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O AEROPORTO DE OURINHOS EM 1947

           
Por incrível que pareça, em 1947, o Aeroporto de Ourinhos era servido por três companhias aéreas.

Uma publicidade estampada nas páginas de "A Voz do Povo" anunciava:

      "V A S P”
Agora  dois aviões diários para São Paulo e
— Presidente Prudente e um aos domingos —
H O R Á R I O S :
Partidas de São Paulo:
ás 8,15 e 14,30;
Partidas para S. Paulo:
ás 8,20 e 12,40;
Aos domingos:
Parte para S. Paulo às 10,30 — Parte de S. Paulo ás 9,00
AGENTE EM OURINHOS :
Moacyr de Mello Sá
Para reservas de passagens, encomendas e informações:
CAFÉ PAULISTA —  Telefones, 82 e 196



O primeiro voo? Pode ser. Nessa foto, de autoria desconhecida, identifico na primeira fileira, da esquerda para a direita: 1 - Antonio Zaki Abucham, 3 - Tufy Zaki Abucham, 7 - Moacyr de Mello Sá, 9 - Domingos Camerlingo Caló.




Foto no Aeroporto de Ourinhos, anos 1940.

Outra propaganda anunciava o serviço de TÁXI AÉREO:


Sociedade de Transportes Aéreos Regionais S. A.     STAR 
Taxis aéreos para qualquer localidade em aviões «Stinson», a preços módicos.
Vôos em correspondência com os aviões da VASP — Para informações dirijam-se ao agente em Ourinhos: Moacyr de Mello Sá -  Café Paulista - - Telefones : 82 e 196  OURINHOS - ESTADO DE SÃO PAULO

Moacyr de Mello Sá, era sobrinho de Jacinto Ferreira de Sá, foi um dos primeiros membro do Rotary Clube de Ourinhos e também vereador na primeira legislatura da Câmara Municipal de Ourinhos, após a queda do Estado Novo.

Francisco Soares, irmão da professora Esmeralda Soares Ferraz, cujo pai foi proprietário da Farmácia Santa Terezinha, numa das postagens de meu blog em 2006, fez um relato interessante sobre o Aeroporto de Ourinhos":



"Quanto ao aeroporto de Ourinhos, ele, na década de 4O e início de 5O, abrigou uma escola de pilotagem. O professor chamava-se Pedro Lourenço e era piloto de um avião do Reinaldo Brandimarte, da fábrica de balas. Ele era bem idoso e o chamávamos de pai de Santos Dumont. Lembro-me de alguns nomes dos alunos: Lino Ferrari, Tufi Abujamra, irmão do Pedrinho Abujamra, do Bazar, e o Bija, filho mais velho do dono da funerária. O avião de treinamento era um Paulistinha, daqueles fabricados em Botucatu, onde foi instalada a primeira fábrica de aviões do Brasil. Lembro-me como se fosse hoje o dia em que o Bija solou. Encostou o avião quando aterrisou e saiu correndo para fugir ao tradicional banho de óleo. Não conseguiu escapar e foi jogado na cavidade aberta, cheia de óleo, para o batismo."


Igualmente, Joaquim Bessa também comentou no blog:

"além da Vasp, da propaganda: Viajei Bem Viajei Vasp, Viaje Sempre pela Vasp, havia a Natal, que também foi fundida por outras cias. Não me lembro bem, mas parece-me que a Real chegou a fazer essa linha para Ourinhos. O agente da Natal em Ourinhos era o Thomé. Havia uma estação de rádio instalada na sua Livraria. Me cansei de ver essa estaçãofuncionando, quando ia ao Thomé para comprar HQs. "

Outra empresa aérea que operava em Ourinhos era a Empresa Arco Íris Viação Aérea S/A, que fazia voos para Londrina. 




Aeronave da "Arco Iris no Aeroporto de Ourinhos.
A penúltima à direita é Mercedes Matachana, seguida pela esposa de Moacyr de Mello Sá.




Conforme narra o professor Jonas Liasch, do Aeroclube de Londrina em seu  interessante blog: 

CULTURA AERONÁUTICA 

"A VAA, baseada no Aeroporto de Congonhas, São Paulo, começou a operar voos para o oeste paulista em 12 de julho de 1946, com uma linha ligando Congonhas a Ourinhos, Assis e Presidente Prudente. Pouco tempo depois, a linha passou a atender Londrina. A empresa operou 6 aviões ingleses bimotores De Havilland DH-89A Dragon Rapide, matriculados PP-AIA, PP-AIB, PP-AIC, PP-AID, PP-AIE e PP-AIF. Os Dragon Rapide podiam levar apenas 6 a 8 passageiros, mas tinham um bom desempenho de voo, pois alcançavam 210 Km/h de velocidade, bem mais rápidos que os trens, que levavam 24 horas de viagem entre Londrina e São Paulo, com uma incômoda e demorada baldeação em Ourinhos, ou os ônibus, ainda mais lentos, pela péssima condição das rodovias."

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