27.1.17

SÉRGIO NUNES FARIA (1949-2008)

Sérgio Nunes Faria, falecido em 2008, aos 59 anos, esteve envolvido com teatro desde a adolescência, tendo sido fundador de um grupo teatral em Ourinhos, no final dos anos 1960 -  Grupo de Teatro Amador de Ourinhos - o GRUTAO.
Em agosto de 1968, esse grupo participou do Festival de Teatro Amador do Estado, realizado na cidade de Botucatu, sagrando-se vencedor entre os seis grupos concorrentes, na fase eliminatória,  com a apresentação da peça Arena conta Zumbi.O grupo ourinhense levou 6 das 9 premiações:espetáculo,  direção, ator, ator coadjuvante masculino, figurino e cenário. A direção foi de Sérgio Nunes

"Muitos anos depois, em 1993, nascia o Grupo Soarte em Ourinhos, pelas mãos do mesmo Sérgio Nunes Faria, que passou a vida semeando núcleos de teatro pelos lugares por onde andou. O Soarte encenou dezenas de espetáculos, mesclando infantis, musicais, clássicos da dramaturgia universal e temas da cultura popular brasileira, numa produção intensa e diversificada."
Fonte: Tertuliana artigo por Neusa Fleury

No começo era um Fusca












Fonte: O Progresso de Ourinhos

Felizmente, a municipalidade de Ourinhos prestou duas homenagens a Sérgio Nunes de Faria: há uma mostra de artes cênicas que leva o seu nome,  já  em sua sexta edição

6ª MOSTRA SÉRGIO NUNES DE ARTES CÊNICAS

E, mais recentemente, foi inaugurada uma concha acústica que leva o seu nome:






Para encerrar esta homenagem de Memórias Ourinhenses a Sérgio Nunes Faria, transcrevo este belo artigo de autoria de Neusa Fleury, publicado no Debate de Santa Cruz do Rio Pardo (http://www2.uol.com.br/debate/1427/regiao/regiao10a.htm):

Sérgio Nunes não tinha laptop
Neusa Fleury Moraes


Sérgio Nunes não tinha carro, laptop, cartão de visitas, roupas da moda. Sérgio nunca sabia onde estava o RG, a carteira de trabalho, não tinha um currículo digitado para apresentar procurando emprego ou buscando reconhecimento. Sérgio viveu como um pária, e talvez por isso tenha escolhido o teatro como paixão de vida — essa arte tão visceral, que ele, discípulo fiel, ensinava a quem estivesse disposto a aprender.

A exigência era que fosse sem fazer de conta, sem artificialismos, sem querer parecer bonito. Tinha de ser com todas as feridas expostas, com a nudez que as entregas verdadeiras exigem. Quem não estivesse disposto, que não se aventurasse.
Com os sentimentos sempre no limite, não era fácil conviver com ele. Foi avesso a comportamentos socialmente corretos e tentava sobreviver sem ser manipulado por códigos de conduta que não tivessem sido construídos por ele mesmo. Difícil entender alguém que não fecha a porta da própria casa, e era assim que ele agia. E para aqueles que não estão acostumados com pessoas assim diferentes, saibam que Sérgio acreditava em Deus, era de uma piedade extrema com quem tinha menos ainda que ele, tinha uma capacidade enorme de amar, era cidadão e tinha consciência de seu papel no mundo. Tudo a seu jeito.
Os amigos sabem que demonstrava carinho fazendo doces e reunindo todos em sua casa nada ortodoxa, onde trens de cozinha ficavam misturados a objetos de cenário, cópias de textos teatrais, CDs, maços de cigarro barato. Tinha um pé de caju plantado numa lata, quem vai molhar? Nunca escondeu que usava drogas, talvez para suportar sua estranheza com este mundo. Manifestava descontentamentos da maneira mais impulsiva possível. Quem não se lembra do tênis atirado no palco para “acordar” o ator desconcentrado, os muitos momentos de mau humor... Depois dos destemperos, a cara mais santa desse mundo, como se nada tivesse acontecido. Quem conseguia reconhecer sua superioridade intelectual, relevava, sabendo que o pecado tinha sido pequeno perto da grandeza e generosidade de sua alma.
Sérgio foi um intelectual, entendido como a pessoa que questiona, provoca, que instiga ao pensamento e à crítica. Era um intelectual no sentido puro da palavra: não possuía diploma, terno e gravata nem curso de pós-graduação — não precisava de disfarces. Apaixonado pelo teatro, não via limites entre as artes, sendo crítico de dança, música, artes plásticas, literatura... Era dono de uma cultura invejável conquistada em anos de seminário, e um eterno defensor da cultura brasileira. Quanto aprendemos com o Sérgio — que falta ele nos fará...
Sabia-se miserável e dolorosamente humano. Sabia a extensão da sua solidão. Acho que soube também o quanto foi amado e respeitado por muitos, embora este amor não amenizasse a impotência de se sentir pertencente à raça que mata, estupra e destrói. No concerto das Orquestras do Festival de Música deste ano, no último dia 26 de julho, o maestro Gil Jardim redimiu Sérgio Nunes de seus pecados. Disse ao público que lotava o Teatro o quanto o Sérgio era importante para a cultura ourinhense, e as pessoas aplaudiram longamente aquele emocionado senhor dos palcos, avesso a elogios e badalações. Obrigada, Gil, por dizer publicamente aquilo que nós já sabíamos. Obrigada por ter feito Sérgio Nunes feliz e orgulhoso naquela noite.

14.1.17

A PRAÇA MELO PEIXOTO E OS AMIGOS

Até meados dos anos 1960, a Praça Melo Peixoto era um local de lazer muito importante na cidade. Depois de sua primeira grande reforma, na administração de Benedito Martins de Camargo em 1937, cada vez mais a população tinha na sua praça o ponto de encontro de amigas (os), o local do "footing" (dar voltas pela praça), do concertos da banda municipal, de um serviço de radio difusão transmitido pelos alto falantes que ficavam no topo do velho coreto, através do qual os rapazes e as moças ofereciam músicas uns aos outros. Ou seja a praça era um ser vivo.
Desde meados dos anos 1920, era comum as pessoas se fazerem fotografar sentadas nos bancos da praça.
Temos aqui dois exemplos desse costume.
(1) ? Tico Migliari (2º) irmãos Tupiná Olímpio e Telésforo (3º e 4º) e Carlos Amaral (5º).
Lembro-me dos três últimos: Olímpio, pai do professor Hermilo Tupiná, foi por muitos anos o contador da prefeitura municipal; seu irmão Telésforo, amigo de meu pai, foi comerciante, sitiante e vereador; Carlos Amaral, também amigo de meu pai, era filho do coronel Vicente Amaral, teve destaque na Revolução de 1932 3 foi comerciante na Avenida Jacinto Sá. A foto é dos anos 1920.

Esta foto, já na praça reformada em 1937, colegas de trabalho no escritório da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná fizeram-se fotografar na Praça Melo Peixoto. Meu pai, Francisco de Almeida Lopes éo último sentado à direita; o último em pé à direita é José de Barros,amigo e vizinho de meus pais, tio dos irmãos Barros Carvalho.


Nesta foto do início dos anos 1930, meu pai e um amigo se fizeram fotografar.


Por fim, o velho coreto (1927-1958).


7.1.17

OS 50 ANOS DA FORMATURA DA TURMA DO CIENTÍFICO DO IEHS DE 1966

Graças ao meu amigo Luiz Tanaka, não passará em branco a lembrança da formatura da turma  do curso científico de 1966,  do Instituto de Educação Horácio Soares
Esse pessoal foi meu contemporâneo nos anos de ginásio,   portanto, rever rostos de amigas e  amigos,  após tantos anos,  foi um prazer muito grande. 
A  turma colou grau, no dia 22 de dezembro de 1966, no salão de baile do Grêmio Recreativo de Ourinhos, como era hábito desde os finais dos anos 1950.


Esses quatro mosqueteiros: Luiz Tanaka, Edson de Oliveira, Nelson Alexandre Fenley, Kazuo Nakashima estudaram juntos ao longo de oito anos (ginásio, técnico e científico.
Na primeira fileira,  identifico  (1) o padre Felipe Dimants, professor de inglês, (3) Maria Teresa Caetano de Barros Carvalho, professora de matemática e Dirce de Almeida, professora de Química



Amigos logo após o início das aulas do último ano de científico (os quatro mosqueteiros)



Logo após os alunos (o quarto, partindo da direita, primeira fileira é Álvaro Potenza) vemos o  padre Felipe, em seguida creio ser o professor Jairo, de educação física, e o professor Hélio Mano.


Alunos do IEHS em desfile de Sete de Setembro.
O primeiro é o meu amigo desde a infância, Nilson Costa, seguido por outro companheiro de bancos escolares, Auro Tanaka e seu irmão Luiz (6). À direita, o inspetor de alunos , sr. Cristoni.
Nesta foto, de 1963, vemos à direita Kazuo Nakashima; à esquerda, o terceiro é Álvaro Rolim Potenza, seguido por Edson Koga; Luiz Tanaka é o quarto na segunda fileira.