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ZÉLIA GUARDIANO, A POETISA MEMORIALISTA

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A ourinhense Zélia Corrêa Guardiano, pedagoga de formação,  é autora de poesias contos e crônicas, e também incursiona pelas artes plásticas. Participa de rodas de conversa em escolas e bibliotecas

 É autora dos livros "Poesia combina com tudo" e "Trem-bala. 
O pai de Zélia, Jairo Corrêa Custódio, foi colega de trabalho de  meu pai na Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná;  igualmente seu tio Dirceu. Conheci sua avó Anita Corrêa, que foi vizinha de minhas tias-avós Fausta e Anselma, naquela vila até hoje existente na Cardoso Ribeiro, altura da Altino Arantes.
Na semana passada, Zélia publicou no Facebook a poesia JASMIM - MANGA, cujos versos  fizeram-me lembrar  de finais de tarde em Ourinhos, quando eu levava minha mãe  até a sorveteria existente no térreo do prédio Bradesco, em frente a Praça Melo Peixoto, e lá ficávamos proseando e saboreando um delicioso gelado.
A leitura desse texto remeteu-me, também,   a essa foto feita por meu pai logo após a remodelação da praça efetuada pelo prefeito Paschoalick. Nela observamos à direita a Livraria Thomé, relembrada nas figuras de seu proprietário e da balconista  Irene.

JASMIM - MANGA

Quatro da tarde
Sorveteria da esquina
Da praça

Eu
Sozinha

A mesma mesa 
Do canto 
A mesma carta
A escolha de sempre:
Duas bolas de creme
Uma de chocolate
Muita calda
( Agora tudo diet )

Ocupo o tempo de espera:
Observo a fonte
Outrora luminosa
Agora treva

A mulher que leva a criança
Pela mão:
Choro e ranger de dentes
( O menino quer ficar)

O carro de som
(Ensurdecedor)
Que manda comprar geladeira
E tv de plasma

O mendigo 
Que pede esmola
(Tem pressa
Abrevia a história:
Suprime aquela parte
Que diz
Pelo amor de Deus)

O bilheteiro que insiste
Na oferta:
Leva
Leva
Um pedaço da vaca

Sorte!
Um lenitivo:
O jasmim-manga

Há o jasmim-manga!

Ah
O jasmim-manga...

O jasmim-manga
A despeito
Das cicatrizes do caule
Sabe mexer comigo
Assim florido
Desde o princípio
Das eras
(Caso inédito:
Floração perene)

Pela calçada
Passa muita gente
E
Não conheço ninguém

( Bom
Era quando eu respondia:
Boa tarde
Dona Cecília
Boa tarde
Seu Tomé
Boa tarde
Irene )

Agora
Vem a polícia
Tocando sirene

Chega a minha taça:
Ai
Parece
Que não tem mais 
Graça...

(Ah
Se não fosse
O jasmim-manga)

Comentários

Marão disse…
Às vezes demora prá cair a ficha. Também fui vizinho da dona Anita, lá na vila do Abrão. Morei lá até 53. Será que essa poetisa inspirada,a Zélia, já tinha nascido? Que ela me perdoe minha memória. E poesia pode ser, de um jeito torto, um talento de família: o cunhado da Zelia, o goleiro e professor Joel Cabecinha, também é um poeta inspirado.
Pois é Xará, foi bom eu ter citado a dona
Anita.
Abraços.
jan perino disse…
Marão,não sabia que vc tb.morou na "vilinha"do "seo" Abrão.Moramos lá de 57 a 65.Foi uma infância inesquecível,principalmente por ser vizinho da D.Zulmira com sua equipe maravilhosa (Roque,Zé Rodrigues,Pacová,Toninho etc...Bons tempos.Vivo da saudade apenas..
Jan Perino neto da Vó Anita e primo da Zélia.
Abr
Janperino
Ricardo Abucham disse…
Esta D Zélia é um talento, e fico feliz por Ourinhos estar, engatinhando ainda, mas reconhecendo talentos.E lá vai nosso Zé Carlos ,mantendo-nos informados, e fazendo a nossa memória brilhar com passado de um Ourinhos, onde hoje os que chegaram , não imaginam o que foi esta cidade.
Zélia Guardiano disse…
Em 53 eu tinha 9 anos,Marão. Morava na Vila Perino, mas frequentava muito a casa da vó Anita. Lembro-me de você. Fui colega do Elias no Colégio Santo Antônio. Posteriormente também morei na vila do Abrão.
Adorei este nosso contato!
Abraço
Zélia Guardiano disse…
Tudo inesquecível,não,Jan? Ali fomos muito felizes!Saudade!Beijos, meu querido primo.
Zélia Guardiano disse…
Grata, Ricardo!
Abraço.
Zélia Guardiano disse…
Oh, José Carlos... Muito me alegrou esta postagem! Não só pelo destaque que você dá à minha modesta obra,como também pelas maravilhosas lembranças que despertou em mim, além do agradável contato com o Marão, com o Jan e com o Ricardo.
Fico-lhe muito grata!
Forte abraço.
Anônimo disse…
muito boa a poesia, parabéns, Zélia Poeta... por onde anda a Irene da Livraria Thomé? alguém pode me dizer?
Marão disse…
Oi Zelia. Que bom que você lembrou. Como disso o Ricardo, você é muito talentosa. Eu já tinha lido alguma coisa (fui no google, ha, ha, ha!). E por causa do nome - Guardiano - tinha perguntado ao Joel, com que me correspondo quase diariamente. Vou mencionar você para o Elias. Grande e fraternal abraço.

Jan - Sumiu? Ou você nem tem mais casa aqui? Sei que estou em falta com o Vado. Tenho longas explicações, até de saúde... Lá na vilinha, a gente morava na terceira casa à esquerda, para onde mudou, depois, a tia Zulmira.
NewtonC disse…
Sou neto de D. Carmem Rodrigues, irmã de tia Nita. Infelizmente, não me lembro de nada daquele tempo, embora tenha ida a "vilinha" inúmeras vezes. Nessa época, tio Narciso e a querida tia Julieta eram vivos. Minha mãe, Elza, gostava demais de tia Nita e dos primos, por isso lá íamos com frequência. Lembro-me apenas dos nomes de alguns dos parentes, como o Jairo.
José Carlos Marão disse…
José Carlos Marão:
Muito boa essa lembrança da “vila” do Abrão.
Morei lá até 53 (quando mudamos para a Altino Arantes). Então, no dia dessa foto, em 48 (aos 7 anos), talvez eu estivesse por ali...
A gente morava na terceira casa à direita. Na primeira à direita moravam suas tias-avós. Na segunda à direita morou, por uns tempos, o Del Ciel, que depois foi vereador. Nessa mesma casa, depois, morou o Samadelo, da polícia, casado com uma das Azevedo.
Na segunda casa à esquerda morava o Abrãozinho, Abrão Abunasser, casado com dona Racibe e o dono da vila. Na terceira casa à esquerda morava o Osvaldo Cardoso (com seu pai, seu Nicolau). O Osvaldo, que você deve ter conhecido muito melhor que eu, casou-se, depois, com a Lidia. Acho que os dois trabalhavam na RVPSC.
Na quarta casa à esquerda morava a dona Anita. Antes dela, um comerciante cujo nome não lembro direito (seria Feres Simão). Antes dele, o Munir Anderaos, colega do meu pai na algodoeira.
Na última casa a esquerda, no fim do “corredor”, morou o Ricardo Martone, dono do açougue União, na rua Paraná. Depois, moraram meus tios, Antonio e Zulmira Rodrigues, pais do jornalista José Rodrigues, que foi o chefe da sucursal do Estadão em Santos por muito tempo. A casa onde moraram suas tias-avós foi depois ocupada pelo casal Duia Perino, com os filhos Mingo, Vado e Jan.
Velhíssimos tempos que o seu blog traz para a nossa memória. Prá variar, parabéns.
Jan Perino disse…
Marão,vou citar a turma da vilinha de 1957 a 1965 qdo mudamos de lá
Casa 1 ( a primeira a direita) Osvaldo Deviene e Nair ( filhos: Carlinhos e Claudinho)a partir de 1959 Duia Perino e Zuleica e nós,3 irmãos
Casa 2: Ingmar Samadello e Marcenina Azevedo ( Marco Antônio) até 1962.Depois: Miguel Burati e Valderes(Miguelzinho e Márcio)
Casa 3 : Antônio e Zulmira, a nossa mãezona ( Pacová,Roque,Zé Rodrigues etc........)
Casa 4: Edu Azevedo e Emília ( Helenice,Eduardo e Heloísa) em 1966 : Tio Jairo Corrêa e Tia Tianinha ( Zélia ,Luiz Carlos e João Batista)
Casa 5: 1957 a 1959 Duia Perino e depois Antoninho. Vita e Luiza ( Mariza)
Casa 6 ( primeira a esquerda) Alcides Gomes e Maria ( Marilene)
Casa 7: Abraão Abunasser e Hacibe
Casa 8: Lídia,já separada do Osvaldo Cardoso,juntamente com as irmãs Vitória,Teresa e Marly.Em 1962 Fuad Taouil e Chamula ( Souhay,Seme,Samia ,Samira e Samir)
Casa 9 : Vó Anita e tia Ziza
Casa 10: Romão Rodrigues ( filho mais velho da D.Zulmira ,tia do Marão) e Silvia ( Ronaldo e Fátima)
Marão,sem sombra de dúvida,foi um dos melhores períodos da minha vida.Muita história prá contar.Até Águas de S.Pedro se Deus quiser.
Zé Carlos mais uma vez obrigado pela postarem.Parabéns!!!!






Agradeço aos amigos José Carlos Marão e Jan Perino terem traçado o perfil histórico-geográfico da Vila da Cardoso Ribeiro.
Quantos nomes meus conhecidos estão ali registrados.
Bravo!
José Carlos

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