A FAMÍLIA MATACHANA



Eles nasceram e se conheceram em Castilla Vieja,  Espanha. Ele se chamava Arquipo Matachana e ela Luisa Garcia. As contingências da vida fizeram-na vir para o Brasil, em 1903, em companhia de sua família. Arquipo não resistiu à saudade da amada e veio também para cá. Casaram-se em Pereiras, em 1905, onde nasceram os dois primeiros filhos – Fausto (1906) e Gaudência (1908). Os parentes de Luisa Garcia Matachana, Dario Alonso, Domingos e Adolfo Garcia vieram para a região de Ourinhos a fim de explorar o comércio de madeiras e cereais, então intenso naquela época. Alguns anos depois, em 1910, quando o distrito de Ourinhos ainda engatinhava, o casal Matachana ali fixou-se. Nesse mesmo ano, nascia o terceiro filho, Alberto, a primeira criança a ser registrada no recém-criado cartório de registro civil. Arquipo montou uma casa comercial nas imediações da pequena estação ferroviária da Sorocabana, na rua Antônio Prado (o prédio ainda lá se encontra) – a Casa Matachana. Como era comum, na frente ficava o estabelecimento comercial e, nos fundos, a residência. Tratava-se de estabelecimento onde havia várias seções: calçados, roupas, chapéus, louças, talheres e ferragens, secos e molhados. A grande maioria dos produtos era constituída de importados, pois a nascente indústria brasileira tinha ainda uma produção pouco diversificada. Outros filhos seguiram-se: Luisa – Luisita (1912, Esperança (1914), Paulo (1917), Maria – Mariquinha (l919), Mercedes (1923) e Alzira – Alzirinha (1926). Em 1940, os filhos homens já moços, Arquipo aposentou-se. A Casa Matachana passava a ser administrada pelos jovens Matachana. Arquipo construiu uma casa na rua dos Expedicionários e para lá mudou-se. Ainda nos anos quarenta os irmãos resolveram seguir cada qual o seu caminho, Fausto ficou com a Casa Matachana, Alberto montou a Casa Alberto, na rua 9 de Julho, a melhor e mais refinada casa de roupas e calçados que Ourinhos já teve, e Paulo a Feira dos Calçados, na avenida Jacinto Sá. As mulheres foram se casando: Gaudência com Mario Thomé; Esperança com Silvano Chiaradia, Maria (Mariquinha) com João Antônio Ferreira, Mercedes com o Dr. Luis de Camargo Pires e Alzira (Alzirinha) com o Dr. Raul Gónzales de Moura . Aos poucos foi-se formando uma grande família que notabilizou-se pelo caráter empreendedor de seus membros. Alberto, após quarenta anos, deixou o ramo do comércio e voltou-se para o hoteleiro e o de construção de centros comerciais, orientação mantida pelos filhos quando ele morreu. Fausto esteve à frente da Casa Matachana até a sua morte, o mesmo fez Paulo em relação à Feira dos Calçados. O filho de Gaudência e Mário Thomé, Aldo, arquiteto, foi um dos melhores prefeitos que Ourinhos já teve, as obras que ele empreendeu em sua gestão apontavam para o futuro da cidade. O marido de Esperança, Silvano Chiaradia, muito amigo de meu pai, foi gerente do Banco Francês e Italiano para a América do Sul. Quando deixou o banco montou uma  importante gráfica e papelaria, na rua 9 de Julho, ao lado do antigo Cine Ourinhos. Em 1943, um jovem médico veio para Ourinhos montando uma pequena clínica, chamava-se Luis de Camargo Pires. Casou-se com Mercedes Matachana e juntos criaram o Hospital São Camilo, estabelecimento hospitalar de alta qualidade sediado na rua Antonio Carlos Mori. Tendo existido por mais de quarenta anos, hoje está transformado num dos melhores hotéis de Ourinhos. Os dois filhos do casal, Raul e José Luis, também se dedicaram à medicina. Lamentavelmente, a morte roubou a vida de Raulzinho prematuramente. O marido de Alzirinha, Dr. Raul Gonzáles de Moura, clinicou por muitos anos em Salto Grande, estabelecendo-se depois em Ourinhos. O filho, Ronaldo, também seguiu as pegadas do pai. Luisa faleceu em 1960 e Arquipo em 1967, deixando em Ourinhos uma família com a marca de empreendedores.

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