29.6.08

OS SAUDOSOS TEMPOS DO "GERB".


Nos anos 1950 e 1960 (até o golpe militar de 1964), os Grêmios Estudantis se constituíram em fortes associações de representação dos estudantes das escolas públicas. Uma prática saudável em todos os sentidos que, infelizmente, não se conseguiu restaurar até hoje.
O IEHS tinha o seu, é claro - era o "Grêmio Estudanti Rui Barbosa - "GERB", com bandeira e tudo mais. As eleições eram acirradas envolvendo tdos os níveis de ensino.
O jornalista Jefferson Del Rios Vieira Neves, meu primo, foi membro ativo do "GERB".
Uma das iniciativas desse grêmio foi uma campanha a fim de arrecadar auxílio para a população carente.
Nesse dia, alunos de todas as séries percorriam as ruas da cidade, batendo de porta em porta, e a população, já avisada pela rádio local, acudia à chamada
A foto, que me foi enviada pelo Jefferson, nos mostra o centro da campanha no coreto da nova praça Melo Peixoto, no dia 12 de novembro de 1960.
Estão nela:
0 diretor do IEHS, profº Rafael Orsi Filho, sobrinho da profª Helena Orsi de Souza, esposa do drº Ovídio Portugal de Souza. O professor Orsi já faleceu, tendo sido dado seu nome a uma escola estadual em Sorocaba, sua terra natal.
Da esquerda para a direita (na frente) Dirceu Bento da Silva, locutor na ZYS7 Rádio Clube de Ourinhos, fez o curso normal e hoje está aposentado em São Paulo como supervisor de ensino, os irmãos Aureliano (camisa listada) e Tércio Gonçalves Cerqueira, Jefferson Del Rios Vieira Neves e Alfredo Cubas, um dos filhos da professora Josefa Cubas da Silva. Eram vários irmãos que moravam numa antiga casa em frente ao "Grupão".
Atrás estão, Clovis Carnieto, o rapaz alto entre Aureliano e Tércio, ao lado do (também alto) Luiz Flávio Fiorio. Atrás do Jefferson (só a cabeça e parte do braço) José Arimatéia. A jovem ao lado da bandeira do GERB é Grêmio é Ester Bicheri, filha da saudosa dona Rosa que, ao longo de muitos anos forneceu marmita com uma comida deliciosa. Foi nossa vizinha na rua Rio de Janeiro. Dona Rosa tinha duas filhas e um filho,  já falecido, funcionário da prefeitura. A outra filha, Eunice, era funcionária da Secretaria de Estado da Educação. Soube, hoje, que Dona Rosa faleceu a semana passada, aos 94 anos. A última vez que a vi, já estava na cama, e dela não mais saiu ao longo de cinco anos.
Foto de autoria desconhecida.

27.6.08

UM DIA EM SÃO PAULO





Nos anos 1950, as excursões de alunos eram frequentes. Eu mesmo me lembro de uma que fizemos quando estávamos na 4ª série do ginásio. Fomos a Marília para ver uma exposição. Na volta, começou a chover muito forte. A estrada ainda não era asfaltada. Resultado: nosso ônibus entalou e nada de sair do lugar. Já quase meia noite, tivemos que enfrentar o barro para ir ao encontro de um outro que viera nos buscar.

Essa foto mostra alguns alunos do científico em visita a São Paulo, armando das suas próximo ao Theatro Municipal:
"Em Out /1958 o 2o cientifico organizou uma excursão a S.Paulo , visitando os point de sempre :Estação da Luz , Pinacoteca , Teatro Municipal , Museu do Ypiranga , Aeroporto(para tomar cafezinho) etc.

Na foto anexa , tres dementes dançam ``a conga´´ ao lado do Municipal , sob o olhar critico do alemão da nossa turma e do riso envergonhado do João Sentado.
(Mocho) "

FESTA JUNINA NO CINE CLUBE






Ourinhos, como muitas localidades do estado de São Paulo, também entrou na onda cineclubista da primeira metade dos anos 1950. O de Ourinhos funcionava num galpão próximo da Santa Casa. Eu me lembro de ter ido assistir a alguns filmes lá.
As fotos são de uma quermesse, em 1956, provavelmente, em benefício do Cine Clube. Os jovens participantes sairam depois em passeata pela cidade.
A 1ª foto é da quadrilha que antecedeu a passeata:
Paulo Boca , Mocho, Baccilli , Edmur , Filha da Izaira , Toninho Mantovani, Focaccio , Carlos Fou , Iara Branco.
A 2ª foto foi tirada em frente ao cine Ourinhos, cjo letreiro em neon pode ser visto.
Agenor e seu machado medieval.

FredMALA

Domingos Perino

Goiaba

Simão Lepra

Chico Pinha , como cangaceiro

Iner (triste , porque seu amado iria partir , mais cedo ou mais tarde)

Zimmerman

3 moleques orelhudos
As fotos foram fornecidas pelo Mocho



26.6.08

"O LAGO DOS CISNES" EM OURINHOS





Após mais de cinquenta anos fico sabendo que o belo ballet de Tchaikowsky já fora apresentado em Ourinhos.


Vejam só ! Todas bailarinas com pernas bem torneadas!


Para minha surpresa, uma "delas" é meu primo Zelão Devienne, o quinta da esquerda para a direita.


As "outras" são:
Mario Takaes( Primma Ballerina)
Focaccio
Paulo Boca
Edmur
Baccilli
Mochostronoff (Carlos), que me enviou as fotos












15.6.08

OS JAPONESES DE OURINHOS - 2



Retornando ao assunto da semana anterior - Os japonenses de Ourinhos - quero mencionar uma pessoa que foi muito ligada a Luiz Tone e eu. Trata-se de Neide Ishikawa, modistas de renome que ainda está entre nós. Cruzamo-nos algumas vezes quando de minhas idas a Ourinhos. Nossa convivência com ela foi muito feliz. Outra lembrança muito querida é de dona Maria esposa de um dos gerentes da Casa Camargo, o sr. Iwasaki e que morava na residência anexa. O casal tinha filhos com a mesma idade que nós e brincamos muito juntos (Takao, Emi e Mineo).
Não quero encerrar essa fala sobre a família Tone sem mencionar dona Cara, sua segunda esposa. Foi sempre uma pessoa muito querida que me recebia tão bem em sua casa, sempre com um belo sorriso estampado no rosto, que deve ter herdado de sua mãe, a batiam. Próximo à Casa Camargo, na rua Paraná, havia também a quitanda da dona Teresa, muito procurada por todos que moravam próximos. Do outro lado da rua havia a família Miwa, com que convivemos muito. Eles tinham um pequeno empório. Lembro-me com saudades da Tomasia e da Alice Miwa. O senhor Tone teve também um sítio de nome Monjolinho, onde introduziu o cultivo da uva Niagara em Ourinhos. Em 1958, por ocasião do cinquentenário da imigração, houve um brilhante desfilo com muitos carros alegóricos, pela rua Altino Arantes. Meu pai fez muitas fotos na ocasião. Infelizmente, elas foram parar em outras mãos. Da Cerâmica São Joaquim, na Vila Odilon, também guardo lembranças felizes, pois ali também brincamos muitas vezes. No início dos anos 1980, o senhor Tone, já septuagenário, instalou o primeiro supermercado em Ourinhos, na rua Paraná. E ainda chegou a instalar um outro mais amplo na rua dos Expedicionários. Há que mencionar também o clube local dos japoneses, o Kaikan, onde fui a tantas festas e bailes Outro amigo dileto, companheiro de bancos escolares por sete anos, foi Auro Tanaka, cujo pai tinha um estabelecimento comercial do lado de baixo da linha ferroviária. Convivi também com seus irmãos Luis, Nair e Maria. Maria foi casada com Harugi Seno, professor na escola técnica de comércio e vereador. Na Sanbra conheci Setuko Sekino, uma das secretarias. Isso já na segunda metade dos anos 1960. Seu pai tinha um estabelecimento comercial na avenida Jacinto Sá, e em sua casa fui acolhido com a fidalguia muito própria dos japoneses. Setuko foi para São Paulo onde se casou. Estive presente. Já em São Paulo , aproximei-me de Hiromi Shibata, aluna da turma anterior a minha no curso de História da Usp, irmã de Harugi Seno, professora da Unip e do Colégio Bandeirantes e minha companheira, nos anos 1980, na Cenp. Convivemos, depois, na Unip, e é ate hoje uma amiga muito querida. Outros tantos amigos dos bancos escolares recordo com saudade: Edson Koga, Sumie Numa, Yasue Honji, Mário Hisao Kobuti, Tomie, Hideo. Essa aproximação com nisseis continuou por minha vida afora. Sinto-me feliz por ter tido a oportunidade de ter tido uma convivência próxima com essa nacionalidade tão importante para o desenvolvimento deste país. Fica aqui a minha à homenagem à colônia de Ourinhos por ocasião do Centenário da Imigração Japonesa para o Brasil. A foto mostra um grupo de dançarinas e cantoras que estiveram em Ourinhos no início dos anos 1950.

10.6.08

O PREFEITO CAMARGO E TORATARO TONE





Tomo a liberdade de transcrever aqui este belo relato de Cláudia Toni, minha amiga via web, filha do regente e compositor Olivier Toni e Maria Helena Camargo Toni, filha caçula do prefeito Benedito Martins de Camargo .

O relato foi encaminhado para a Secretária da Cultura de Ourinhos, Neusa Fleury:


"Pois bem, acho que os japoneses chegaram aí com a missão primordial de cuidar das lavouras de café, mas pouco a pouco foram se diversificando.
História de família: quando meu avô se candidatou, achou que não poderia cuidar direito do armazém de secos e molhados sem prejudicar a cidade e então contratou um comprador assíduo - Torataro Tone - para trabalhar com ele. Tone fazia as compras para o patrão fazendeiro e assim conheceu meu avô. Meu avô gostava dele.
Pois bem, pouco depois ofereceu sociedade ao empregado que logo tratou de encomendar uma esposa no Japão, a D. Mituo. Ela chegou ao Brasil sem saber uma só palavra de português. Minha avó foi quem ensinou a ela a língua falada e escrita, a cozinhar e a costurar. Eles foram tendo filhos - meus avós e os Tone- e os nomes se repetiam: nasceu meu tio José Luiz e logo em seguida o José Luiz Tone; o Ruy, o Paulo... tudo em dose dupla.
Meu avô morreu aos 38 anos e minha avó decidiu voltar para SP depois de um ano de viuvez, quando permaneceu calada. Sim, ela não disse uma só palavra durante um ano após a morte de Benedito. Tinha então 7 filhos e também 38 anos.Sua família inteira estava na Capital e a solidão era grande, além da dificuldade de criar 7 crianças.
A fortuna do casal eram duas casas em Ourinhos e metade do armazém, que ficou aos cuidados de um dos irmãos de meu avô. O jeito para os negócios falhou e então Torataro comprou a parte de minha avó e ali foi a semente da rede de mercados. Durante anos, ele mandava presentes para ela:porcos, perus, galinhas, caixas de frutas.
Minha avó ficou paupérrima. Vivia do aluguel da casa de Ourinhos (a outra havia sido vendida para comprar uma na capital onde a família foi viver) e de dar pensão a estudantes que vinham para SP estudar nos colégios grã-finos.
Mais tarde os José Luizes, os Ruys e os Paulos se reencontraram e conviveram bastante.
Boa história, não é?
Recentemente mandamos restaurar a coleção com dezenas de cartas enviadas pelo Benedito a Alzira. São lindas, românticas, verdadeiras jóias de delicadeza e amor.
Mais uma vez obrigada e um beijo da

Claudia"







8.6.08

CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA - OS JAPONESES DE OURINHOS.

CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA









Grupo de baseball
- Anos 1950
Grupo de canta e dança
japonês

AECO



Srºs Numa e Tone em Salto Grande

7.6.08

CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA - OS JAPONESES DE OURINHOS - TORATARO TONE


Família Tone: Ruy e esposa, Luiz Gonzaga, Nair, dona Claro e senhor Tone, Paulo e família, genro.





Inauguração Na Cerâmica São Joaquim 












Sítio Monjolinho e as uvas Niagara





















Amigos: Prefeito Mithuo Minami, Simamura, Satiro



















Retorno de Torataro Tone ao Japão, 1951, com amigos e parentes.

CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA - OS JAPONESES DE OURINHOS. - I

Ourinhos foi uma cidade abençoada, pois recebeu uma larga contribuição das diversas nacionalidades que vieram para o Brasil. Hoje, inicio minhas memórias daquela com a qual tive uma convivência mais próxima - a japonesa, e dessa forma homenageando a colonia por ocasião do centenário da imigração.
Essa convivência iniciou-se no final dos anos 1950, quando eu terminava o curso primário no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, por força da amizade que me ligou a Luiz Gozaga Tone, filho do comerciante, industrial e sitiante Torataro Tone .
Em 1958, fizemos juntos o preparatório para admissão ao ginásio, iniciando-se então uma amizade que persiste até hoje, embora nos separem alguns bons quilômetros. Ele em Ribeirão Preto, onde é professor na Faculdade de Medicina e eu na cidade de São Paulo. Há muitos anos não nos vemos, porém, a internet tem-nos mantido próximos.
Ingressamos juntos no IEHS, em 1959, e lá concluímos o curso ginasial em 1962.
Graças a essa amizade passei a conviver com a cultura japonesa por freqüentar muito o sobrado em que moravam os Tone na rua Paulo Sá. A essa altura viviam lá: o casal Tone (Torataro e Clara, sua segunda esposa), os pais de dona Clara e Luiz Gonzaga. Os filhos mais velhos, frutos do primeiro casamento, Toshio, arquiteto, Paulo, dentista e Rui, engenheiro já não estavam mais em Ourinhos. A única filha, Nair, já estava casada e residindo em Londrina.
Os avós de Luiz eram muito simpáticos, a "batiam" (avó) tinha sempre um belo sorriso estampado no rosto; o "ditiam" (avô), já um pouco surdo, era um artesão de primeira e construia belas miniaturas de templos budistas, utilizando o bambu.
Nessa época, Toshio vinha com freqüência a Ourinhos, trazendo sempre uma novidade musical em long play, que ouvíamos com prazer. Foi assim o meu primeiro contato com o jazz, que passei a apreciar muito.
Na casa ao lado, morava Tufy Zaki e a família. Os filhos mais novos, os gêmeos Regina e Ricardo eram poucos anos mais novos do que nós e, desse modo, foram nossos companheiros de folguedos muitas vezes.
Houve uma uma ocasião em que, apaixonados por fantoches (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fantoche) fizemos uma apresentação teatral utilizando esse gênero.
O sobrado tinha um amplo quintal no fundo que fazia divisa com a casa de João Lopes Martins, sogro de meu tio Antoninho e pai do Cláudio, que tinha a nossa idade. No fundo desse quintal ficava o estudio onde o "ditiam" trabalhava na confecção dos seus templos.
Antes mesmo de iniciar uma amizade com o Luiz Tone, seu pai me era familiar porque a casa comercial de sua propriedade havia pertencido a Benedito Martins de Camargo, ex-prefeito de Ourinhos, vizinho e amigo de meu avô. O sr. Tone era o caixa dessa casa comercial na época do "Camargão" como era chamado carinhosamente por meus avós e tios. Lá foi o primeiro emprego de meu tio Juca. Após a morte do ex-prefeito, em 1939, sua viúva, Alzira Portela Camargo e os filhos foram para São Paulo, e o senhor Tone acabou adquirindo o armazém.
A foto nos mostra a inauguração da "maromba a vacuo " para a fabricação de tijolos, na Cerâmica São Joaquim, de propriedade de Torataro Tone, na Vila Odilom. O senhor Tone é o que está segurando o tijolo, ao centro. Logo atrás são vistos, Jorge Mansur (do "Bazar do Jorge", da rua Paraná) e José Fernandes de Souza, gerente da Sanbra.