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SAUDADES DO MEU RÁDIO DE CABECEIRA


Na Ourinhos dos anos 1950,  o rádio ainda era o companheiro inseparável das donas de casa.
Minha mãe, sempre ativa no seu atelier de costura, na se separava da fita métrica dependurada no pescoço e do radio sintonizado na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Não ouvíamos as rádios paulistas e sim as rádios cariocas, em ondas tropicais e curtas: além da Nacional, a Tupi e  a Mayrink Veiga. A principal atração das duas primeiras eram as novelas que se inciavam à tarde e se alongavam até as 20 horas, este um horário nobre.
Dois horários muito concorridos na Rádio Nacional eram o das 15 horas, com o "Presídio de Mulheres", com novelas drámaticas que causavam muitas  lágrimas e o Rádio-Teatro Colgate Palmolive (sabonete), às 20 horas.
Os rádio atores e rádio atrizes eram de primeira linha,  Para citar apenas alguns: Paulo Gracindo, Isis de Oliveira, Daisy Lucidi, Roberto Faissal, Mário Lago (também bom novelista e autor de letras de músicas), Carmen Lídia (esposa de Teixeira Filho, novelista cambaraense e primo de minha mãe), Henriqueta Brieba, Ismênia dos Santos, Paulo Porto, Celso Guimarães, Álvaro Aguiar . Alguns chegaram a fazer carreira também na televisão.
De início, as novelas de autores mexicanos eram as campeãs, mas ao poucos um time nacional começou a fazer sucesso: Dias Gomes, Dulce Santucci, Janet Clair, Teixeira Filho, Amaral Gurgel.
Os sonoplastas das novelas da nacional conheciam profundamente  a música clássica, que constituía o  fundo musical de todas as novelas.
Na Nacional do Rio de Janeiro havia, aos domingos pela manhã o chamado "Grande Teatro", com duração de cerca de duas horas, nos quais romances famosos em radiofonizados. Foi um dos preferidos da minha infância.
Às 18h30, a mesma rádio carioca transmitia "Jerônimo, o herói do Sertão", tão eletrizante quanto qualquer seriado cinematográfico.
Na Sexta Feira da Paixão, a emissora carioca transmitia a "Vida Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo" da qual fazia parte a quase totalidade de seu elenco.
Não pode ser esquecido o famoso programa cômico "Balança mas não cai", cujo principal quadro era "O primo rico e o primo pobre", com Paulo Gracindo e Brandão Filho.
 Minha avó ouvia, todo final de tarde, o programa do presidente da Legião da Boa Vontade, Alziro Alziro Zarur (1914-1979), pelas ondas da Rádio Mundial do Rio de Janeiro.
Meu avô não perdia o Repórter Esso. Meu pai não era aficionado do rádio, preferia ir ao
 cinema.
Quando fui aprovado para o 3º ano do curso primário, ganhei de meus pais no Natal daquele ano (1956) um pequeno e lindo rádio de cabeceira branco da marca SEMP, comprado na "Casa dos Fogões", da Rua Paraná.
Esse pequeno rádio acompanhou-me por muitos anos e dele tenho saudades neste Natal de 2011.
Aos fequentadores deste Blog, meus votos de um FELIZ NATAL. Que em 2012 continuemos juntos relembrando fatos e fotos do passado de Ourinhos.

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