8.1.12

MEMÓRIAS DE UM BEBÊ FELIZ



Devo ter sido um bebê feliz. Tive tudo para isso.
Minha mãe somente engravidou quatros anos após seu casamento, portanto,  um filho era muito esperado. 
Tive o privilégio de haver nascido na casa de meus avós, onde havia três irmãs solteiras de minha mãe. Enfim, tudo para ser paparicado.
Cheguei a este mundo na segunda metade do século passado, sob a regência de um signo bom - Libra, às 21h30 de uma quinta feira. Por isso gosto tanto da noite.
Parto normal, parteira dona Luisa.
Não nasci com muitos quilos, os quais foram sendo adquiridos depois graças ao mingau de maizena.
Segundo vontade de minha mãe, meu nome deveria ter sido José Eduardo. Minha avó lhe disse: Ah, ponha  Carlos, eu sempre quis dar esse nome para um dos meus filhos e seu pai nunca concordou". Daí ficou José Carlos.
José, pela devoção de minha mãe para com o santo de mesmo nome, que acabou sendo meu padrinho também, já que fui batizado somente cinco meses depois, no dia de são José (19/3/1948).

Aos nove meses já começei a andar.
Dizem que fui um bebê muito bonito, o que as fotos confirmam, justamente por isso sempre às voltas com o quebranto (Estado mórbido atribuído pela crendice popular ao mau-olhado).

Hoje já não se fala mais em quebranto, o qual somente sarava com benzeção.
Em Ourinhos,nos anos 1950,  havia dois benzedores famosos, pai e filho. O pai ficou conhecido como "Manuel Pegatudo", justamente por livrar as pessoas que o procuravam dos males que as acometia. 
Morava na atual Antonio Carlos Mori, ao lado da garaparia do seu Leonel. Na sala, havia um grande altar com várias imagens de santos e santas, onde se realizava a benzeção, que funcionava mesmo. 
O filho morava na "Vila Nova", se não me falha a memória de nome José Nascimento. Também me vali de sua benzeção.
Havia também benzedeiras famosas. Lembro-me de uma senhora negra que morava numa casa de madeira muito grande fronteiriça à linha do trem, na altura do atual prédio do correio. Era especialista em benzer erisipela. Havia espécia de flor branca e de flor rosa.
Minha tia-avó paterna, Fausta Godoy de Lima, também benzia erisipela com sucesso.
Ela utilizava a folha de um arbustivo (Datura Stramonium), chamado popularmente de trombeta, trombeteira, saia branca, aguadeira, buzina, zabumba ou lírio
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Untava-se a folha com óleo, a qual era então passada sobre a perna com erisipela.  A benzeção tinha sucesso. 
Os dizeres de minha tia Fausta  eram semelhantes a este que encontrei na web, pelo menos o início era idêntico

"Pedro Paulo vem de Roma.
Jesus Cristo o encontrou:

- Donde vens, Pedro Paulo?
- Senhor, venho de Roma.
- O que e que há lá?
- Morre muita gente.
- De que?
- De erisipela e erisipelão bravo.
- Pedro Paulo, volta para lá e cura-me essa gente toda.
- Com o que, Senhor?
- Com ramo de oliveira e três pingadas de azeite.
- Volta para trás (nomeia-se o paciente), que te hei de queimar e te hei de abrasar.
- Nem 'me hás de queimar, nem me hás de abrasar, mas hás de me curar.
Em honra de Pedro Paulo e da Virgem Maria, Padre Nosso e Ave Maria."

'

A planta que está à esquerda dessa foto é uma  "Buzina"
Em Ourinhos há ainda uma benzedeira famosa, a querida Dalva Vita, em cujas orações minha mãe tanto confiava.
Dalva continua utilizando seus poderes de benção para confortar todos que a procuram.

4 comentários:

José Carlos Neves Lopes disse...

Maria Dilma Freitas Faria escreveu:
Oi José Carlos
Realmente você foi um bebê muito lindo,sua mãe também era uma mulher muito bonita.
É uma pena agora não termos mais "retratos",é cd ,pendrive etc...Mas,é assim mesmo.
Viva os tempos modernos!
Minha mãe tem uma árvore de saia branca no quintal.Ela coloca no alcool as flores e depois
usa para dores musculares e reumaticas.É ótimo!
Plantei uma muda na chácara e agora também faço.Não sabia que era bom para erisipela.
Sei que é alucinógena e no meu livro de ervas medicinais eles não aconselham o uso,dizem
que é perigosa.Só uso externamente.
Maria Dilma

José Carlos Neves Lopes disse...

Wilson Monteiro escreveu:
"Belas fotos,belas lembranças José Carlos,parabéns !"

José Carlos Neves Lopes disse...

Tia Ivonete escreveu:
Adorei o seu histórico e também os comentários sobre as benzedeiras. Saudações.

José Carlos Neves Lopes disse...

Maria Alice Carvalho escreveu:
Olá José,
Maria Alice Carvalho comentou seu link.
Maria Alice escreveu: "Oi José Carlos!!! Adorei a foto, o texto e as memórias de um bebê feliz!!!Você foi mesmo muito esperado e sua mãe lhe tinha um amor enorme. Que bom, não?? Beijos!!!"