30.8.15

UMA MISSA CAMPAL EM MEADOS DOS ANOS 1940.




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Esta foto, de autoria desconhecida, nos mostra a realização de uma missa campal, ao que parece.
Percebemos que há um altar com muita ornamentação, nas escadarias da igreja.
O sacerdote padre está distribuindo a comunhão aos fiéis.  
Percebe-se a presença de um grande número de Filhas de Maria, todas vestidas de branco. Essa irmandade, a Congregação Mariana e o Apostolado da Oração, se faziam presentes no cotidiano das igrejas católicas.
É o que  pode constatado  nessa foto,  onde se fazem presentes representantes das referidas irmandades.
Ladeando o padre, que está distribuindo a hóstia, estão dois Irmãos do Santíssimo trajando a  "opa" (capa na cor rubra) e carregando uma espécie de tocha.
Esta cerimonia  deve ter acontecido num domingo, pois a Casa Zanotto é vista com suas portas fechadas. 
Essa foto deve datar de meados dos anos 1940.
O trabalho O ENCANTO DA FITA AZUL: “memórias trajadas” das Filhas de Maria, apresentado por  Maria Lucelia de Andrade (mestranda em História Social pela UFC; Bolsista CAPES)  , no IV SIMPÓSIO NACIONAL ESTADO E PODER: INTELECTUAIS , realizado de  8 a 11 de outubro de 2007 , na Universidade Estadual do Maranhão São Luís/MA, inicia-se desta forma:

"Era azul, feita de cetim. Seu tom celeste luminoso encantava as jovens da cidade. A cor cintilante do tecido destacava-se nas vestes brancas e sóbrias, nos compridos vestidos de mangas longas desprovidos de qualquer tipo de decote. Seu brilho, de tonalidade celestial, podia ser visto ao longe e dava àquela que a usava um status de pureza insuspeita. Presa à esse pequeno pedaço de tecido azul reluzente, trazia-se a medalha prateada, que retratava a santa de devoção da irmandade. Mas a medalha, que das mais abastadas era confeccionada em prata e trazida de fora, e que deveria ser o símbolo principal de devoção, ficava em segundo plano. Era o azul, era a fita, o que encantava a primeira vista. 
Objeto de desejo, sonhava-se com a possibilidade de ter aquele pequeno pedaço de tecido encantado em volta do pescoço. A fita azul identificava uma Filha de Maria, a fita azul dava-lhe uma posição de destaque, mas principalmente a fita azul hipnotizava-lhes os sentidos e as transportava para uma outra dimensão social.  "

Trata-se de um trabalho muito interessante, cujo endereço na web segue-se: 




22.8.15

O GRUPO ESCOLAR JACINTO FERREIRA DE SÁ


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Até 1938, o grupo escolar de Ourinhos localizava-se na Rua Paraná, no lado direito de quem nela entra pela Praça Melo Peixoto.
Era um prédio pequeno que, na década de 1930, já não dava conta da demanda escolar do município.  


Alunos do primeiro Grupo Escolar de Ourinhos
Nesta foto de seu acervo, meu pai anotou os seguintes nomes: Rolando Vendramini, Aspazio Azevedo, drº Dabus, Paulo Rolim, Barleto e Migliari. Pela fisionomia identifico, o Rolando que foi gerente do Banco Mercantil, o segundo da esq para a dir, o quarto deve ser o drº Dabus, o sétimo, Migliari.  É uma foto dos anos 1920. 


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Nessa década criou-se o Sistema Municipal de Ensino do município que passou a atender principalmente a demanda existente na zona rural. 
A construção de um novo prédio estadual foi obra da gestão do prefeito Benedito Martins de Camargo,  e área escolhida foi a esquina da Rua 9 de Julho com a Sergipe (atual Expedicionário).
Com a edificação do novo prédio foi possível atender à demanda crescente pelo ensino primário. Nesse novo prédio pontificaram  ao longo dos anos 1940 a 1960 as grandes mestras que alfabetizaram várias gerações de Ourinhenses.  
Eu tive o privilégio de ter sido aluno de três delas: Adelaide Pedroso Racanello (1º ano), Lourdes Madeira Simões (2º) e Jandira Simões (3º)
Dois ex-prefeitos foram professores do Jacinto Ferreira de Sá: Candido Barbosa Filho e José Maria Paschoalick.
No final dos anos 1940, um novo prédio estadual seria construído na Barra Funda, o qual  recebeu a denominação de profª Vírginia Ramalho (1948). Com a criação de um novo grupo escolar, o mais antigo foi apelidado de Grupão e o mais novo de Grupinho (embora tão majestoso como o mais antigo).
Para encerrar estes comentários, gostaria de destacar uma figura que deve estar presente na memórias de muitos meninos e meninas que passaram pelo Grupão nos anos 1950, a baiana que diariamente postava-se em frente ao prédio com seu tabuleiro, vendendo o seu produto caseiro - a deliciosa cocada.
Infelizmente não me lembro de seu nome, tenho apenas na memória seu tipo franzino trajando uma longa saia e turbante. Acredito que descendentes seus ainda morem em Ourinhos. Fica aqui a minha homenagem a essa figura típica.
A foto mostra o prédio recém construído, o qual  ainda guarda suas características originais, graças a sua escolha para sediar a Delegacia de Ensino da Região de Ourinhos. Bela fotografia da lavra de Frederico Hahn, como atesta a marca do autor nela visível. 
MarisamoMantins de Oliveira informou-me:
A baiana da cocada como a chamavamos era minha vizinha o nome dela era MARIA mudou se para são paulo com os filhos e o marido voltou poucas vezes em ourinhos depois ficou viuva e não voltou mais para visitar os amigos que aqui deixou nem deu noticias mais....

15.8.15

AS HOMENAGENS DE OURINHOS AOS SEUS EXPEDICIONÁRIOS (1945)

Esta é uma das várias fotos feitas por meu pai por ocasião da homenagem que a cidade prestou aos expedicionários ourinhenses.
Ao vê-la, vieram-me à memória fragmentos de outras fotos que se encontram desaparecidas.
Esta foi tirada a partir do primeiro andar do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, mostrando parte da multidão que lá se postou para assistir à missa e às homenagens prestadas. O altar foi erguido na confluência da Rua 9 de Julho com a Expedicionário, denominação que a rua recebeu naquela ocasião.
Transcrevo abaixo texto das reportagens minuciosas de "A Voz do Povo", de 12-5-1945





"Ourinhos, comemorando o término do conflito no velho continente, promoveu, nas noites do dia 5, sábado, e dos dias 7 e 8, segunda e terça-feiras, empolgantes e entusiásticas manifestações, nas quais, tomaram parte, as autoridades locais, as associações e o povo em geral. Desde o cair da tarde do dia 5, girândolas e rojões espoucando pelo espaço, anunciavam a grande concentração que se realizaria, como de fato se realizou, ás 20 horas, do já referido dia. Muito antes, da hora aprazada para a realização do magno comício, compacta massa popular, enchia a Praça Melo Peixoto. Dando início á grande festa popular, a Banda de Mú ­ sica local, executou uma marcha militar. Em seguida, ao microfone da radio audição local, instalado no coreto da referida praça, discursaram os drs. Antonio da Rocha Paes, M. Juiz de Direito da Comarca, Júlio dos Santos, advogado, Hermelino A. de Leão, D. D, Prefeito de Ourinhos, os sr. Benedito Alves, e o fecundo jornalista Milton Oliveira Rosa. Todos os oradores foram vivamente aplaudidos pela enorme massa de povo, que lotava a grande Praça Melo Peixoto. Depois do comício, pelas ruas de Ourinhos, empunhando bandeiras nacionais, dísticos e emblemas, desfilaram as autoridades locais, as associações e o povo em geral, acompanhando-os, a nossa banda de música. O enorme desfile, ao som das marchas militares e ao espoucar de milhares rojões, percorreu várias artérias de Ourinhos. Vivas ás nações unidas, urrahs ao nosso destemido Corpo Expedicioná­rio, ouviam-se de todos os lados. E debaixo da mais viva e entusi­ástica apoteose de comoção, findou a brilhante passeata. "




Itália, nesse grupo está um dos expedicionários ourinhenses da família Robles: Manuel Robles.

"Na segunda-feira, dia 7, com a noticia veiculada pelo rádio, da rendição incondicional da Alemanha, o comércio cerrou as portas ás 14 horas, e o M. Juiz, suspendeu o expediente forense. Durante toda a tarde desse dia, centenas e centenas de bombas e rojões espoucaram, anunciando o contentamento do povo, pela extinção da adversária da humanidade. A’ noite, no correto da Praça Melo Peixoto, realizou-se mais um entusiástico comício. Neste, falaram o dr. Hermelino A. de Leão, nosso distinto Prefeito, e o conhecido jornalista, Milton Oliveira Rosa, secretário de nossa Prefeitura. Ambos os oradores foram muito ovacionados. Após a concentração, novo desfile houve. Desfilaram, os atiradores, o povo e associações, acompanhando a passeata a banda de música. Na terça-feira, feriado nacional (Dia da Vitória), á noite, realizou-se, solenemente, o entêrro de Hitler. Acompanhou o préstito fúnebre, grande massa popular. Desta arte, Ourinhos, através de seu povo ordeiro e patriótico, comemorou muito dignamente, a derrota da Alemanha. O povo de nossa cidade, comparecendo a todas as solenidades levadas a efeito pelo triunfo das nações unidas, deu provas do seu amor cívico. E não só demonstrou o seu grande amor cívico, como também, durante a realização das solenidades, não se registou, sequer, um distúrbio na cidade. Tudo correu bem, e dentro da ordem e do respeito. Nossa fôlha, jubilosa com o término da guerra, saúda as na­ções aliadas, e saúda, outrossim, o bravo, e brioso, e destemido Corpo Expedicionário Brasileiro, o qual, na velha e gloriosa Europa, soube elevar bem alio o nome do nosso caro Brasil. 

"Ourinhos recebeu condignamente seus bravos filhos que lutaram nos campos da Itália.

Agachados: José Garcia Leal, João Rosa, Valdomiro dos Santos, Francelino dos Remédios, Nildo.
O segundo da direita para a esquerda é Ciro Abujamra.

 Jamais se viu nesta cidade, festa tão bem organisada — Está de parabéns a Exma  Sra Dna. Táta de Leão, o cérebro organisador de tão magníficas solenidades  que ficarão indeleveis na história de Ourinhos. Como se esperava, constituiu um verdadeiro acontecimento social, a festa de re ­ cepção aos bravos pracinhas ourinhenses, que tão bem souberam elevar o nome de Ourinhos em plagas distantes. Essa festa de proporções tão grandiosas, foi idealisada pela Exma. Snra. Dna. Táta de Leão ; que, recebendo apoio da população desta cidade, poude apresentar aos expedicionários ourinhenses, uma recepção digna de heróis. Nenhum detalhe foi esquecido, pela inteligente mentora da Legião Brasileira de Assistência de Ourinhos. Tudo foi previsto e matematicamente realizado. Desde a ornamentação das ruas até a apresentação das elegantes toiletes pelas distintas figuras femininas do mundo social ourinhense, no grandioso baile realizado á noite, nos fidalgos salões do Grêmio Recreativo de Ourinhos, tudo esteve de acordo e combinou com o ambiente festivo da ocasião. O programa de homenagens  foi elaborado caprichosamente por uma comissão composta de elementos representativos de todas as camadas sociais de Ourinhos. A homenagem do povo ourinhense aos destemidos expedicionários que, há anos daqui partiram para defender a integridade brasileira, contou do seguinte programa: Às 9 horas, na Rua 9 de Julho, em frente ao Grupo Escolar Jacinto F. Sá, no majestoso altar de madeira, especialmente armado, foi rezada uma missa em ação de graças pelo retorno de nossos irmãos aos seus queridos lares. Cêrca de 3.000 pessoas com ­ pareceram ao ato. Após a missa, discursou de improvisso o Dr. Cândido B. Porto, Digno Promotor Público da comarca, que, com belas e oportunas expressões exaltou os feitos dos nossos pracinhas nos campos de batalha. Em seguida, pelas legionárias, foi prestada uma homenagem ao expedicionário que ficou, sendo na ocasião depositada uma corôa de flôres naturais no lugar especialmente destinado para êsse fim. Nessa ocasião a Srta. Emery Trench, declamou uma poesia, com toda alma, conseguindo vibrantes aplausos da numerosa assistência. A parte que concorreu para a  grande animação das festividades, foi a presença do nosso garboso Paulistinha, e de aviões das cidades visinhas, que em formação fizeram evoluções durante o transcorrer do Santo Sacrifí­cio da Missa despertando a curiosidade do povo e abrilhantando consideravelmente a magnífica festa homenagem. Essa parte, deve-se á esforçada diretoria do Aéro Clube local, que, logo que teve conhecimento de que se projetava homenagear os pracinhas ourinhenses, imediatamente se prontificou a colaborar em tudo que estivesse ao seu alcance. E assim fez, convidou vários Aéros Clubes visinhos para abrilhantarem as nossas festas; e eles aqui se fizeram representar. Em seguida desfilaram garbosamente pelas ruas da cidade as representações do Ginásio de Ourinhos, Aeroporto de Ourinhos,  Legionárias e seus respectivos pares e etc. Na Rua Piauí, em frente ao Grupo Escolar, o Dr. Hermelino de Leão inaugurou oficialmente a placa que mudou o nome da Rua Piauí para Rua dos Expedicionários, em homenagem aos nossos pracinhas. Na ocasião o nosso preclaro prefeito pronunciou um belo discurso, sendo muito aplaudido pelo grande número de presentes. O desfile seguiu em direção ao campo do C. A. Ourinhense, onde se realizou um churrasco oferecido aos pracinhas e a população ourinhense.  Tudo decorreu dentro da ordem e do espírito de camaradagem. A’ noite, no jardim público, perante numeroso público discursaram através do Serviço de Alto Falante de Ourinhos, os jovens Benedito Pimentel, Conrado Moraes e o jornalista Milton Oliveira Rosa, que encerrou a solenidade. A’s 22 horas, no salão do Grêmio Recreativo, realizou-se um pomposo baile, que prolongou-se até altas horas da madrugada. A festa de Recepção ao Expedicionário ourinhense, qui­çá a maior e melhor festa realizada no interior, foi fruto da inteligência da Exma. Dama Dna. Táta de Leão, ativa Presidente do núcleo municipal da LBA. A’ Dna. Táta e aos seus esforçados colaboradores, os parabéns sinceros desta folha pelo êxito alcançado." 

A placa encontra-se na lateral do prédio da atual Diretoria de Ensino da Região de Ourinhos


7.8.15

OURINHOS, FINAIS DOS ANOS 1950 - A ALMA DAS COISAS


Primeiro domingo do mês de agosto de 2015. 
Liguei o computador para preparar a matéria do próximo domingo, 9 de agosto.
A descoberta de mais de vinte fotos feitas por meio pai em épocas diversas  deixara-me agitado desde o dia anterior. Qual seria a primeira a ser restaurada? Num bater d'olhos sobre o conjunto, o coração bateu forte  para com uma vista aérea do final dos anos 1950 (vê-se a propaganda de Carvalho Pinto num dos muros).
Como já havia feito no início dos anos 1940 em relação à "Igreja Velha", meu pai subiu os degraus que levavam à torre da "Igreja Nova" para fazer fotos áreas da cidade.
Eu somente tinha conhecimento de uma delas, a que captava o ângulo da Vila Odilon com o horizonte a perder de vista em direção ao Paraná.
Agora  o olhar do fotógrafo voltou-se para o outro lado, selecionando  um aspecto que lhe era caro, o que se inicia na esquina da Antônio Carlos Mori   com Rio de Janeiro  e se perde no horizonte em direção à "estrada oficial" que demandava Palmital, Assis....
Por que  esse aspecto em primeiro plano lhe era caro? Porque mostrava um detalhe da 9 de Julho, onde morou vários anos enquanto  solteiro e  depois como recém-casado.
Na foto, vemos em primeiro plano dois grandes terrenos vazios, à esquerda e à direita. Neles, os garotos da redondeza muito brincaram nos anos 1950.
O da esquerda já estava sendo preparado para a construção de uma agência de  automóveis de propriedade de um dos filhos do deputado Silvestre Ferraz Egreja; o da direita abrigava então um depósito de madeira (nele foi construído mais tarde o cine Pedutti, e hoje abriga um mini shopping center).
Na esquina da Rio de Janeiro, vê-se uma casa com um amplo jardim na frente. Casa que muito frequentei e da qual guardo muitas lembranças agradáveis - era a residência do casal Anita Beltrami e Antônio Luiz da Costa  (que tinha seu consultório de dentista numa casa ao lado) O casal tinha apenas uma filha - Marilena,  minha amiga mais antiga de Ourinhos, onde ainda reside com o marido Sussui Breve. Nessa época,  sua avó, dona Henriqueta Beltrami, que foi dona do Hotel Internacional, ainda vivia e com eles morava. Recordo-me saudoso de seu delicioso bolo de fubá.
Nesse mesmo lado da Rua Rio  de Janeiro,  é visível  o quintal da casa de dona Ana "portuguesa", onde havia um grande número de árvores frutíferas cujos frutos eram objeto de desejo por parte dos garotos das proximidades; em frente à fábrica de móveis do Serafim Mota era a casa de dona Benedita Prato, viúva de ferroviário, que tinha os filhos Bolivar, Lúcia e Flora.
Na 9 de Julho,  veem-se as construções  que pertenciam a meu avô: a casa, o armazém, o depósito de café, na época alugado para Serafim Mota (que ali mantinha uma fábrica de móveis - Móveis Primor) e, por fim o sobrado edificado em 1939, e que ainda existe. Vemos também (9 de Julho, esquerda, a casa que fora do prefeito Benedito Martins de Camargo, a qual, no início dos anos 1950,  foi comprada pelo  professor Jorge Herkrath (lá morava  e mantinha a Escola Técnica de Comércio).
Ainda em primeiro plano vislumbram-se o grande armazém que servia aos ferroviários (a cooperativa) da RVPSC, o pátio dessa ferrovia e o da Sorocabana e, por fim, a chamada "Vila Nova", a perder de vista. 
Uma bela foto.

1.8.15

RONDHA FLEMING EM OURINHOS




A atriz norte-americana Rondha Fleming completará no próximo dia 10 de agosto, 92 anos.
Natural da Califórnia (EUA), a atriz possui uma atrativa página oficial na web http://www.rhondafleming.com/, na qual ficamos sabendo que  é dona de uma voz de qualidade,  podendo ser ouvidas lá 7 belas canções que integram um long-play gravado em 1958.
Residindo atualmente em Los Angeles, Rondha lá mantém um Centro Médico que atende mulheres com câncer.
Uma das mais belas atrizes de Hollywood nos anos 1940 e 1950, esteve no Brasil para a filmagem de "Pão de Açúcar" (1964), no qual contracenava com o galã italiano Rossano Brazzi (1916-1994). 
um resumo dessa produção,  que teve parte das cenas filmadas na Fazenda Califórnia em Jacarezinho (PR) (1963).
 Producer: Martin B. Cohen Director: Paul Sylbert
Screenplay: Guilherme Figueiredo (play), Francis Swann
Cinematography: Amleto Daisse, Osvaldo Cruz Kemeny, Mario Pages
Art Direction: Alexandre Horvat
Music: Remo Usai
Film Editing: Rafael Justo Valverde
Cast: Carlos Alberto, Peter Bashka, Rossano Brazzi, Teresa Costelo, Dick Edwards, Osmar Ferrao, Rhonda Fleming, Leila Lane, Odete Lara, Annik Malvil. 
C-120m. 

Vemos na foto abaixo, uma das cenas do filme, feita em Jacarezinho:



Rondha e Rossano estiveram em Ourinhos na ocasião. Conta-se que a atriz esteve provando sapatos na "Casa Alberto". Ambos foram recepcionados pelo casal Maria e Rodolfo Pellegrino, ocasião em que o "Foto Machado", de José Machado Dias fez uma série de fotos. Foram realizadas também algumas fotos na Fazenda Califórnia.

Rossano, ao centro, tendo à esquerda Rodolfo Pellegrino.

Rodolfo Pellegrino faz uma saudação à bela atriz.


Durante as filmagens na fazenda.



Cenas da filmagem.




Ourinhos manda lembranças a Rondha Fleming.

25.7.15

OS DOIS TIMES FERROVIÁRIOS DE OURINHOS

Sede de uma ferrovia, de 1924 a 1944, a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná ( posteriormente Rede de Viação Paraná-Santa Catarina) e  atravessado pela Estrada de Ferro Sorocabana, Ourinhos teve um contingente de ferroviários muito grande.
Como era natural, eles se fizeram representar na política, a partir de 1945, por meio do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, época em que empregados dessas ferrovias foram eleitores vereadores.
No futebol, a participação dos ferroviários não foi diferente: em 27 de março de 1937 era criado o São Paulo-Paraná Futebol Clube. Sua primeira diretoria foi constituída por:
Dr. Wallace H. Morton – Presidente (era o superintendente da ferrovia)
Dr.James Lister Adamson – Presidente “Honoris Causa”
Dr. Alastair T. Munro – Vice-presidente
Hermínio Socci – Diretor Geral
João Batista Lopes – 1º Secretário
Olímpio Jorge de Morais – 2º Secretário
Teobaldo José da Costa – Tesoureiro
Luiz Zanotto – 2º Tesoureiro
Anselmo Gonzáles, Orivaldo dos Santos e José Malaquias – 1º, 2º e 3º diretores esportivos respectivamente
Ormuz Ferreira Cordeiro – Orador oficial
Artur Herrington Smith, Miguel Ospar, Antonio Dias Ferraz, Antonio Lopes, Jorge Torres Galvão e Osvaldo Correia – Membros do Conselho de Finanças
Carlos Eduardo Devienne, Benedito Monteiro, Dirceu Viana, Asdrúbal Nascimento, Castorino Ferraz Bueno, Manoel Lopes, José Bueno Lopes e José Del Ciel Filho – Membros do Conselho de Sindicância

Nesse time destacava-se  um dos empregados da ferrovia, futebolista de primeira, Alberico Albano.




No final dos nos 1940, outro time ferroviário foi formado após a encampação da ferrovia pelo governo federal, a qual  passou a integrar a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC): o Clube Atlético Ferroviário.



18.7.15

CAPITÃO PEDRO MOREIRA COPPIETERS (1912-1983)

Embora eu nunca tenha tido contato com ele, convivi com pessoas que muito o admiravam, guardando assim  de sua pessoa uma imagem muito positiva.
Também me recordo de alguns de seus filhos que foram meus contemporâneos.
Recentemente, o Face book pôs-me em contato com sua filha caçula,  Estela, que lá postou várias fotos interessantes  do passado da cidade e, por seu intermédio,  pude preparar esta merecida homenagem.



Baiano de Salvador, Pedro Coppieters nasceu em 12 de setembro de 1912, Viveu na sua terra natal até completar 19 anos, quando então ingressou no Exército Brasileiro. Isso se deu na cidade de Itajubá, MG, em 1935, no 19º Batalhão de Caçadores.
Na qualidade de Sargento de Infantaria, foi elogiado em 1935 pelo Presidente da República e pelo Ministro da Guerra, por suas qualidades morais e comportamento.
Pedro Coppieters chegou em Ourinhos em 1939, ano em que se formou a primeira turma do Tiro de Guerra, do qual se tornou Instrutor no ano seguinte, função  que também exerceu cumulativamente na cidade de Assis, em 1944.









Em 1946, foi transferido para Salvador, onde permaneceu até 1952, ocasião em que retornou a Ourinhos.
Permaneceu no Exército até 1954, quando passou para a reserva remunerada na condição de Capitão.
Desse modo, várias gerações de ourinhenses passaram por suas mãos no serviço militar obrigatório.
Amante de futebol,  foi diretor do Clube Atlético Operário, da Sociedade Esportiva Bacanas e  fundador do Núcleo Voluntário da Legião da Boa Vontade.
Foi grande a participação do capitão Pedro na vida civil da cidade, até a sua morte em 1983:
- membro da diretoria do Hospital Psicopata, do qual foi um dos fundadores;
-secretário executivo da Soprami;
- presidente da Santa Casa de Misericórdia;
- fundador e por várias presidente da Associação Mirim de Ourinhos;
- secretário executivo da Associação Comercial de Ourinhos.
Foi casado com Benedita da Silva. Tiveram os filhos: Eloyna, Esther Perci, Percival, Pedro, Pércio, Péricles,Pierre e Estela



O jornalista e escritor Jefferson Del Rios Vieira Neves guarda uma terna lembrança da convivência que teve com o capitão Pedro e seus filhos, no início dos anos 1960:



No alto – em pé: Eloísa (filha), Péricles (filho)  capitão e Sra.  Os filhos Pérsio e Pierre

Na mesa: - Domingos Perino Neto ,Jefferson Del Rios Vieira Neves, Alfredo Bessa Júnior, Wilson (?) bancário do Bradesco, Percival  (filho do capitão, Sergio Abujamra, o locutor da ZYS-7 José Maria Brandão de Toledo, Alfredo Cubas, Joaquim Bessa.


O Capitão Pedro, que nós ainda estudantes conhecemos,  foi um homem cordial e hospitaleiro com os  amigos dos filhos. Sua altura e  porte,  o tom de voz abaritonado, e os olhos azuis-cinza sugeriam ainda o comandante enérgico que gerações anteriores conheceram no Tiro de Guerra.  Quem, entretanto,  esteve sob  seu comando  jamais reclamou de prepotências . Sobrenome do norte da França, como o do ator  Paulo Autran, também descendente de franceses aportados na mesma Bahia onde o Capitão Pedro nasceu.
Éramos recebidos em sua casa em  maravilhosos vatapás, culinária pouco habitual na cidade. Tardes memoráveis da juventude, o que a foto (fins dos anos 60) expressa bem.
Visitei  o  capitão Pedro em 1982, sem imaginar  ser uma  despedida. Parte da família, depois do seu falecimento, transferiu-se para a Bauru.  Um dos filhos, Pierre (moramos juntos em São Paulo) , formou-se em medicina, clinicou em Ourinhos, Paranapanema e Arealva, onde faleceu. Os outros irmãos,  tão amigos  quanto ele , a vida nos dispersou. Mas vamos, quem sabe, nos reencontrar.