de que conseguisse decifrar problemas que vinham ocorrendo no escritório de sua fábrica. Aniz era o pai do Kiko, que foi casado com Ciomara Matachana.
Nessa ocasião, Aniz levou-a consigo numa visita que fez ao gerente do Banespa em Ourinhos, Antonio Ferreira Batista. A esposa do senhor Ferreira, Olívia, chamou minha mãe, que era sua vizinha para conhecer dona Ema. Nasceu, assim,  uma amizade entre Amélia e Ema. Amizade que perdurou ate a morte de Ema, no anos 1980.
Meus pais, nos anos em que moraram em São Paulo,  alugaram um apartamento no Largo do Arouche. Dona Ema,  na ocasião, estava morando com o filho Mário Bigi, conceituado decorador de São Paulo, na Rua Sebastião Pereira, bem próxima do Arouche. Desse modo, amélia e Ema  estreitaram ainda mais a amizade.
Mário era pai de José de Castro Bigi, já falecido, que foi presidente da OAB por duas vezes nos anos 1980.
Mário Bigi teve a propriedade de uma loja na Sebastião Pereira denominada "Ao Quadro Elegante", instalada em prédio que foi derrubado quando da construção do Metrô.
Os poderes de vidência de Dona Ema pude acompanhar de perto. Ela olhava para uma pessoa e apontava aspectos pessoais, predizendo inclusive fatos futuros Tinha um coração de ouro.
Quando jovem, foi moradora do Cambuci e vizinha dos pais do ministro Delfim Netto, que conheceu ainda menino.
Ela está nessa foto ao lado de minha mãe.
A foto foi feita por meu pai no jardim de nossa casa na Arlindo Luz 479, nos anos 1960.

9.12.12

TAVARES DE MIRANDA E A DEBUTANTE



Seu nome era José Tavares de Miranda, natural de Pernambuco (1917). Veio para São Paulo com 21 anos e ingressou como repórter policial no "Diário da Noite". Nas horas vagas dedicava-se à poesia. Acabou se envolvendo com a literatura e a coluna social.



Nas páginas da "Folha de São Paulo" manteve por muitos anos uma coluna social que fez história. Foi membro da Academia Paulista de Letras.

Em 1966,  esteve Ourinhos para ser o apresentador das jovens debutantes no baile patrocinado, anualmente, pelo Lions Clube local.



É nessa condição que o vemos nesta bela foto dando entrada à debutante Guacira Ferrari,  filha do casal Lino e Mariinha Chiaradia.
Tavares de Miranda faleceu em 1992



Foto por Francisco de Almeida Lopes

3.12.12

SALVADOR FERNANDES E O DIÁRIO DA SOROCABANA




Salvador Fernandes, fluminense de Macaé, veio para Ourinhos na segunda metade dos anos 1950, onde fundou um dos mais importantes jornaisda história da cidade – O Diário da Sorocabana.

Ourinhos, então, passou a contar com dois novos jornais, um dosquais o já quase sexagenário “Folha de Ourinhos”, fundado pelo jornalista Miguel Farah, em 1956, e levado avante por seus filhos e filhas após a sua morte.




Salvador já tinha história no jornalismo e era um editorialista primoroso como pode ser conferido no editorial da edição de 17/7/1960, “Os Males das Guerra Fria”, em http://ourinhos.blogspot.com.br/2012/08/o-diario-da-sorocabana.html .

O ex-governador Roberto de Abreu Sodré, na época parlamentar e um dos próceres da União Democrática Nacional, foi o responsável pela sua vinda para Ourinhos.

A sede do jornal ficava no final da Rua Antonio Carlos Mori ( ao ladoda via férrea que demanda o Paraná), onde também o jornalista morava com a esposa Ana (Aninha) e as filhas Ofélia e Ângela. Ana, uma bela mulher, foi uma das freguesas de costura de minha mãe.

Alguns estudantes de Ourinhos, hoje próximos ou na casa dos setenta anos, colaboraram com o jornal e poderiam deixar um depoimento sobre o jornalista.

No site releituras – novos escritores –

(http://www.releituras.com/ne_sfernandes_sombra.asp) pode ser lido um conto de autoria de Salvador, publicado no livro "Florisbela e Outros Contos", Editora Saga, 1999 – Sombra de ontem. Nesse site encontramos a menção de que teria escrito também “o livro "Geada", publicado pela Sintaxe Editora, romance baseado em fatos ocorridos na região da Sorocabana, no Estado de São Paulo, onde viveu a partir de 1957”.

Na foto, de autoria de Francisco de Almeida Lopes, que foi colaborador fotográfico do jornal, vemos o jornalista ao centro ladeado pela esposa Ana e Roberto Costa de Abreu Sodré, por ocasião da inauguração do prédio do Instituto de Educação Horácio Soares, em 22/4/1961.

24.11.12

ECOS DA REVOLUÇÃO DE 1930-II



Nos movimentos revolucionários é comum a existência de várias correntes. Esses grupos disputam o controle do poder, o que provoca uma grande rotatividade nos cargos públicos após a tomada do poder.Em Ourinhos, com a Revolução de 1930, não foi diferente. O drº. Hermelino, nomeado em dezembro de 1930, foi substituído em fevereiro de 1931, por Rodopiano Leonis Pereira, presidente local do Partido Democrático, agremiação política que integrou Aliança Liberal.


O Partido Democrático, que fazia oposição ao PRP, tentou manter o poder no Estado. A aliança entre tenentistas e democráticos foi curta. Os “tenentes” se achavam os autênticos revolucionários, não desejando um mero revezamento de oligarquias no poder. Esse posicionamento acabou por resultar na nomeação do tenente pernambucano João Alberto Lins de Barros, ex-integrante da Coluna Prestes, para a interventoria paulista.

Como conseqüência desse clima político instável Ourinhos teve, em 1931, quatro prefeitos:

 drº Hermelino Agnes Leão;

 Rodopiano Leonis Pereira

 drºTeodureto Ferreira Gomes

 drº. José Felipe do Amaral

No ínicio de 1931, uma nova diretoria era eleita para o Grêmio Recreativo de Ourinhos:

“Willian Reid – presidente
Henrique Tocalino – vice
Guaraciaba Trench – 1º secretário
Osvaldo Pareto Torres – 2º secretário
Francisco Ciffoni – 1º tesoureiro
drº Wallace H. Morton. – 2º tesoureiro
 Arquipo Matachana, Rafael Papa e Ormuz Cordeiro – conselho fiscal”

 “A Voz do Povo” anunciava, em fevereiro, a realização de bailes carnavalescos no Cine Teatro Cassino, com orquestra de São Paulo, e no Hotel Adelino com o “jazz do Américo”.

O médico Drº Theodureto Ferreira Gomes era muito estimado na cidade onde morava já há alguns anos. Afinado com o movimento tenentista, chegou a ser governador militar da cidade durante a “Revolução de 1924”, (cf. “A Cidade de Ourinhos, 15/3/1931).



Com o tenentista, João Alberto no comando do estado de São Paulo, Theodureto assumiu a prefeitura.



Em março, o maestro Américo de Carvalho declarava que iria reorganizar a nova banda por conta própria, e que a prefeitura doaria os instrumentos musicais.



Em maio, deixava Paróquia do Senhor Bom Jesus o vigário Francisco de La Torre Lucena, sendo substituído pelo padre Vitor Moreno.





Theodureto era o médico do meu avô, José das Neves Júnior, que tinha por ele um grande apreço.

José das Neves, que tinha fazenda no município de São Pedro do Turvo, havia fixado residência em Ourinhos (outubro de 1930), onde construíra uma casa na rua Minas Gerais. Amigo de Theodureto, saiu em sua defesa fazendo publicar na Seção Livre de “A Voz do Povo” (31/5), um manifesto defendo o prefeito, e atirando contra “perrepistas e democráticos”.



Em agosto houve uma manifestação popular de apoio ao prefeito Theodureto.

Em 31 de julho, tinham início as festas do padroeiro da cidade, o Senhor Bom Jesus, com a realização de uma novena.


No dia do padroeiro, 6 de agosto, às 10 horas, foi realizada uma missa cantada acompanhada pela “Schola Cantorum”, composta por um “seleto grupo de senhorinhas da nossa sociedade”, sob a regência do maestro Andolfo Galileu, seguida de uma procissão, às 16 horas.Nesse mesmo dia, era inaugurada a luz elétrica no bairro da Vila Nova.

Sob o título “DATILÓGRAFO” publicava "A Voz do Povo”:


“Diplomou-se em datilografia no Externato Rui Barbosa, o aluno João Neves, que recebeu o diploma da “Escola Remington”, anexa ao mesmo Externato.O primeiro laureado completou brilhantemente o curso em 5 meses, atingindo as 150 palavras no espaço de 5 minutos, exigência necessária para a habilitação em datilografia.”


Em setembro, era constituída a Associação dos Lavradores com cerimônia no salão do Cine Teatro Cassino, tendo como diretoria provisória: Cel. Antônio A Leite, Olavo Ferreira de Sá, Antônio da Silva Nogueira, Antônio Corrêa de Souza, Bento Pereira, Manoel Rodrigues Martins e Domingos Perino.


Ainda nesse mês, sob o título “NASCIMENTO”, publicava o mesmo jornal:


“O lar do Sr. Narciso Nicolosi, sócio da importante firma Teixeira, Médici & Nicolosi, acha-se engalanado com o nascimento de uma graciosa menina, que, na pia batismal, recebeu o nome de Nice.”


Antes do final do ano1931, o drº Theodureto deixou a prefeitura sendo substituído pelo dentista drº José Felipe do Amaral, integrante da comissão diretora do Partido ´Democrático local.

20.11.12

PAULO AILTON RIBEIRO DE CARVALHO, 70 ANOS

                          Paulo Ailton Ribeiro de Carvalho, advogado, funcionário aposentado do antigo Banespa, um dos azes do basquete ourinhense da primeira  geração,  completou 70 anos  no dia 24 de outubro passado.



Filho de Agostinho Ribeiro de Carvalho e Francisca Nunes de Carvalho, é casado com minha amiga de longo tempo, Maria Alice Silva Carvalho, filha do saudoso Mário, um dos antigos farmacêuticos de Ourinhos, já falecido,  e de Aparecida Silva.
Ao lado dos amigos (as) e parentes comemorou essa data numa bela festa preparada por Maria Alice, e que foi documentada pela "Folha de Ourinhos" de 11/11/2012
A ele os parabéns de Memórias Ourinhenses.
Foto por Foto Martins 


18.11.12

ECOS DA REVOLUÇÃO DE 1930 - I


Mesmo numa pequena cidade como

Ourinhos no início dos anos 1930, os efeitos de uma

revolução se fizeram sentir. A cidade ficara semi-

abandonada; somente após vinte e um dias tudo

voltara à normalidade.


“(...) quem governa o País é aquele que a

popularidade queria! Quem governa o país é aquele

que acaba de dar à história Pátria o maior lance de

beleza, honra e glória. Finalmente quem governa o

País é o escolhido do povo que briosamente levou o

seu nome às urnas.”

O articulista de “A Voz do Povo” se referia

a Getúlio Vargas que as forças vitoriosas alçaram à

chefia do Governo Provisório.

Com a derrocada do Partido Republicano

Paulista, assumia o governo da cidade uma Junta

Governativa que conclamou a população para uma

passeata:

“Ao Povo”

A Junta Governativa desta cidade convida

a todos os Revolucionários e ao povo em geral para

uma passeata em regozijo à brilhante vitória da

Revolução em prol dos direitos do Povo conspurcado

e espezinhado pela camarilha de políticos

profissionais (...) passeata essa que se iniciará às

19 horas na Praça Melo Peixoto.

Viva a Revolução!

Drº Hermelino de Leão, governador da cidade”

Segundo o jornal a praça esteve lotada.

Em dezembro, o drº Hermelino foi

nomeado prefeito por decreto.

Em 1931, à semelhança do que ocorria

na chefia do governo estadual, iniciar-se- iam

mudanças sucessivas na governança da cidade.

“Não estando filiado a nenhum partido

político, recebi a investidura do meu cargo com

o espírito sereno e com a intenção inabalável de

agir com a mais absoluta ponderação e calma.

Dentro destes limites tenho procurado atender a

todos, adotando um rigoroso critério de justiça e

imparcialidade ”

Manifesto dirigido ao Povo de Ourinhos pelo

prefeito municipal Drº Hermelino de Leão.    (continua na próxima semana)

11.11.12

MONSENHOR CÓRDOVA

A Rua Monsenhor Córdova é uma via central. Sua criação deu-se no final dos anos 1930, quando o quarteirão que se inicia na Rua Cardoso Ribeiro foi urbanizado com a construção de casas pela Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, as quais foram financiadas para empregados do escritório central da ferrovia.



Lembrança distribuída na missa de 7º dia em intenção da sua alma,  guardada por minha avó.
 
A denominação foi uma homenagem a esse sacerdote, Antônio Córdova  que,  apesar de ter ficado pouco tempo à frente da paróquia, granjeou respeito, carinho e admiração dos seus paroquianos.
Ele assumiu a paróquia em 1935, com a retirada do Padre Vitor Moreno. 
Até então fora cura da Sé e vigário geral da diocese de Botucatu.

Ele faleceu em 19/7/1937, em Bebedouro para onde fora levado para tratamento de saúde, como noticiou “A Voz do Povo¨:



Na mesma edição, um paroquiano prestou-lhe homenagem:


4.11.12

RECORDANDO ANTIGOS PROFESSORES (AS): DALILA DE SOUZA






Lembram-se? Alta, gorda, extrovertida. Assim era dona Dalila, uma das melhores professoras primárias do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, o Grupão. No final dos anos 1950 já havia dois grupos escolares estaduais na cidade, o Grupão e o "Virgínia Ramalho",chamado de Grupinho, embora fosse do mesmo tamanho ou talvez maior que o primeiro.  
Dona Dalila era casada com Diomar Antonio de Souza, que era proprietário de uma tipografia que havia ao lado do Cine Ourinhos, ou talvez sócio do Silvano Chiaradia nesse estabelecimento. 
O casal tinha vários  filhos homens, cujos nomes,  se  me engano, começavam todos com a letra D. Um deles, Dalton José (20/03/1947 - 17/12/2011) foi meu contemporâneo. 
Moraram na Expedicionário, logo após o Grupão.
Dona Dalila foi também vereadora, tendo sido eleita para a 3ª Legislatura (1956-1959), pela UDN, se não estou errado
A saudosa professora está nessa foto entregando o prêmio ao primeiro colocado da 4ª série A, de 1958, o aluno José Carlos Neves Lopes.
Saudades.
Foto por Francisco de Almeida Lopes




Foto de 1958: A professora Maria Auxiliadora Ramos Pompéia  (esquerda), a profª  Dalila de Souza e o drº Ortézio, que era o dentista do "Grupão".
Foto do acervo de Fernando Saraiva

27.10.12

PADRE DOMINGOS TRIVI

O padre Domingos Trivi sucedeu a Eduardo Murante  como pároco da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, em 1956.

Tinha à sua frente uma missão que envolvia a necessidade de amealhar recursos, qual seja, a de levar adiante o acabamento da nova Igreja Matriz.

Italiano, de pequeno porte, não tinha a mesma simpatia do padre Eduardo, mas era tão comunicativo quanto.

Relacionou-se bem com a comunidade católica e, graças a quermesses e doações, conseguiu amealhar fundos que permitiram realizar o revestimento externo do templo e a edificação de suas duas torres.

Ao cabo de seis anos, a imponente Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, estava totalmente concluída, para orgulho dos católicos ourinhenses.

Padre Domingos permaneceu à frente da paróquia até dezembro de 1965, quando foi para Roma com passagem doada por seus paroquianos. Na ocasião, foi  concelebrada missa por 16 padres.


Nesta foto, o padre Domingos oficia o casamento de Glória Monteiro, filha de Benedito Monteiro e Tomyres Devienne Monteiro. Ao lado,  os padrinhos drº Airton Monteiro e  esposa




Nesta foto, vemos um sorridente padre Domingos, recém-chegado à cidade, oficiando o casamento de membro de família de origem espanhola muito religiosa e atuante na paróquia, os Robles. Tratava-se do casamento de Ignes Robles com Leonir Theodoro das Neves.

21.10.12

JOSÉ GABRIEL MARÃO

Marão foi pessoa muito querida em Ourinhos, simpático, boa prosa. Era muito amigo do primo de meu pai, Alfredo Devienne. Nessa foto, postada originariamente no blog do Wilson Monteiro, Marão é o terceiro à direita da mesa (entre Ibrahim e Salem), onde também vemos apontando o rosto, o radialista da Rádio Clube de Ourinhos, Osvaldo Lazzarini, (dono de uma bela voz), Silvano Chiaradia, o vereador Ibrahim Abujamra do cartório, o drº Salem Abujamra, inspetor federal de ensino, Reinaldo Brandimarte, o filho do deputado Silvestre Ferraz Igreja, Mário,  e o velho Racanello. À esquerda, olhando para o fotógrafo, Edu Azevedo e o cunhado Samadello.

  
A foto foi tirada no Restaurante Ypê, famoso nos anos 1960. Local decorado com muito bom gosto, comida excelente, enfim um espaço concorrido na cidade que traz boas lembranças para os que com ele conviveram.


Foto de autoria desconhecida.


Pedi ao jornalista José Carlos Marão que escrevesse algumas linhas sobre o pai:


"Meu pai, José Gabriel Marão, foi transferido para Ourinhos em 1946. Era funcionário de uma firma francesa, beneficiadora de algodão, chamada Coimbra, filial de outra, chamada Dreifus. Tinha antes passado pelas filiais de Itapetininga e Avaré.


Quando a Coimbra resolveu fechar suas atividades em Ourinhos, seria transferido para São Paulo, mas não aceitou. Preferiu ficar em Ourinhos. Comprou o bar que era do Alfredo Devienne, na primeira sede do Grêmio Recreativo de Ourinhos (rua São Paulo), e passou a trabalhar também por conta própria no mesmo ramo que atuava, a compra de algodão e cereais junto aos produtores para beneficiamento e posterior venda. Sua vida era totalmente dedicada aos filhos. Abriu mão de muitas coisas, sempre colocando os filhos em primeiro lugar: o Gabriel, o Elias e eu.


Teve um empreendimento pioneiro em Ourinhos. No tempo em que só se lavava roupa a mão, teve uma lavanderia com máquina de lavar roupa, a primeira da cidade. E uma turbina secadora que, quando ligada, parecia que ia levantar voo. Quando a lavanderia deixou de funcionar, esses equipamentos (em termos de hoje, primitivos), foram vendidos para o Seminário Josefino.


Depois, com a inauguração da nova sede do Grêmio Recreativo de Ourinhos e a inauguração da piscina do Ourinhense, ficou apenas com a concessão dos serviços de bar e jogo desses dois clubes."

13.10.12

GALERIA DA SANBRA - OURINHOS - RELEMBRANDO

Página atualizada em 18/5/2014

Almoço de confraternização, Natal de 1963
Cleide, José Hernandes, José Carlos Neves Lopes,  Mário Ramalho Pereira, Brandimarte, Yeda.











Clique sobre as fotos.

ALMOÇO DE NATAL 1963
CANTINA ITALIANA NA AVENIDA


Esquerda: Ademar  Oswaldo Marques (Caixa) José Maria (Custos) Dorival Avanzi (Caixa)
Direita: Liberto Resta (Chefe do Escritório) Irineu Kucko 


Ponta esquerda: Walter Breve.
Direita:  Arlindo (Pessoal), Yeda,  Brandimarte (Laboratório), José Carlos Neves Lopes (mascote - auxiliar de custos) Cleide (Secretária) Elias Hage (vendas)


 Esquerda: Laurinho Zimmerman (Custos)
Ao fundo, direita: Souza (gerente) Engº Sarmento



Esquerda: Laurinho e Rubens Bortolocci da Silva (Chefe de Pessoal)
Direita: Leonel, José Maria, Oswaldo Marques, João Olante, Ademar



Urbano Zampieri, Cleide, Tomiko Sekino, irmã de Setuko Sekino, Yeda, Rubinho, Tupina e Hélio (Pessoal)
l

?,Leonel, Ademar, Brandimarte, Dorival Avanzi, José Carlos Neves Lopes


Adão Simião (Fábrica), Rubinho, Salem, Mithuo Minami, Souza, Mori


Alberico Albano



José Fernandes de Souza (Gerente)


Prédio do escritório:  provavelmente início dos anos 1950: Antonio Capatto, chefe da fábrica, Liberto Resta, João Olante, Alberico Albano



Escritório: fim dos anos 1950 - Liberto Resta, José Carlos Monteiro (?) João Olante, Cleide


Visita do vice-presidente da República, Pedro Aleixo, à Sanbra
  

O complexo da Sanbra, no final dos anos 1950. - Foto Colombo



Festa de Natal na Sanbra - ? João Olante, Hélio, Engº Sarmento, Irineu, Rubinho, Maurílio Marocco (manutenção elétrica)



José Fernandes de Souza, o prefeito Domingos Camerlingo Caló, o vice-presidente Pedro Aleixo e o
deputado federal Silvestre Ferraz Egreja. 


(da esquerda prá direita)- Maria Cristina Souza, Rosa Helena Resta, Inira Gomes Resta ( falecida neste ano), Liberto Resta e D. Ivone Souza. A foto foi registrada pelo sr. Souza, defronte ao escritorio da Sanbra 




AS BANDAS DE OURINHOS


Numa época em que toda cidade tinha uma banda municipal que se apresentava com frequência na praça principal executando peças do repertório clássico e popular, Ourinhos também contou com esse conjunto musical.
Foi uma formação instável como se depreende da leitura de jornais da época. 
Em 1937, a cidade achava-se sem uma banda. Foi então realizada uma subscrição por meio de um "livro de ouro" a fim de comprar os instrumentos musicais necessários. Eu tive acesso a esse documento  na ocasião em  que se  achava  na biblioteca do Grêmio Recreativo de Ourinhos, cuidadosamente organizada por Mário Branco, nos anos 1960.




Com a aquisição dos instrumentos a banda foi reorganizada sob a denominação  "Filarmônica Municipal Lira Carlos Gomes". O regente chamava-se Francisco Leite de Camargo. O conjunto é visto nesta foto por ocasião de seu primeiro concerto no dia 4/1/1942. Segundo a imprensa compareceram à Praça Melo Peixoto cerca de mil pessoas para assistir ao concerto.
Na foto por Frederico Hahns,  vemos o  prefeito drº Hermelino Agnes de Leão, os paraninfos da banda: o  ex-prefeito Horácio Soares e a senhora Maria Augusta Gomes de Leão (Tata) e o regente.


(Clique sobre a foto)



A outra foto, por Francisco de Almeida Lopes, nos mostra  aquela que deve ter sido a última formação da Banda Municipal, quando organizada na gestão do prefeito Antônio Luiz Ferreira. Seu uniforme era na cor azul. Creio que tenha  sobrevivido até cerca dos anos 1990, já não fazendo mais concertos em praça pública, pois o público preferia ficar em casa assistindo aos programas de televisão. 
 Á frente do grupo achava-se o Maestro Américo de Carvalho, segurando o carneiro mascote. 


(Clique sobre a foto)


O professor Luciano Correia da Silva dedicou-lhe um poema:

A BANDA DO AMÉRICO
  
Continuamente, não se fala em banda
sem dizer logo que ela vai passar, 
pobre lugar-comum com que se manda
dizer que a banda nunca tem lugar.

De fato, quantas delas em ciranda
se foram sem lembranças nos deixar...
Umas cuja memória o tempo abranda,
outras que a ingratidão fez se calar.

No entanto, se por tolo pensamento,
alguém disser que toda banda passa,
como se fosse regra o esquecimento,

ao ver a nossa, não dirá de novo,
pois a do Américo estará na praça,
que é eternamente o coração do povo.

In "Poemas do Vale", 1993 

8.10.12

IGNÊS ROBLES DAS NEVES SE APRESENTA NO CINE OURINHOS


s


Os Robles constituíam uma antiga família espanhola da cidade. Eram proprietários da área onde mais tarde construiu-se a Casa Bandeira Branca. Outros moravam na "Vila Nova". 
Essa foto nos mostra a filha de Francisco Robles Agrella e neta da matriarca Rosa Robles, Ignês Robles das Néves  se apresentando num programa infantil no Cine Ourinhos.
Percebe-se ao lado o detalhe dos ventiladores laterais do cinema e a platéia repleta de crianças. 
Foto cedida por  Madison André das Néves

IGNÊS



FRANCISCO ROBLES AGRELA



7.10.12

COLÉGIO SANTO ANTÔNIO DE OURINHOS


A criação do Colégio Santo Antônio em Ourinhos deveu-se a uma ação do prefeito  Cândido Barbosa Filho, ainda antes de sua eleição, quando foi a São Paulo fazer a proposta para a Congregação das Irmãnzinhas da Imaculada Conceição, em 1947.
 As freiras que vieram para Ourinhos  criaram os primeiros cursos num barracão existente na rua São Paulo, enquanto a edificação do prédio se iniciava.
Com cinco anos de idade, eu ingressei (1953), já no prédio recém construído,  no "Jardim de Infância", onde  tive como professora  irmã Virgínia. No ano seguinte, fiz o Pré-Primário, com a  irmã Esmeralda. Foi uma ótima professora e me alfabetizou. Visitei-a já aposentada, no Lar das Senhoras Católicas em São Paulo, no final dos anos 1960.  

(Clique sobre a foto)

Nessa foto de desfile, publicada originariamente no blog de Wilson Monteiro (http://monteirowilson.fotoblog.uol.com.br), vemos as alunas do Colégio num desfile de Sete de Setembro. O uniforme da jovens, apesar de tratar-se de um modelo severo, é muito  elegante, convenhamos. O chapéu lhe conferia um toque todo especial. Quem teria sido o seu criador? Irmã Vivalda saberia nos dizer com certeza.
Também na foto se vê com detalhes o hábito das freiras, preto, com uma faixa azul na cintura, da qual se desprendia um rosário. Muito elegante também.
A  foto foi tirada na Praça Melo Peixoto, nos anos finais da década de 1950, provavelmente em 1957, pois se vê num dos prédios à direita uma propaganda do prefeito recém-eleito, José Maria Paschoalick. O primeiro edifício de Ourinhos, obra do arquiteto Toshio Tone, aparece ao fundo. À direita também se vê a Livraria Thomé.  
Nesta outra foto vemos as meninas do curso primário do Colégio. A primeira da fileira é Amélia Toloto.

(Clique sobre a foto)

Na outra foto, por Francisco de Almeida Lopes, são vistos alunos do Colégio, em 1953:
José Carlos Neves Lopes (com boné), Rosa Maria, Nilson Costa, Élcio (Selaria São Luiz), Gaino, o filho mais velho do Del Ciel, Reinaldo Abucham (com chapéu). 

(Clique sobre a foto)

    

30.9.12

A REVOLUÇÃO DE 1932 VISTA PELO IMIGRANTE PORTUGUÊS, JOSÉ DA CRUZ THOMÉ


José  e Mário da Cruz Thomé, dois  irmãos portugueses, imigraram para o Brasil nos anos 1920.
Ambos estabeleceram-se em Ourinhos. Mário casou com Gaudência Matachana e tiveram  o filho Aldo, que foi prefeito de Ourinhos. José casou com Maria Tocalino (Mariquinha). Dessa união nasceu a filha Neuza.  
Em  2009, já escrevi aqui sobre os dois ( http://ourinhos.blogspot.com.br/2009/04/jose-da-cruz-thome-o-livreiro.html ).
A neta de J. C. Thomé, Valéria Thomé de Oliveira enviou-me a cópia de uma carta que ele escreveu para o irmão Augusto, que vivia em Coimbra. Nela, o jovem de 24 anos analisa a recém findada Revolução de 1932. Trata-se de um importante documento histórico porque mostra esse movimento sob o olhar de um imigrante português a poucos anos estabelecido no Brasil.




“São Paulo, 20 de outubro de 1932
Meu caro Augusto
Que a ventura e a saúde continuem sendo constantes moradoras de sua casa. Graças a Deus, com minha Mariquinha, vamos vivendo bem.
Para variar… desculpa a demora desta: recém-casado, a princípio, depois a Revolução Paulista, que nos isolou do mundo de 9 de julho a 10 de outubro. Gostaria de te descrever o que foi este sublime movimento de civismo, mas muitas folhas de papel, muito tempo e todas as minhas faculdades descritivas não dariam sequer para os preâmbulos; limito-me a te dizer que os 7 milhões que povoam este grande Estado de S. Paulo fizeram uma Revolução na verdadeira acepção do termo, e só deixaram de sustentar o fogo da defesa de seus ideais quando a última das traições foi superior a todo o seu formidável esforço.
Foram 3 meses de luta, na qual participaram nacionais e estrangeiros, como se todos formassem um só cérebro e uma só ação. S. Paulo queria, e quer, o restabelecimento do regime constitucional. As ditaduras faliram e não passam, onde já passaram, de manifestos fracassos e de perfeitas expressões de tudo menos de civilização. Uma numerosa facção do exército, tal e qual como na nossa Pátria, apoderando-se do Governo, não o quer mais deixar. Regime de Espada sem balança. A sentença ditada pelo arbítrio sem passar no prisma da justiça. Força sem lei – despotismo. Foi contra isto que o mais adiantado dos Estados da Federação se levantou, tendo sido vencido pela traição de uma parte das forças em operações, justamente aquela a quem mais cabia o dever de defender o Estado a que pertence: a Força Pública (Polícia) composta de um efetivo de 15.000 homens e que no infame gesto arrastaram mais de 80.000 voluntários que, empolgados pelo patriotismo, a ela estavam incorporados. 5.000 baixas nos soldados constitucionalistas. 12.000 nos ditatoriais. (…) É minha opinião que as coisas vão melhorar no Brasil, particularmente no Estado de S. Paulo e limites, após a convulsão interna porque vimos de passar. As necessidades desta verdadeira guerra, com todas as suas custosíssimas (?) despesas, obrigaram a circulação monetária do numerário já existente e, ainda, do que foi emitido, sendo que o primeiro estava retido nos bancos devido à instabilidade dos negócios e a deficiência de transações. Cidades que foram totalmente, e outras parcialmente, destruídas precisam ser, de novo, alevantadas; consequentemente, teremos trabalho para os operários e movimento para o comércio e a industria (S. Paulo é o maior centro industrial da América do Sul). E, conquanto esta atividade, que já se inicia, não seja propriamente essencial, é, pelo menos, aparente, o que, afinal, não deixa de ser atividade e esta, naturalmente, traz a abundância.
Não importa, para os que têm, sua residência fixa no país, que a moeda fique, como forçosamente ficará, desvalorizada. O que importa é que haja essa moeda em circulação.”
Foto: José e Mariquinha quando noivos


23.9.12

OS LICENCIADOS DE 1970






Essa foto me fez viajar no tempo.
Alguns dos formandos do curso ginasial do Instituto de Educação Horácio Soares, do ano de 1962,  concluíram o curso superior oito anos depois.
Eu fui um deles, terminando  o bacharelado e a licenciatura em história na  USP.
Colegas da turma ginasial de 1962, que fizeram a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho, também concluíram o curso superior em 1970:
1 - Carlos Lopes Baia (história), da turma de 1962 do IEHS;
2 - Maria Lúcia Haddad de Leão (letras) foi minha colega na Escola Técnica de Comércio (turma de 1965);
3 -  Helena Komatsu;
4 - Simone Lahan (história) foi minha colega no Jardim de Infância e Pré-Primário do Colégio Santo Antônio;
5 -  Maria Vitória Brisola Malaquias, também colega no Jardim de Infância e Pré-Primário do Colégio Santo Antônio;
6 - Ivone Bortolato, da turma de 1962 do IEHS.
A sétima desse grupo é uma Ferrazoli com certeza.
As demais ourinhenses não consegui identificar.
Também se formou nesse ano em Jacarezinho outro colega do ginásio, Helton dos Santos (matemática).

VEM CÁ DE NOVO:

"Vem cá de novo,
voltemos juntos pelas ruas do passado,
alegremente, desviajando pela vida"




12.9.12

A PROFESSORA HERMÍNIA VICENTINI SOARES

A professora Hermínia Vicentini, recém-formada professora primária, deixou Botucatu e veio para Ourinhos no início dos anos 1940 para lecionar no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá.
Competente, em pouco tempo logrou o reconhecimento pelo trabalho que desenvolvia naquele estabelecimento de ensino, a ponto de tornar-se vice-diretora. Sua ação nesse cargo
repercutiu na imprensa local:

"A Voz do Povo", junho de 1944



Eu tive a felicidade de conhecê-la porque ela frequentava nossa casa, freguesa que era do serviço de costura de minha mãe da qual tornou-se amiga.
Dona Hermínia tinha uma afeição especial por mim e a visitei algum tempo antes de sua morte, ocasião em que lhe dei uma cópia da nota acima.
Ela foi a segunda esposa de Horácio Soares, fazendeiro  que foi prefeito de Ourinhos. Teve com ele dois filhos, Anselmo e Elisabete, com os quais convivi na infância.
Quando fui escolhido para ser o orador da minha turma do curso primário em 1958, ela orientou-me na elaboração do discurso juntamente com o drº Ospar, que era o dentista do Grupão.
A foto abaixo nos mostra dona Hermínia em conversa com o Secretário da Educação Luciano de Carvalho Vasconcelos, quando da inauguração do novo prédio do Instituto de Educação Horácio Soares, em 22 de abril de 1961.