25.7.15

OS DOIS TIMES FERROVIÁRIOS DE OURINHOS

Sede de uma ferrovia, de 1924 a 1944, a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná ( posteriormente Rede de Viação Paraná-Santa Catarina) e  atravessado pela Estrada de Ferro Sorocabana, Ourinhos teve um contingente de ferroviários muito grande.
Como era natural, eles se fizeram representar na política, a partir de 1945, por meio do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, época em que empregados dessas ferrovias foram eleitores vereadores.
No futebol, a participação dos ferroviários não foi diferente: em 27 de março de 1937 era criado o São Paulo-Paraná Futebol Clube. Sua primeira diretoria foi constituída por:
Dr. Wallace H. Morton – Presidente (era o superintendente da ferrovia)
Dr.James Lister Adamson – Presidente “Honoris Causa”
Dr. Alastair T. Munro – Vice-presidente
Hermínio Socci – Diretor Geral
João Batista Lopes – 1º Secretário
Olímpio Jorge de Morais – 2º Secretário
Teobaldo José da Costa – Tesoureiro
Luiz Zanotto – 2º Tesoureiro
Anselmo Gonzáles, Orivaldo dos Santos e José Malaquias – 1º, 2º e 3º diretores esportivos respectivamente
Ormuz Ferreira Cordeiro – Orador oficial
Artur Herrington Smith, Miguel Ospar, Antonio Dias Ferraz, Antonio Lopes, Jorge Torres Galvão e Osvaldo Correia – Membros do Conselho de Finanças
Carlos Eduardo Devienne, Benedito Monteiro, Dirceu Viana, Asdrúbal Nascimento, Castorino Ferraz Bueno, Manoel Lopes, José Bueno Lopes e José Del Ciel Filho – Membros do Conselho de Sindicância

Nesse time destacava-se  um dos empregados da ferrovia, futebolista de primeira, Alberico Albano.




No final dos nos 1940, outro time ferroviário foi formado após a encampação da ferrovia pelo governo federal, a qual  passou a integrar a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC): o Clube Atlético Ferroviário.



18.7.15

CAPITÃO PEDRO MOREIRA COPPIETERS (1912-1983)

Embora eu nunca tenha tido contato com ele, convivi com pessoas que muito o admiravam, guardando assim  de sua pessoa uma imagem muito positiva.
Também me recordo de alguns de seus filhos que foram meus contemporâneos.
Recentemente, o Face book pôs-me em contato com sua filha caçula,  Estela, que lá postou várias fotos interessantes  do passado da cidade e, por seu intermédio,  pude preparar esta merecida homenagem.



Baiano de Salvador, Pedro Coppieters nasceu em 12 de setembro de 1912, Viveu na sua terra natal até completar 19 anos, quando então ingressou no Exército Brasileiro. Isso se deu na cidade de Itajubá, MG, em 1935, no 19º Batalhão de Caçadores.
Na qualidade de Sargento de Infantaria, foi elogiado em 1935 pelo Presidente da República e pelo Ministro da Guerra, por suas qualidades morais e comportamento.
Pedro Coppieters chegou em Ourinhos em 1939, ano em que se formou a primeira turma do Tiro de Guerra, do qual se tornou Instrutor no ano seguinte, função  que também exerceu cumulativamente na cidade de Assis, em 1944.









Em 1946, foi transferido para Salvador, onde permaneceu até 1952, ocasião em que retornou a Ourinhos.
Permaneceu no Exército até 1954, quando passou para a reserva remunerada na condição de Capitão.
Desse modo, várias gerações de ourinhenses passaram por suas mãos no serviço militar obrigatório.
Amante de futebol,  foi diretor do Clube Atlético Operário, da Sociedade Esportiva Bacanas e  fundador do Núcleo Voluntário da Legião da Boa Vontade.
Foi grande a participação do capitão Pedro na vida civil da cidade, até a sua morte em 1983:
- membro da diretoria do Hospital Psicopata, do qual foi um dos fundadores;
-secretário executivo da Soprami;
- presidente da Santa Casa de Misericórdia;
- fundador e por várias presidente da Associação Mirim de Ourinhos;
- secretário executivo da Associação Comercial de Ourinhos.
Foi casado com Benedita da Silva. Tiveram os filhos: Eloyna, Esther Perci, Percival, Pedro, Pércio, Péricles,Pierre e Estela



O jornalista e escritor Jefferson Del Rios Vieira Neves guarda uma terna lembrança da convivência que teve com o capitão Pedro e seus filhos, no início dos anos 1960:



No alto – em pé: Eloísa (filha), Péricles (filho)  capitão e Sra.  Os filhos Pérsio e Pierre

Na mesa: - Domingos Perino Neto ,Jefferson Del Rios Vieira Neves, Alfredo Bessa Júnior, Wilson (?) bancário do Bradesco, Percival  (filho do capitão, Sergio Abujamra, o locutor da ZYS-7 José Maria Brandão de Toledo, Alfredo Cubas, Joaquim Bessa.


O Capitão Pedro, que nós ainda estudantes conhecemos,  foi um homem cordial e hospitaleiro com os  amigos dos filhos. Sua altura e  porte,  o tom de voz abaritonado, e os olhos azuis-cinza sugeriam ainda o comandante enérgico que gerações anteriores conheceram no Tiro de Guerra.  Quem, entretanto,  esteve sob  seu comando  jamais reclamou de prepotências . Sobrenome do norte da França, como o do ator  Paulo Autran, também descendente de franceses aportados na mesma Bahia onde o Capitão Pedro nasceu.
Éramos recebidos em sua casa em  maravilhosos vatapás, culinária pouco habitual na cidade. Tardes memoráveis da juventude, o que a foto (fins dos anos 60) expressa bem.
Visitei  o  capitão Pedro em 1982, sem imaginar  ser uma  despedida. Parte da família, depois do seu falecimento, transferiu-se para a Bauru.  Um dos filhos, Pierre (moramos juntos em São Paulo) , formou-se em medicina, clinicou em Ourinhos, Paranapanema e Arealva, onde faleceu. Os outros irmãos,  tão amigos  quanto ele , a vida nos dispersou. Mas vamos, quem sabe, nos reencontrar.

11.7.15

OURINHOS E A REVOLUÇÃO DE 1932

Ourinhos foi palco de ações militares por ocasião da "Revolução de 1932".
Ao que tudo indica, formaram-se na região dois batalhões : "Teopompo" em Ourinhos e "Ibrahim Nobre" em Salto Grande, do qual fez parte o jornalista Miguel Farah.











Na foto abaixo vemos o Batalhão "Teopompo" posando em frente ao coreto da Praça Melo Peixoto, No centro da foto vemos o Padre Vitor Moreno, vigário local. Nela também identifico o capitão Carlos Amaral e ao lado da Bandeira Brasileira  Laudelina do Amaral, esposa de José Felipe do Amaral, que foi prefeito de Ourinhos. 


Na área do atual Clube Diacui,  formaram-se trincheiras das tropas paulistas para dar combate às tropas legalistas vindas do Sul, acantonadas do outro lado do Rio Paranapanema.
A luta estendeu-se, em território paulista, até 2 de outubro de 1932.
Com a derrota de São Paulo, tropas legalistas entraram em território paulista por Ourinhos e Chavantes, em direção à capital paulista.
A foto abaixa foi publicada num suplemento do "Jornal da Divisa", de 9 de julho de 1982, organizado pelo jornalista Benedito Pimentel por ocasião do cinquentenário da revolução.
Ela foi tirada na entrada da ponte ferroviária  metálica sobre o Rio Paranapanema, no dia 7-10-1932. Pela data, após o término da luta, os soldados que ali são vistos devem ser soldados legalistas.

Rua Paraná, ao lado do Banco Comercial e da residência do gerente.

4.7.15

AS FESTAS JUNINAS

As festas juninas foram introduzidas no Brasil pelos portugueses.Sua  origem remonta às comemorações pagãs do solstício de verão, que eram celebradas no dia 24 de junho. Sendo uma festa muito popular, permaneceu entre os cristãos com a denominação de"Dia de São João". Daí a chamada "fogueira de São João", de presença imprescindível nas festas organizadas em terreiros.
Junho, portanto, é o mês dos "santos festeiros": Santo Antonio (13), São João (24) e São Pedro(29).
A quadrilha  é uma dança de origem européia cultivada pela elite, mas deixou os salões aristocráticos e se tornou popular em vários países, adotando em cada um deles características próprias.
Em São Paulo, a denominação foi a de "quadrilha caipira".
Nos anos 1950 e 1960, as associações ourinhenses que possuíam salão de dança faziam, anualmente uma festa ou baile junino . Recordo-me de dois clubes: o Grêmio Recreativo de Ourinhos e o Palmeiras.
Relembrando esses bailes e festas tão agradáveis, seguem algumas fotos de ocasiões passadas.
Anos 1950
Grupo de estudantes ourinhenses em frente ao "Grupão".


Entre os jovens: Lauro Zimmerman, Toninho Mantovani, Alfredo Bessa, Iara Machado Branco, José Luiz Devienne














No GRO, grupo de amigos bebendo quentão: Os casais Isolina e Alfredo Deviene, Amélia e Francisco de Almeida Lopes e Alzira Catai, irmã de Isolina.




Baile junino com quadrilha no GRO (1961)
 Estevam Artur Margutti, Nilza Maria Neves, Durval Marques, Nilza Segalla, José Carlos Neves Lopes e Georgeta Gonçalves.



José Carlos e Fernanda Saraiva


Georgeta, Roberto Ribeiro da Silva, Nilza Maria Neves, Antonio Marmo Santos,  Ivelina M. Marques, Estevam Artur.



No Palmeiras, anos 1960. O casal central é Terezinha Santarosa e João Lisboa.

25.6.15

O ANTIGO PRÉDIO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE OURINHOS

"Mudou-se para o sobrado fronteiro a nova Casa de Saude, a Prefeitura Municipal."
A VOZ DO POVO, 11-3-1934


Estilisticamente não era nenhuma maravilha, mas chamava a atenção pois ficava no topo da Avenida Altino Arantes. E tinha um certo charme. 
Em algum lugar vi uma menção ao fato de que ali morava a família de Jacinto Ferreira de Sá.
A sede da municipalidade nele funcionou até meados dos anos 1950, quando foi transferida para um grande sobrado da Rua do Expedicionário. De lá ela foi transferida para o prédio construído para abrigar o Fórum, onde permanece até hoje.
Fala-se há muito anos na construção de um Paço Municipal, mas nenhuma administração encarou ideia para valer.
O prédio da Altino Arantes sobreviveu até meados dos anos 1950, tendo sido alugado para servir de pensão. Foi assim que conheci suas dependências internas.
Foi derrubado e lá se encontra um posto de gasolina.
A primeira foto faz parte do acervo de Estela Coppieters. Sua autoria é desconhecida.

A segunda foto é de autoria de meu pai, por ocasião do desencadear do Recenseamento de 1940 em Ourinhos.


15.6.15

A RUA 9 DE JULHO ENTRE A ARLINDO LUZ E A PARANÁ


Este trecho da Rua 9 de Julho, antiga Minas Gerais, tornou-se local de passagem obrigatória dos desfiles de 7 de setembro, a partir da metade dos anos 1940.
Ali havia dois estabelecimentos bancários, um deles a Caixa Econômica Federal (do lado esquerdo da foto), o prédio de três andares de Frederico Hahn, fotógrafo alemão estabelecido na cidade desde o início dos anos 1930 ( lado direito quase na esquina com Arlindo Luz. Lá ele tinha o seu estúdio fotográfico (Foto Vitória) e a sua residência.
Do  lado direito da foto, vemos a residência do industrial Ítalo Ferrari, recém-construída no novo estilo da lavra de Henrique Tocalino,  de final dos anos 1940. Em seguida, havia um terreno vazio, provavelmente de propriedade de Arquipo Matachana, onde o filho Alberto construiu a "Casa Alberto", especializado em roupas e calçados.
Não foi possível identificar a escola que desfilava naquele instante.






Do mesmo local, o andar superior do prédio da esquina com rua Paraná, é esta foto  que contém uma data: 7-9-1950. Nela se veem novamente o sobrado de Frederico e a residência dos Ferrari. No local da Caixa Econômica Federal, está hasteado o pavilhão nacional. No terreno baldio, em cujos muros vemos propaganda política do candidato da UDN para presidente da república, o Brigadeiro Eduardo Gomes, estava instalado um parque de diversões.







13.6.15

CASAS PERNAMBUCANAS EM OURINHOS

A primeira Casas Pernambucanas foi inaugurada em 1908. 
Na sua primeira fase,  era exclusivamente uma loja de tecidos, em pouco tempo, expandiu-se por todo o território nacional.
Sua presença em Ourinhos, acredito que remonte aos anos 1930, tendo ocupado dois espaços urbanos, sempre na Praça Melo Peixoto.
Primeiramente com entrada pela Rua 9 de Julho e Praça Melo Peixoto, depois, na outra extremidade,  com entradas pela Rua Paraná e Praça Peixoto. Espaço anteriormente ocupado pelo Banco Comercial do Estado de São Paulo.
Foi e continua sendo um estabelecimento comercial bastante popular que soube adaptar-se aos "novos tempos", de modo pioneiro muitas vezes.
Meu pai fotografou-a algumas vezes. Selecionei estas duas fotos que são as que mais me agradam:

No início dos anos 1940


No início dos anos 1950
O destaque na outra extremidade era o belo prédio do Banco Comercial, espaço hoje ocupado pela  Pernambucanas.

A foto destaca também um novo estabelecimento comercial a "Casa Alberto", que ainda existe no mesmo local. A carroça ainda se fazia presente na via pública. O prédio que se vê logo após a Casa Alberto era o sobrado do fotógrafo Frederico Hahn, que já havia encerrado suas atividades, tendo vendido a sua razão social "Foto Vitória" para Shuki Sakai, recém estabelecido na cidade. 
Hoje a loja continua na Praça Melo Peixoto, em modernas instalações,  ocupando o espaço que fora do Banco Comercial do Estado de São Paulo.