27.9.14

A "CASA ALBERTO"

Na segunda metade dos anos 1930 e meados de 1940, a "Casa Vasco", de propriedade Vasco Fernandes Grillo, filho do pioneiro José Fernandes Grillo, irmão de Benedita Cury, Elisa Braz, Elvira Vara, Alberto, Antonio, era a loja onde se compravam os artigos "da moda". O prédio onde se localizava a loja era um sobrado com residência no andar superior,  na confluência da Paraná com a Praça Melo Peixoto (ainda existe).  Vasco foi também  um exímio jogador do "Ourinhense". Em meados dos anos 1940, Vasco fechou a loja e mudou-se com a família para São Paulo. Ele era compadre de meu avô, tendo batizado minha tia Lourdes.

Foi a oportunidade que se abriu para o jovem Alberto Matachana, já com experiência em comércio,  adquirida na loja do pai Arquipo Matachana. Recém casado, construiu um moderno sobrado contendo loja no térreo e dois apartamentos no andar superior, um dos quais reservou para lá se instalar com a família. No térreo , instalou a "Casa Alberto", especializada em roupas, calçados e acessórios masculinos e femininos de alta qualidade  para todas as idades.  O próprio Alberto gerenciava a loja. Eu me lembro também de dois empregados excelentes que ele tinha no atendimento: o Salim, que anos depois montou sua loja, um empório muito bom na Expedicionário, e a Terezinha que ficou anos trabalhando na loja.
A loja tinha um espaço frontal para várias vitrines, uma novidade, onde os artigos mais recentes e procurados eram expostos.
Alberto, creio que nos anos 1970, construiu um hotel em frente a sua loja. Esse estabelecimento passou a ser gerenciado por seu filho Albertinho. 
A foto é de um desfile  de Sete de Setembro (Colégio Santo Antônio. Ao lado da Casa Alberto vê-se o jardim da residência de Ítalo Ferrari.

20.9.14

O BAR CENTRAL

Localizado  na Praça Melo Peixoto, onde hoje se encontra a Agência do Santander, esse bar fez história na cidade. De inicio, era de propriedade de Nicolau Farid. Tratava-se do ponto de encontro da elite, segundo o jornal "A Voz do Povo", o que a foto abaixo deixa evidenciado.

Essa foto, inserida no livro de Jefferson Del Rios, "Ourinhos - memórias de uma cidade", ao ser editada por mim num tamanho maior, apresentou  uma surpresa: na mesa central, sorrindo, à direita, vemos o superintendente da Companhia  
Ferroviária São Paulo-Paraná, o engenheiro Wallace Morton, na mesma mesa se encontra o médico Alfredo de Almeida Bessa. Na mesa ao lado,  à esquerda, vemos o cônego Miguel dos Reis Mello e o médico Ovídio Portugal de Souza, o que situa a época da foto entre os anos 1939-1940, podendo ser inclusive ter sido feita no dia da sua reinauguração em dezembro de 1939, agora pertencente à firma Nicolau (Farid) & Abuhamad (Salim). O jornal noticiava que após "ter passado por uma reforma, tornou-se uma faixada maravilhosa; um aspéto alegre é o que apresenta seu enorme recinto. Acaba de possuir um novo
sortimento de tudo quanto ha de bom, e ainda mais um com­
pleto maquinismo para café, e tres mesas de snoocker modelo 1940 e um bem organizado studio da P. R. B. 1 com dois altifalantes". Acredito que o bar tenha sobrevivido até finais dos anos 1950.
O neto de Salim, Marcelo Abuhamad, falecido em 2013, foi o fundador  do restaurante "El Faiati", em Ourinhos. 
A foto que vemos abaixo, a de um desfile de Sete de Setembro (1953 ou 1954) mostra a fachada do bar.
  
Nessa foto o destaque é a balisa. Trata-se da  bela jovem Nancy Nicolosi, filha de Narciso Nicolosi e Alzira Tocalino. Nancy, alguns anos depois, tornou-se esposa de Alberto Santos Soares, o "Bertico", filho de Horácio Soares.  
Fontes: "A Voz do Povo" de 21-1 e 30-12-1939;
Jefferson del Rios, obra citada; 
Eitor Martins - "Minha vida - meus amigos - minha cidade - Resgatando nossa história" - edição online.

13.9.14

FRANCISCO CHRISTONI E OSCAR PEDROSO




Carlos Christoni originário  de Montalvo, no norte da Itália, veio com a família para Brasil em 1906, radicando-se primeiramente em Pirassununga. Em 1909, Carlos e   os filhos Angelo, Justo, Ernesto , Vitório, Rosa e Barbarina, estabeleceram-se em Ourinhos. Segundo narra Jefferson Del Rios, "dedicaram-se à lavoura, à fabricação de aguardente e ao comércio".
Angelo foi o responsável pela criação das duas primeiras vilas de Ourinhos: a Vila Nova e a Vila Margarida, loteadas em área de sua propriedade, em 1937. A denominação Margarida para uma das vilas foi uma homenagem à esposa, que tinha esse nome. 
O casal teve os filhos Francisco, Virgínia, Braz, Otávio e Maria.
Francisco foi vereador na primeira e na segunda legislatura da Câmara Municipal de Ourinhos (1948-1952) (1952-1955),  após o final do Estado Novo (1937-1945). 
 Otávio foi bastante conhecido por  várias gerações de alunos do Instituto de Educação de Ourinhos, já que era inspetor de alunos nessa escola.
Oscar Pedroso, natural de São Roque,  era filho de Joaquim Pedroso, escrivão de paz em Ourinhos,  e de Maria Cristina Pedroso. O jovem Oscar, que contava  23 anos de idade, era escrevente no Cartório de Paz e vice-presidente do Centro Recreativo Operário. Uma de suas irmãs foi uma das melhores alfabetizadoras do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, a professora Adelaide Pedroso Racanello, de quem fui aluno no primeiro ano do curso primário, em 1955.
 O irmão de Oscar, José, sucedeu ao pai no Cartório de Paz, tendo sido casado com outra grande  professora primária de Ourinhos, dona  Anita Pedroso, de quem me lembro com saudades.
Na madrugada de 11 de outubro de 1931, o jovem Oscar foi morto  a tiros quando retornava para casa.
O jornal " A Voz do Povo" assim noticiou o fato:
"Em plena rua desta cidade, o jovem Oscar Pedroso, escrevente juramentado do Cartorio de Paz, foi covardemente assassinado por um soldado da Força Publica. Na madrugada do dia 11 do corrente, esta cidade foi theatro de uma horrivel scena de san­gue, que veio alarmar profundamente o espirito publico, conduzindo-o á justa revolta por esse selvagem attentado, do qual foi victima um moço de bellas qualidades moraes e civicas, perten­cente á distincta familia da nossa mais fina so­ciedade.O jovem Oscar Pedroso, quando á madru­gada daquelle dia, se dirigia para a sua resi­dência, ao passar pela rua Alagoas, defronte á uma casa suspeita onde se realisava um baile, foi cercado por dois soldados do destacamento local, que não estavam de serviço, dos quaessó um estava fardado e após ligeira troca de palavras por motivos frí­volos, atracaram-se em lucta corporal. Oscar, querendo furtar-se á pri­são que lhe era promettida, corre em direcção á rua Amazonas, quan­do um dos soldados, o de nome Pedro Ribei­ro, sacca do revolver e deu ao gatilho, indo o projectil attingir a cabeça de Oscar, tombando-o morto quasi que instantaneamente."
Eram irmãos de Oscar : Alice, profª. Laura, casada  com o sr. Joaquim Pereira da Rocha, residente em Ribeirão Preto; prof. Faustino, casado com d.Augusta Barbosa, residente em Nuporanga; prof. Maria Eulina,casada com o sr. phco. Army Rosa,  residente em Sorocaba; dr. Ernesto Pedroso, casado com d.Maria Pedroso, residente em Olimpia; prof. Joaquim Pedroso Filho, casado com d. Mariqunhas Pedroso (foi diretor do Grupo Escolar de Ourinhos); profª. Adelaide Pedroso, ca­sada com o sr. Graciano Racanello; srtas.Alzira e Anezia e o sr. José Pedroso. 
Muito estimado na cidade, o enterro do jovem Oscar contou com a presença de cerca de 1500 pessoas, conforme cobertura feita pelo jornal.
Cheguei a conhecer a bela casa que fora da família Pedroso, na avenida Altino Arantes, ao lado do Grêmio Recreativo de Ourinhos. 
Meu pai, que foi amigo dos dois,  tinha  no seu arquivo uma foto de Francisco Christoni e Oscar Pedroso sentados num banco do Jardim, É a foto que ilustra esta página.

7.9.14

PARABÉNS À FOLHA DE OURINHOS - 58 ANOS DE BOM COMBATE - DESFILES DE SETE DE SETEMBRO

Em homenagem ao decano da imprensa de Ourinhos, que completa 58 anos nesta data,  e a mais um aniversário do Dia da Pátria, selecionamos algumas fotos do SETE DE SETEMBRO EM OURINHOS, feitas pelo fotógrafo amador Francisco de Almeida Lopes.
Parabéns irmãs Farah pela sua luta!
Em frente! 
Rumo ao Sexagenário!

INÍCIO DOS ANOS 1940
Praça Melo Peixoto -  a baliza Alzirinha Matachana - Ginásio de Ourinhos


 Ginásio de Ourinhos -  rua Souza Soutello
Avenida Altino Arantes -   Início dos anos 1950 - Ginásio Estadual e Escola Normal
 1953 - Colégio Santo Antônio - Jardim de Infância - à frente a Irmã Vivalda - rua Rio de Janeiro
 1959 - Instituto de Educação Horácio Soares - praça Melo Peixoto
 1962 - Instituto de Educação Horácio Soares - avenida Altino Arantes
7-9-1976 - Escola Estadual de Primeiro Grau Josefa Navarro Lemos - avenida Altino Arantes




31.8.14

PROFESSOR JOSÉ MARIA PASCHOALICK, PREFEITO DE OURINHOS



Nesta foto, Paschoalick está à direita,  no novo coreto da Praça Melo Peixoto.
Autoria: Francisco de Almeida Lopes.
A aluna Marisa Ferreira Batista, tendo ao seu lado o pai Antonio Ferreira Batista (gerente do Banespa) recebe o diploma do curso primário, em dezembro de 1954, das mãos do diretor José Maria Paschoalick.
Outro flagrante da entrega do diploma a Marisa, no qual se vê à esquerda a profª Dalila S. Souza. 

Desde criança, guardo simpatia para com o prefeito José Maria Paschoalick (1956-1959). Quais seriam as razões? Talvez porque tenha sido de suas mãos que recebi o meu diploma do curso primário,  realizado no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá (1958). Muitos anos depois, os problemas que enfrentou logo após o golpe de 1964 (chegou a ser aposentado compulsoriamente como professor da rede estadual) devem ter contribuído também para isso.
Ele foi professor e diretor do Grupo Escolar Jacinto ferreira de Sá´("Grupão"). Sua vinda para Ourinhos deve ter ocorrido em finais dos anos 1930.
Pela leitura das páginas de "A Voz do Povo", percebe-se que era um homem dinâmico, envolvendo-se em atividades outras que não a do cotidiano de um professor do ensino primário.
Em 1º de setembro de 1940, um grupo de jovens ourinhenses partiu  em direção ao rio Paraná até o porto de Guaíra, na divisa com o Paraguai. Os participantes dessa expedição, denominada “Bandeira de Ourinhos”, tinham como objetivo estudar as riquezas do Brasil desconhecido. Chefiava-a o profº José Maria Paschoalick,  O percurso foi feito por canoa seguindo as margens do rio Paraná.
Meu pai deve ter acompanhado a saída desse grupo, pois recordo-me de algumas fotos do grupo em um de seus álbuns, infelizmente somente restou o negativo da foto abaixo.
O retorno dos “bandeirantes’ ocorreu no dia 27 de setembro, ocasião em que foram recepcionados à noite, no “largo do jardim”, com um comício público no qual falaram o prefeito Horácio Soares, o profº José G. de Matos, do ginásio local e, em nome de Salto Grande, o jornalista Miguel Farah. Pela “Bandeira”, agradeceu o professor Paschoalick (fonte - "A Voz do Povo", 28-7-1940) 
Ainda nos anos 1940, Paschoalick foi secretário do Sindicato dos Ferroviários, o que  deve  lhe ter assegurado muitos votos nesse meio quando candidatou-se a prefeito  em 1955.  Há manifestações positivas na imprensa a respeito do excelente trabalho que desenvolveu nesse sindicato.
Sua gestão foi marcada por uma forte oposição da União Democrática Nacional - UDN - local. Uma leitura de páginas  de alguns exemplares do "Diário da Sorocabana",  durante a sua gestão, dá mostra disso.
Apesar de  muito criticado pela iniciativa, levou adiante a construção do Ginásio de Esportes de Ourinhos, em 1958, ano em que se deu  também a inauguração da nova Praça Melo Peixoto.
Durante a sua gestão, a Câmara Municipal de Ourinhos achava-se na sua 3ª legislatura, e teve a seguinte composição:

1956 a 1959   (3ª. Legislatura)
  1. Abrahão Abujamra (Presidente 1956/1957)
  2. Aimoré Ferreira
  3. Alberto Santos Soares
  4. Américo Botelho Vieira
  5. Aparecido Gonçalves Lemos
  6. Dalila S. Souza
  7. Domingos Camerlingo Caló
  8. Esperidião Cury
  9. José Del Ciel Filho (Presidente 1958)
  10. José Domingues da Costa
  11. Manoel Teodoro de Mello
  12. Oriente Mori (Presidente 1959)
  13. Osvaldo Egydio Brizola
  14. Paulino dos Santos
  15. Reinaldo Azevedo
 
Foi seu líder na Câmara Municipal,  o jovem Alberto Santos Soares (Bertico), um dos filhos de Horácio Soares. Pela análise que faço dessa composição da câmara, acredito que Paschoalick  nela contava com  maioria.
Pesquisando na web encontrei um artigo ("Jornal da Cidade" - Ribeirão Preto) do qual deduzo que a família tenha se radicado em Ribeirão Preto. Nesse artigo ( "Jonas carrega no sangue o "legado da luta" http://www.jornalacidade.com.br/noticias/cidades/NOT,2,2,938025,Jonas+carrega+no+sangue+o+legado+da+luta.aspx encontramos notícia sobre o filho (José Maria)  e um neto do prefeito Paschoalick.  
Houve duas homenagens públicas a Paschoalick em Ourinhos. O ginásio de esportes que ele construiu leva o seu nome e também uma escola estadual,  a Escola Estadual José Paschoalick ( LEI N. 4.921, DE 17 DE DEZEMBRO DE 1985).


17.8.14

JOÃO GARBIM E O TEATRO EM OURINHOS




Vemos na foto João Garbim e a esposa Hermínia em baile carnavelesco no Grêmio Recreativo de Ourinhos. Foto do Acervo de Wilson Monteiro.

A respeito de João Garbim sabíamos  de seu dom como escultor, sendo  fabricante de artefatos de cimento, cujo estabelecimento, com residência na frente,  ficava na Rua São Paulo, onde hoje se encontra a Biblioteca Municipal.
Tendo nascido e sido criado na Rua 9 de Julho, era comum para mim passar pela rua São Paulo naquele trecho.
Lembro-me bem da residência da família que tinha uma vasta varanda na frente. Ao lado, na entrada da fábrica,  encantavam-me os belos anões de cimento que lá se achavam.
A qualidade da sua produção ceramista  pode ser comprovada por qualquer um que adentre a Catedral de Ourinhos e observe o piso que lá se encontra, firme e bonito, há mais de sessenta anos. 
Segundo Maria Aurora Brochini Ortela, sua sobrinha:

Meu pai Hermelindo e meu tio Arnaldo Brochini.....sobrinhos do João Garbim....quem fazia as esculturas era meu pai Hermelindo....que fez as obras da matriz Nova...e da capela das irmãs....verdadeira maravilhas......me lembro como meu pai travalhava com gesso para fazer as formas....aprendeu com tio João.....verdadeiro mestre...um genio.



Pois bem, na pesquisa que venho realizando há anos nas páginas de “A Voz do Povo”, descubro os dotes teatrais do srº João Garbim, que foi um dos precursores dessa arte em Ourinhos.


21 de Março de 1942
FESTIVAL DRAMÁTICO BENEFICENTE
"Realizou se a noite de sex­ta-feira ultima, dia 20, no Cine Teatro Casino, com enchente á cunha, o esperado espetá­culo dramatico em beneficio da Santa Casa de Ourinhos, organizado e representado por um grupo de moços ourinhenses esforçados, sob a direção artística do sr. João Garbim. No palco, depois de uma breve alocução alusiva e enaltecendo o gesto filan­trópico dos Amadores Tea­trais Ourinhenses Reunidos, feita com a eloquencia de sempre pelo dr. Hermelino de Leão, dinâmico prefeito de Ourinhos e a quem devemos a construção da Santa Casa, foi apresentado o importante trabalho dramatico de autoria de J. Vieira Pontes, entitula- do «A Filha do Estalajadeiro», em 3 atos, agradand o muito, pelo cabal desempenho dado á peça pelos moços da turma bamba ensaiada por João Garbim.
Merecidos aplausos con­quistaram os rapazes do A.T. O. R.,conseguindo eles os mais francos sucessos tambem de bilheteria, vendo assim coroado de pleno exito a fi­nalidade dos seus esforços  favorecer a construção da Santa Casa, doando a renda do espetáculo.
O festival teve ainda a abrilhanta-lo, na ouverture, a fi­larmônica municipal «Lira C. Gomes», sob a regencia do maestro Camargo, registrando mais um sucesso.
Ao Garbim e aos rapazes Amadores Teatrais Ourinhenses Reunidos, os nossos pa­rabéns pelo tento lavrado e pela generoso gesto que tive­ram de beneficiar o nosso hospital em construção, cujo acabamento depende, agora mais do que nunca, do auxi­lio decidido de todos os ourinhenses amigos do progres­so local e da nossa gente pobre, que é a que mais vem a se beneficiar com o hospital"
In www.tertuliana.com


9.8.14

MARJORY MORTON E MARIA REMÉDIOS RIBEIRO GABRIOTI


O engenheiro inglês, Wallace Morton,  veio para Ourinhos em 1929 a fim de exercer o cargo de engenheiro ajudante da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, uma empresa de capital inglês.
Em 1932, ele assumiu a superintendência da ferrovia em substituição ao engenheiro Hamilton, que havia pedido demissão por questões de saúde.Exerceu esse cargo até 1944, quando a ferrovia foi encampada pelo governo federal, passando a integrar a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina.
Sua esposa chamava-se Marjory. Em 1940, nasceu a filha do casal,  Rosemary Morton.
Maria Remédios era filha de um português chamado Anastácio Ribeiro,  primo de uma das pastorinhas que presenciara a aparição da "Virgem" em Fátima. A mãe de Maria  era Dolores Robles Godoy, filha de espanhóis. Robles é um antiga família ourinhense de origem espanhola. Com a morte do pai, quando tinha apenas seis anos, a menina, segundo a filha Maria Aparecida Gabrioti Pires de Oliveira, "começou uma vida difícil de trabalho em casas de famílias".
Sua mãe ficara viúva aos 28 anos, tendo que assumir a direção de uma casa com quatro filhos, a mais nova ainda bebê.Desse modo, os dois mais velhos, embora crianças, tiveram que começar a trabalhar para ajudar na manutenção da família.
Para Maria Remédios foi um período difícil de trabalho em casas de famílias até chegar em na enorme e bela casa da Rodrigues Alves, onde residia o casal Morton.
Maria Aparecida narra:

Foram patrões especiais. Muito respeito, carinho e reconhecimento. Eles não cuidavam só do bem estar físico. Nas folgas semanais o motorista levava minha mãe até o cinema e depois ia buscá-la ao término da sessão. Essa era uma das mordomias; existiam muitas mais. No final de 1940,  minha mãe conheceu meu pai, que era viúvo (com 3 filhos) e tio dos Brandimarte (eles eram filhos de sua irmã mais velha, Albina). Começou o namoro, D. Marjory deu a maior força e eles  se casaram em dezembro de 41. D. Marjory preparava-se para fazer o meu enxoval de bebê quando faleceu.
Minha mãe viveu a vida toda bendizendo esse casal. Eu, como não podia deixar de ser, aprendi a amá-los e respeitá-los."
Em 1942, Marjory contraiu pneumonia, na época uma doença muito grave. Ela foi para São Paulo para se tratar e lá faleceu em Agosto de 1942.
O semanário "A Voz do Povo" assim noticiou o seu falecimento:

18 de Julho de 1942

Falecimento
D. Marjorie Izabel Morton
 Em S. Paulo, onde se encontrava em tratamento, fa­leceu domingo ultimo, a sra. d. Marjorie Izabela Morton, virtuosa consorte do snr. dr. Wallace Morton, superintendente da S. Paulo-Paraná. A extinta contava 30 anos de idade, era natural da Escócia, deixando uma filhinha de 3 anos de idade. A noticia do seu falecimento consternou profundamente toda a cidade, onde a extinta tinha um largo circulo de amizades. O Rótari Clube de Ourinhos  do qual o dr. Morton é presidente, prestou uma justa e sincera homenagem á memória da extinta, suspendendo a reunião jantar do dia 14, terça-feira, e a diretoria telegrafou ao dr. Morton, dando-lhes os sentidos pesames, em nome da população de Ourinhos, pelo doloroso transe por que passou.
A «A Voz do Povo», renova ao dr. Morton os seus sinceros pesames, extensivos á sua exma. Familia.


Marjory, a filha Rosemary e Maria Remédios são vistas na foto abaixo por ocasião de férias em Guarujá, provavelmente em 1941.


Nesta outra foto,dona Maria está no Bar Cinelândia, de propriedade de seu marido, do qual todos nós nos lembramos com saudade. O bar ficava em frente ao Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá", hoje Diretoria de Ensino.
Ao seu lado,Mauro Gabrioti já falecido.


Drº Morton registrou  num documento de 1986, pouco antes de seu falecimento em "Camberley":

Com orgulho, posso dizer que nos anos de 1932 até 1944, em que eu era superintendente da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, se  operação da estrada foi um grande sucesso, foi devido à leal cooperação e dedicação ao trabalho que recebi de todos os empregados da estrada, e a todos devo o meu sincero obrigado.
In Jefferson Del Rios - Ourinhos - memórias de uma cidade paulista, 1992 p.89