30.11.13

RODOLFO PELLEGRINO, UM ITALIANO E A EDUCAÇÃO PÚBLICA PAULISTA NOS ANOS 1950

Rodolfo Pellegrino (Sicília 1908-Sta Cruz do Rio Pardo 1995) veio para o Brasil juntamente com a esposa (Maria), nascida neste país, e os dois filhos Franco e Roberto em 1951.


A família no navio que os trouxe para o Brasil.

Estabeleceram-se em Ourinhos, onde estavam os parentes Brandimarte, desde os anos 1940.
Rodolfo abriu na cidade uma loja  - a "Casa dos Acumuladores".

Em pouquíssimo tempo granjeou o respeito e a amizade de todos os que o conheceram.
Como imigrante tinha muito amor pela terra que o recebera, e reconhecia  as possibilidades que o ensino público paulista oferecia a seus filhos.
O discurso em italiano (traduzido por Roberto a meu pedido) que pronunciou por ocasião de um jantar oferecido à equipe de professores e direção do Ginásio de Ourinhos, em agosto de 1956, testemunha essa gratidão. Ele foi publicado no jornal do Grêmio Estudantil "Rui Barbosa - "A Voz do Estudante", do CEEN "Horácio Soares".


Arlete (desenho) ; Iolando (marido da Arlete e diretor do Ginásio); Cleide Bonetti (Canto Orfeônico); Toffoli (do Normal), com o casal Pellegrino e o filho Roberto.

Excelentíssimos Senhores
Inspetor Federal, Senhor Diretor Estadual, Senhores Professores e Professoras do Ginásio “HORÁCIO SOARES” de Ourinhos

Em primeiro lugar, quero sublinhar, em nome de minha família, o júbilo e a honra que sentimos neste momento festivo pela presença das eminentes figuras do excelentíssimo inspetor federal, do excelentíssimo diretor estadual e de quase todos os professores do Ginásio “Horácio Soares” de Ourinhos.
Expresso meu agradecimento pelas frases e pelos elogios do ilustre professor Norival Vieira da Silva. Suas preciosas palavras, pronunciadas com aquele estilo fino e delicado, comoveram-me profundamente.
Aos seus conceitos expressos com perfeição à minha família é difícil responder porque se trata de louvores dirigidos pessoalmente a nós.
Peço a Deus que me conserve sempre íntegro e vibrante o senso do dever, a fidelidade e a perseverança em todos os atos, sobretudo em relação à minha família, de modo que meu filho, vosso aluno, possa seguir o exemplo que lhe servirá de guia em seu futuro.
Agradeço de novo ao sr. Professor Norival, o qual, depois de haver falado em nome de todos os professores do Ginásio, quis mais uma vez demostrar que bom sangue não mente ao afirmar que os pais de Roberto Pellegrino podem estar tranquilos quanto ao fato de que os professores dedicarão todo o interesse possível ao estudante que, por motivos especiais, teve de deixar a própria pátria.
Tenho certeza que meu filho, com os vossos ensinamentos e sob a minha constante vigilância e guia, fará o possível para tornar-se digno de pertencer à democrática escola brasileira, para assim merecer a estima dos professores, de seus pais, e o reconhecimento de sua pátria de origem, e, naturalmente, de sua grande pátria adotiva: a pátria brasileira, que tanto necessita de homens capazes e corajosos. Permito-me dizer que todos nós -- entendo dizer todos aqueles que deixam a própria pátria com a esperança de construir um futuro para si e para os próprios filhos – temos o sagrado dever de contribuir para o progresso e a grandeza deste generoso Brasil: levando cada um seu tijolo ao canteiro do grande edifício da construção nacional brasileira.
Excelentíssimos sr. Inspetor, sr. Diretor e senhores Professores e Professoras, o haver de vossa parte aceitado com prazer de participar a esta festiva noitada encoraja-me a acreditar que meu filho conquistou esse merecimento com seu apego à escola e ao estudo, e pelo qual muitos obstáculos teve de superar, tratando-se de outra língua e de outros métodos de ensino. Isso demostra sua vontade a a paixão que ele tem pelo estudo. Paixão que é característica daqueles empreendimentos mediante os quais o homem se propõe alcançar altos objetivos, enfrentando quaisquer obstáculos e fim de obtê-los.
Excelentíssimo Sr. Inspetor, Sr. Diretor, Senhores Professores e Professoras, rogo-vos de aceitar meu reconhecimento por haver-me honrado com a vossa ilustre presença a este jantar que vos ofereço para externar a gratidão de um aluno, meu filho, àqueles que lhe abriram os braços para admiti-lo na escola brasileira.
Agora é na vossa forja, a forja da sabedoria, da qual vós sois os artífices, que meu jovem filho terá que construir o próprio futuro.


Agradeço-vos mais uma vez de todo coração e que Deus salve e proteja o BRASIL.


Rodolfo Pellegrino

O ator Rosano Brazzi na casa de Rodolfo Pellegrino em 1963.

Sobre Rodolfo Pellegrino ver também:

http://ourinhos.blogspot.com.br/2010/01/rodolfo-pellegrino-e-maria-pulcinelli.html 

http://ourinhos.blogspot.com.br/2008/10/rossano-brazzi-bolonha-1916-1994-foi-um.html

23.11.13

A 4 SÉRIE A DE 1956 DO IEHS DE OURINHOS

Quando ingressei no curso ginasial do Instituto de Educação Horácio Soares, em 1959,  havia na minha classe de 1ª série alguns veteranos - os repetentes. A repetência, prevista em lei,  era aplicada sem dó nem piedade,  e alguns professores se valiam dos instrumentos de avaliação para coibir a algazarra em classe. Com isso, muitos estudantes tinham às vezes sua nota de prova dividida por 2 devido a uma chamada oral repentina. Comigo isso aconteceu muitas vezes com Padre Felipe Dimants, professor de inglês, embora eu não fosse dos mais levados.
Corriam soltas,  pela transmissão oral dos veteranos, as narrativas das façanhas das turmas que nos antecederam.
A 4ª série A de 1956 foi uma das mais famosas.
É essa turma de jovens, hoje quase todos setentões, que vemos na foto daquele ano.
São eles:
Clique sobre a foto para maior visibilidade.


 Quarta Série A de 1956



Última fila, em pé, da esquerda para a direita:

Joaquim Luiz Bessa Neto, Roberto Abucham, Mario Takaes, José Luiz Devienne, Yasufico Yamamoto, Celso Gambale, Edmur Elias Neder, Samir Makarios e José Carlos Marão.

Fila do meio, em pé:
Mario Mizato, Reynaldo Medina, Yoshiuki Simono, Kenzo Iwano, Harugi Seno, Nilson Zuim Pinar e Jorge Maluf.
Primeira fila, sentados:
Roberto Pellegrino, Domingos Perino Neto, Aldo Santoro, Sylvio Leite Monteiro, Carlos Ostronoff (o Mocho), Paulo Aurélio Vivan dos Santos, Diógenes Ferreira, Claudio Antonio Baccili e Pedro Eduardo Perez (o Charretinha).

Depoimento do jornalista José Carlos Marão:

"Aqueles malucos da 4ª Série A de 1956 eram considerados “indisciplinados”. Ao longo do ano, aprontaram muitas. Por exemplo, havia na sala de aula uma tampa de carteira solta, chamada “beronha”. Toda vez que uma aula era muito chata ou a turma percebia que o professor estava inseguro quanto ao assunto, a “beronha” era lançada estrondosamente no chão. Com isso, a aula era interrompida e vinham muitos minutos de reclamação da manutenção, reivindicações, impropérios. Tudo falso, só para enganar o professor. Claro que com a Maria Tereza, ou Norival, ou o Albertinho Brás isso não acontecia. Mas o pessoal era bom de nota. Ficava difícil castigar. A quarta série B, mista, era, claro, bem comportada. Estavam lá, entre muitos, o Chico Pinha, o Nelson Tijolinho, a Glorinha, a Ivonete.






O dia do último exame oral foi uma grande zorra. Na gritaria que durou quase a manhã inteira, em certo momento, alguém pintou uma placa onde estava escrito: “Rua Quarta Série A de 56”. A turma foi lá para trás do campo de futebol e “inaugurou” a rua, com discurso e tudo. Essa rua seria perpendicular ao atual prédio do instituto, portanto paralela ao velho prédio do Ginásio."


Segundo Marão, as fotos provavelmente tenham sido feitas pelo Profº Norival, também uma amante da fotografia.

Acesse também:
http://ourinhos.blogspot.com.br/2012/06/turma-de-1945-do-ginasio-de-ourinhos.html

http://ourinhos.blogspot.com.br/2012/06/em-1977-lurdes-de-freitas-ja-falecida.html

17.11.13

A PRIMEIRA TURMA DO TIRO DE GUERRA DE OURINHOS - O COMPROMISSO À BANDEIRA


(Clique sobre a foto para melhor visualização)

Desde a instituição do Tiro de Guerra, após a campanha desencadeada na segunda década do século passado por Olavo Bilac, os reservista fazem o juramento à Bandeira Nacional. 
A linha de tiro em Ourinhos passou a existir a partir de 1938. No ano seguinte, a primeira turma, por sinal muito grande, fez o o compromisso à bandeira.
Era costume a escolha de uma madrinha e, às vezes, de damas de honra. Foi assim com a primeira turma que aparece nesta bela foto, com certeza de autoria do fotógrafo profissional alemão Frederico Hahn.
Foram elas: 
Madrinha, a professora Helena Orsi Portugal de Souza (esposa do drº Ovídio)
Damas: Cibela Sá e Lilica Cunha
Instrutor: 2º sargento Josias Silva
Jairo Teixeira Diniz é, talvez, o único remanescente dessa turma,  da qual foi o primeiro colocado. Participaram dela entre outros: Oriente Mori, Alvaro Cretuchi, David Gomes de Souza (parente do Brigadeiro Eduardo Gomes), Alcides Macedo Carvalho, Humberto Rosa, Paulo Matachana, Helio Cerqueira Leite, Assad e Aniz Abujamra, Dirceu Correia Custodio, Mizael Olympio de Almeida, Julio Zaki Abucham, Aparecido Nascimento e José Cardoso.
Essa turma foi criada no dia 3 de outubro de 1938.
Na foto, feita em frente à Igreja Matriz, é visto também o pároco à época,  cônego Miguel dos Reis Mello

10.11.13

UM ATO DE FÉ CATÓLICO NO PASSADO DE OURINHOS

Clique sobre a foto

Há muitos anos eu desejava divulgar essa foto do passado de Ourinhos. Esperava poder indicar que momento foi esse e qual o local em que a foto foi tomada. 
A espera foi em vão, pois embora tenha na memória a casa que  aparece parcialmente na foto, e cujo o proprietário aparece parcialmente na varanda, não sei dizer onde ela se situava.
Foi uma ocasião importante, pois estava presente o Bispo de Botucatu sob o pálio carregado por paroquianos. Ele está parado olhando para a casa em questão
Com certeza a ocasião está compreendida entre 8 de agosto de 1937 e 20 de março de 1941.
Por que a certeza? Porque está presente à esquerda da foto o cônego Miguel dos Reis Mello,  que foi o pároco durante esse período. Ele foi sucedido pelo padre Eduardo Murante.
O Bispo de Botucatu era Dom Luiz Maria Sant'Anna (1886-1946)
Em primeiro plano se veem  senhoras da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, membros da Congregação Mariana e algumas integrantes das Filhas de Maria.
Ao fundo, creio que uma tuba se destaca, o que indica que a Banda Municipal seguia atrás do pálio. 
Fica aqui registrado esse testemunho de um ato de fé católico na cidade de Ourinhos.


3.11.13

MEMÓRIAS DO ESPORTE EM OURINHOS

15-8-1944


O professor Carlos Lopes Baia, continuando sua pesquisa sobre a história do futebol em Ourinhos enviou as relíquias abaixo:

Volei - 1960







A foto foi publicada pela Sandra Carvalho Lopes Migliari (Cuiabá-MS)
no facebook, filha do Maximo Lopes Gonzales, o primeiro em pé. Também
vemos ali o Roberto Miwa e o Furlanetto como goleiro.
Se alguém puder ajudar na identificação, desde já agradeço.












2.11.13

MIGUEL CURY, ALFREDO DEVIENNE E O CHEVROLET MASTER - UMA VIAGEM A SÃO PAULO NOS ANOS 1930



Era uma vez dois amigos. Ambos não eram ourinhenses. O mais velho era imigrante, nascido em Kfeir, cidade síria, hoje integrante do Líbano.  O mais jovem, nascido em Campinas, neto de um francês, ourives estabelecido na rua do Rosário na segunda metade do século XIX.
Ambos não tinham recursos e foram tentar a sorte em uma pequena cidade paulista localizada na nova fronteira cafeeira - Ourinhos. 
Casaram-se em Ourinhos, o mais velho com uma das filhas de um dos pioneiros da cidade, José Fernandes Grillo (Benedita). O outro com uma jovem nascida na vizinha Cambará, Isolina Cattai.
O mais velho era Miguel Cury, o mais jovem Alfredo Devienne.
Miguel Cury se estabeleceu em Ourinhos como sapateiro, mas o tino comercial que trazia no sangue levou-0 a outros empreendimentos. Alfredo, que viera para Ourinhos com o primo Francisco de Almeida Lopes, estabeleceu-se de início com a empreitada de pintura de casas.
Miguel e Alfredo tinham em comum a paixão por carros.
Miguel obteve a concessão do comércio de carros Chevrolet em Ourinhos (1924). O negócio prosperou e, nos anos 1930, já construíra uma loja luxuosa na Praça Melo Peixoto, ao lado do belo sobrado onde residia.
Em 1934, a Chevrolet lançou um modelo que fez sucesso: o Chevrolet Master.


Entusiasmados com esse novo modelo da Chevrolet, se propuseram a uma aventura numa estrada não pavimentada ainda - a ligação Ourinhos-São Paulo.
Abaixo vemos a foto que documenta essa empreitada. Pararam num determinado trecho da estrada para uma foto. Ao centro, Miguel Cury, à direita Alfredo Devienne. Infelizmente, não tenho registro de quem seja o jovem que está à esquerda.
Com certeza Miguel e Alfredo tiveram muito o que narrar após seu retorno a Ourinhos.