Pular para o conteúdo principal

INÊS SOUZA LEAL, A MESTRA E SEUS ALUNOS

Era uma mulher baixinha, de voz pausada, e com excelente dicção; sempre antenada com o que acontecia no mundo à sua volta. Dedicada aos pais, irmãos e sobrinhos. 
Nossas famílias eram unidas por laços muito antigos de amizade. Nossos avós foram compadres. Inês, colega de turma no Ginásio de Ourinhos, anos 1940, de meu tio Herculano Neves.
Todas as vezes em que eu ia a Ourinhos para visitar minha mãe, íamos até a casa de dona Belarmina, mãe de Inês. Lá a conversa corria solta entre nós: Belarmina (lúcida até os 100 anos), Inês, o irmão Celso, eu e minha mãe. 
Belarmina, era  filha de Francisco Simões de Souza, o “Chico Manco”, português, estabelecido em Ourinhos com o famoso “Bar do Chico Manco”, na rua São Paulo, em frente ao cine Cassino. A irmã de Belarmina, Amélia, foi casada Jorge Galvão, empregado da SPP e irmão da "Janda" (Bazar) . Edde uma  das filhas desse casal foi colega de meu pai na Rede de Viação Paraná-Santa Catarina - RVPSC.
O marido de dona Belarmina,  Joaquim Miguel Leal (Quinzinho), natural de Palmital, bancário, foi gerente do Banco Brasileiro para a América do Sul, durante muitos anos (1949-1965).
Após o urso ginasial, Inês ingressou,  em 1946, na primeira turma da Escola Normal do Instituto Educacional de Ourinhos. Esse curso tinha a duração de quatro anos. Da primeira turma fizeram parte Anair Ferreira, Anaide Teles, Anezia Teixeira, Araci Freitas, Inês Souza Leal, Rute Foz e Vera Fiorillo. 
A festa de formatura foi realizada no cine Ourinhos, no dia 10 de dezembro de 1949.
Após formada, Inês foi professora e vice-diretora do recém fundado Grupo Escolar Virgínia Ramalho, popularmente conhecido com "Grupinho", e também do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá. Alfabetizou inúmeras turmas de alunos até os anos 1970.



Inês, no  encontro das primeiras turmas do Ginásio de Ourinhos, concede entrevista à rádio local, conduzida mandada pelo reporter Aparecido Leite.

Inês faleceu em 2010.
Estas fotos que chegaram às minhas mãos por meio de Marisa Ferreira Batista Ferrazoli, levaram-me a reescrever a página de Inês porque documentam o trabalho amoroso de uma grande mestra em sala de aula.



Inês abraçada com um dos alunos, filho do casal Harugi Seno e Maria Tanaka - Carlinhos.
Observem a bela letra da professora, que estava dando uma aula de matemática.




Comentários

noel disse…
Com seus óculos de lentes grossas, dona Inês foi quem me alfabetizou. Mantive por anos a caligrafia com boa qualidade - depois. . . Fui da primeira turma do "grupinho" - Virgínia Ramalho" - só tinha gênio, entre eles o Waldir Marques, hoje da Ordem dos Jesuítas e Alfredo Wagner Andrade, funcionário do Banco do Brasil, em Brasília. também tinha o Carlos Gomes e o Desidério, ambos grandões e já adiantado na idade - boas praças !Dona Inês, enquanto morei em Ourinhos sempre me "perseguiu" numa boa - não hesitava em me interpelar e perguntar se estava estudando. Sempre levantava a minha alto estima : "você é inteligente e tem imenso potencial, não perca seu tempo, volte a estuar". Mais adiante, acabei acreditando e adotei seus conselhos como mote de vida. Certa noite, de passagem por Ourinhos, ocasionalmente, nos encontramos numa padaria da Expedicionários. Apresentei-lhe a minha família, falei das minhas realizações e, deverás emocionado pude agradecê-la com entusiasmo. Ela estava com o braço na tipoia e a levei para casa - mais adiantei a visitei. Lamentavelmente, soube da sua morte pelo seu blog - não pude homenageá-la, comparecendo ao seu velório. Dona Inẽs - uma figura humana inesquecível ! Noel Gonçalves Cerqueira - "Canto das Siriemas" - Jacarezinho - PR
Belo depoimento, Noel. Ela merecia ter seu nome em uma das ruas, numa escola.
Infelizmente, grande parte das professoras foram esquecidas pela municipalidade e vereança.
Abraços e obrigado pelo comentário que só enriqueceu o meu texto.
Abraço.
José Carlos
O comentário número 1 é de Noel Gonçalves Cerqueira.
José Carlos Neves Lopes
Luciene disse…
D. Inês. ... quantas saudades!! E dessa turminha entao?? Estas fotos me emocionaram pois estou entre as crianças e lembro até do dia em que foram tiradas....

Postagens mais visitadas deste blog

O CINQUENTENÁRIO DA TURMA DE DEBUTANTES DE 1966 DO GRÊMIO RECREATIVO DE OURINHOS

A edição de 3 de setembro de 1966 do jornal O Progresso de Ourinhos saiu com a capa em cores, sendo praticamente dedicada a reportagens sobre as debutantes de 1966 do Grêmio Recreativo de Ourinhos. Na capa, a manchete foi:


Alice Chiarato, Ana Cristina Paula Lima, Aparecida de Oliveira, Cleide Prioli Gaudêncio, Cleonice das Graças Teixeira, Déa Maria dos Reis, Eloisa de Azevedo, Guacyra Maria Ferrari, Mariângela Baccili Zanoto, Mariângela Cury, Maria Ângela Pinheiro, Maria Dilza de Freitas Faria, Maria Silvia Bueno de Campos, Sílvia Nicolosi Correia, Silza Saccheli Santos







Nas páginas seguintes, as debutantes de 1966 foram entrevistadas sobre algumas de suas preferências e aspirações. Cada uma das debutantes tiveram sua foto publicada no topo da entrevista





O ator  preferido das adolescentes foi, de longe,  Rock Hudson, seguido por Alain Delon; já quanto ao cantor a preferência foi por Agnaldo Rayol.
Rock Hudson
À pergunta sobre a vocação foram citadas: engenharia química, psicologia, música, …

LIBERTO RESTA (1914-1984), O CHEFE DO ESCRITÓRIO DA SANBRA

Nessa foto de autoria de meu pai,vemos Liberto e Ditinho acompanhados por Arlindo (trabalhava na seção pessoal da Sanbra) no acordeão e Robertinho (trabalhava na Coletoria Estadual), por ocasião de uma homenagem a Ourinhos no programa televisivo de Homero Silva, no final dos anos 1960.

Nesta foto vemos o casal Liberto e Ynira, a filha Rosa Maria, Ivone Duarte de Souza, esposa do gerente da Sanbra José Fernandes de Souza e a filha Cristina por volta de finais dos anos 1950.

Os dois anos e meio em que trabalhei na Sanbra foram marcantes para mim Muitos dos empregados da fábrica e do escritório tornaram-se um paradigma para minha vida profissional ao longo de 50 anos. Um deles foi Liberto Resta. Ingressei com 15 anos no escritório, na condição de aprendiz. Liberto era o chefe do escritório.
Foi o responsável pla formação da primeira equipe do escritório da Sabra em Ourinhos.
Na foto abaixo vemos Liberto juntamente com alguns empregados do escritório e da fábrica, no ínicio dos anos 1950.
Aga…

DE VOLTA PARA O PASSADO: 1961, AS TORRES DA IGREJA MATRIZ DO SENHOR BOM JESUS

À esquerda padre Domingos Trivi, à direita padre Eduardo Murante

Nesta edição comemorativa dos sessenta nos do mais antigo jornal de Ourinhos, a "Folha de Ourinhos", nada melhor do que um assunto próximo às origens do semanário veterano. Numa das últimas visitas que fiz ao nosso  saudoso  amigo drº Antonio Ferreira Batista, que foi gerente do Banco do Estado de São Paulo - Banespa entre os anos de 1950 e 1960, quando comentei algo sobre o Padre Domingos Trivi, o srº Ferreira contou-me que havia sugerido a esse pároco uma grande ação para que a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus tivesse finalmente suas torres concluídas. Desde os finais dos anos 1940, quermesses, leilões de prendas e outras ações por parte dos paroquianos tornaram possível a edificação da nova Igreja Matriz.  
Concluída na parte interna, embora ainda sem um acabamento mais fino,  já nos primeiros anos da década de 1950, cerimônias foram sendo realizadas no novo templo. 
Era necessário, então, a finalização de sua f…