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FRANCISCO CHRISTONI E OSCAR PEDROSO




Carlos Christoni originário  de Montalvo, no norte da Itália, veio com a família para Brasil em 1906, radicando-se primeiramente em Pirassununga. Em 1909, Carlos e   os filhos Angelo, Justo, Ernesto , Vitório, Rosa e Barbarina, estabeleceram-se em Ourinhos. Segundo narra Jefferson Del Rios, "dedicaram-se à lavoura, à fabricação de aguardente e ao comércio".
Angelo foi o responsável pela criação das duas primeiras vilas de Ourinhos: a Vila Nova e a Vila Margarida, loteadas em área de sua propriedade, em 1937. A denominação Margarida para uma das vilas foi uma homenagem à esposa, que tinha esse nome. 
O casal teve os filhos Francisco, Virgínia, Braz, Otávio e Maria.
Francisco foi vereador na primeira e na segunda legislatura da Câmara Municipal de Ourinhos (1948-1952) (1952-1955),  após o final do Estado Novo (1937-1945). 
 Otávio foi bastante conhecido por  várias gerações de alunos do Instituto de Educação de Ourinhos, já que era inspetor de alunos nessa escola.
Oscar Pedroso, natural de São Roque,  era filho de Joaquim Pedroso, escrivão de paz em Ourinhos,  e de Maria Cristina Pedroso. O jovem Oscar, que contava  23 anos de idade, era escrevente no Cartório de Paz e vice-presidente do Centro Recreativo Operário. Uma de suas irmãs foi uma das melhores alfabetizadoras do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, a professora Adelaide Pedroso Racanello, de quem fui aluno no primeiro ano do curso primário, em 1955.
 O irmão de Oscar, José, sucedeu ao pai no Cartório de Paz, tendo sido casado com outra grande  professora primária de Ourinhos, dona  Anita Pedroso, de quem me lembro com saudades.
Na madrugada de 11 de outubro de 1931, o jovem Oscar foi morto  a tiros quando retornava para casa.
O jornal " A Voz do Povo" assim noticiou o fato:
"Em plena rua desta cidade, o jovem Oscar Pedroso, escrevente juramentado do Cartorio de Paz, foi covardemente assassinado por um soldado da Força Publica. Na madrugada do dia 11 do corrente, esta cidade foi theatro de uma horrivel scena de san­gue, que veio alarmar profundamente o espirito publico, conduzindo-o á justa revolta por esse selvagem attentado, do qual foi victima um moço de bellas qualidades moraes e civicas, perten­cente á distincta familia da nossa mais fina so­ciedade.O jovem Oscar Pedroso, quando á madru­gada daquelle dia, se dirigia para a sua resi­dência, ao passar pela rua Alagoas, defronte á uma casa suspeita onde se realisava um baile, foi cercado por dois soldados do destacamento local, que não estavam de serviço, dos quaessó um estava fardado e após ligeira troca de palavras por motivos frí­volos, atracaram-se em lucta corporal. Oscar, querendo furtar-se á pri­são que lhe era promettida, corre em direcção á rua Amazonas, quan­do um dos soldados, o de nome Pedro Ribei­ro, sacca do revolver e deu ao gatilho, indo o projectil attingir a cabeça de Oscar, tombando-o morto quasi que instantaneamente."
Eram irmãos de Oscar : Alice, profª. Laura, casada  com o sr. Joaquim Pereira da Rocha, residente em Ribeirão Preto; prof. Faustino, casado com d.Augusta Barbosa, residente em Nuporanga; prof. Maria Eulina,casada com o sr. phco. Army Rosa,  residente em Sorocaba; dr. Ernesto Pedroso, casado com d.Maria Pedroso, residente em Olimpia; prof. Joaquim Pedroso Filho, casado com d. Mariqunhas Pedroso (foi diretor do Grupo Escolar de Ourinhos); profª. Adelaide Pedroso, ca­sada com o sr. Graciano Racanello; srtas.Alzira e Anezia e o sr. José Pedroso. 
Muito estimado na cidade, o enterro do jovem Oscar contou com a presença de cerca de 1500 pessoas, conforme cobertura feita pelo jornal.
Cheguei a conhecer a bela casa que fora da família Pedroso, na avenida Altino Arantes, ao lado do Grêmio Recreativo de Ourinhos. 
Meu pai, que foi amigo dos dois,  tinha  no seu arquivo uma foto de Francisco Christoni e Oscar Pedroso sentados num banco do Jardim, É a foto que ilustra esta página.

Comentários

Noel Gonçalves Cerqueiraóe disse…
Noé Gonçalves Cerqueira escreveu:
Boa noite ! Acabo de ler seu texto sobre Francisco Christoni e Oscar
Pedroso - confesso que me trouxe uma novidade sobre a origem da
família Christoni, o patriarca Carlos e sua primeira morada em
Pirassununga. Curiosidade: o Octávio foi casado com minha tia Ruth,
irmã da minha mãe Eunice e fui delegado em Pirassununga, onde morei
por dois anos. Sobre o vereador Francisco, ele foi reeleito na década
de 50 - era o líder da irmandade, seguramente o mais esclarecido.
Morreu durante uma reunião da Câmara Municipal, quando era discutida a
colocação ( ou retirada ) de crucifixo na sala de reuniões. Ele e os
irmãos eram evangélicos !Forte abraço, Noel.
P/S - N]ao me lembro se o livro do Jefferson traz essa informação.

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