27.12.10

FELIZ 2011

Com esta coletânea de fotos, desejo às leitoras e leitores deste blog meus votos de um Feliz 2011.
Clique sobre as fotos

Alzirinha Matachana, balisa dos alunos do Ginásio de Ourinhos (FAL)



Festa Cívica no Campo do Operário (FAL)

1º vôo regular

Aéro Clube, anos 1940 (FAL)
Bloco dos Ferrari

O calçamento na 9 de Julho (FAL)

Torataro Tone e a esposa Clara





Hotel Patton (FAL)
Após  a missa de domingo (FAL)

15.12.10

HONORÁRIOS MÉDICOS - OURINHOS 1938

Na edição de sábado, 26 de Novembro de 1938, o jornal "A Voz do Povo" publicava um comunicado dos médicos de Ourinhos sobre os honorários cobrados:


"(...).
Resolvemos a partir de 1º de Dezembro adoptar a seguinte tabella para honorarios medicos:
Consulta medica no consultorio                         Rs. 20$000
Visita a domicilio                                                 Rs. 30$000
Visita fóra da cidade, a partir de                       Rs. 40$000
Conferencias medicas a pedido da
familia                                                                  Rs. 100$000
Ourinhos, 24 de Novembro de 1938."





Dr. Octacilio de Camargo Penteado
Dr. Hermelino de Leão
Dr. Diogenes G. Ribeiro
Dr. Alfredo de Almeida Bessa
Dr. Ovidio Portugal de Souza
Dr. Sebastião Augusto de Castro
Dr. Flanklin Correia


Não posso afirmar, mas creio que são os 7 médicos dessa foto que é de 1938, dos quais somente conheci o dr. Ovídio, dr. Bessa e dr. Hermelino.
Para se ter uma idéia aproximada do que representavam esses valores informo que, em 1937, o quilo da carne de porco era vendido em Ourinhos a 2$000, o toicinho fresco 4$000, linguiça 4$000 e a a banha derretida 5$000. Uma bolsa escolar de madeira grande custava 3$000 e uma pequena  2$500.

13.12.10

LAUDO NATEL


Laudo Natel nasceu em São Manuel, no dia 14 de setembro de 1920.  Trabalhou no Banco Noroeste, onde foi colega de Amador Aguiar, que o levou mais tarde para trabalhar no recém fundado Banco Brasileiro de Descontos – Bradesco, do qual veio a ser diretor.
Foi diretor da Associação Comercial de São Paulo, do Sindicato dos Bancos do Estado de São Paulo, diretor financeiro e presidente do São Paulo Futebol Clube, entre outros tantos cargos que ocupou.
Em 1962, numa época em que o voto a vice-governador era desvinculado do voto para governador,  foi eleito, sendo então o vice de Ademar de Barros. Com a cassação de Ademar de Barros, em 1966, assumiu o governo do estado.
Foi eleito governador, indiretamente, para o período 1971-1975, tendo realizado uma boa gestão e se tornado uma figura muito popular.
O engenheiro Mithuo Minami (1969-1973), que está na foto cumprimentando Laudo Natel, assumiu a prefeitura de Ourinhos quando da cassação de Lauro Migliari, em 1969.

Foto por Francisco de Almeida Lopes.

11.12.10

O GRÊMIO ESTUDANTIL RUI BARBOSA - GERB - DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO HORÁCIO SOARES

Meu primo, o jornalista Jefferson Del Rios Vieira Neves, enviou-me esta relíquia: uma ata de reunião do GERB, o grêmio estudantil do IEHS. Trata-se de documento importante para a história da educação em Ourinhos, razão pela qual pedi sua autorização para publicá-la neste blog.
Aliás é importante divulgar aqui que Jefferson acaba de lançar pela IMESP, em dois volumes, uma coletânea das críticas que ele escreveu sobre teatro ao longo de 40 anos:
JEFFERSON DEL RIOS VOL. 2



Ata da reunião extraordinária da diretoria do Grêmio Estudantil Rui Barbosa realizada aos seis dias do mês de maiol, às 19.30 horas, no Instituto de Educação "Horácio Soares" com a presença dos seguintes membros: Srs Antonio Mantovani Filho, Jefferson Del Rios Vieira Neves, Yukio Maeda, Osvaldo Perino, Elias Romão Marão, Paulo Cesar de Oliveira, Nelson Simões, João Tamante Saladini, Cláudio Bacilli, Pierre Coppieters.
Aberta a sessão pelo presidente, o mesmo encarregou o sr.Jefferson Del Rios de apresentar relatorio sobre as providências a serem tomadas para a fundação do Teatro dos Estudantes que o sr.Jefferson pretendia organizar.
Visto a necessidade de treinos para os elementos que comporão a fanfarra do corrente ano, o sr. Presidente nomeou para recolher os instrumentos e ver o que faltava neles o sr.Osvaldo Perino que deverá apresentar suas conclusões nas proximas reuniões.
        Sendo proposta a nomeação de um diretor esportivo, foram apresentados três nomes: srs Cláudio Bacilli, Yukio Maeda, Osvaldo Perino, sendo que, com votação secreta, venceu o sr.Claudio Bacilli com 4 votos. A seguir nomeou-se os diretores de cada modalidade que são: Tenis de Mesa - srs.Yashiro Yamamoto e Yunia Yamamoto; Futebol de Salão - Sr. José Roberto Vitta e Nelson Beltrami .Futebol de Campo -  sr. Francisco Constante e Eurico de Oliveira Santos. Basquetebol e Voleibol - Srs. Yukio Maeda e Paulo Airton Ribeiro; Beisebol - Srs Yashiro Yamamoto e Yunia Yamamoto. Atletismo - Sr Yukio Maeda e srta Maria Mercante. Xadrêz - Sr. José Laydir de la Torre.
Em seguida, o sr. Presidente falou que, como todos os anos , também  esse ano teriamos o Baile Junino, e encarregou o sr. Paulo Cesar de Oliveira de, na proxima reunião,  apresentar as necessidades da biblioteca.
Tendo o sr.Nelson Simões proposto a realização de aulas suplementares ficou encarregado de apresentar na proxima reunião
as matérias que seriam necessárias para tais aulas.
Tomando novamente a palavra, o sr. Presidente declarou que o Gerb fara uma Páscoa dos Estudantes, a qual deverá ser realizada em breve.
 Nada mais a tratar, o sr. Presidente ofereceu a palavra a quem dela quisesse fazer uso, e ninguém se manifestando declarou encerrada a sessão, e eu Elias Romão Marão lavrei a presente ata que vai por mim e demais membros assinada. 
ass: Elias Romão Marão

Jefferson fez as seguintes observações:

Observações
Três cargos eram exclusivos do 2o Ciclo (Cientifico, Clássico e Normal): presidente, vice e secretario geral, respetivamente Antonio Mantovani,  José Roberto Vitto e  Osvaldo Perino.
Há, portanto, diferenças de idades na diretoria. Eu estava com 15 anos. Meu cargo era de 1o Vice- Presidente (sic). Ginasial.
* Aceitavamos tranquilamente os termos bacharelescos-cartoriais das atas. A formula já vinha de antes.
* Esse documento atesta que tenho 51 anos de teatro. Realmente fundei o Teatro Estudantil de Ourinhos (T.E.O) que encenou duas peças no salão de festas do Templo Protestante da rua São Paulo. Direção de Anibal Garcia Siqueira. No elenco do espetáculo "O Escravo", de Castro Seromenho, um melodrama tremendo, estavam Pierre, Iner Prado e eu. Do segundo, por estranho que pareça, não me lembro direito do elenco. Era uma sessão de Juri. Fiz o advogado de defesa. O réu - que se redime no final - era (acho) Anibal. Esse texto também melodramático foi escrito por um rapaz da cidade cujo nome me esqueci. Fizemos apresentações em Candido Mota e Cornélio Procopio dentro da conexão protestante do Anibal
** Já faleceram Francisco Constante, Nelson Beltrami, José Roberto Vitto e Pierre Coppieters.
Nelson Simões e Yukio Maeda  sumiram "na poeira das ruas". José Laydir reside em Curitiba. Iner Prado mudou-se para Presidente Prudente. Gostaria de saber dela.

4.12.10

A ARTE DE MARIO PINHO FERRAZ




Revendo velhos negativos do acervo de meu pai, encontrei três de fotos que ele havia feito de alguns trabalhos desse renomado artista.
Mário, nascido em 1927, no mês de outubro, em São José do Rio Pardo, passou sua adolescência em Ourinhos, onde começou a namorar minha prima Lourdes, a filha mais velha de Carlos Eduardo Devienne, que foi Chefe de Tráfego da antiga São Paulo-Paraná até a sua encampação pelo governo federal em 1945,  quando então estabeleceu-se com o comércio de materiais para construção.
Mário e Lourdes casaram-se no início dos anos 1950 e logo mudaram-se para São Paulo.
Mário, auto-didata havia começado a pintar ainda jovem e, ao longo dos anos, foi aperfeiçoando a sua arte, especializando-se principalmente em retratos. Conforme artigo publicado em 1993 no Jornal das Artes, " Sua preocupação maior, é passar para a tela a pureza, a delicadeza e a personalidade do retratado. Pois "é isso o que vale num quadro"
Mário recebeu várias premiações no Brasil e no exterior, tendo se destacado entre suas obras os retratos de de Francisco Alves, Abraham Lincoln, John Kennedy, Papa João Paulo II, Jânio Quadro, Juscelino Kubtschek de Oliveira, Marilyn Monroe, Pelé, Carvalho Pinto, João Batista de Figueiredo, José Sarney e tantos outros. Ao todo foram mais de cinco mil telas.
Meu pai,   um modesto pintor auto-didata, (gostava de pintar  paisagens em duratex) admirava muito o trabalho do sobrinho, tendo  fotografado algumas de suas telas  dos anos 1960, entre elas, este magnífico retrato do grande presidente americano Abraham Lincoln.
Mário e Lourdes são os pais do ourinhense, Desembargador Mário Devienne Ferraz.
Mário  já faleceu.




28.11.10

O FNM 180

Esta é uma foto curiosa.

 Há outras fotos na mesma ocasião, quando uma composição se dirigia para ITAIPU, creio.  Essa composição deve ter feito uma parada longa na estação de Ourinhos, e meu pai sabendo disso foi fotografá-la.
Após revelar este negativo em  um scanner,  fui à procura do tipo de FNM que estava sobre o vagão.
Trata-se  de um D-11.000 1958, primeira série -  cabine Brasinca, fabricada em São Caetano do Sul - SP .
Acredito que essa composição estava se dirigindo para ITAIPU, então em construção (1973). As primeiras máquinas chegaram ao canteiro de obras em 1974. Provavelmente tenham sido estas que estavam sobre a composição que fez uma parada em Ourinhos.
Foto por Francisco de Almeida Lopes.


21.11.10

A ORQUESTRA DE LINO FERRARI



Lino Ferrari é um dos filhos de Ítalo Ferrari. 
Desde jovem a veia musical se fez presente em sua vida.
 Integrou os vários grupos musicais que se constituíram nos anos 1940 para tocar nos bailes do  Ourinhense e do Grêmio Recreativo de Ourinhos.
Mais tarde, já nos anos 1950, constituiu sua própria orquestra da qual também fizeram parte os dois sobrinhos filhos de  sua irmã Alba.
Um primo de minha mãe, morador em Cambará, José Teixeira, integrou-se ao conjunto musical como crooner.  
A orquestra de Lino era presença indispensável nos carnavais do GRO.
Nesta foto vemos a orquestra tocando num baile carnavalesco do GRO. 
O primeiro à direita é o filho mais velho de Alba, já falecido. 
Ao centro, de calça e camisa brancas, tocando saxofone, vemos Lino; ao seu lado, o crooner José Teixeira.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

18.11.10

A INAUGURAÇÃO DO "INSTITUTO DE EDUCAÇÃO HORÁCIO SOARES DE OURINHOS"

Este tema já foi abordado em 2008. A ele retornamos em função de outra foto desse acontecimento.
Ela foi feita na porta de entrada do novo estabelecimento, no momento em que discursava o prefeito Antônio Luiz Ferreira.
O "seu Antoninho", como era popularmente conhecido, contador, foi figura sempre presente numa série de empreendimentos da cidade desde os anos 1940. 
Realizou uma boa gestão,tendo morado em Ourinhos até uma idade avançada quando então, já viúvo, o filho levou-o para morar com ele. 
Todos os que passavam em frente à casa do "seu Antoninho", ao lado do antigo prédio da Drogasil (Rua Antônio Prado), viam-no sentado à porta observando  o movimento daquela artéria da cidade ao cair da tarde.
Na sua gestão, foi realizado um documentário sobre Ourinhos pelo cineasta Primo Carbonari, do qual há cópias em bom estado.
Já comentei aqui várias vezes, tendo também falado com o ex-prefeito Bortolocci sobre meu inconformismo de nem ao menos uma rua ter o nome dessa pessoa tão querida na cidade. Foi esquecido.
A cerimônia de inauguração ocorreu no dia 22/4/1961.
Na foto, discursa o prefeito, tendo ao lado, de perfil, o Secretário de estado da educação Luciano Carvalho de Vasconcelos e sua esposa.
Com o  microfone à mão, o professor Norival Vieira da Silva. 
A cerimônia estava sendo retransmitida pelas ondas da Rádio Clube de Ourinhos.
Foto por Francisco de Almeida Lopes 

7.11.10

ENTREVISTA A JOÃO VICTOR PONTES

Esta entrevista foi solicitada pelo jovem João Victor Pontes, de 13 anos de idade, aluno do ensino fundamental do Colégio Objetivo/Santo Antônio. A foto é uma edição para destacar a Igreja Velha. É de uma cerimônia realizada em 1938.
Quanto tempo demorou a construção da Igreja Matriz?
O templo começou a ser erguido na segunda metade dos anos 1940. No início dos anos 1950, já estava levantado e coberto. A comissão diretora da construção foi constituída em 1943, sob a presidência honorária do Bispo de Botucatu (Diocese a que a Paróquia de Ourinhos estava subordinada) e presidência do padre Eduardo Murante, vigário de Ourinhos. O lançamento da pedra fundamental foi em Julho de 1944, com a celebração de uma missa campal pelo bispo.
No início dos anos 1950, já estava consagrado o templo e se realizavam cerimônias e missas simultanealmente na "Igreja Velha" da Praça Melo Peixoto e na "Nova".
A derrubada da "Igreja Velha" deve ter sido em 1956 ou 1957, creio.
Quem foi o idealizador?
 Foi o Padre Eduardo Murante. O construtor foi Ezelino Zório; o mestre de obras Tomás Lopes
Qual foi a importância dela para os ourinhenses na época?
 Os paroquianos  ficaram muito felizes porque, afinal, o velho templo já não comportava o número de fiéis, devido ao  crescimento populacional. Não havia ainda outras paróquias.  Afinal era um templo monumental.
Desde sua inauguração até hoje, a igreja passou por reformas, ampliações ou manteve o projeto original?
 As torres e o revestimento externo somente foram concluídos nos anos 1960 (início), já sob o Padre Domingos Trivi, que substituiu o Padre Eduardo. Nessa ocasião já haviam sido instalados os três belos altares de mármore. Sob a  influência  do Concílio Vaticano II, as imagens foram quase todas retiradas e igualmente os três altares! Acredito ter sido durante o vicariato do Padre Arnaldo Beltrami. Os bancos que lá existem são os mesmos até hoje, igualmente o piso. A pintura interna e a  externa  são  bem mais recentes. Com a elevação da paróquia a sede de bispado muita coisa mudou no seu interior, sob a influência do bispo, é claro. Os belos vitrais são os originais.
Qual é sua opinião a respeito da demolição da antiga igreja e da construção da nova?
Como a maioria dos católicos que a conheceram, eu lamento. Ela devia ter sido mantida, até por ter sido o primeiro templo e era um patrimônio histórico. Veja você, o belo púlpito em madeira sobreviveu à demolição e encontra-se hoje no Museu local. Acho que ele deveria estar na Catedral, muito embora já não se utilizem púlpitos hoje em dia. Foi obra do marcineiro Augusto Fernandes Alonso.

A SAE - ORIGEM



A Superintendência de Água e Esgotos de Ourinhos foi criada pela Lei nº 808 de 13/4/1967, na gestão do prefeito Domingos Camerlingo Caló.
A captação de água que se fazia a partir do rio Turvo desde 1929, a partir de 1944 passou a ser feita no rio Pardo, com a construção de uma nova adutora que levaria  o líquido até um reservatório no cume da Altino Arantes, ponto mais elevado da cidade. Nesse local construiu-se, então, uma estação de tratamento de água; popularmente o local ficou conhecido por  "caixa d'água". Seus jardins tinham um belo roseiral. Aí instalou-se a sede da  SAE,  que reformou completamente o conjunto.
Essa foto é  dos anos 1940, quando a Avenida Altino Arantes ainda não tinha sido  pavimentada. Observe que o belo sobrado construído, na esquina com Souza Soutello, por Ibrahim Roberto Ribeiro Abujamra ainda não existia.
Esta outra foto foi tirada por meu pai no interior do complexo, no início dos anos 1950. São sobrinhos e primos, Devienne e Monteiro.


17.10.10

PROFESSOR LUIZ CORDONI



Amanhecer de segunda-fei 11 de outubro. Manhã fria e com chuvisco.
Leio o e-mail de Luiz Cordoni Junior, no qual faz,  a meu pedido, um breve relato sobre seu pai, o professor Luiz Cordoni, falecido em  21 de dezembro de 2009.
Revejo uma foto de 1958 na qual está o professor Cordoni,  e as lembranças, qual imagens cinematográficas, desfilam à minha frente.
Lembranças do vetusto prédio do “Grupão” (Grupo Escolar “Jacinto Ferreira de Sá”, na Rua Nove de Julho, dos seus corredores, das salas de aula, do seu pátio. Lembranças dos professores (as), dos serventes, dos colegas e do diretor do estabelecimento, Luiz Cordoni.
Luizito devia se orgulhar, naquele ano de 1958, de ter naquela escola pública, a mãe, dona Cida, como uma das melhores e queridas professoras e o pai como diretor.
Não me lembro se estivemos, eu e Luizito, na mesma sala do quarto ano. Recordo que nossa aproximação deu-se, no mesmo ano, no preparatório ao ginásio, curso particular dado à tarde pelos professores Osvaldo e Aparecido Pasqualini.
Por força dessa aproximação, estive muitas vezes na casa do professor Cordoni, onde fazíamos (Luizito, Luiz Gonzaga Tone e eu) sessões de estudo acompanhadas de um bom lanche preparado por dona Cida.
Impressionava-me o gabinete de trabalho do professor Cordoni, com uma bela mesa de trabalho tendo atrás estantes onde estavam os seus livros.
A lembrança de um homem sisudo, mas que sabia emitir um belo e raro sorriso é confirmada pela descrição breve do filho:

“Era sisudo, falava pouco, mas muito gentil e cavalheiro.”
Em seguida, detalhes que eu desconhecia:
“Gostava de dançar. Ia com minha mãe aos bailes no Grêmio Recreativo de Londrina. E dançavam bem. Era bom de garfo, comia bem. Adorava massas, como bom descendente de italianos.”
O casal, com o avançar da idade, mudou-se para Londrina (Pr) onde morava o filho já formado e seguindo uma bela carreira universitária que o levou ao secretariado no governo do Paraná, fatos do quais muito se orgulhavam certamente.
“Formou-se professor em Botucatu. Muito do que aprendi em meu curso de Medicina já estava lá em seus livros da Escola Normal. Muito sério e dedicado à educação. Pouco trabalhou como professor. Bom dirigente, sabia ouvir, característica importante na função. Organizado, sempre atualizado. Tinha uma pasta enorme de recortes do Diário Oficial.”
Essa descrição aponta para a excelente formação que a antiga Escola Normal paulista, a partir do final do século XIX, dava aos seus alunos, o que resultava na base sólida que estes, já então professores, ministravam nos grupos escolares. Infelizmente, tudo isso se perdeu a partir de finais dos anos 1970, ocasionando a baixa qualidade do ensino das primeiras séries do ensino fundamental, com as conseqüências que todos conhecemos.
Como pai de família, muito dedicado. Sempre planejando e executando o que planejara.
Faleceu aos 97 anos. Estava muito forte ainda (a memória dava alguns sinais de enfraquecimento) e teimava em dirigir o seu carro na cidade (com CNH válida).

A foto, por Francisco de Almeida Lopes, mostra o momento em que eu recebia meu diploma do curso ginasial das mãos do drº Salem Abujamra, Inspetor Federal de Ensino À esquerda estão o professor Norival Vieira da Silva, diretor interino na ocasião, o professor Mário, de Matemática no noturno, a saudosa Irmã Celestina, representando o Colégio Santo Antônio e o padre Felipe Dimants, professor de inglês, aqui ostentando um belo sorriso. Á direita, vemos o professor Luiz Cordoni, que entregaria o diploma a seu filho Luizito.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

10.10.10

A ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL "JACINTO FERREIRA DE SÁ"


A Escola Técnica Estadual “Jacinto Ferreira de Sá” completou  40 anos. Foi criada em 1970, com a denominação de Colégio Técnico Estadual de Ourinhos. O prefeito na ocasião era Mithuo Minami (1969-1972). Como não havia prédio próprio, o então vereador Rubens Bortolocci da Silva, por intermédio de seu irmão,  que na ocasião era reitor da Congregação dos Oblatos de São José, conseguiu a cessão de dependências do Seminário Josefino para a instalação da escola. As primeiras habilitações oferecidas foram Economia Doméstica, Edificações, Eletromecânica e Mecânica.
É importante também relembrar que o ensino profissionalizante   em Ourinhos remonta ao final dos anos 1940, quando foi criada na Vila Margarida a chamada “Escola Profissional”
Um novo prédio foi  construído pelo executivo estadual na gestão do governador  Paulo Egydio Martins (1975-1979). O prefeito de Ourinhos era  Rubens Bortolocci da Silva (1973-1977). O prédio foi inaugurado no dia 31/1/1977, último dia da gestão do prefeito Bortolocci (Rubinho)
A foto, por Francisco de Almeida Lopes, foi tirada por ocasião da visita do governador Paulo Egydio Martins ao novo prédio da ETEE “Jacinto Ferreira de Sá”.  Ao seu lado está o deputado federal pela região, Silvestre Ferraz Egreja. À esquerda vê-se Mituo Minami. Identifico à esquerda, com os braços cruzados, Moacir de Melo Sá.

3.10.10

A ELEIÇÃO DE 195O


Hoje, 3/10/2010,  temos uma eleição presidencial como há 60 anos.
Getúlio Vargas, derrubado em 1945, tentava retornar à presidência pelo voto popular.
Uma marchinha carnavalesca desse ano cantava:
"Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar, o sorriso do velhinho faz a gente trabalhar."
Getúlio foi o vencedor, tendo obtido 48,7 % do votos contra 29,7 % dados ao segundo colocado, Brigadeiro Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional -  UDN.
Ademar de Barros, governador de São Paulo (Partido Social Progressista (PSP), tentava fazer o sucessor, na pessoa  do seu   Secretário de Estado de Viação e Obras Públicas,  Lucas Nogueira Garcez. Obteve sucesso, Garcez foi eleito. O PSP também conseguiu eleger seu candidato a senador, César Lacerda Vergueiro (1886-1957) 
A foto, por Francisco de Almeida Lopes, nos  mostra o palanque montado para receber os candidatos do PSP. À esquerda, Ademar de Barros, ao centro Horácio Soares, ex-prefeito e  vereador na ocasião,  e Pedro Férez Mattar, presidente do Diretório Municipal do PSP. 
Compunham o diretório ainda:
1º Vice – Tito Tibúrcio do Prado
2º Vice – Jeanduy Perino
3º Vice – drº Durval da Gama Filho
4º Vice – Mario Ribeiro da Silva
Sec. Geral – Evaristo Saraiva
Subsecretário – Ormuz Pereira Cordeiro
Sec. Assistente – João Rodrigues Martins
Tesoureiro – Ciro Silva
1º Tesoureiro – José Garcia de Oliveira
2º Tesoureiro – Antonio Carlos Mori

27.9.10

ME RICORDO... , POR ROBERTO PELLEGRINO

...de muitas coisas. Talvez de coisas demais, ou de menos, sabe-se lá.

...dos sabores excêntricos da primeira garapa e da primeira manga que provei. Nem ruins, nem bons,  apenas estranhos, exóticos.  

...do meu “amor à primeira vista” pela feijoada.

...do primeiro dia de aulas na 4ª  série A, que condicionou o meu futuro. Conheci a Maria Inês.

...da primeira vez que vi Pelé jogar. Era 1957, jogo amistoso Santos x Corinthians (2 a 1 para o Timão). “Prestem atenção nesse garoto chamado Pelé, de quem dizem
   maravilhas", falou o locutor da TV.

...da decepção ao tomar meu primeiro café em terras brasileiras, no Rio. Café de coador!

...do primeiro banho da Sílvia, minha filha, aos 15 dias de vida, dado pela Maria das Graças, esposa do Joaquim Bessa. Insegura, a Maria Inês  não tinha coragem...

...da Maria Inês, com a bolsa rompida, rumar para a maternidade na garupa de uma moto.

...do chiquérrimo centro de São Paulo na década de 1950.

...da feia, suja e... adorável Ourinhos de1951.

...dos bombardeios em Roma.

...do barulho dos motores das Fortalezas Voadoras.

...do “assobio” das bombas caindo.

...de Suor Giulia, minha 1ª professora.

...do despeito do Roberto Abucham por eu tocar o surdo-mor (“bijuzeiro”) na fanfarra do Horácio Soares.

..da mortadela, das balas, dos pés-de-moleque e das paçocas do Brandimarte.

...dos guaranás Caiçara e Ivoran.

...dos incomparáveis quibes do Abrão.

...dos bondes e dos casarões na av. Paulista.

...das internas do Colégio Sto. Antônio.

...dos correios-elegantes nas quermesses.

...da minha desastrada performance como cantor, em Palmital.

...da minha maravilhosa viagem à Itália com a Maria Inês.

...das festas de Ano Novo na nossa casa de Itanhaém.

...de muito mais coisas, pessoas e acontecimentos.


Pelleberto Rogrino

Há muito mais em minhas lembranças
-- 

26.9.10

OURINHOS NO INICIO DOS ANOS 1950.



Clique sobre a foto

Há sessenta anos Ourinhos ainda era uma cidade pequena. Seu calçamento havia sido iniciado há  apenas dois anos.
 Possuía 394 propriedades agrícolas, das quais a maioria tinha menos de vinte alqueires(322).
Na agricultura predominavam: café,  algodão, milho, arroz e alfafa.
As principais casas de secos e molhados eram: Casa Zanotto, F. Mateus & Cia, Antônio J. Ferreira & Cia Ltda, Tone & Cia, Tertuliano Vieira & Filhos, Carlos Amaral e Irmãos Mori.
986 operários trabalhavam em 160 indústrias distribuídas  taxadas no Imposto de Indústrias e Profissões.
As consideradas grandes indústrias se dividiam nas categorias: benefício de algodão, serraria, oficina mecânica e fundição, carpintaria, ferraria, serralheria, beneficiamento de arroz, bebidas, farinha de milho, artefatos de metal, torrefação e moagem de café, vendas e reparos de carros Chevrolet, vendas e reparos de carros Ford, fábrica de balas, frigorífico.
Duas estradas de ferro serviam o município: E.F. Sorocabana e Rede de Viação Paraná-Sta Catarina. 
Três trens faziam diariamente a ligação Ourinhos-São Paulo, com duração média de 12 horas de viagem.
O tempo de médio da viagem  Ourinhos-São Paulo por estrada de rodagem era de 8 a 10 horas.
Os vereadores eram: Moacir de Melo Sá, Francisco Cristoni, Benedito Monteiro, Telésforo Tupina, Alberico Albano, Alberto Braz, Altamiro Pinheiro, Joaquim Lino de Camargo Júnior,Álvaro Franco de Camargo Aranha, Domingos Camerlingo Caló, Horácio Soares, Alfredo Monteiro e João Bento Vieira da Silva Neto.
Estavam qualificados 3.335 eleitores .
Na foto, por Francisco de Almeida Lopes, dois moradores cultivam o ócio nos bancos que rodeavam o Coreto.

22.9.10

A "IGREJA VELHA"






A antiga Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus marcou toda uma geração católica. Sua demolição, após o início dos ofícios religiosos na nova igreja matriz, foi chorada em verso e prosa. Do ponto de vista arquitetônico, seu exterior não era grande coisa. A ação do tempo, o sol causticante e a poeira vermelha da terra roxa, haviam lhe castigado bastante. Já o seu interior possuía uma decoração graciosa e três belos altares. Não obstante esse seu estado material, a população católica amava aquele pequeno templo.
Sua localização era defronte à Praça Melo Peixoto, onde hoje se encontra o prédio da Telefônica.
Por que condenaram-na à demolição? Sem dúvida uma história a ser resgatada.
Todos os que a conheceram lamentam ainda hoje o fato.
O professor Luciano Correia da Silva dedicou-lhe um soneto no livro "Poemas do Vale":


ENTRE DEUS E O DIABO

Um dia destruíram-no sem pena,
num gesto de desprezo e desamor.
E a praça, que é do povo, agora encena
lembranças do seu templo protetor.
Pois, em lugar da torre, há outra antena
rumando para o céu, que é do condor.
Diz que o Diabo ri, mas Deus condena.
E assim, toda manhã fala o Senhor:
"Seu Satanás, devolve a minha igreja.
Hosana, hosana, hosana nas alturas...
Que o teu pecado perdoado seja."
E o Demônio, fingindo sobressalto,
responde sempre, em meio às diabruras:
"Alô ! não posso ouvir! fala mais alto!...

13.9.10

JOSÉ BONIFÁCIO COUTINHO NOGUEIRA, EMPRESÁRIO E POLÍTICO




José Bonifácio Coutinho Nogueira, nascido em 1923 e falecido em 2002, tinha nas veias o sangue empresarial e político. Era filho de Paulo Nogueira Filho, que foi deputado e um dos fundadores do Partido Democrático, em 1926. A família de sua esposa era proprietária da Usina Ester, fundada em 1898 e até hoje em funcionamento.
Ainda estudante militou politicamente, tendo sido presidente da UNE, em 1945, tedno se filiado à União Democrática Nacional - UDN.
Assumiu, em 1958, a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo no governo Carvalho Pinto. Responsável por uma gestão dinâmica, criou o Ceasa, dando início a uma construção de silos e armazéns por todo o estado, que deu origem à Ceagesp. Foi também responsável pela adoção do Programa Revisão Agrária, que dinamizou a agricultura paulista e tinha um forte conteúdo social e de política ambiental.
Seu dinamismo resultou na candidatura ao governo de São Paulo, apoiado por uma coligação formada pelos partidos: UDN, PR, PDC, PTB e PRP. Perdeu as eleições para Ademar de Barros.
Em 1975, Paulo Egydio Martins, governador de São Paulo, nomeou-o Secretário de estado da Educação. Em sua gestão foi realizada a reforma administrativa da Secretaria da Educação, a qual vigora até os dias atuais.
Foi ainda o primeiro presidente da Fundação Padre Anchieta e membro do Conselho Nacional de Economia no governo Castelo Branco.
A foto, por Francisco de Almeida Lopes, é de sua visita a Ourinhos e região, por ocasião de sua candidatura ao governo do Estado, em 1962. Ao seu lado (à direita) está o jornalista Salvador Fernandes, então proprietário e editor do jornal ourinhense – Diário da Sorocabana.