OUTUBRO DE 1949 - A FUNDAÇÃO DO CINE CLUBE

Na edição de 12-10-1949, o semanário "A Voz do Povo" publicava:

"CINE CLUBE DE OURINHOS 
CENTRO DE ESTUDOS CINEMATOGRÁFICOS
Foi fundado a 12 do corrente o centro de estudos ci­nematográficos de Ourinhos, em reunião realizada no Grê­mio Recreativo desta cidade."

Faziam parte de sua Diretoria :
Presidente,  Dr. Antonio Gomes Pereira ; 
Vice-Presidente, José Camerlingo; 
l.o Secreta­rio, Agostinho Nunes de Abreu; 
2 .0 Secretario, Teresinha Menezes ; 
Tesoureiro, Paulino dos Santos;
 Diretor de Curso, José Pelegrini;
 Bi­bliotecário, Maria Lara Rodrigues,
 Diretor de Fílmoteca, Beibe Feirer; 
Conselho Fiscal, Benedito Monteiro, Eduardo Costa Galvão e Nel­son Pontara.
Abrindo a sessão o presidente do Centro falou sobre as finalidades da instituição. Também fizeram uso da palavra José Camerlingo e Beibe Ferer, "sugerindo idéias sobre o alcance da iniciativa".

Eu me recordo de, ainda criança,  ter ido a esse Cine Clube, muito provavelmente organizado nos moldes do existente na capital - o famoso Cine Clube Bandeirantes. Pela lembrança que ainda mantenho, acredito que a instituição tenha sobrevivido até o início dos anos 1960.  Dentre os fundadores conheci José Camerlingo (Juca), irmão de Domingos Camerlingo Caló, que foi casado com a profª Nadir Bueno, muito amiga de minha mãe; lembro-me de Paulino dos Santos, proprietário de uma grande casa de tintas na Rua Paraná;  Benedito Monteiro, casado com uma prima de meu pai, Tomires Deviene, foi o contador da São Paulo Paraná e vereador por duas legislaturas.
Em sua fala, o presidente do clube arrolou  alguns itens importantes do trabalho a que se propunham os fundadores:

Ao entrarmos para o campo da cinematografia devemos considerar o seguinte:
a) — No interesse próprio teremos mais cultura e mais possibilidades econômicas;
b) — Ourinhos possuirá o privilégio de ser talvez a pri­meira cidade do interior pau­lista e brasileiro a romper as resistências que militam em contrário da cinematografia 
nacional ; 
c) — Iremos ajudar o nosso país a economizar divisas, pois 
que a soma que o Brasil dispende com direitos de exibição 
de filmes estrangeiros, é enorme.
Como fazer cinema requer conhecimentos especializados, vamos fundar o nosso centro cultural de cinematográficos. 
Estudando a Sétima Arte, chegaremos a produzir filmes de longa metragem.Os recursos materiais e hu­manos necessários, darão ca­racterísticas do ambiente cultural adquirido no nosso centro."
Sem dúvida, um programa  muito interessante e ousado.


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