O JORNALISTA E O MENINO


Quando adolescente ouvi de minha avó que José das Neves Júnior, meu avô, e Miguel Farah eram grandes amigos, desde os tempos de Salto Grande.
Assim deve ter sido, pois Farah fez questão de publicar em seu jornal, em 1966, o decreto do prefeito Domingos Camerlingo Caló, acompanhado da justificativa, dando o nome de meu avô a uma das ruas de Ourinhos.
Nunca tive proximidade com o grande jornalista, ao contrário de meu primo Jefferson, cujo pendor literário despertara bem cedo, e assim freqüentou a redação da “Folha”.
Lembro-me de Miguel Farah andando pelas ruas da cidade, no exercício de sua atividade jornalística.
Os anos se passaram, e, de repente, uma veia memorialista irrompeu nesse que vos escreve.
Desse modo, começei a escrever para o Jornal da Divisa e, pouco tempo depois, passei a colaborar com a “Folha de Ourinhos”. E assim já lá se vão alguns bons anos.
A amizade com as irmãs Farah foi se solidificando, e laços mais fortes se formaram, envolvendo inclusive minha mãe, Amélia.
Com muito orgulho, vejo-me no ano do cinqüentenário integrando a equipe da “Folha de Ourinhos”, fundada em 7 de setembro de 1956 por Miguel Farah, esse paranaense de Castro (Pr), que desde cedo demonstrou aptidão para as letras. Com a família radicando-se em Salto Grande, o jovem Miguel Farah à medida que o tempo foi passando, acabou por ocupar posições importantes na região: líder político, delegado de polícia (Canitar e Chavantes), vice-delegado (Salto Grande), fiscal, professor, jornalista, promotor público (Salto Grande), escritor e poeta.
Foi um plantador de jornais: Salto Grande, Lorena (enquanto servia o exército) e Ourinhos. Em todos os momentos jornalísticos de sua vida mostrou-se um guardião de valores permanentes muito importantes na sociedade.
Teve atuação destacada na Revolução de 1932, e, em Ourinhos, foi fundador da “Sociedade Amigo de Ourinhos”, tendo também colaborado na formação da Companhia Telefônica de Ourinhos – CTO.

“Três coisas eu jurei defender na minha vida: a Pátria, a Honra e a Família. Isto eu farei, custe o que custar e, aqui fico eu, de viseira erguida para o que der e vier”. (Miguel Farah)

Após a sua morte, o filho Maurício empunhou a bandeira e seguiu adiante. A morte prematura de Maurício legou às suas irmãs o pesado encargo de continuar a batalha.
E assim, coube às irmãs Emma, Elza, Ede, Emery, Enura e Edite dar continuidade ao legado paterno, do qual deram conta embebidas no caldo de valores que Miguel Farah tão solidamente plantara naquela família.
O resultado aqui está. A Folha de Ourinhos é cinqüentenária.
Para homenageá-la, esta coluna foi buscar uma foto que tem um significado muito importante para mim.
É uma das fotos da minha formatura no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, com cerimônia realizada no Grêmio Recreativo de Ourinhos, no dia 13 de dezembro de 1958. A cerimônia teve início às 9h30 com a presença de autoridades escolares, eclesiásticos e vereadores. O paraninfo dos formandos foi o prefeito municipal José Maria Paschoalick, ex-professor daquele estabelecimento de ensino. Receberam seu diploma, naquele dia, 277 alunos. A despedida foi feita pelo profº Luiz Cordoni Júnior, diretor do estabelecimento de ensino, cujo filho Luizito era um dos formando. Falaram, também, o paraninfo e outros oradores.
Pelos formandos discursou este que vos escreve, José Carlos Neves Lopes.
Na foto desse momento, eu estou lendo o discurso e sendo observado pelo representante da imprensa local, capitão Miguel Farah.
Quando poderia pensar o velho Farah que esse menino ainda de calças curtas seria, 40 anos depois, um dos colaboradores do seu jornal.
PARABÉNS “FOLHA DE OURINHOS” !!
PARABÉNS IRMÃS FARAH !!
A LUTA CONTINUA !

Comentários

Wilson Monteiro disse…
Uma homenagem mais que merecida,Jose Carlos.Principalmente pela contribuição que voce que voce sempre deu à Folha de Ourinhos com seus artigos e recordações.
Um abraço,
Wilson Monteiro
Joseph
Beleza de foto a sua, e bela homenagem ao Capitão Farah. Todos o cumprimentavam com respeito, ele era muito amável, mas, claro, havia a distância da idade.

Eu me lembro da redação/gráfica do jornal mas - infelizmente - não cheguei a escrever lá. O Prof. Paulo Prado Garcia, de português, chegou a me pedir algo,parece, mas não fomos adiante, não sei mais porque.
Mais tarde nós do GERB (Gremio Estudantil Rui Barbosa) acabamos editando a Voz do Estudante (que era o jornalizinho do ginásio) no Diário da Sorocabana.

Obrigado pelo elogio, mas hoje somos os dois a escrever - e você está dando uma boa continuidade à História local não só na Folha como nesse veículo novo que é o Blog.

abraço
Jefferson
Vinicius disse…
Ourinhos realmente é uma cidade Maravilhosa , fico muito feliz ao ver meu avô nesta foto , assim como ler o nome de minhas queridas e amadas Tias , Ourinhos tem um pouco de lembraça para todos que lá passam.
Um lugar comum a todos nós
Obrigado,
Vinicius Farah