30.4.08

MEMÓRIAS DO IEHS: OTAVIO CRISTONE E IVO GILBERTI


Vemos aqui dois integrantes da equipe do Colégio Estadual de Ourinhos: Otávio Cristoni e o profº Ivo Gilberti. Ambos foram meus contemporâneos.
Ivo Gilberti era um professor muito querido. Calmo até na voz. Com ele tive aulas de Latim, que dominava muito bem (ao que parece  havia sido seminarista).Tivemos três anos de Latim, no ginásio.  Era também professor de Matemática, tendo substituído a profª Maria Teresa Caetano de Barros Carvalho quando da sua liçenca de gestante. Foi o único em que não necessitei de professor de particular dessa disciplina (Osvaldo Pasqualini) para recuperar as notas baixas que tirava com Maria Tereza, excelente professora, mas sempre dura demais no trato com os alunos.

Ivo exerceu também a direção do estabelecimento.
Otávio Cristoni era inspetor de alunos, fala arrastada, bem interiorana. Severo, eu que o diga... Sofri nas suas mãos.
A foto é de um programa da turma de bacharelandos de 1953.

26.4.08

GESTÃO RUBENS BORTOLOCCI DA SILVA (1973-1977)


Quando deixei Ourinhos, em 1966, não poderia imaginar que “Rubinho”, chefe da seção pessoal da Sanbra, onde trabalhei ao longo de três anos, viria a ser eleito prefeito de Ourinhos alguns anos mais tarde..
Era um dos mais competentes entre os que trabalhavam no escritório de administração daquela indústria. Durante o período de estágio como aprendiz de calculista muito aprendi na seção por ele chefiada. Cheguei a freqüentar sua casa muitas vezes, acompanhado de outros colegas de escritório. Meu pai o estimava muito.
Foi com muita alegria que encontrei esse negativo de foto feita por meu pai durante a sua gestão, na ocasião em visitava Ourinhos o Secretário de Estado das Relações de Trabalho, deputado Jorge Maluly Neto. Na foto, à esquerda, vê-se também o deputado federal pela região Silvestre Ferraz Egreja.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

Ainda os 60 anos do calçamento de Ourinhos.


Essa é mais uma foto por ocasião do calçamento de Ourinhos feita por meu pai. Trata-se de um trecho da rua 9 de Julho (nº 102). Deve ser do ano de 1949, pois me lembro de haver brincado na areia em frente a casa de meu avô, que aparece na foto. Minha mãe conta que sempre que lá brincava ficava resfriado e acabaram me proibindo de fazê-lo. Na esquina está a Casa dos Lavradores, de propriedade meu tio João Neves, pai do jornalista Jefferson del Rios Vieira Neves, que morava no sobrado em frente, construído por meu avô, em 1939, e que ainda existe. A casa que vemos fora construída em 1930, ano em que meu avô , mudou-se da Fazenda da Figueira, no Patrimônio da Água Suja, para Ourinhos. Em seu lugar há hoje um centro comercial. Um detalhe, os antigos postes de madeira estavam sendo substituídos.
Foto por Francisco de Almeida Lopes.

6.4.08

DE LUTO E DE VELÓRIOS


Novos tempos, novas cabeças, novos costumes.
Hoje, o luto aparente quase nada significa para as pessoas.
Até os anos 1960, grande parte das famílias guardavam-no segundo regras severas.
Nas famílias que professavam a fé católica havia, obrigatoriamente, as missas de sétimo dia, nas quais era posta na frente do altar principal uma eça, a de 30 dias e de um ano. Os "santinhos" com foto do falecido (a) não podiam faltar nas três missas obrigatórias. Igualmente, se faziam publicar na imprensa local os convites para essas missas. Numa época em que a comunicação era limitada, quando havia tempo suficiente, imprimiam-se convites para os enterros, os quais eram distribuídos pela cidade.
O velório eram realizado nas casa dos falecido (a), que ficava repleta de amigos (as) e familiares, os quais varavam a noite rezando vários terços.
Os enterros eram muito concorridos e o caixão era levado pelas mãos dos amigos até o cemitério. Hoje, o corpo é velado nos impessoais velórios municipais e, muitas vezes, há que conviver com vizinhos desconhecidos.
O mais belo enterro que vi no cinema foi o da empregada negra de Lana Turner, no filme "Imitação da Vida" (
Lana Turner, John Gavin, Susan Kohner, Sandra Dee, Dan O'Herlihy, Robert Alda, Juanita Moore, Mahalia Jackson, Terry Burnham, Karin Dicker, Troy Donahue), obra prima de Douglas Sirk , do ano de 1959. No templo lotado e enfeitado com muitas flores, a cantora Mahalia Jackson cantou um "spiritual". O bonito caixão branco era levada numa carruagem puxada por cavalos; à frente uma banda executava música. Marcou, sem dúvida, o garoto de 12 anos que eu era.
A igreja ficava lotada no dia das três missas. Muitas vezes as famílias recorriam ao concurso musical do maestro Galileu, que executava música fúnebre ao orgão localizado no coro. Foi assim na missa de 7º dia de meu avô, em 1955, a primeira que assisti.
Uma das regras mais severas do luto era a utilização de roupa preta pelas mulheres durante um ano! Logo após a morte, a solução era o tingimento de algumas peças. Os homens deviam levar uma tarja preta no paletó. Até a missa de 7º dia não deviam barbear-se.
Hoje, raramente os velórios são concorridos, restringindo-se muitas vezes aos familiares e alguns amigos (as). Já as missas vão sendo deixadas de lado, quando muito há a de de 7º dia. Luto nas roupas, então, nem pensar.
Na verdade, o luto autêntico é aquele que trazemos no coração, é um estado de espírito. As regras de aparência nada representam.
A foto de hoje nos mostra minha tia Maria Neves (Nim) com traje de luto completo, seis meses após a morte de meu avô. No colo está seu sobrinho Francisco Eduardo Neves Bernardini.
Maria foi funcionária da Companhia Telefônica Brasileira e era muito estimada na cidade.
Foto por Francisco de Almeida Lopes, que hoje, 9 de março, estaria completando 99 anos.

ANTÔNIO FERREIRA BATISTA COMPLETA 90 ANOS.



Antônio Ferreira Batista, natural de Araçatuba, veio para Ourinhos em 1954 como gerente do Banco do Estado de São Paulo. Aqui permaneceu até 1963, quando novo posto levou-o para a agência central, em São Paulo . Aposentou após galgar todos os postos de uma longa e bela carreira. Juntamente com a esposa Olívia, retornou então para a cidade natal.
Este ano, o casal mudou-se novamente para São Paulo para compartilhar do convívio da filha Marisa, dos netos e bisnetos. Marli faleceu em 2006.
Na semana passada, 25, Ferreira completou 90 anos, em excelente forma.Os familiares ofereceram-lhe um almoço, ao qual compareceram também muitos amigos. Um detalhe, Olívia aniversaria dois dias depois dele (27).
Nessa foto, de minha autoria, o casal apaga as velas do bolo, ladeado pelos três bisnetos.

EDUARDO MATOSINHO


Eduardo é um ourinhense com talento. É irmão da Edna, minha amiga de infância. Criou um blog muito interessante, do qual transcrevi esta bela poesia:

Visões de hoje do outrora
Na tenra juventude interiorana
Colecionei de cigarros a moedas
O jabuti que tive eu pintei o casco
No rio aperfeiçoei meu nado
Aprendido na piscina azul do clube

Diacuí e que guarda a memória de 32

Dessa Ourinhos dos anos 70
Guardo pouca coisa: um desenho
Um guache que resiste trazendo a cor
Desse passado que marcou
Esse Eduardo de verde escuro

De marrom de terra, mato, coqueiro

Passei de ano a ano em busca da escola
Da vida em que me procuro ainda hoje
Saltei da Rua São Paulo para a cidade
Homônima e para a origem não volto mais
A não ser nos sonhos que se repetem

E que trazem visões de minha outra casa

E que não me deixam esquecer os tempos
Em que colecionei, pintei e nadei
E que andei de bicicleta e saltei na areia
Da obra do pontilhão que perfurou
A minha rua rumo ao desconhecido
E ao futuro que percebo hoje, maduro