PROFESSOR LUIZ CORDONI



Amanhecer de segunda-fei 11 de outubro. Manhã fria e com chuvisco.
Leio o e-mail de Luiz Cordoni Junior, no qual faz,  a meu pedido, um breve relato sobre seu pai, o professor Luiz Cordoni, falecido em  21 de dezembro de 2009.
Revejo uma foto de 1958 na qual está o professor Cordoni,  e as lembranças, qual imagens cinematográficas, desfilam à minha frente.
Lembranças do vetusto prédio do “Grupão” (Grupo Escolar “Jacinto Ferreira de Sá”, na Rua Nove de Julho, dos seus corredores, das salas de aula, do seu pátio. Lembranças dos professores (as), dos serventes, dos colegas e do diretor do estabelecimento, Luiz Cordoni.
Luizito devia se orgulhar, naquele ano de 1958, de ter naquela escola pública, a mãe, dona Cida, como uma das melhores e queridas professoras e o pai como diretor.
Não me lembro se estivemos, eu e Luizito, na mesma sala do quarto ano. Recordo que nossa aproximação deu-se, no mesmo ano, no preparatório ao ginásio, curso particular dado à tarde pelos professores Osvaldo e Aparecido Pasqualini.
Por força dessa aproximação, estive muitas vezes na casa do professor Cordoni, onde fazíamos (Luizito, Luiz Gonzaga Tone e eu) sessões de estudo acompanhadas de um bom lanche preparado por dona Cida.
Impressionava-me o gabinete de trabalho do professor Cordoni, com uma bela mesa de trabalho tendo atrás estantes onde estavam os seus livros.
A lembrança de um homem sisudo, mas que sabia emitir um belo e raro sorriso é confirmada pela descrição breve do filho:

“Era sisudo, falava pouco, mas muito gentil e cavalheiro.”
Em seguida, detalhes que eu desconhecia:
“Gostava de dançar. Ia com minha mãe aos bailes no Grêmio Recreativo de Londrina. E dançavam bem. Era bom de garfo, comia bem. Adorava massas, como bom descendente de italianos.”
O casal, com o avançar da idade, mudou-se para Londrina (Pr) onde morava o filho já formado e seguindo uma bela carreira universitária que o levou ao secretariado no governo do Paraná, fatos do quais muito se orgulhavam certamente.
“Formou-se professor em Botucatu. Muito do que aprendi em meu curso de Medicina já estava lá em seus livros da Escola Normal. Muito sério e dedicado à educação. Pouco trabalhou como professor. Bom dirigente, sabia ouvir, característica importante na função. Organizado, sempre atualizado. Tinha uma pasta enorme de recortes do Diário Oficial.”
Essa descrição aponta para a excelente formação que a antiga Escola Normal paulista, a partir do final do século XIX, dava aos seus alunos, o que resultava na base sólida que estes, já então professores, ministravam nos grupos escolares. Infelizmente, tudo isso se perdeu a partir de finais dos anos 1970, ocasionando a baixa qualidade do ensino das primeiras séries do ensino fundamental, com as conseqüências que todos conhecemos.
Como pai de família, muito dedicado. Sempre planejando e executando o que planejara.
Faleceu aos 97 anos. Estava muito forte ainda (a memória dava alguns sinais de enfraquecimento) e teimava em dirigir o seu carro na cidade (com CNH válida).

A foto, por Francisco de Almeida Lopes, mostra o momento em que eu recebia meu diploma do curso ginasial das mãos do drº Salem Abujamra, Inspetor Federal de Ensino À esquerda estão o professor Norival Vieira da Silva, diretor interino na ocasião, o professor Mário, de Matemática no noturno, a saudosa Irmã Celestina, representando o Colégio Santo Antônio e o padre Felipe Dimants, professor de inglês, aqui ostentando um belo sorriso. Á direita, vemos o professor Luiz Cordoni, que entregaria o diploma a seu filho Luizito.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

Comentários

Zélia Guardiano disse…
José Carlos
Tive a honra de conhecer o professor Luiz Cordoni no início dos anos sessenta, quando eu começava carreira de professora, e era ele inspetor escolar. Competentíssimo, muito estimado por todos, sabia ser sério, sem deixar de ser compreensivo e amigo.
Guardo, dele, saudosa lembrança.
Lendo este seu interessante post, fiquei bastante emocionada.
Grata, pela oportunidade de recordar.
Abraço
Foi com enorme surpresa (quase um ano após) e pesar que li a noticia do falecimento do professor Luiz Cordoni (meu tio), sou filha de Américo Cordoni ( inspetor tbem escolar )...por outro lado fiquei grata pela recordação do querido e estimado tio.Abraços.