25.12.11

SAUDADES DO MEU RÁDIO DE CABECEIRA


Na Ourinhos dos anos 1950,  o rádio ainda era o companheiro inseparável das donas de casa.
Minha mãe, sempre ativa no seu atelier de costura, na se separava da fita métrica dependurada no pescoço e do radio sintonizado na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Não ouvíamos as rádios paulistas e sim as rádios cariocas, em ondas tropicais e curtas: além da Nacional, a Tupi e  a Mayrink Veiga. A principal atração das duas primeiras eram as novelas que se inciavam à tarde e se alongavam até as 20 horas, este um horário nobre.
Dois horários muito concorridos na Rádio Nacional eram o das 15 horas, com o "Presídio de Mulheres", com novelas drámaticas que causavam muitas  lágrimas e o Rádio-Teatro Colgate Palmolive (sabonete), às 20 horas.
Os rádio atores e rádio atrizes eram de primeira linha,  Para citar apenas alguns: Paulo Gracindo, Isis de Oliveira, Daisy Lucidi, Roberto Faissal, Mário Lago (também bom novelista e autor de letras de músicas), Carmen Lídia (esposa de Teixeira Filho, novelista cambaraense e primo de minha mãe), Henriqueta Brieba, Ismênia dos Santos, Paulo Porto, Celso Guimarães, Álvaro Aguiar . Alguns chegaram a fazer carreira também na televisão.
De início, as novelas de autores mexicanos eram as campeãs, mas ao poucos um time nacional começou a fazer sucesso: Dias Gomes, Dulce Santucci, Janet Clair, Teixeira Filho, Amaral Gurgel.
Os sonoplastas das novelas da nacional conheciam profundamente  a música clássica, que constituía o  fundo musical de todas as novelas.
Na Nacional do Rio de Janeiro havia, aos domingos pela manhã o chamado "Grande Teatro", com duração de cerca de duas horas, nos quais romances famosos em radiofonizados. Foi um dos preferidos da minha infância.
Às 18h30, a mesma rádio carioca transmitia "Jerônimo, o herói do Sertão", tão eletrizante quanto qualquer seriado cinematográfico.
Na Sexta Feira da Paixão, a emissora carioca transmitia a "Vida Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo" da qual fazia parte a quase totalidade de seu elenco.
Não pode ser esquecido o famoso programa cômico "Balança mas não cai", cujo principal quadro era "O primo rico e o primo pobre", com Paulo Gracindo e Brandão Filho.
 Minha avó ouvia, todo final de tarde, o programa do presidente da Legião da Boa Vontade, Alziro Alziro Zarur (1914-1979), pelas ondas da Rádio Mundial do Rio de Janeiro.
Meu avô não perdia o Repórter Esso. Meu pai não era aficionado do rádio, preferia ir ao
 cinema.
Quando fui aprovado para o 3º ano do curso primário, ganhei de meus pais no Natal daquele ano (1956) um pequeno e lindo rádio de cabeceira branco da marca SEMP, comprado na "Casa dos Fogões", da Rua Paraná.
Esse pequeno rádio acompanhou-me por muitos anos e dele tenho saudades neste Natal de 2011.
Aos fequentadores deste Blog, meus votos de um FELIZ NATAL. Que em 2012 continuemos juntos relembrando fatos e fotos do passado de Ourinhos.

17.12.11

Dalton José de Souza - 20/03/1947 - 17/12/2011

Meu companheiro de bancos escolares, Claudio Roberto Vigna, escreveu:

"É com o coração apertado, o sentimento de impotência e já com saudades que lhes escrevo.


Amigo desde os idos anos 50/60, generoso, de sorriso lindo, alma pura, amigo ímpar, querido

por muitos, ... deixa saudades. Tímido como era, contrastava com o jeito extrovertido de 
Dna. Dalila, sua mãe. Viveram por um bom tempo na R. Expedicionário e seu pai tinha uma 
papelaria ao lado do velho Cine Pedutti.



Fanático por futebol, palmeirense roxo e bom de bola, era contemporâneo de amantes desta arte,

como Denylton, Celso Sutter, Cal, Mário Vascon, João Carlos (Melancia), Robson Preto, Robson Branco,
Ivanil e tantos outros, que no “Graminha” faziam suas peladas quase que diárias.


Mudou-se de Ourinhos para Itapetininga em 63 e de lá para São Paulo. Trabalhou como administrador financeiro
na área médica por muitos anos e atualmente vivia em Vinhedo com a família. Terezinha, uma grande mulher, e seus
filhos o acompanharam nesta labuta contra um câncer nestes últimos anos.



Ao lado dos seus, nos deixou nesta madrugada.
O velório será ao lado do cemitério de Vinhedo e o enterro às 16:00h.
Que tenha a paz merecida."
 Cláudio R. Vigna

Dalton foi meu companheiro de bancos escolares, somos do mesmo ano, 1947. Recordo-me dele e de seus irmãos e pais com saudades.
Saudades e o descanso merecido.

José Carlos Neves Lopes


A RESSURREIÇÃO DE UM MONUMENTO

O título pode parecer estranho, mas tem sentido. Esse monumento do Marco  Zero de Ourinhos havia sido "enterrado" durante alguma modificação paisagística da Praça Melo Peixoto. Ele ficava na parte central da praça defronte à Igreja Matriz. Finalmente, com a reforma da Praça Melo Peixoto, ouvindo os reclamos da população, ele retorna em parte, mas retorna.
Meu reclamo era de 2008:


 Foto por Francisco de Almeida Lopes




PREFEITO ANTÔNIO LUIZ FERREIRA (1960-1963)




 Antônio Luiz Ferreira começou a se tornar popular em Ourinhos a partir dos anos 1940. Contador competente, tinha seu escritório e residência na Rua Antônio Prado, num prédio logo após a Drogasil.
Seu nome aparecia em comissões de fins religioso, social e político. 
 Foi um dos incorporadores que tornaram possível a criação, em 1948, da ZYS7 Rádio Clube de Ourinhos.
 Com a a redemocratização do país, logo após a queda do Estado Novo (1945), ingressa na vida política local, sonhando com a prefeitura. 
Seu sonho se torna realidade em 1960 quando se elege prefeito. Na sua gestão foi inaugurado o novo prédio do "Instituto de Educação Horácio Soares".  Foi obra de seu governo  o paisagismo da praça Benedito Camargo, onde se localiza a Igreja Matriz.  
Era um homem culto e simples. Somente deixou a casa da "Antonio Prado" quando, já idoso, seu filho (foi meu contemporâneo) levou-o para morar com ele.  
Ele e Benedito Monteiro Monteiro, também um excelente contador ( foi o contador da "São Paulo-Paraná", foram muito amigos. Assim, quando nasceu o penúltimo filho do casal Tomyres Devienne e Benedito Monteiro, "seu Antoninho" e a esposa batizaram  Paulo Roberto Monteiro.
"Seu Antoninho" tinha um irmão também morador de Ourinhos, Renato Ferreira, comerciante e muito popular (Renato Pneus Ltda). Era amante da pescaria. Foi vizinho de meus pais na rua Rio de Janeiro.
Logo após o batismo (creio que em 1944), Francisco de Almeida Lopes, primo de Tomyres fez essa foto onde vemos:
Em pé, da esquerda para a direita: Glória Monteiro, Benedito e Tomyres, minha mãe Amélia Neves Lopes, o garoto José Carlos Monteiro e Isolina Devienne, esposa de Alfredo Devienne. Sentados, Antônio Luiz Ferreira e esposa, tendo o bebê Paulo Roberto ao colo.
Retomo aqui uma opinião já expressada nesta coluna de outras vezes.  Já é tempo de resgatar a memória desse prefeito que morreu fora de Ourinhos,  e  ficou esquecido,  dando seu nome a uma rua, uma praça ou algum órgão municipal.  
 Foto por Francisco de Almeida Lopes

14.12.11

FIORI GIGLIOTTI (1928-2006)




Fiori Gigliotti foi um dos mais populares narradores de partidas de futebol. Teve uma carreira longa, narrando dez Copas do Mundo de Futebol.
O seu bordão: " E o tempo passa" foi imortalizado.
Foi locutor na Rádio Clube de Lins, Rádio Cultura de Araçatuba, Rádio Bandeirantes, Rádio Panamericana, Rádio Tupi, Rádio Record e Rádio Capital.
Faleceu às vésperas da Copa do Mundo de 2006.
Esteve em Ourinhos no início dos anos 1960, tendo recebido várias homenagens.
Nesta  foto de autoria desconhecida, vemos Fiori ao centro, atrás o prefeito Antônio Luiz Ferreira, à direita o repórter da Rádio Clube de Ourinhos, Dirceu Bento da Silva.

10.12.11

ECOS DE 1937





Vemos, na  foto abaixo,  a Praça Melo Peixoto recém-remodelada  pelo prefeito Benedito Martins de Camargo que, desgostoso, nem esperou a usa inauguração. Renunciou ao cargo. 
Na esquina da Rua Paraná (esquerda) vemos o sobrado de Vasco Fernandes Grilo (tio do Esperidião Cury), compadre de meu avô. No térreo funcionava sua loja de roupas, calçados, chapéus, etc.  Do outro lado da rua, o prédio das Lojas Pernambucanas. No canto direito, o belo sobrado de Miguel Cury. 




Foto por Francisco de Almeida Lopes
Nela identifico: (6) Castorino Ferraz Bueno (7) Benedito Monteiro
Jogadores, segunda fila:  (4) Alberico Albano, Bio (10) Edu Azevedo (12) Florindo Carrara (15  
Sentados (5) Chiquinho Saladini.   



 A Igreja Metodista remonta às origens da cidade. É um belo templo localizado na rua São Paulo, e bem conservado..

4.12.11

A SOCIEDADE CIVIL "EXPANSÃO CULTURAL DE OURINHOS"



A "Sociedade Expansão Cultural de Ourinhos" foi a responsável, juntamente com a prefeitura municipal, pela criação do primeiro ginásio em  Ourinhos, portanto uma iniciativa público-privada.
Sua constituição ocorreu em 1938. Já então publicava-se a chamada para os cursos preparatórios, funcionando em prédio da Rua Paraná, nº 305.
A primeira turma teve suas iniciadas suas aulas, num prédio da rua São Paulo, creio, até a conclusão do edifício construído nos limites norte da cidade, tendo o cafezal à sua volta e que logo teria como vizinha a Santa Casa de Misericórdia.
No ano seguinte (26/2/1939) , seria lançada a pedra fundamental do ginásio.

 Foto do Ginásio por Francisco de Almeida Lopes.

Como estabelecia o item b do Art. 2º dos Estatutos da Sociedade, o prédio foi confiado ao professor José Augusto de Oliveira, já com larga experiência  em organização de ginásios. Sua atuação nesse estabelecimento, que contou logo em seguida com a colaboração do advogado e professor José Batista de Medeiros, durou até finais dos anos 1940.
O primeiro corpo docente do Ginásio de Ourinhos foi o que se apresenta na propaganda que aqui publicamos. 

3.12.11

NICE NICOLOSI CORRÊA


Nice, a grande mestra do piano de Ourinhos, completou 80 anos em setembro. Ausente de país em viagem de férias, não me foi possível homenageá-la no  blog e nesta coluna.
Sua origem familiar remonta aos primórdios de Ourinhos: é neta de Henrique e Emília Tocalino e  filha de Narciso Nicolosi Júnior (Seu Zico) e Alzira Tocalino. 
Seu irmão Carlos foi meu professor na Escola Técnica de Comércio de Ourinhos e, graças à vizinhança com sua irma caçula, Nanci, aproximei-me de sua mãe Alzira, de quem guardo boas lembranças.
Nice mora  a uma quadra da casa de minha mãe, assim há muitos anos passeia a visitá-la  todas as vezes que  ia a Ourinhos.
Sempre foi muito agradável estar em sua bela casa, obra do arquiteto ourinhense já falecido,  Toshio Tone, conversando sobre música clássica e lembranças do passado ourinhense. Isso sem contar com o privilégio de saborear seus deliciosos doces, confeitados a partir de receitas antigas de sua avó materna, Emília.Não é somente nos doces que Nice pontifica, mas também nas geléias e conservas. 
Em sua sala de visita está o antigo piano da família Nicolosi, que tantas vezes sentiu toque dos dedos do seu Zico.
Nice foi a aluna predileta do maestro Galileu, o mestre de capela da Igreja Velha, que disse ter ela todos os requisitos para se tornar uma concertista.
O destino traçou um outro caminho para ela. O amor por Antonio Carlos Corrêa falou mais forte, e uma união já cinquentenária foi o caminho que ela seguiu. 
Formaram uma bela família, alegrada hoje com muitos netos e netas, todos seguindo caminhos que trouxeram orgulho para  os avós.
Mas Nice não abandonou o piano. Tornou-se professora de piano como o Mestre Galileu, e uma professora de que Ourinhos tanto se orgulha,  já tendo formado muitos alunos na Escola de Música.
Sua aluna Juliana Vita, de quem ela me falou muitas vezes,  formou-se este ano, ocasião em que Nice foi justamente homenageada, como mostra esta foto onde ela aparece ao lado da aluna talentosa.
Fiquei muito feliz quando vi a foto na Facebook.
Deus a abençoe Nice e que você possa permanecer ainda muitos anos entre nós.   

26.11.11

PEQUENA HISTÓRIA DE UMA PRAÇA TÃO QUERIDA: A PRAÇA MELO PEIXOTO.

Clique sobre a foto
A Praça Melo Peixoto está prestes a ter a sua quarta  faceta. 
A primeira remonta aos finais dos anos 1910: um largo descampado  tendo a  Igreja Matriz à sua frente. Com o passar dos anos teve plantadas algumas árvores de pequeno porte, e um coreto foi  inaugurado no final dos anos 1920 (1927).
Assim permaneceu até 1937, quando o prefeito Benedito Martins de Camargo entregou à população uma praça com canteiros de formas delicadas, tendo ao centro uma fonte d'água e num dos lados laterais, o da Rua Paraná, um tanque de areia que foi a delícia de muitas crianças ao longo de cerca de vinte anos. Inicialmente, suas ruas internas e externas não eram pavimentadas. Isso somente ocorreu no final dos anos 1940, na gestão do prefeito Cândido Barbosa Filho. Novas árvores haviam sido plantadas ao longo desses anos, principalmente Ficus Benjamina, que  lhe deram o aspecto de um pequeno bosque. A pavimentação do "jardim da cidade" foi do tipo pedra portuguesa, formando belos desenhos em duas cores. As árvores eram habitação de andorinhas que, ao cair da tarde, faziam revoada pelo lindo céu ourinhense. Essa foi a praça da minha infância.
A terceira faceta foi obra do prefeito José Maria Paschoalick que lhe deu ares modernos com fonte luminosa, aviário e um novo coreto. Em compensação a maioria das  árvores despareceram e também o encosto dos bancos. Os antigos bancos foram levados  para novas praças onde ainda estão, creio). Nem ao menos os belos postes de ferro trabalhado foram poupados. Felizmente não lhes deram fim, e hoje enfeitam o calçadão da Rua Paraná.  
A foto, de autoria do fotógrafo Frederico Hahn (sua marca pode ser vista nela), mostra a praça no final dos anos 1930 e pode nos dar mostra de sua graciosidade.

Torçamos para que a nova face da Praça Melo Peixoto tenha ao menos o mesmo ar.  

JOSUÉ GALVÃO KANDA (1960-2011)



São Paulo, sexta-feira, 25 de novembro de 2011Cotidiano


Cotidiano

Josué Galvão Canda (1960-2011)
Jornalista obcecado por história
DE SÃO PAULO
Nos primeiros anos de jornalismo, Josué Galvão Canda escreveu sobre diversos assuntos nesta Folha: de política, saúde e educação a squash -que até lhe rendeu em 1986 um prêmio de jornalismo esportivo. Ganhou um videocassete e uma televisão.
Caçula de cinco irmãos, nasceu em Ourinhos (SP). Seu avô veio ao país no Kasato Maru, primeiro navio a trazer imigrantes japoneses após acordo entre Brasil e Japão.
Seu pai foi militante da Ação Integralista e chegou a ser preso com Plínio Salgado.
Josué divergia politicamente do pai. Nos tempos de Faculdade Metodista, onde se formou em 1984, militou no PT e participou das Diretas-Já. Na faculdade, integrou o grupo de teatro Nóspornós e conheceu a mulher, Silvana Mascagna.
Entrou para a Folha pouco depois de formado. Após se casar, em 1987, mudou-se para a Europa. Foi correspondente do jornal na Espanha.
Fanático pelos Rolling Stones, jurava ter recebido uma piscadela de Mick Jagger num show do grupo em Londres.
Em 1990, de volta, tornou-se editor do caderno regional "SP ABCD" da Folha. Os amigos lembram que o jornalista era vibrante, tinha um humor sofisticado e bebia Coca-Cola compulsivamente.
Em 1996, foi para Belo Horizonte trabalhar na implantação do jornal "O Tempo", onde teve cargos de chefia.
Saiu para se dedicar aos estudos. Obcecado por história, especialmente da Segunda Guerra e do Holocausto, escreveu dois livros, não publicados, sobre o tema. Admirava profundamente os judeus.
Morreu ontem, aos 51 anos, em BH. Não teve filhos. Será enterrado em Ourinhos, ao lado do pai, como desejou.


Era filho do Mistugui Kanda e Jandyra (Janda) Galvão (Bazar da Janda), na Rua Expedicionário.



20.11.11

UM PIC-NIC NO CLUBE DIACUÍ.

As ciclistas.

A última é Zoé Machado Branco

Marisa Brandimarte


Edith Farah, Dima Freitas, Marisa Brandimarte, Hiromi Shibat, Dirceu e Fumiko.

Numa tarde do início dos anos 1960, um grupo de alunos do curso normal do Instituto de Educação Horácio Soares combinou um passeio no Clube Balneário Diacui, ainda jovem na sua existência.
O único rapaz do grupo era o radialista Dirceu Bento da Silva, repórter e locutor da ZYS7 Rádio Clube de Ourinhos. Dirceu tornou-se supervisor de ensino da Secretaria de Estado da Educação. Nesse pequeno grupo de estudantes estão as jovens: Edite Farah, atualmente uma das editoras do jornal "Folha de Ourinhos",  Dilma de Freitas Faria, Marisa Brandimarte, Hiromi Shibata, diretora de escola da rede estadual de ensino e professora universitária.
Hiromi, irmã do vereador Harugi Seno,  vim a conhecer em São Paulo, quando  já primeiranista do curso de história da USP e eu aluno do curso vestibular do Grêmio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.  Fomos colegas de trabalho na Secretaria de Estado Educação e na UNIP. Profissional competente, foi diretora da Escola Estadual de Ensino Médio "Brasílio Machado", na Vila Mariana.


Marisa e a bola.
Fumiko - Hiromi

Em primeiro plano Dilma e Marisa. Ao fundo Hiromi.
Fotos cedidas por Dirceu Bento da Silva

15.11.11

AS CASAS FINANCIADAS PELA SÃO PAULO-PARANÁ.


Em 1937, a "Caixa" da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná entregava as casas que construíra no quadrilátero Avenida Altino Arantes/Monsenhor Córdova/Rua do  Expedicionário. Eram 14 casas modernas, com 3 e 4 dormitórios, sala, copa, banheiro e cozinha, algumas com duas varandas e um vasto quintal. Obra do construtor Henrique Tocalino, que já construíra as primeiras estações da companhia inglesa. 
"A "Caixa" financiara essas casas para os empregados mais graduados. As duas maiores ficavam na Altino Arantes, logo após o sobrado do médico Hermelino Agnes de Leão, tendo sido adquiridas  pelo contador da empresa, Benedito Monteiro  e pelo  Chefe de Movimento, Carlos Eduardo Devienne.
Foi o primeiro impulso de renovação arquitetônica da cidade, seguido por outro, quatro anos depois, graças ao novo lote de cerca de  de vinte casas construídas no quadrilátero Rio de Janeiro/Souza Soutelo/Arlindo Luz e Cardoso Ribeiro, entre 1941 e 1943. Esse segundo lote de casas marcou o início de um novo estilo arquitetônico residencial na cidade, o de Ezelino Zório, sobrinho de Henrique Tocalino,  também responsável pela edificação da nova Igreja Matriz. A residência mais bonita que ele construiu foi a de Silvano Chiaradia, podendo  ser apreciada ainda com características originais na Expedicionário, entre Antônio Carlos Mori e Cardoso Ribeiro. Outra construção muito bonita de sua lavra são dois sobrados geminados da Altino Arantes, um deles tendo sido residência do médico Alfredo de Almeida Bessa.
As casas do primeiro quadrilátero citado já passaram por várias reformas que modificaram totalmente o seu estilo original; já no segundo ainda se podem encontrar algumas poucas que ainda  conservam suas  características originais, entre essas a de meu pai, na Rua Souza Soutelo, 294.
A foto que ilustra este artigo é do livro "Ourinhos - memórias de uma cidade paulista", do jornalista Jefferson Del Rios. Não se sabe a autoria da foto que, provavelmente, foi tomada do reservatório de água que ficava no topo da Altino Arantes. Note que no quarteirão seguinte ao quadrilátero ainda não havia construções.


Esta é a casa que Francisco de Almeida Lopes, autor da foto em slide, adquiriu em 1943, com financiamento da "Caixa da SPP" . Obra de Ezelino Zório.
A foto é dos anos 1970.
Rua Souza Soutello esquina com Rio de Janeiro.

6.11.11

OURINHOS - A PLATAFORMA DA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Clique sobre a foto

Esta é uma foto especial e bela!
Vemos a plataforma da segunda estação ferroviária de Ourinhos, em abril de 1953.
Foto largamente estudada por seu autor, Francisco de Almeida Lopes, na tentativa de captar o vapor que a locomotiva deixava escapar quando dada a partida. O efeito é incrível, formando um "V" aberto. 
A composição da foto é perfeita com os trilhos em primeiro plano, pessoas à direita aguardando a partida do trem, a cancela ao centro e, ao fundo, o pontilhão de madeira para travessia.
A chegada e a partida dos trens era muito concorrida. A plataforma estava sempre com muitas pessoas vendo amigos e parentes partindo ou chegando. Meu avô, quando não mais trabalhava, levantava-se cedo e ia para a estação ver o trem que chegava de São Paulo, após longas 10 horas de viagem.
O jornal " A Voz do Povo" destacava  um repórter para cobrir a partida e a chegada de passageiros:
Sábado, 2 de outubro de 1937
"Hóspedes e Viajantes" 
- regressou de Januária, em Minas, o srº Olímpio Tupiná (Januária era a
 terra natal dos irmãos Olímpio e Telésforo Tupiná) .
Para São Paulo viajou o srº maestro Ernesio Jardim, regente da Banda Municipal.

Vai bem aqui a letra de Raul Seixas: "Trem das Sete"

Ói, ói o trem

Vem surgindo detrás das montanhas azuis

Olhe o trem

Ói, ói o trem
Vem trazendo de longe as cinzas do Velho Aeon



Ói, já e vem
Fumegando, apitando e chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem
Não precisa passagem, nem mesmo bagagem no trem



Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando
Tá chegando na estação
É o trem das 7 horas
É o último do sertão



Ói, olhe o céu
Já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu
É um céu carregado e rajado, suspenso no ar
Vê, é o sinal
O sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões



Ói, lá vem Deus
Deslizando no céu entre brumas de mil megatões
Ói, ói o Mal
Vem de braços e abraços com o Bem
Num romance astral
Amém

Foto por Francisco de Almeida Lopes

5.11.11

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