PROFESSOR LUIZ CORDONI



Amanhecer de segunda-fei 11 de outubro. Manhã fria e com chuvisco.
Leio o e-mail de Luiz Cordoni Junior, no qual faz,  a meu pedido, um breve relato sobre seu pai, o professor Luiz Cordoni, falecido em  21 de dezembro de 2009.
Não me lembro se estivemos, eu e Luizito, na mesma sala do quarto ano. Recordo que nossa aproximação deu-se, no mesmo ano, no preparatório ao ginásio, curso particular dado à tarde pelos professores Osvaldo e Aparecido Pasqualini.
Por força dessa aproximação, estive muitas vezes na casa do professor Cordoni, onde fazíamos (Luizito, Luiz Gonzaga Tone e eu) sessões de estudo acompanhadas de um bom lanche preparado por dona Cida.
Impressionava-me o gabinete de trabalho do professor Cordoni, com uma bela mesa de trabalho tendo atrás estantes onde estavam os seus livros.
A lembrança de um homem sisudo, mas que sabia emitir um belo e raro sorriso é confirmada pela descrição breve do filho:

“Era sisudo, falava pouco, mas muito gentil e cavalheiro.”
Em seguida, detalhes que eu desconhecia:
“Gostava de dançar. Ia com minha mãe aos bailes no Grêmio Recreativo de Londrina. E dançavam bem. Era bom de garfo, comia bem. Adorava massas, como bom descendente de italianos.”
O casal, com o avançar da idade, mudou-se para Londrina (Pr) onde morava o filho já formado e seguindo uma bela carreira universitária que o levou ao secretariado no governo do Paraná, fatos do quais muito se orgulhavam certamente.
“Formou-se professor em Botucatu. Muito do que aprendi em meu curso de Medicina já estava lá em seus livros da Escola Normal. Muito sério e dedicado à educação. Pouco trabalhou como professor. Bom dirigente, sabia ouvir, característica importante na função. Organizado, sempre atualizado. Tinha uma pasta enorme de recortes do Diário Oficial.”
Essa descrição aponta para a excelente formação que a antiga Escola Normal paulista, a partir do final do século XIX, dava aos seus alunos, o que resultava na base sólida que estes, já então professores, ministravam nos grupos escolares. Infelizmente, tudo isso se perdeu a partir de finais dos anos 1970, ocasionando a baixa qualidade do ensino das primeiras séries do ensino fundamental, com as conseqüências que todos conhecemos.
Como pai de família, muito dedicado. Sempre planejando e executando o que planejara.
Faleceu aos 97 anos. Estava muito forte ainda (a memória dava alguns sinais de enfraquecimento) e teimava em dirigir o seu carro na cidade (com CNH válida).

A foto, por Francisco de Almeida Lopes, mostra o momento em que eu recebia meu diploma do curso ginasial das mãos do drº Salem Abujamra, Inspetor Federal de Ensino À esquerda estão o professor Norival Vieira da Silva, diretor interino na ocasião, o professor Mário, de Matemática no noturno, a saudosa Irmã Celestina, representando o Colégio Santo Antônio e o padre Felipe Dimants, professor de inglês, aqui ostentando um belo sorriso. Á direita, vemos o professor Luiz Cordoni, que entregaria o diploma a seu filho Luizito.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

Comentários

Zélia Guardiano disse…
José Carlos
Tive a honra de conhecer o professor Luiz Cordoni no início dos anos sessenta, quando eu começava carreira de professora, e era ele inspetor escolar. Competentíssimo, muito estimado por todos, sabia ser sério, sem deixar de ser compreensivo e amigo.
Guardo, dele, saudosa lembrança.
Lendo este seu interessante post, fiquei bastante emocionada.
Grata, pela oportunidade de recordar.
Abraço
Foi com enorme surpresa (quase um ano após) e pesar que li a noticia do falecimento do professor Luiz Cordoni (meu tio), sou filha de Américo Cordoni ( inspetor tbem escolar )...por outro lado fiquei grata pela recordação do querido e estimado tio.Abraços.

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