O BAR DO "CHICO MANCO"

















Publicado na "Folha de Ourinhos", de 14-11-2004


Até quase o final da década de quarenta do século passado, na rua São Paulo, esquina com a Expedicionário (antiga Piauí), havia um bar que fez história na cidade pela simpatia dos proprietários e pelos quitutes que ali eram servidos. Refiro-me ao Bar do “Chico Manco”. Quem era ele?

Português da Freguesia de Figueira de Lorvão, no município de Penacova, Francisco Simões de Souza, nasceu em 29 de agosto de 1880. Casou-se com Micaela de Jesus com quem teve duas filhas: Maria Amélia de Souza (Galvão) e Belarmina de Jesus Souza (Leal). Veio para o Brasil em 1906, indo trabalhar como mestre de obras no Arsenal de Guerra de Deodoro, (RJ) durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca.

Em 1909, atendendo apelo de patrícios, foi para o Estado de São Paulo participar da derrubada de matas, época em que sofreu o acidente que lhe valeu o apelido de “Chico Manco”.

Em 1914, estabeleceu-se em Ourinhos, tendo trabalhado na fazenda de Jacinto Ferreira de Sá e na serraria de Domingos Garcia. Com a poupança amealhada, montou um bar na rua São Paulo, onde também residia. Nesse estabelecimento, o forte eram os quitutes preparados por dona Micaela: pastéis, sardinhas fritas, bombocados e coxinhas de galinha (galinha mesmo, naquele tempo). Os que freqüentaram o bar guardaram para sempre a lembrança dos deliciosos pastéis preparados por dona Micaela, madrinha de meu tio Herculano e que cheguei a conhecer.

Naqueles tempos, nas imediações do bar, havia: o Cine Cassino, a Agência do Correio, dirigida por dona Alice Machado, o Grêmio Recreativo de Ourinhos, o Posto de Saúde, a Agência Lotérica do Faccini, a tinturaria do Luiz Forti e as residências do dr. Theodureto, Maria Areias, Dela Torre e Suyama Kanda.

Chico Manco, trabalhando em seu estabelecimento, faleceu em 1949.

Sua filha Belarmina ainda está entre nós, com 96 anos a serem completados amanhã, 15 de novembro. Parabéns dona Belarmina !!

A foto é da primeira fase do bar, quando o estabelecimento ainda era de madeira.

Comentários

eny_galvao disse…
Dona Belarmina Leal, minha tia, completou 100 anos em 15/11/08 e, se Deus quizer, completará 101 este ano. Um abraço,
Eny Galvão Patriota