13.10.12

AS BANDAS DE OURINHOS


Numa época em que toda cidade tinha uma banda municipal que se apresentava com frequência na praça principal executando peças do repertório clássico e popular, Ourinhos também contou com esse conjunto musical.
Foi uma formação instável como se depreende da leitura de jornais da época. 
Em 1937, a cidade achava-se sem uma banda. Foi então realizada uma subscrição por meio de um "livro de ouro" a fim de comprar os instrumentos musicais necessários. Eu tive acesso a esse documento  na ocasião em  que se  achava  na biblioteca do Grêmio Recreativo de Ourinhos, cuidadosamente organizada por Mário Branco, nos anos 1960.




Com a aquisição dos instrumentos a banda foi reorganizada sob a denominação  "Filarmônica Municipal Lira Carlos Gomes". O regente chamava-se Francisco Leite de Camargo. O conjunto é visto nesta foto por ocasião de seu primeiro concerto no dia 4/1/1942. Segundo a imprensa compareceram à Praça Melo Peixoto cerca de mil pessoas para assistir ao concerto.
Na foto por Frederico Hahns,  vemos o  prefeito drº Hermelino Agnes de Leão, os paraninfos da banda: o  ex-prefeito Horácio Soares e a senhora Maria Augusta Gomes de Leão (Tata) e o regente.


(Clique sobre a foto)



A outra foto, por Francisco de Almeida Lopes, nos mostra  aquela que deve ter sido a última formação da Banda Municipal, quando organizada na gestão do prefeito Antônio Luiz Ferreira. Seu uniforme era na cor azul. Creio que tenha  sobrevivido até cerca dos anos 1990, já não fazendo mais concertos em praça pública, pois o público preferia ficar em casa assistindo aos programas de televisão. 
 Á frente do grupo achava-se o Maestro Américo de Carvalho, segurando o carneiro mascote. 


(Clique sobre a foto)


O professor Luciano Correia da Silva dedicou-lhe um poema:

A BANDA DO AMÉRICO
  
Continuamente, não se fala em banda
sem dizer logo que ela vai passar, 
pobre lugar-comum com que se manda
dizer que a banda nunca tem lugar.

De fato, quantas delas em ciranda
se foram sem lembranças nos deixar...
Umas cuja memória o tempo abranda,
outras que a ingratidão fez se calar.

No entanto, se por tolo pensamento,
alguém disser que toda banda passa,
como se fosse regra o esquecimento,

ao ver a nossa, não dirá de novo,
pois a do Américo estará na praça,
que é eternamente o coração do povo.

In "Poemas do Vale", 1993 

Um comentário:

Cristina Souza disse...

Muito bom, foto de bandas em tempos diferentes.
A poesia do professor Luciano não poderia ser mais adequada.
Bjs
Cristina