24.8.16

Drº JÚLIO DOS SANTOS, ADVOGADO E PROFESSOR DE PORTUGUÊS




Tanto no diz respeito às suas duas profissões advogado e professor ouvi, na infância e adolescência, rasgados elogios à sua atuação.
Quando atuava no Juri, o recinto onde ocorria a sessão costumava ficar lotado por  pessoas que lá iam para admirar a sua oratória; de sua atuação como professor de português no Ginásio de Ourinhos, ouvi de dois de seus alunos, meu tio Herculano Neves, bacharel em direito pela Faculdade do Largo São Francisco e Inês Souza Leal, professora primária da primeira turma de normalistas de Ourinhos, elogios à sua competência no magistério.
Radicado em Ourinhos desde meados dos anos 1930, foi convidado a lecionar no Ginásio recém criado. Na época, não se exigia a formação acadêmica na disciplina para lecionar em ginásios. Desse modo,  era comum advogados lecionarem língua portuguesa e história, principalmente. 

Nesta foto, vemos o drº Julio entre membros do "Operário": é o segundo na segunda fileira à esquerda. Na foto também se encontram, Tufy Saki Abucham e o professor José Maria Paschoalick.



Foi um dos fundadores do Rotary Clube de Ourinhos,  integrante da direção do Clube Atlético Operário e  colaborador do jornal " A Voz do Povo", onde publicou artigos que tratavam de questões jurídicas e de outra natureza.


Casado com Wanda Penteado, desse consórcio nasceu a filha Nielse, minha contemporânea, casada com Ernesto Rondelli, advogado.


20.8.16

PADRE DUÍLIO LIBURDI, UM MISSIONÁRIO JOSEFINO EM TERRAS BRASILEIRAS


Minha tia, Maria Neves (Nim), apesar de pertencer à Paróquia do Senhor Bom Jesus, frequentou muito a Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, nos anos 1950 e 1960. De modo que eu, sendo até os 13-14 anos  muito religioso, acompanhava-a às cerimônias daquela paróquia. Assim sendo, cheguei a conhecer o padre Duílio.
Italiano de Roma, onde nasceu em 1926, ingressou no Seminário  dos Oblatos de São José, em Asti, aos  onze anos de idade.
Sagrado sacerdote em 1951, dois anos depois veio para o Brasil para iniciar uma ação missionária. Sua primeira missão foi a de dirigir , na condição de reitor,  o Seminário de Nossa Senhora de Guadalupe, em Ourinhos,  o primeiro da Ordem em  terras brasileiras.
Esse seminário havia sido inaugurado em 26 de janeiro de 1952, graças a ação dois padres josefinos, Pedro Magnone e Mario Briatore. 






 Nesta foto, de finais dos anos 1950, vemos o padre Duílio ladeado por algumas telefonistas: minha tia Maria Neves, Noêmia Pedroso, Zilda Fernandes e Maria de Lurdes Souza Barros (Lurdão)
Foto por Francisco de Almeida Lopes

Na condição de reitor, Padre Duílio desenvolveu um importante nos primeiros anos de funcionamento do seminário josefino. 



Padre Geraldo Bortolocci da Silva, irmão do ex-prefeito Rubens Bortolocci da Silva.

Em 5 de abril de 1961, foi  foi sagrado o primeiro sacerdote josefino brasileiro, o ourinhense Geraldo Bortolocci da Silva, de antiga família estabelecida na cidade. Isso ocorreu  numa bela cerimônia na Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, recém construída. Eu estive presente,  e guardo na memória esse momento importante.
Cumprida a sua missão em Ourinhos, Padre Duílio exerceu a condição de pároco em vários municípios do estado de São Paulo e do e  do Paraná.
Nos anos 1980, o Padre Duílio lançou-se em outra atividade missionária, dessa vez em Rondônia e Mato Grosso, onde em região de plena selva, atuou como mediador na defesa de pequenos agricultores migrantes face a ação de grandes proprietários. Foi ameaçado de morte inúmeras vezes.


Uma das últimas fotos do Padre Duílio Liburdi

Debilitado pela malária contraída, deixou a região após 12 de trabalho intenso. Ainda serviu à Igreja, em diversas outras localidades, até que, com  a saúde abalada, retornou a Roma onde veio a falecer após  57 anos de atividade missionária.
Por sua ação em Ourinhos e no Brasil, merecia uma homenagem de da municipalidade ourinhense.


As informações e fotos desta página pertencem ao excelente trabalho  que recomendo àqueles que desejam conhecer a obra desenvolvida pelos padres josefinos  no Brasil. Ela pode ser acessada em            http://www.osj.org.br/wp-content/uploads/pdf


13.8.16

A ELEIÇÃO MUNICIPAL DE 1963 EM OURINHOS


Em outubro próximo haverá eleições municipais. 
Refletindo sobre esse assunto, resolvi pesquisar na imprensa local sobre a   eleição municipal de 1963, a que deu a   Domingos Camerlingo Caló, o seu segundo mandato de prefeito. Ele havia sido prefeito no período de 1952 a 1955, sendo sucedido por José Maria Paschoalick (1956-1959) e  Antônio Luiz Ferreira (1960-1963).
Nas eleição municipal de 1963, concorreram à prefeitura duas forte lideranças locais: Domingos Camerlingo Caló e José Maria Paschoalick.


Vivia o país,  nessa ocasião, um clima radicalizado pelas posições políticas assumidas tanto  à esquerda como  à direita. É evidente que esse posicionamento repercutia também no âmbito dos municípios brasileiros.
Podemos dizer que,  em Ourinhos,  tínhamos à direita  os partidos PSP, PRP, UDN e  à esquerda o PTB. Camerlingo era do PRP e Paschoalick do PTB. 
Os três partidos mais fortes na cidade a essa altura eram o PSP (ademarista), o PRP ,  a UDN e o PTB.  Ourinhos tinha   9634 eleitores, dos quais 5028 votaram em Domingos Camerlingo Caló, ou seja, pouco mais de 50 %; embora  eu não tenha encontrado a totalização dos votos brancos e nulos, percebe-se que foi uma eleição disputadíssima.




Um aspecto interessante na eleição de 1963 foi o grande número de jovens na faixa dos  20 e 30 anos que concorreram. Para citar apenas os que conheci: Dirceu Bento da Silva, Irineu Ferrazoli, Luciano Correia da Silva, Arlindo Bicheri, Celso Cruz,Irineu Veronezi, José Luiz Devienne, José Carlos Monteiro, Orison Fernandes Alonso, Hélio Miguel Leal, Jorge de Barros Carvalho, Harugi Seno, Geraldo Bernardini, Ary Francisco Negrão, 
Os vereadores eleitos foram: 

Esta foto, de autoria desconhecida, com certeza foi tirada na cerimônia de diplomação dos vereadores eleitos:


Da direita para a esquerda identifico: o dentista Lauro Zimmerman, Irineu Ferrazoli ,o dentista Ortésio Pereira da Silva, Clóvis Ferraz, tesoureiro da prefeitura, Edu Azevedo, Demerval Ferreira, o prefeito Antonio Luiz Ferreira (em pé), no centro.




Sobrado na Rua São Paulo, onde, no andar superior onde  funcionou o GRO até os anos 1940 e, depois, a Câmara Municipal de Ourinhos.


O jornal "Diário da Sorocabana", que apoiava abertamente a UDN, publicou uma longa entrevista fornecida por escrito pelo candidato professor José Maria Paschoalick, da qual selecionei alguns trechos:



No ano seguinte, com o golpe militar, o professor José Maria Paschoalick chegou a ser preso e foi  aposentado compulsoriamente.