O FOTÓGRAFO MIRA A CIDADE


Gosto muito dessa foto (anos 1950) feita por meu pai a partir do topo  da Igreja Matriz (a nova). O fotógrafo, muito provavelmente,  queria captar através de sua câmera um dos limites da cidade - aquele que faz fronteira com o Estado do  Paraná.
A câmera focaliza, em primeiro plano,  parte das casas que haviam sido construídas no início dos anos 1940 pela Companhia Ferroviária São Paulo- Paraná,  com o fim de  serem financiadas para alguns de seus empregados.
O olhar do fotógrafo detalha bem a parte frontal de  algumas das casas da Rua Rio de Janeiro. 
Em seguida, capta o cafezal da fazenda pertencente aos herdeiros de Horácio Soares, que margeava os trilhos da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina e também algumas  casas de colonos.
Mais ao fundo,  nos mostra o que era a Vila Odilon naqueles anos - uma vila de oleiros. Nada menos do que 15 chaminés de olarias podem ser vistas na foto.  
Por fim, mais ao fundo,  os limites do município a Oeste.  
Dalva Maria Ferreira, poetisa, em seu blog "Poesias Soltas" -  http://poesiasecasos.blogspot.com/ -  publicou sua primeira poesia para 2012, que vem a calhar para o assunto de hoje:

"VEM CÁ DE NOVO"

Vem cá de novo,
voltemos juntos pelas ruas do passado,
alegremente, desviajando pela vida.

Vem cá, menino,
olhar as cores que brotaram encantadas
depois da chuva que caiu, eternamente.

Me dá tua mão,
vamos brincar de faz-de-conta
na areinha que se formou da enxurrada.

Sejamos deuses,
ou então gigantes dominando as formiguinhas
nesse mundinho que contém o outro mundão.



Foto por Francisco de Almeida Lopes.

Comentários

Anônimo disse…
Que maravilha de texto, José Carlos! A foto também, é uma jóia preciosa, se considerarmos que ela captou um simples momento que não volta nunca mais e que, no entanto, está contido na nossa memória, pois é parte de nós mesmos. Hoje amanheci escutando Mercedes Sosa, justamente na música linda "Canción de las simples cosas", cuja letra fala bem desse sentimento. Muito obrigada pelas palavras generosas, José. Abraço, e feliz 2012, que já vai a galope...
Marisa Ferreira Batista Ferrazoli escreveu:
Olá amigo

Bom domingo.Vc caiu da cama ?Ou para aproveitar esse domingo sem chuva?(por enqto)
Eu gosto muito dessas fotos de Ourinhos do século passado.Lembro muito de qdo mudamos para
lá,o tipo de construções, as ruas ,algumas sem asfalto ainda,a nossa rua com a casa da Nancy repleta de árvores,
a igreja imponente no meio da praça.Eu acho que preferia a cidade antiga. Ou será por ela me reportar a tempos felizes de juventude que já estão tão longe?

Abraços
Marisa
Dalva Ferreira comentou:
Que maravilha de texto, José Carlos! A foto também, é uma jóia preciosa, se considerarmos que ela captou um simples momento que não volta nunca mais e que, no entanto, está contido na nossa memória, pois é parte de nós mesmos. Hoje amanheci escutando Mercedes Sosa, justamente na música linda "Canción de las simples cosas", cuja letra fala bem desse sentimento. Muito obrigada pelas palavras generosas, José. Abraço, e feliz 2012, que já vai a galope..
Maria Dilma de Freitas escreveu:
Adoro!!! Obrigada.
Abraços.
Dilma
Sebastião Zanardo disse…
boa tarde!!!


parabens pelo trabalho é com grande orgulho que eu vejo as fotos e volto no tempo

morei com meu pai no olaria dos fantinatti a 1ª da rua cambara nos anos 1967 a 1969

as telhas erm vendidas no crescimento do norte do paraná e meu pai fazia uma cadeira chamada de "preguiçosa" hoje chamada cadeira de praia

os caminhoneiros que compravam adoravam eles dobravam elas e colocavam atrás do banco do caminhão e quando queriam dormir era so pegar e

montar.



Sebastião Zanardo
O olhar do fotógrafo dá as mãos ao poeta para tentar reconstruir as memórias do escritor... mas é inútil, elas estão no fundo da sua alma, guardadas a sete chaves, no fundo do coração. O que existe hoje não é nem a pálida imagem do que existiu um dia. Mas continuemos fotografando, para o futuro!