23.2.09

DOM FREI HENRIQUE GOLLAND TRINDADE, ARCEBISPO DE BOTUCATU.




Dom Frei Henrique Golland Trindade foi o 4º Bispo da Diocese de Botucatu, criada em no dia 0 de junho de 1908 pela Bula "Diocesium nimiam amplitudinem", do Papa São Pio X . Foi, também, seu 1º Arcebispo, pois em 19 de abril de 1958, pela Bula "Sacrorum Antistitum", do Papa Pio XII, a Diocese de Botucatu foi elevada a Arquidiocese e Sede Metropolitana, sendo instalada no ano seguinte, a 12 de abril de 1959.
Ele nasceu em Porto Alegre, (RGS), em 27/5/1897, tendo realizado a sua profissão religiosa em 1922. Em 1941, foi nomeado Bispo de Bonfim (BA). Em 15/5/1948, foi nomeado Bispo de Botucatu, tendo falecido em 6/11/1974. Foi enterrado na cripta da Catedral Metropolitana de Botucatu.
Era um homem muito simpático, risonho. Em 1950, no mês de maio, Dom Henrique, recém-nomeado, esteve em Ourinhos para aplicar o Sacramento da Crisma. Na ocasião, entregou o título de nacionalização para o profº Jorge Herkrath, que havia estudado num seminário.
Dele recebi a Crisma, nos anos 1950, tendo como padrinho Benedito Monteiro, casado com uma prima de meu pai. Benedito Monteiro era um homem de profundas convicções católicas, tendo sido um dos fundadores da Comunidade Vicentina. Alto funcionário da São Paulo-Paraná e da RVPSC, foi por duas vezes vereador. Como era amigo pessoal de Dom Frei Henrique, este, na hora de me aplicar a Crisma, acariciou minha cabeça dirigindo-me algumas palavras, o que me deixou muito envaidecido.
Nos anos 1960, o padre Eduardo Murante, que se tornou pároco de Ourinhos, em 1941, e foi o responsável pela construção da nova Igreja Matriz, hoje Catedral, foi homenageado. Após alguns anos fora de Ourinhos, para lá retornou, tendo falecido no Asilo São Vicente de Paula.
Lembro-me com saudades do padre Eduardo, que celebrou o casamento de meus pais, me batizou e me concedeu a primeira comunhão. Sem a sua tenacidade esse monumental templo, orgulho dos católicos ourinhenses, não teria sido erguido. As festividades a Maria, com procissões diárias no mês de maio, marcaram todos os católicos que delas participaram. A cada dia, a imagem de Nossa Senhora posava numa residência, de lá saindo em procissão para a Igreja Matriz.

A foto é por ocasião dessa homenagem. Nela vemos o Padre Eduardo ao centro, apoiado numa bengala, tendo à sua esquerda o vigário à época, Padre Arnaldo Beltrami e, à direita Dom Frei Henrique. Na foto também estão o professor Norival Vieira da Silva, o padre Felipe Dimants, o ex-prefeito Antônio Luiz Ferreira, Sr. Zanoni e Jairo Diniz Correa, padre Rui Rui Candido da Silva, e o coroinha José Mauricio Conte, neto do velho Conte, barbeiro na rua Paraná.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

19.2.09

A FEIRA "HIPPIE" DA PRAÇA DA REPÚBLICA SOB O OLHAR DE DE FRANCISCO DE ALMEIDA LOPES (1909-1987)

O final dos anos 1960 e o início dos anos 1970 foram marcados pelo movimento da contracultura.
Na Praça da República (SP) começou a se desenvolver uma feira, aos domingos, que se tornou um auto retrato desse movimento.
Meu pai, um autêntico reporter fotográfico , e morando nas redondezas (Largo do Arouche), lá esteve várias vezes retratando a feira.
Aqui estão algumas das fotos que ele fez.
Clique nelas para vê-las numa resolução maior



































Nesta foto, o reporter se fez retratar no espelho à esquerda. Observe.

15.2.09

PRIMÓRDIOS DO TEATRO EM OURINHOS.

Já em 1940, encontramos nas páginas de “A Voz do Povo, menções a grupos teatrais. Eram eles: Grupo Ourinhense de Amadores Teatrais e Grupo Mariano de Amadores Teatrais. Em 1942, há notícia da apresentação de peça de autor muito popular na época, J. Vieira Pontes, “ A filha do estalajadeiro”, em 3 atos. Nessa ocasião, a abertura esteve a cargo da “Lira Carlos Gomes”, sob a regência do maestro Camargo. A direção era do João Garbim, que tinha uma fabrica de ladrilhos, vasos e cantoneiras onde hoje se encontra o prédio da Biblioteca Municipal, no centro. Os ladrilhos que até hoje constituem o piso da Catedral foram de sua fabricação.
Em 15 de junho de 1942, Francisco de Almeida Lopes (Chiquinho) fotografou, na praça Melo Peixoto, um grupo de amadores teatrais que apresentaria nesse dia a peça “Almas do outro mundo”, comédia em 3 atos.
Eram eles:
meus tios Herculano e Sebastião Neves;
Juracy Valvassori;
Vivaldo Vigna;
Olavo Mantovani;
Belmiro Reginato;
Alcio
Minha tia Maria Neves;
Leonor;
e Nair Graciano

9.2.09

FRANCISCO DE ALMEIDA LOPES - CEZAR PINTOR - A ARTE DE COLORIR FOTOGRAFIAS



9 DE MARÇO - CENTENÁRIO DE NASCIMENTO




















Aproveitando a ocasião do centenário do seu nascimento, divulgo outro dom artístico dele - colorir fotografias.
Era um trabalho que ele gostava muito e exige muita paciência, qualidade que ele tinha em abundância. Utilizando lápis de cor especial e tinta a óleo debruçava-se sobre essas fotos e passava horas dando-lhes cor. Fez muitos trabalhos desse tipo. Em algumas ocasiões aplicava também um produto que dava brilho a essas fotos .
Vemos aqui o famoso "Cesar pintor" - Luiz Cezar Prodoscimi - de quem ouvi falar muito. Era um famoso pintor de paredes internas. Até os anos 1950, era muito comum as paredes internas das casas serem decoradas com trabalhos de pintura.
Quem tiver mais informações sobre ele, por favor divulgue-as.

1.2.09

MARIA APARECIDA CORDONI (1915-2003), A SAUDOSA MESTRA DE MUITOS OURINHENSES.














Os que são hoje sexagenários tiveram o privilégio de terem sido formados nos antigos grupos escolares que contavam com professores e professoras primários de altíssimo nível acadêmico, preparados nos poucos e excelentes "cursos normais". Uma delas foi Maria Aparecida de Carvalho Cordoni, nascida em Jacarezinho - PR, em 1915. Tendo mudado com a família, ainda criança, para São Paulo, lá estudou e formou-se professora primária.
Ingressou na carreira do magistério paulista, tendo iniciado sua carreira em Ribeirão do Sul, transferindo-se posteriormente para Guaraçaí, noroeste paulista, e Ourinhos, onde se aposentou.
Nos anos 1940 e 1950, a professora primária praticamente se especializava, segundo sua preferência, em uma determinada série. Dona Cida Cordoni concentrou-se na segunda série.
Não tive o privilégio de tê-la como minha professora, no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, onde era efetiva, e considerada uma das melhores. Nessa categoria também era tida a minha professora nessa série - Lurdes Madeira Simões. Eram duas as irmãs Madeira, coincidentemente, na 3ª série fui aluno da outra, D. Jandira.
Meu contato com Dona Aparecida Cordoni iniciou-se quando estava na 4ª série, ocasião em que aproximei-me de seu filho Luizito, colega de estudos no preparatório para ginásio.
Seu marido, também professor primário, chamava-se Luiz Cordoni, tendo sido diretor do "Grupão"
A dedicação dessas professoras aos seus alunos e a sólida formação que possuíam foram responsáveis por nossa base sólida em leitura e escrita, principalmente, possibilitando-nos enfrentar o curso ginasial .
Lembro-me de uma prima de D. Cida, Ivone Marcondes Machado, de Santa Cruz do Rio Pardo que, tendo se efetivado em Ourinhos, veio morar em casa de uma prima de meu pai, Tomires Devienne Monteiro, cuja filha, Glória também era professora primária. Ivone, diariamente, à noite, ficava preparando a aula que tinha de ministrar no dia seguinte. Isso era feito num caderno, cujo capricho sempre me impressionou.
Como Luizito e eu fomos colegas também no ginásio, minha proximidade com D. Cida alongou-se com o passar dos anos.
Gostava de ler e fazer crochê. Era calma e bem humorada.
Inicialmente católica, converteu-se ao espiritismo, ao qual se dedicava bastante.
Nessa ocasião, já terminado o ginásio e fazendo a Escola Técnica de Comércio de Ourinhos, compartilhei de sua atividade como espírita, já que frequentávamos a mesma comunidade - a Sociedade Espírita Fraternidade, sob a presidência do igualmente saudoso - Theodomiro Rossini.
Luizito, após a conclusão do curso científico foi estudar no Paraná, onde se graduou em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (1972), tendo se especializado em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (1976). Foi Secretário de Estado no governo de José Richa.
O casal Cordoni mudou-se para Londrina em 1998. D. Cida faleceu em 2003.
O professor Cordoni, ainda com muita autonomia, segundo Luizito, tem hoje, 96 anos.

Foto: Dona Cida e seus alunos do segundo ano primário, em 1956 . Acervo do profº Carlos Lopes Baia