Pular para o conteúdo principal

MARIA INÊS DE CAMARGO PIRES, UMA PROFESSORA PRIMÁRIA EM INÍCIO DE CARREIRA, NO FINAL DOS ANOS 1930


As primeiras escolas municipais (escolas isoladas) de Ourinhos foram instaladas, nos anos 1930, para atender à população em idade da zona rural. 
O sistema de ensino municipal de Ourinhos foi criado em 1937.
Maria Inês de Camargo Pires, professora primária recém formada, que tive a felicidade de conhecer na condição de  bibliotecária do Instituto de Educação Horácio Soares, veio para Ourinhos em abril de 1937. O prefeito na ocasião era Benedito Martins de Camargo, amigo da família da jovem professora. 
Ela nascera em Amparo (SP), filha de Raul Pires e Judith de Camargo Pires (25-1-1919).
Fez o curso normal em sua terra natal, tendo obtido a média geral 94.Graduou-se em 19-1-1936. 


Foto de formatura 


Professora Maria Inês fotografada por Frederico Hahn

Maria Inês era  irmã do drº Luiz de Camargo Pires que, recém formado, havia constituído uma clínica em Ourinhos, onde conheceu a jovem   Mercedes Matachana, com quem contraiu matrimônio. 
A professora Maria Inês foi casada  (17-1-1943) com Reinaldo Alves de Souza, um dos fundadores da União Democrática Nacional - UDN, em Ourinhos. O casal teve os filhos Judite Maria, Ivelina Maria, Reinaldo, Joaquim e Maria Heloísa. 




Em 1952, ela e a também professora Helena Orsi Portugal de Souza, se tornaram as  primeiras mulheres a se candidatar a vereança em Ourinhos.
A  professora Maria Inês de Camargo Pires  chegou em Ourinhos em abril de 1937.
 Em carta aos pais, cuja cópia me foi cedida por sua filha Ivelina,  ela relata que a chegada à cidade ocorrera  por volta das 9h30 da manhã, quando os sinos da Igreja Matriz anunciavam a missa das 10h00.
Hospedou-se no Hotel Internacional (ainda existe, e pertencia àquela época à família Beltrami). Esse hotel ficava a um quarteirão da estação ferroviária e a dois da Matriz. 
Tão logo  deixaram as malas no quarto, foram à Igreja para assistir à missa.
Maria Inês e uma amiga,  professoras recém-formadas foram para Ourinhos para a regência de classe primária na zona rural.
Na segunda feira, 19-4, elas foram para a pensão onde eram pensionistas outras professoras de fora que lecionavam em Ourinhos.
À tarde, Maria Inês, conduzida pelo carro que servia à Câmara Municipal, foi conhecer o local onde lecionaria. Escola Isolada do Bairro Água do Jacu.

A minha escola está situada em local maravilhosamente belo, numa planície verdejante, rodeada por terras cultivadas de uma exuberância sem par, de onde se avistam matas que fazem divisa com o Paraná.
Calculem só, o Rio Paranapanema está a uma hora da minha escola.... .
Às 12h30, a jovem professora está em uma sala de aula admiravelmente clara e arejada e no meio de 11 crianças,   as minhas primeiras alunas.  
Na carta aos pais, Maria Inês conta que, ao abrir o armário da classe, encontrou nele dois  enormes formigueiros, com formigas grandes e pretas e muito espertas, pois assim que perceberam claridade, espalharam-se todas num lufa-lufa cômico.
Após limpar o armário, tratou de arrumar a classe e, ao remover um caixão que servia de apoio à talha d'água, encontrou lá instalados dois camundongos. Da gaveta da mesa da professora saltaram 5 rãnzinhas e, atrás de um mapa, encontrou um ninho de baratas.
No telhado estavam instalados dois ninhos de canários.
Nos dias seguintes, a jovem professora foi treinada para dirigir um pequeno trole pertencente à  Prefeitura, puxado por um burro muito manso.
Saio sempre às 11h30, hora em que o pessoal daqui (pensão) está almoçando, portanto apreciam a minha subida em "suntuosa carruagem",  com o que se divertem bastante e fazem uma algazarra medonha...."
Segundo Maria Inês, a comida da pensão era muito variada, bem feita e limpa, cama muito boa, água com fartura, com um bom chuveiro, tudo ao preço de 130$000 por mês. A lavagem de roupa era à parte. Ela  arrumou uma lavadeira  que lava e passa muito bem por 15$ por mês.
O nome das donas da pensão eram Teresa e Anunciatina, que possuíam filhas moças  alegres.
Segundo a professora, o percurso até a escola durava de 20 a 25 minutos.



O casal


Maria Inês foi professora do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá e 3ª bibliotecária do Instituto de Educação Horácio Soares.



A professora Maria Inês faleceu em 13 de julho de 1994.

Comentários

Persio Gomes disse…
Uma das pessoas mais admiráveis que conheci. Amava o que fazia e todos a amavam !
Pérsio Gomes disse…
Dona Maria Inês foi minha vizinha durante anos, trabalhou no Horácio Soares, onde minha mãe foi professora, enquanto Dona Inês era bibliotecária. Pessoa admirável, de uma bondade sem igual, amava o que fazia e era amada por todos.Lembranças eternamente agradáveis esta postagem me trouxe.
Itamar Rabelo de Souza disse…

Itamar Rabelo de Souza A Biblioteca do I E Horácio Soares era um xodó para D. Maria Inês, que dela cuidava com extremo zelo. Foi a ela que mostrei meus primeiros poemas. Doce lembrança, José Carlos, obrigado
Nancy Nicolosi Soares escreveu
Oi, José Carlos,dona Maria Inês cada vez que me encontrava repetia
que quando chegou em Ourinhos o primeiro bebê que ela conheceu
foi eu, eu devia estar no colo da minha bisavó,assim penso!
Ela era uma pessoa muito simpática . Um abraço, Nancy.
victoria maria tonon da silva disse…
Tenho lindas lembranças da Dona marinês como a chamávamos.... Ela nos fazia indicação de livros, ensinava lições de vida!!!!! Grata por esta postagem tão bela.
Um exemplo de vida, obrigado Victória.
José carlos
Walter disse…
Uma tia adorável. Pena que não tenha tido oportunidade de uma convivência mais próxima e intensa, já que sempre morei na cidade de São Paulo.

Walter Alves de Souza Filho

Postagens mais visitadas deste blog

O CINQUENTENÁRIO DA TURMA DE DEBUTANTES DE 1966 DO GRÊMIO RECREATIVO DE OURINHOS

A edição de 3 de setembro de 1966 do jornal O Progresso de Ourinhos saiu com a capa em cores, sendo praticamente dedicada a reportagens sobre as debutantes de 1966 do Grêmio Recreativo de Ourinhos. Na capa, a manchete foi:


Alice Chiarato, Ana Cristina Paula Lima, Aparecida de Oliveira, Cleide Prioli Gaudêncio, Cleonice das Graças Teixeira, Déa Maria dos Reis, Eloisa de Azevedo, Guacyra Maria Ferrari, Mariângela Baccili Zanoto, Mariângela Cury, Maria Ângela Pinheiro, Maria Dilza de Freitas Faria, Maria Silvia Bueno de Campos, Sílvia Nicolosi Correia, Silza Saccheli Santos







Nas páginas seguintes, as debutantes de 1966 foram entrevistadas sobre algumas de suas preferências e aspirações. Cada uma das debutantes tiveram sua foto publicada no topo da entrevista





O ator  preferido das adolescentes foi, de longe,  Rock Hudson, seguido por Alain Delon; já quanto ao cantor a preferência foi por Agnaldo Rayol.
Rock Hudson
À pergunta sobre a vocação foram citadas: engenharia química, psicologia, música, …

LIBERTO RESTA (1914-1984), O CHEFE DO ESCRITÓRIO DA SANBRA

Nessa foto de autoria de meu pai,vemos Liberto e Ditinho acompanhados por Arlindo (trabalhava na seção pessoal da Sanbra) no acordeão e Robertinho (trabalhava na Coletoria Estadual), por ocasião de uma homenagem a Ourinhos no programa televisivo de Homero Silva, no final dos anos 1960.

Nesta foto vemos o casal Liberto e Ynira, a filha Rosa Maria, Ivone Duarte de Souza, esposa do gerente da Sanbra José Fernandes de Souza e a filha Cristina por volta de finais dos anos 1950.

Os dois anos e meio em que trabalhei na Sanbra foram marcantes para mim Muitos dos empregados da fábrica e do escritório tornaram-se um paradigma para minha vida profissional ao longo de 50 anos. Um deles foi Liberto Resta. Ingressei com 15 anos no escritório, na condição de aprendiz. Liberto era o chefe do escritório.
Foi o responsável pla formação da primeira equipe do escritório da Sabra em Ourinhos.
Na foto abaixo vemos Liberto juntamente com alguns empregados do escritório e da fábrica, no ínicio dos anos 1950.
Aga…

DE VOLTA PARA O PASSADO: 1961, AS TORRES DA IGREJA MATRIZ DO SENHOR BOM JESUS

À esquerda padre Domingos Trivi, à direita padre Eduardo Murante

Nesta edição comemorativa dos sessenta nos do mais antigo jornal de Ourinhos, a "Folha de Ourinhos", nada melhor do que um assunto próximo às origens do semanário veterano. Numa das últimas visitas que fiz ao nosso  saudoso  amigo drº Antonio Ferreira Batista, que foi gerente do Banco do Estado de São Paulo - Banespa entre os anos de 1950 e 1960, quando comentei algo sobre o Padre Domingos Trivi, o srº Ferreira contou-me que havia sugerido a esse pároco uma grande ação para que a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus tivesse finalmente suas torres concluídas. Desde os finais dos anos 1940, quermesses, leilões de prendas e outras ações por parte dos paroquianos tornaram possível a edificação da nova Igreja Matriz.  
Concluída na parte interna, embora ainda sem um acabamento mais fino,  já nos primeiros anos da década de 1950, cerimônias foram sendo realizadas no novo templo. 
Era necessário, então, a finalização de sua f…