26.3.16

O PRIMEIRO TREM DA ESTRADA DE FERRO NOROESTE DO PARANA, MAIS TARDE COMPANHIA FERROVIÁRIA SÃO PAULO-PARANÁ


Este mapa publicado na Inglaterra em finais dos anos 1940, nos mostra todo percurso da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná,  de Ourinhos até Rolândia, última estação à época.


As três  primeiras  estações,  ainda  quando a pequena ferrovia pertencia a um grupo de fazendeiros foram   Presidente Munhoz,  Leoflora e  Cambará. 
A partida do primeiro trem da empresa que se chamou primeiramente Estrada de Ferro Noroeste do Paraná e, depois Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, foi um acontecimento de repercussão nacional, sendo noticiada pelos jornais e revistas da época. As revistas  "O Malho" e "A Cigarra", publicaram reportagens com muitas fotos.
O trem partiu de Ourinhos onde recebeu duas bençãos, uma em Ourinhos pelo vigário local, padre David Corso e outra,  já no Paraná, pelo vigário de Jacarezinho, seguindo  então com destino a Presidente Munhoz. De lá, rumo a  Leoflora.


A benção e a partida de Ourinhos.






Partida do trem que levaria a comitiva paulista até Leoflora. Um detalhe, por essa foto verifica-se que , efetivamente,  a Estação de Ourinhos ficava do lado oposto a que foi construída depois







A ponte ferroviária sobre o Rio Paranapanema.


Ilustrações:  Revista "A Cigarra", 15-6-1924 


Os primeiros empregados do escritório da Ferrovia, em Cambará. À direita, o contador Benedito Monteiro e o aprendiz de escritório, o adolescente Francisco de Almeida Lopes, meu pai.

Após a aquisição da ferrovia pela Companhia de Terras Norte do Paraná , seguiram-se as estações :
Meireles
Ingá
(travessia do Rio Cinzas)
Bandeirantes   
(travessia do Rio Laranjeiras)
Santa Mariana
Cornélio Procópio
(travessia do Rio Congonhas)
Congonhas
Urai (Pirianito)
Frei Timóteo
Jatai
(travessia do Rio Tibagi)
Londrina
Nova Dantzig (Cambé)
Rolandia

 Após Rolândia, a última estação que esse mapa nos mostra, a companhia inglesa construiu mais uma estação: Apucarana.

Se você deseja mais informações sobre essa ferrovia, acesse gratuitamente o livo digital "Meu pai e a ferrovia", editado pela Universidade Estadual do Paraná, campus de Cornélio Procópio, no endereço eletrônico:

http://www.ccp.uenp.edu.br/assets/downloadmanager/click.php?id=eb11


19.3.16

O PREFEITO LAURO MIGLIARI



Foto de autoria de Francisco de Almeida Lopes, por ocasião da visita do Secretário da  Educação do Estado de São Paulo quando da inauguração do novo prédio do IEHS. Lauro está entre o prefeito Antônio Luis Ferreira e o profº Rafael Orsi, diretor do do IEHS



Em 1968, o ourinhense Lauro Migliari, foi eleito prefeito. Na época havia a possibilidade de o partido possuir legendas. A Aliança Renovadora Nacional - ARENA tinha três legendas. Desse modo, a eleição para prefeito, em 1968, foi disputada por dois candidatos arenistas: Lauro Migliari e Aldo Matachana Thomé.
Lauro já tinha experiência parlamentar, tendo sido vereador na quarta legislatura (1960-1963) e  presidente da Câmara Municipal (1960-1961. Seu vice era o engenheiro Mithuo Minami.



Essa foto foi publicada pelo jornal "Tempo de Avanço" logo após a divulgação do resultado das eleições de 1968.




Lauro foi o primeiro ourinhense ser eleito prefeito. Jovem, com boa formação educacional, pertencente a uma das mais antigas famílias da cidade, com experiência parlamentar, tinha tudo para ter realizado uma excelente administração, no entanto vivia o país sob a égide do malfadado Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,  e acabou sendo uma de suas vítimas em 1º de julho de 1969.  
Imagine, caro leitor, o golpe que esse jovem político ourinhense recebeu naquele dia ao saber que havia sido cassado  sem ter conhecimento  do motivo, e o que era pior, sem poder defender-se. Um sonho almejado há muito tempo foi desfeito, por uma medida discricionária do mandatário da presidência da república, o Marechal Costa e Silva, desrespeitando assim a vontade da maioria dos eleitores ourinhenses:

  Art. 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
  Art. 5º - A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:    )
        I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;
        II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;
        III - proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;
        IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:
        a) liberdade vigiada;
        b) proibição de freqüentar determinados lugares;

        c) domicílio determinado,
 Art. 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.

Uma leitura dos jornais ourinhenses dos meses que se  seguiram à posse de Lauro, evidencia a potencialidade do governo que ele pretendia desenvolver durante o seu mandato.
Uma de suas grandes preocupações era a educação no município,o que o levou a determinar a construção de uma sala de aula na Vila Brasil, de modo a impedir que as crianças tivessem que se arriscar diariamente ao atravessar a Rodovia Raposo Tavares. Outras medidas foram determinar a construção de um Grupo Escolar na Vila Matilde, a proposta ao Instituto Nacional do Livro de uma biblioteca pública no município, a articulação com as prefeituras vizinhas para a criação de uma faculdade em Ourinhos, a  criação do Conselho Municipal de Educaçãoi, em 1-2-1969, integrado pelo drº Romeu de Paula Lima, profº José Serni, profº Osvaldo Pasqualini e pelo drº Salem Abujamra.
Em abril de 1969, o prefeito Lauro foi recebido em sessão especial na Câmara Municipal, onde fora para prestar conta dos três meses iniciais de seu governo.
Vinte e seis projetos de autoria do executivo tinham sido aprovados pela Câmara Municipal.
Assim, de forma discricionária,   foi encerrada a carreira do jovem político ourinhense, Lauro Migliari.

12.3.16

OURINHOS RUMO AO CENTENÁRIO - A VISITA DO PRESIDENTE DO ESTADO, MANUEL DE ALBUQUERQUE LINS, EM 1909



Em minhas pesquisas realizadas no arquivo "Tertuliana", que abriga a digitação de vários jornais antigos de Ourinhos, encontrei uma página inteira da edição de 29 de dezembro de 1968, contendo um artigo que historia o nascimento de Ourinhos, dando ênfase a uma visita que o presidente do Estado, Manuel de Albuquerque Lins,  fez à região para para inaugurar o trecho da linha que iria de Ipaussu a Salto Grande, no dia 12 de outubro de 1909.
Posso estar enganado, mas a partir dessa reportagem sou levado a crer que a foto que temos como a da inauguração da estação, na verdade seja a da saudação dos habitantes do povoado, à parada  da autoridade máxima do Estado e comitiva na Estação de Ourinho, em 1909.
Trata-se de artigo muito bem escrito, contendo muitas informações interessantes, algumas  já fornecidas após pesquisa exaustiva a diversos arquivos  pelo jornalista Jefferson Del Rios Vieira Neves em seu livro "Ourinhos - memórias de uma cidade paulista".
A página traz a reprodução de uma foto das autoridades, que eu desconhecia. Existirá a foto original?
Infelizmente, o artigo não está assinado. Quem o teria escrito? Ouso apontar dois possíveis autores: o professor Norival Vieira da Silva e o jornalista Benedito Pimentel.
Pela importância do narrado no artigo, transcrevi-o na parte que narra as origens do povoado e a cerimônia de 1909.



(Cabeçalho de artigo publicado no jornal "Diário da Sorocabana", de 29 de dezembro de 1968


A SEMENTE
 A Estrada de Ferro Sorocabana foi a primeira semente de progresso lançada ao solo ourinhense. Por volta de 1900, a ferrovia chegava até Bernardino de Campos e as picadas rasgavam a mata e iam em direção a Salto Grande do Paranapanema. Na agua do Ourinho, fez-se o grande acampamento de trabalhadores, que foram os primeiros habitantes da cidade. Com eles estavam tambem os primeiros artifices do nosso progresso, entre os quais se contavam os nossos primeiros ferreiros, pedreiros, carpinteiros. Talvez tenha sido a fertilidade da terra, fartura de agua, ou por ser o meio do trajeto para a Ilha do Salto Grande, ponto final do trecho de linha em construção - "Ourinho " foi o ponto escolhido como ideal para acampamento dos trabalhadores.


(O trem comboio rumo a Salto Grande, em 1909)

É A HISTÓRIA

Os trabalhadores da Sorocabana ajudaram a escrever o primeiro capitulo da historia de Ourinhos. Nessa epoca, as terras estavam envolvidas por terrivel demanda entre dois poderosos coronéis. Jacinto Ferreira de Sá e Tonico Lista. Jacinto era mineiro e residia em Santa Cruz do Rio Pardo. E Tonico, chefe politico do antigo Partido Republicano Paulista, homem de confiança de Ataliba Leonel, era senhor poderoso, estendendo a sua influencia a todas as atividades do Estado. Jacinto adquirira por aqui a Fazenda das Furnas, denominada tambem Salto do Turvo, a Escolastica Melrchert da Fonseca. Tonico não gostou da tentativa do mineiro em fincar pé em seus pagos. Contestou a transação. E a demanda foi parar nos tribunais, discutida por grandes advogados da epoca. Altino Arantes foi um deles. A luta no judiciário foi ilustrada por lances de colorido diverso. Ora era os homens de Tonico, o temido coronel da região, que atiravam sobre a turma de Jacinto, ora os golpes deste sobre o celebre "homem de confiança" de Ataliba Leonel. O processo volumoso mostra que as testemunhas de defesa de Jacinto pertenciam ao acampamento que abrira as picadas, implantara o leito ferroviário da Sorocabana cujos depoimentos permitiram que o Juiz Cardoso Ribeiro lhe desse ganho de causa. Os trabalhadores da primeira turma da ferrovia ligaram-se tanto a causa do Jacinto,  que acabaram adquirindo pequenas glebas de terra em Agua do Ourinho. As nossas familias de origem portuguesa, espanhola e italiana sairam desse acampamento. Como tambem dele saiu a primeira forja que Ourinhos possuiu.

FESTA DE INAUGURAÇÃO


 No dia 12 de Outubro de 1909, o presidente do Estado, Dr Albuquerque Lins chegava a Ourinhos no primeiro trem especial, para inaugurar o trecho da linha que iria de Ipaussu a Salto Grande. Com ele estavam Fernando Prestes, vice-presidente, José Gonçalves Barbosa, representando o ministro da Viação (Francisco Sá), Olavo Egidio de Souza Aranha, Secretario da Fazenda, Carlos Guimarães, Secretario do Interior, o macaense Washington Luiz Pereira de Souza, Secretario da Justiça e Segurança Pública Senador Jorge Tibiriçá, Frank Egan, Diretor Superintendente da Sorocabana e Huet Bacellar. engenheiro que chefiava a equipe de estudos e projetos para o desenvolvimento da Sorocabana. O trecho de linha inaugurado nesse dia, entre Ipaussu e Salto Grande, tinha 49 quilometros.

VÁRIAS PARADAS

O trem especial do presidente  Albuquerque Lins fez varias paradas no trecho para receber homenagens das populações locais e participou de um programa maior em “Ourinho" e “Salto Grande do Paranapanema". onde foi redigida a Ata de inauguração em uma grande folha de pergaminho e assinada pelas autoridades presentes. A estação de Ourinhos. com os seus pateos e desvios ocupou um area de 78.500 m2 que foram adquiridos a Jacinto Ferreira de Sá A aquisição foi precedida de uma ação movida pelo sr. Jacinto Ferreira de Sá contra a Fazenda do Estado  avaliada em 84 contos. A recepção ao presidente Albuquerque Lins em Ourinhos contou com a presença dos fazendeiros da epoca (poucos), dos trabalhadores da ferrovia e da pequena população, que na sua maioria eram as familias dos proprios trabalhadores da ferrovia que já se haviam  mudado para aqui. Em Salto Grande a festa contou com um programa mais variado, presentes todos os chefes perrepistas da região.


5.3.16

O RESTAURANTE IPÊ


Em 1964, no mês de setembro, Ourinhos via inaugurado um empreendimento que fez sucesso ao longo dos anos seguintes,  e que marcou os jovens da minha geração.
Esse empreendimento foi o Restaurante Ipê, localizado no último quarteirão da Rua 9 de Julho, à esquerda de quem ia em direção ao Correio. Os responsáveis pelo empreendimento, ao que parece foram Delfino Tossi e Arnaldo Abuhamad, filho de um dos donos do famoso Bar Central, localizado na Praça Melo Peixoto.
Em 1966, a sociedade foi dissolvida, retirando-se Delfino que, no ano seguinte, inaugurava o novo restaurante da Rodoviária de Ourinhos, localizada na Rua São Paulo.
A edição de 9-7-1967 do jornal "O Progresso de Ourinhos", noticiava:

Estivemos em visita à rodoviária local. Quem viu
aquilo antes e vê agora ... Tudo novo, limpinho feito
com gosto, com carinho. Um lugar convidativo
"Milhões" foram gastos e o sr Delfino Tossi (doutor no
assunto) conseguiu, como num passe  de magica dotar
 Ourinhos de mais um decentíssimo bar restaurante
coisa rara aliás, em se  tratando de estações
rodoviárias. Uma beleza.


IPÊ, recebeu no dia da posse do ROTARY, 250 pessoas das quais 110 eram visitantes, 19 clubes vizinhos estiveram presentes, e o Rotary está de parabéns. Foi a maior reunião jantar que assistimos até hoje, muita gente, muita movimentação e muita beleza. 



Não sei até quando o Restaurante Ipê subsistiu. Eu aproveitei-o no transcorrer do ano de 1965, o último que passei em Ourinhos, costumava frequentá-lo nos finais de semana,  na medida das possibilidades financeiras de um adolescente.
Era um bar e restaurante de muito bom gosto arquitetônico. Possuía um mezanino.
A propaganda abaixo,  inserida na  edição de  3 de setembro  de 1964 do jornal Diário da Sorocabana,  mostra a bela fachada  moderna  do Restaurante Ipê:



Num de seus aniversários, meu amigo tardio, Roberto Pellegrino lá comemorou um de seus aniversários juntamente com amigos e amigas mais próximos:


Nesta foto, vemos à esquerda , o ferroviário, garçom e desportista ourinhense Salvador Munhoz de Castro, Marlene Alberine, Armandinho D'Andrea, Beth Fenley, Euclides Rossignoli, Silvio Sangermano.



Nesta, partindo da esquerda: Armandinho, Sílvio, Roberto Pellegrino, Gracinha Galvão (Bessa), Luizito (Luiz Cordoni Júnior), o filho do José Braz da farmácia, Georgeta Gonçalves e Ronaldo Mori. Pode-se ver o mezanino.





O brinde.

A pesquisa deve-se ao Acervo Tertuliana e as fotos, de autoria desconhecida,  são do acervo de Roberto Pellegrino .