29.4.16

OURINHOS A CAMINHO DO CENTENÁRIO: O VIADUTO DA SOROCABANA

Após a conclusão da nova estação ferroviária da Sorocabana em 1927, a população ourinhense clamava pela construção de um viaduto que ligasse as duas partes da cidade cortada pelos trilhos da estrada de ferro. O viaduto deveria ficar na altura das ruas Paraná (lado de cima e Alagoas (lado de baixo).
Assim, providenciou-se a elaboração de uma petição dirigida ao Diretor da Estrada de Ferro Sorocabana na ocasião, drº Gaspar Ricardo Júnior. Assinavam-na o prefeito de Ourinhos, drº Theodureto Ferreira Gomes, o vigário local, padre Victor Moreno demais  autoridades, comerciantes gerentes de banco e outros.
O jornal "A Voz do Povo", de 6-12 de 1931 noticiava o ocorrido:


A pretensão foi atendida e Ourinhos passou a contar com um viaduto de madeira que ligava a parte mais antiga à mais nova da cidade. 
Não sei precisar o ano em que o viaduto foi derrubado. Acredito que tenha sido na primeira metade dos anos 1950, pois eu me recordo dele.
Nestas duas fotos temos uma visão do velho e romântico viaduto. A primeira é uma foto tomada na  plataforma da  estação ferroviária, em 1941. Três amigos caminham pela plataforma na altura do local de acesso aos trens que demandavam o Paraná, via Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná (à direita). Vê-se à esquerda uma composição na estação e, ao fundo uma parte do Hotel Patton, a escadaria de acesso e o viaduto. 
(autoria desconhecida)

Na segunda foto vemos o viaduto em grande plano. Percebe-se que a tomada foi realizada a partir do teto de um vagão.

(autoria desconhecida)

Na terceira foto, vemos as ruínas do Hotel Patton, cuja frente era para via férrea, uma vez que a primeira estação era do lado oposto a atual. Seu proprietário foi José Patton, natural de Trento, na Itália. Ele, casado com Maria Patton, faleceu em 1927. O casal teve os filhos Germano, Rosa (casada com Clemente Figueiredo) e Romana. (In "A Cidade de Ourinhos", de 1927, citado em "Ourinhos: memórias de uma cidade".


" Castelos tombados"

Altos castelos tombados
De sonhos desiludidos
Arquitecturas tamanhas
Tecidas por mãos estranhas
Juncam o chão.
Nasce outro dia
Sobre as ruínas de há pouco.
E no tempo
Essas ruínas tão grandes
De sonhos tão desmedidos
Fazem apenas figura
Dum grão de areia sem peso
Leve ao acaso do vento..."


Adolfo Casais Monteiro nasceu no Porto, em 1908 e faleceu em S. Paulo, em 1972.
"A Voz do Povo" em Tertuliana docs

23.4.16

OURINHOS A CAMINHO DO CENTENÁRIO: A PRAÇA MELO PEIXOTO NOS SEUS PRIMEIROS ANOS


Por ocasião da inauguração da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus (1921), a atual Praça Melo Peixoto, nada mais era que um descampado, como podemos ver pela foto abaixo:
 

Quem foi Melo Peixoto?
João Batista de Melo Peixoto, (1856-1915), natural de Guaranhus, Pernambuco, formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Recife. Iniciou sua carreira jurídica no estado natal, transferindo-se depois para o Sul. Sob o regime republicano, foi nomeado Secretário da Justiça em 1895. Elegeu-se senador estadual em 1900, tendo exercido também outras secretarias de estado.
Desconhece-se o ato formal que deu seu nome a uma praça em Ourinhos. 
Em 1927, o largo que ficava em frente a Matriz já tinha a denominação de Praça Melo Peixoto. Logo após a Revolução de 1930, a praça recebeu outra denominação, homenageando João Pessoa, um dos líderes desse movimento. Após a Revolução de 1932, a denominação foi mudada para Praça da Bandeira, retornando ao nome original logo em seguida.
A inauguração de um coreto na praça em 1927, levou a administração municipal a cuidar do seu paisagismo.
A foto abaixo, muito provavelmente de 1929, nos mostra a existência de algumas árvores no local, inclusive uma paineira que ainda existe, creio (Rua São Paulo):



Conforme registro pela imprensa local, creio que o primeiro administrador municipal a dar à Praça um aspecto mais condizente com a sua condição foi o médico drº Theodureto Ferreira Gomes. Era um clínico muito competente e estimado. 
Com o Partido Republicano desalojado do poder após a Revolução de 1930, São Paulo viveu um período de instabilidade política que acabaria desaguando na Revolução de 1932.  A cada mudança no governo do estado, mudavam-se também os prefeitos municipais. 
Em 11 de março de 1931, foi nomeado prefeito municipal, o médico Theodureto Ferreira Gomes.




Pela leitura do jornal local, "A Voz do Povo", constatamos que administração Theodureto foi bastante operante.
O novo prefeito cuidou, entre outras coisas,  da criação de uma banda municipal que daria vida à praça ao realizar concertos no coreto.  O responsável pela organização da banda foi o maestro Américo de Carvalho. 
Igualmente cuidou o prefeito  do arruamento da praça e da formação de canteiros. 



Hoje, das 19 ás 20,30
horas haverá no Jardim, um concerto pela Banda Mu­nicipal, que obedecerá ao seguinte programma :
1ª. PARTE
Santa Cruz — dobrado;
Longe dos olhos— valsa;
Canja á carioca — samba;
Garibaldi in Caprera — symphonia
2ª PARTE
Beija-Flor — dobrado;
Cavatina da Opera Attila;
La Cumparsita — tango;
Sueno Chino — fox-trot;
Republica ou Morte — marcha

Luz no jardim
A Praça João Pessoa to­ma actualmente a physionomia colorida de uma ci­dade moderna. Os magestosos prédios que se levan­tam em roda, cercam o lo­gradouro publico nos do­mingos e dias festivos, co­mo atalaias que vigiam o povo que se diverte. 

Este foi o aspecto que a Praça Melo Peixoto passou a ter e que foi mantido até a remodelação de 1937, obra do prefeito Benedito Martins de Camargo:









16.4.16

1º DE MAIO DE 1946 - INAUGURAÇÃO DA AGÊNCIA FORD

Para mim, falar da "Ford", como popularmente passou a ser chamada a Sociedade de Automóveis Irmãos Silva Ltda, localizada na Rua drº Arlindo Luz, 188, é retornar ao túnel do tempo da minha infância, pois morei até os sete anos na casa de meu avô, que ficava no número 102, da Rua Nove de Julho. A agência ficava no quarteirão seguinte, na esquina com Arlindo Luz, o caminho que levava ao ", à Igreja, ao Cinema.... Lembro-me, pois, de sua enorme oficina e da ampla e elegante loja .
Numa casa logo após a oficina, de propriedade da empresa, creio,  havia uma casa que foi ocupada pela família de Theobaldo José da Costa, colega de trabalho de  meu pai na SPP, e então contador da empresa. Ele foi casado com Hilda Fernandes Grilo, amiga de minha mãe, e tinha os filhos Iguatemi e Ivani. Essa casa foi depois ocupada por Ângelo Silva, casado com Conceição, sobrinha de Raul Silva, um dos proprietários da agência. Seus dois filhos mais velhos foram meus companheiros de folguedos: Carlos e  Marco Aurélio. Trabalhou também na empresa, Demerval Ferreira da Silva, sobrinho de Raul e casado com Selma Abucham.
A empresa ocupava-se da venda de automóveis, caminhões , tratores, peças e acessórios.
Chegou a empregar cerca de 80 pessoas.

A notícia abaixo, publicada em "A Voz do Povo", de 4-5-1946, dá a dimensão da importância dessa inauguração.
A foto do acontecimento foi tirada da laje do prédio de Frederico Hahn,  que aparece na foto à direita,  com sua máquina fotográfica.


Clique sobre a foto.

Há muitas pessoas conhecidas, que pude identificar numa edição da foto em alta resolução, inclusive meu pai à esquerda, bem na frente.
Para citar apenas o centro da foto, destaco o padre Eduardo Murante, o Juiz de Direito, Rocha Paes, Antônio Luiz Ferreira, o prefeito interino profº Alberto Braz e Theobaldo José da Costa.



(Acervo tertuliana)

O jornalista Euclides Rossignoli, que trabalhou quando jovem na Agencia Ford, publicou por ocasião da morte de Raul Silva, em maio de 2010, um artigo relembrando aquele período. 
Naqueles tempos da Ford
Euclides Rossignoli

9.4.16

AS VISITAS DE ADEMAR PEREIRA DE BARROS A OURINHOS

Entre os os governadores paulistas, creio  que Ademar Pereira de Barros (1901-1969), tenha sido o que mais vezes esteve em Ourinhos.
Ademar  foi interventor federal (1938-1941) durante o Estado Novo  e duas vezes governador do estado (1947-1951) - (1963-1966). Em 1946, fundou o Partido Republicano Progressista - PRP  que,  em 1947, passou a denominar-se   Partido Social Progressista - PSP.
Graças aos anos de interventoria, Ademar conseguiu projetar-se nas principais cidades do estado. Horácio Soares e Pedro Féres Mattar foram seus principais aliados em Ourinhos.
Durante seu primeiro mandato como governador,  a cidade foi beneficiada com a criação do ginásio estadual,   da escola normal e obteve facilidades para o calçamento da cidade. Em seu segundo mandato, inaugurou a nova estação ferroviária. 

 A primeira visita, em 1940.



Na campanha de sua sucessão, em 1950. À esquerda Antônio Luiz Ferreira e à direita Horácio Soares.



Entre a população.

 À sua direita, Horácio Soares e Pedro Féres Matar, presidente do PSP em Ourinhos


Perua que fazia a campanha eleitoral de Ademar de Barros, estacionada na Praça Melo Peixoto.

2.4.16

RECORDANDO 1936


Nesse ano, a cidade recebeu uma visita ilustre.


EXCURSÃO À PONTE MELLO PEIXOTO
A VISITA DO CONDE MATARAZZO A OURINHOS


Da esquerda para a direita: 1- José das Neves Júnior 2 - Benedito Martins de Camargo 4 - Italo Ferrari 5 - Conde Matarazzo 6 - Rodopiano Leonis 7 Pedro Medici 9  -Álvaro de Queiroz Marques

 O nosso repórter, em companhia de outras pessoas gradas, seguiu no automovel do sr. Moysés Moreira, gerente das I. R. F. Matarazzo em Avaré, para a Ponte Mello Peixoto, onde já se achavam, chegados momentos antes, o sr. Conde Matarazzo, dr, Magalhães, dr. R, Guarinello, srs. Rodopiano
Leonis, ítalo Ferrari, Alvaro Queiroz Marques, Pedro Medici, Domingos Lourenço e José das Neves. Ahi os visitantes, em grupo formado á beira do Rio Paranapanema, tiraram 4 chapas photographicas, que serão publicadas nesta folha, opportunamente.
O grande industrial, que é uma admiravel organização physica, forte nos seus 83 annos de

lueta incessante, mostrou-se fortemente interessado pela visita, fazendo perguntas a cada instante sobre os principaes aspectos de nossa vida agricola, commercial e industrial. Bem humorado, magnificamcnte disposto, o prestigioso visitante tornou-se o centro de todas as attenções, pelo seu raciocínio claro e logico e, principalmente, pelos sabios conceitos que proferiu, em diversas occasiões, no curso da palestra.

O ano de 1936 iniciava-se muito promissor para a cidade, pois com a reconstitucionalização ocorrida com a edição da Constituição de 1934, os eleitores teriam a primeira eleição a utilizar o voto direto e secreto, uma das bandeiras da Revolução de 1930.
Três foram os partidos que apresentaram candidatos: o Partido Constitucionalista ( formado por integrantes do Partido Democrático que fora fundado em 1927 e sucumbira com a Revolução de 1932; O velho Partido Republicano Paulista que se rearticulara pós 1930 e o jovem Partido Integralista.
Os resultados foram :
PC 
Benedito Martins de Camargo - 191;
Rodopiano Leonis Pereira - 77;
Vasco Fernandes Grillo - 43;
Olavo Ferreira de Sá -  35;
Antonio Carlos Mori - 35;
Benedito Monteiro - 34
PRP
Carlos Augusto do Amaral - 136
Narciso Nicolosi Filho - 51

Álvaro Queiroz Marques - 32  

Por ter eleito a maioria dos vereadores, a prefeitura ficou nas mãos do Partido Constitucionalista, tendo sido escolhido como prefeito Benedito Martins de Camargo.

O quórum obtido pelo Partido Integralista não foi suficiente para eleger vereador, embora tenha apresentado um programa consistente:


Acção Integralista Brasileira

Província de São Paulo
 NUCLEO DE OURINHOS
Eleitores!
Integralismo contra  o augmento dos Impostos
Após cinco annos de governo discricionário, luctas e revoluções, approxima-se o momento em que tudo vae ser resolvido pelos representantes do povo e para o bem do povo. E o Integralismo que representa os mais profundos anceios do povo, irá disputar ás elei­ções municipaes que se realizarão a 15 de Março.
0 Integralismo quer para Ourinhos:
1 .o)—Rêde de Exgottos e calçamento;
2.0)—Revisão do contracto de fornecimento de luz e
força;
3.0)—Completa remodelação dos serviços de abastecimento
de agua;
4.0)—Gymnasio e Escola Profissional;
5.o)—Modelar e gratuito serviço de Saúde Publica,
comprehendendo a hygiene pre-natal, protecção
aos lactentes e o combate a malaria;
6.0)—Santa Casa de Misericórdia;
7.0)— Perfeito serviço de conservação de estradas de rodagem e estudo e construcção de novas rodovias, afim de desenvolver a vida do município
e da cidade;
8.)—Matadouro Municipal;
9.0)—Jardim Publico;
10.0)—Construcção de casas hygienicas e de alugueis baratos;
11.0)—Theatro Municipal;
12.0)—Diminuição dos impostos.
Abaixo segue a lista dos candidatos Integralistas
que irão executar esse programma de patrióticas realizações:

Edison Leonis, Commerciario; Dr. Raphael Guarinello, Medico; Ormuz Pereira Cordeiro, Ferroviário; Jorge Ribeiro da Silva, Bancario; Antonio Diaz Ferraz, Ferroviário;Olivio Rodrigues da Silva, Contador; Reynor Damasceno Costa, Ferroviário; João Maria de Camargo, Ferroviário; João Cruz de Oliveira, Ferroviário.

São homens que nunca estiveram e jámais estarão nos cambalachos políticos. São representantes de um pensamento novo e duma ideia sadia. Tem por norma:
VERGONHA E HONESTIDADE.
Portanto votar no Integralismo é votar no vosso proprio bem estar. Votar no Integralismo é garantir o vosso futuro e o de vossos filhos. Votar no Integralismo é votar na vossa felicidade e na do povo de Ourinhos.

Um dos candidatos pelo Partido Integralista era o jovem Edison Leonis, filho do industrial Rodopiano Leonis. O jovem casou-se nesse ano com Oslávia Braz:

Enlace Oslavia-Edison
Effectuou-se, nesta cidade, na residencia dos paes da noiva, a 27 de Junho p.findo, o enlace matrimonial da senhorita Oslavia Braz com o sr. Edison Leonis.
A noiva, que é filha do sr. Adriano José Braz e sra. d. Elisa Fernandes Braz, teve com o paranymphos: no civil sr. Alberto Fernandes Grillo e sra. e no religioso sr. Avelino Fernandes e srta. Dagmar Braz . O noivo, que é filho do casal Ignez Leonis - Rodopiano Leonis, teve como padrinho: no civil Cel. Pedro Marques e sra., e no religioso Dr. Hermelino de Leão e sra.
Após as ceremonias nupciaes, que se revestiram de maximo brilhantíssimo, foi servida aos convidados  primorosa mesa de doces e bebidas finas. O jovem casal, que foi muito felicitado pelas pessoas de maior destaque nesta, seguiu para São Paulo em viagem de núpcias.

O noivo trajava o uniforme dos integralistas,

O número de mortos era elevado na cidade, segundo dados de 1935:

Em 1935.
Nascimentos, 406
Casamentos, 91
Óbitos, 310.

Artigo de "A Voz do Povo comentava com humor as agruras de um sepultamento:
O Cemiterio
E’ commum ouvir-se, ao se accompanhar um funeral ao Campo Santo da nossa terra, queixumes de toda a ordem, ora contra a distancia a que o Cemiterio está do centro urbano, ora devido ao estado da estrada, ora, ainda, devida a fórma
por que é transportado o esquife.
Mas é mais commum, no entanto , esquecer-se de tudo isso no dia immediato...
A lista de mazelas deve-se accrescentar a soalheira a que está sujeito o acompanhante á derradeira morada. Eis porque, antes que tambem nos esqueçamos, vimos, pressurosos, lembrar as formulas de solução aos queixumes, muito embora certos de que só adiantam para a nossa consciência...
Uma carreira de Cyprestes, Eucalyptos, Accacias ou outro bicho semelhante, de cada lado, ou de um só —o esquerdo—da Avenida Campo Santo, minorar-se-hia a torreira de sol.
Uma corrida de auto do chefe da Edilidade, seguida da remessa de uma turma de obreiros e algumas carroçadas de terra, nos livraria—e ao defunto...—do sacrifício e dos passos de equilibrismo a que somos forçados para assegurarmos a nossa qualidade de bípedes ao fazermos o trajecto que vae da Av. Jacyntho Sá á quadra onde é feito o Repouso da Vida.
Para fechar: Se a Sociedade de Assistência Social mantivesse uma carreta funerária (ou duas, porque uma poderia ser a de «luxo») teria ahi uma boa renda e, em vez de por um longo
kilometro termos de nos sujeitar ao martyrio de segurar na aza do caixão, limitava-se a nossa penitencia a, por 


CASAMENTO
Os saudosos vizinhos  de meus pais Ferraz e Alba Ferrari

29-8-1936
Enlace
Do sr. Antonio Ferraz e 
sua gentil noiva srta. Alba
Ferrari recebemos attencioso 
convite para, a 5 de
Setembro proximo, assistirmos 
ao seu enlace matrimonial.
Gratos pela gentileza.



A CHEGADA DA CEGONHA

GENTE NOVA (Nancy Nicolosi Santos Soares, que completou 80 anos, em 30 de janeiro de 2016)

O lar do nosso amigo Narciso Nicolosi, acha-se enriquecido com o nascimento a 30 do mês (janeiro) pretérito da esmerada garota Nancy , que com sua virtuosa mãe, dona Alzira Tocalino Nicolosi se acha felizmente de perfeita saúde. 

Outro acontecimento importante havido no ano de 1936 foi a inauguração da primeira escola primária destinada a nisseis. Ourinhos já tinha a essa época um elevado número de famílias japonesas.

Escola Primaria de Ourinhos ,  A Voz do Povo, 15-2-1936
Realizou-se dia 11, na Rua Maranhão, a inauguração
do predio onde funccionará a escola nippon brasileira Primaria de Ourinhos, e para qual, fomos cumulados com gentil convite.
A l.a parte do programma organizado para a commemeração
daquelle acontecimento constou do seguinte:
a) Hymno nacional brasileiro, pelos alumnos 
b) Hymno Nacional japonez
c) Saudação em portuguez pelo sr. Torataro  Tone
d) Saudação em japonez pelo sr. Iwakura
e) Saudação em portuguez pela alumna Tokica Kanda
f) Saudação em japonez pelo alumno Siló Kobuti.
Antes de terminar a 1ª parte falou o director da
escola prof. O. M. Portella.
Compareceram á festa dentre outros os seguintes
srs.: Joaquim Pedroso Filho,auxiliar de Inspecção neste
município, Dr. Luiz de Oliveira Lima, delegado de
Policia, sr. Joaquim de Azevedo, director desta e muitos
outros de destaque em nossa cidade.

Carteira Predial da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da São Paulo-Paraná

Teve início nesse ano, as tratativas para  construção de casas para a venda aos associados da Carteira Predial da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da São Paulo-Paraná, que resultou na construção de mais de uma dezena de casas na Avenida Altino Arantes, Rua Monsenhor Córdova e Rua Sergipe (atual Expedicionário). O construtor foi Henrique Tocalino.

Carteira Predial
E’ pensamento da Junta pleitear, no proximo anno, do Conselho Nacional do Trabalho, autorização para installar a Carteira Predial para a construcção de casas de residencia para venda aos associados cm módicas prestações mensaes.










26.3.16

O PRIMEIRO TREM DA ESTRADA DE FERRO NOROESTE DO PARANA, MAIS TARDE COMPANHIA FERROVIÁRIA SÃO PAULO-PARANÁ


Este mapa publicado na Inglaterra em finais dos anos 1940, nos mostra todo percurso da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná,  de Ourinhos até Rolândia, última estação à época.


As três  primeiras  estações,  ainda  quando a pequena ferrovia pertencia a um grupo de fazendeiros foram   Presidente Munhoz,  Leoflora e  Cambará. 
A partida do primeiro trem da empresa que se chamou primeiramente Estrada de Ferro Noroeste do Paraná e, depois Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, foi um acontecimento de repercussão nacional, sendo noticiada pelos jornais e revistas da época. As revistas  "O Malho" e "A Cigarra", publicaram reportagens com muitas fotos.
O trem partiu de Ourinhos onde recebeu duas bençãos, uma em Ourinhos pelo vigário local, padre David Corso e outra,  já no Paraná, pelo vigário de Jacarezinho, seguindo  então com destino a Presidente Munhoz. De lá, rumo a  Leoflora.


A benção e a partida de Ourinhos.






Partida do trem que levaria a comitiva paulista até Leoflora. Um detalhe, por essa foto verifica-se que , efetivamente,  a Estação de Ourinhos ficava do lado oposto a que foi construída depois







A ponte ferroviária sobre o Rio Paranapanema.


Ilustrações:  Revista "A Cigarra", 15-6-1924 


Os primeiros empregados do escritório da Ferrovia, em Cambará. À direita, o contador Benedito Monteiro e o aprendiz de escritório, o adolescente Francisco de Almeida Lopes, meu pai.

Após a aquisição da ferrovia pela Companhia de Terras Norte do Paraná , seguiram-se as estações :
Meireles
Ingá
(travessia do Rio Cinzas)
Bandeirantes   
(travessia do Rio Laranjeiras)
Santa Mariana
Cornélio Procópio
(travessia do Rio Congonhas)
Congonhas
Urai (Pirianito)
Frei Timóteo
Jatai
(travessia do Rio Tibagi)
Londrina
Nova Dantzig (Cambé)
Rolandia

 Após Rolândia, a última estação que esse mapa nos mostra, a companhia inglesa construiu mais uma estação: Apucarana.

Se você deseja mais informações sobre essa ferrovia, acesse gratuitamente o livo digital "Meu pai e a ferrovia", editado pela Universidade Estadual do Paraná, campus de Cornélio Procópio, no endereço eletrônico:

http://www.ccp.uenp.edu.br/assets/downloadmanager/click.php?id=eb11


19.3.16

O PREFEITO LAURO MIGLIARI



Foto de autoria de Francisco de Almeida Lopes, por ocasião da visita do Secretário da  Educação do Estado de São Paulo quando da inauguração do novo prédio do IEHS. Lauro está entre o prefeito Antônio Luis Ferreira e o profº Rafael Orsi, diretor do do IEHS



Em 1968, o ourinhense Lauro Migliari, foi eleito prefeito. Na época havia a possibilidade de o partido possuir legendas. A Aliança Renovadora Nacional - ARENA tinha três legendas. Desse modo, a eleição para prefeito, em 1968, foi disputada por dois candidatos arenistas: Lauro Migliari e Aldo Matachana Thomé.
Lauro já tinha experiência parlamentar, tendo sido vereador na quarta legislatura (1960-1963) e  presidente da Câmara Municipal (1960-1961. Seu vice era o engenheiro Mithuo Minami.



Essa foto foi publicada pelo jornal "Tempo de Avanço" logo após a divulgação do resultado das eleições de 1968.




Lauro foi o primeiro ourinhense ser eleito prefeito. Jovem, com boa formação educacional, pertencente a uma das mais antigas famílias da cidade, com experiência parlamentar, tinha tudo para ter realizado uma excelente administração, no entanto vivia o país sob a égide do malfadado Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,  e acabou sendo uma de suas vítimas em 1º de julho de 1969.  
Imagine, caro leitor, o golpe que esse jovem político ourinhense recebeu naquele dia ao saber que havia sido cassado  sem ter conhecimento  do motivo, e o que era pior, sem poder defender-se. Um sonho almejado há muito tempo foi desfeito, por uma medida discricionária do mandatário da presidência da república, o Marechal Costa e Silva, desrespeitando assim a vontade da maioria dos eleitores ourinhenses:

  Art. 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
  Art. 5º - A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:    )
        I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;
        II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;
        III - proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;
        IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:
        a) liberdade vigiada;
        b) proibição de freqüentar determinados lugares;

        c) domicílio determinado,
 Art. 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.

Uma leitura dos jornais ourinhenses dos meses que se  seguiram à posse de Lauro, evidencia a potencialidade do governo que ele pretendia desenvolver durante o seu mandato.
Uma de suas grandes preocupações era a educação no município,o que o levou a determinar a construção de uma sala de aula na Vila Brasil, de modo a impedir que as crianças tivessem que se arriscar diariamente ao atravessar a Rodovia Raposo Tavares. Outras medidas foram determinar a construção de um Grupo Escolar na Vila Matilde, a proposta ao Instituto Nacional do Livro de uma biblioteca pública no município, a articulação com as prefeituras vizinhas para a criação de uma faculdade em Ourinhos, a  criação do Conselho Municipal de Educaçãoi, em 1-2-1969, integrado pelo drº Romeu de Paula Lima, profº José Serni, profº Osvaldo Pasqualini e pelo drº Salem Abujamra.
Em abril de 1969, o prefeito Lauro foi recebido em sessão especial na Câmara Municipal, onde fora para prestar conta dos três meses iniciais de seu governo.
Vinte e seis projetos de autoria do executivo tinham sido aprovados pela Câmara Municipal.
Assim, de forma discricionária,   foi encerrada a carreira do jovem político ourinhense, Lauro Migliari.