A ESTAÇÃO DA SOROCABANA



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Esta foto permite visualizar com detalhes os aspectos exteriores da segunda Estação Ferroviária de Ourinhos, construída pela Estrada de Ferro Sorocabana, em 1926.
A atual estação foi inaugurada pelo Governador Ademar de Barros, em 1964, que discursou num palanque montado na frente dela.
O movimento dos trens de passageiro foi muito grande até metade dos anos 1960. O horário mais procurado era o do trem que vinha de Presidente Prudente. Ele deixava Ourinhos por volta das 20h00, chegando a São Paulo cerca das 6h00 da manhã.
Para poder escolher um lugar melhor, muitas vezes meu pai ia até Salto Grande para lá embarcar e reservar nossos assentos. Havia o “Ouro Verde” e o moderníssimo (anos 1950) “Pulmann”, todo de aço ambos com cabines e restaurante.
A parada mais longa na viagem era a de Botucatu. Meu pai sempre descia nela, retornando ao trem alguns vagões mais à frente, deixando ansioso o filho que desatava a chorar ao ver  o trem partir sem o pai.
Na parte central  da estação, ficava a sua entrada, onde havia uma bela porta de ferro trabalhado. No seu interior, de ambos os lados, localizavam-se as bilheterias. Passava-se pela roleta para picotar os bilhetes e adentrava-se na longa plataforma. À direita da entrada principal localizava-se o bar da estação.
Na ponta esquerda da foto, pode-se visualizar a plataforma de embarque do trem que demandava o norte e o sul do Paraná, via Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, mais tarde Rede Ferroviária Paraná-Santa Catarina. A entrada para a sua bilheteria e plataforma de embarque ficava nessa direção.
A foto teve a felicidade mostrar os meios de transporte mais comuns na época: o automóvel, a carroça, e a jardineira, todos estacionados na frente da estação. Em primeiro plano um casal recém chegado.
O jornal local mantinha uma coluna denominada “Itinerantes”, na qual um repórter apontava os que partiam e o os que chegavam na semana (Viajou para o Rio de Janeiro.fulano de tal...Regressaram de São Paulo.beltrano e filhos...).
Foto por Francisco de Almeida Lopes.
Contemporâneo das duas estações, o professor Luciano Correa da Silva registrou no soneto “Viagem”:
Estação, foste a primeira
noutros tempos da cidade.
Cortejou-te a realeza
nos quartéis da mocidade .
(O autor alude à passagem pela estação do príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VIII, da Inglaterra, demandando o norte do Paraná, em 1931)
Nos quartéis da mocidade.
Agora te vejo presa
Ao destino que invade,
Me trazendo mais tristeza
Pelos trilhos da saudade.
Ontem, pompa e fidalguia:
Hoje, pobre e abandonada...
Velha estação, que ironia,
Quanta lembrança perdida,
Com tanto trem de chegada,
Como muito mais partida!...

Francisco Soares (Chicão) membro de uma família ourinhense, irmão da profª Esmeralda Soares Ferraz foi um grande colaborador deste blog comentando, com suas memórias da cidade, inúmeras páginas:



José Carlos, Estação de boas memórias. à esquerda da foto, ficavam algumas residências. Uma delas era do chefe da estação, um senhor meio encorpado que se chamava Adão Queiroz. Era pai do Zigomar Adão Queiroz, meu colega de escola. Frequentei muito sua casa. Tinha duas irmãs que não me lembro dos nomes. O dono do bar e restaurante chamava-se Ludgero Contrucci. Era pai do Luiz Gonzaga Contrucci, o Luizinho, também colega de escola e muito amigo. Tinha uma irmã, linda menina, que se chamava Lourdes, a nossa Lurdinha. O Luizinho era um bom canavalesco. Numa das folias de Momo ele e o Miltinho Teixeira, irmão do Joaquim Teixeira e filho do sr. Manoel Teixeira, que era dono de uma torrefação de café numa das transversais da Av. Jacinto Sá, aprontaram uma boa.. Foi no ano em que a índia Diacui casou-se com um indigenista, numa festa no Rio de Janeiro,promovida pelo Assis Chateaubriand, a título de propaganda da revista O Cruzeiro.. Luizinho e o Miltinho sairam fantasiados de Diacuí e seu marido. Luizinho vestido de noiva e o Miltinho de bota, colote e túnica, além de ter levado uma espingarda, caracteristica dos sertanistas. Foi um sucesso. Quanto ao extremo da estação, de onde saiam os tres para o Paraná, utilizei muito. Aos sábados e em alguns domingos, eu pegava o trem misto, rumo a Marques dos Reis. De lá atravessava a ponte de volta e ia para a beira do rio Paranapanemano lado paulista, pegar uma canoa e sair remando rio afora. De tardezinha, pegava de volta outra composição do misto e voltava para casa. Era uma festa, porque a gente nunca ia sozinho.Estava com vários amigos.Grato por trazer-me maltéria tão grata à minha memória. Abraços do Chicão

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