12.4.14

FIORI GIGLIOTI (1928-2006)





O famoso locutor esportivo,  que narrou dez copas do mundo, acabou falecendo na véspera de uma delas, a de 2006.
Trabalhou em várias rádios paulistas, fazendo  uma longa carreira na Rádio Bandeirantes. Foi o autor de frases notáveis durantes as suas narrativas, e que entraram para a história do futebol brasileiro :
 “Um beijo no seu coração”, “O tempo passa”,  “Uma beleza de gol!” , “Tenta passar, mas não passa!”, "Agora não adianta chorar" ,  "Torcida brasileira",  “Crepúsculo de jogo”, “Aguenta coração!”, “Uma beleza de gol!”,  “Um beijo no seu coração”.
A foto que ilustra esta coluna é a de uma visita de Fiori a Ourinhos, assunto que já foi objeto de dois bons artigos de meu colega César Resta (Nato) neste jornal.
Conforme noticiou  o jornal "O Progresso de Ourinhos", de 15-11-1965, a cidade recebeu componentes da equipe esportiva da Rádio Bandeirantes. A equipe foi recepcionada no Clube Balneário Diacuí, tendo discursado em saudação, o professor Norival Vieira da Silva. Agradecendo, discursou Fiori Giglioti.
O grupo percorreu as ruas da cidade numa passeata de carros. Visitaram as dependências da CTO, ocasião em que discursou o jornalista Miguel Farah.
Visitaram também a 2ª Feira de Ciências do IEHS, que recebeu na ocasião aproximadamente 15.000 visitas
Foi-lhe oferecido um coquetel no GRO
À noite no CAO houve uma partida entre os veteranos do clube  e o time do "Scratch do rádio", partida vencida pelos veteranos com o placar  de 6 x 1. Às 23h30,  foi-lhes oferecido um jantar no Restaurante Ipê, que prolongou-se até as 4 horas da manhã. 
Na foto, vemos Giglioti falando para a rádio local tendo à direita o repórter Dirceu Bento da Silva. Logo atrás de Fiori vemos o correspondente da Rádio Bandeirantes em Ourinhos, o conhecidíssimo "João Peixeiro" e o ex-prefeito Antônio Luiz Ferreira.
Uma bela lembrança desse fato tão importante que um fotógrafo registrou.

5.4.14

OURINHOS NO ALVORECER DOS ANOS 1930

No alvorecer dos anos 1930, o Município de Ourinhos segundo artigo de J.B. Guerreiro, contava com cerca de 15.000 habitantes, dos quais por volta de 3.500 moravam na cidade. 


Surpresa das surpresas, com essa população pequena a cidade tinha três clubes de futebol: O mais antigo creio,  Esporte Clube Operário, os recém criados Aurora Futebol Clube e Clube Atlético Ourinhense

Para dirigir o "Operário" haviam sido eleitos em assembléia geral de 1931:

Presidente: Hermenegildo Zanotto
Vice-Presidente: Chede Jorge
1. Secretario : Luiz Zanotto
2. Secretario : Altamiro Pinheiro
1. Thezoureiro : Humberto Detogni
2. Thezoureiro: Antonio Carlos Mori
Director Geral ! Lazaro dos Santos
Orador Official: Prof. Joaquim Pedroso Filho
Conselho Fiscal : Manoel Teixeira, João Du­arte Medeiros e Oswaldo Pareto Torres
Director Esportivo : Américo de Carvalho
1. Capitão : Leontino Ferreira
2. Capitão : José Rezende Gomes

A diretoria do "Aurora", eleita em 1931,  era composta por: 

Presidente: Sebastião Jorge Mo­raes;
Vice-presidente; Moacyr Teixeira;
 1 .o Secretario: Oswaldo Vieira
2.o Secretario: Jorge Ribeiro;
Thesoureiro: Ataliba Nascimento;
Director-esportivo Humberto Mori;
 Commissão de syndicancia: José Beltrami, Pe­dro Martins e Alfredo Gonçalves

E o novo clube, fundado em julho de 1931, Clube Atlético Ourinhense , conforme notícia publicada na edição de 5-7-1931 de "A Voz do Povo":

NOVO CLUBE
Por deliberação de diver­sas pessôas desta localida­de, procedeu-se a uma reu­nião afim de fundar um no­vo Clube para a pratica do futebol.
Nessa reunião foi escolhido o nome do Clube, o qual passará a chamar-se “CLUBE ATHLETICO OURINHENSE“.
Igualmente realisou-se a eleição da Directoria do novel Clube a qual está assim constituída: 
 Presidente: sr. Ítalo Ferrari
Vice-Presi­dente: Carlos Devienne
1.0 Secretario: sr. José Borges de Faria
2.o Secretarie: João Lauro de Campos
3.o Secretario: Evilasio Vianna
 l.o Thesoureiro: Donato Sassi
2.o Thesoureiro: sr. João Crivellari
3.o Thesoureiro; Antonio Nicomedes Peixe
l.o Director Geral sr. Edison Leonis
2.o Director Geral: Antonio Ferraz
l.o Director Esportivo; sr. Aristides Vianna
2.o Director Es­portivo; sr. Pedro Carrara 
Conselho Fiscal; srs. Julio Móri, Marcos Trench, Adriano Braz e Francisco  Vara
Commissão de Syndicancia: srs. Joaquim Benatto, Alberto Motta e Antonio Saladini 

A anotação feita por meu pai nesta foto do seu acervo a indicava como a primeira diretoria do CAO. A presença de algumas pessoas que não constam da indicação acima deixa-me em dúvida.


Primeira fileira: em pé João Batista Crivelari, sentados Mário Mori, Miguel Cury, Júlio Mori, Ítalo Ferrari - Antonio Saladini, Antônio Dias Ferraz; atrás em pé: Evilasio Viana - Antonio Carlos Mori, Benedito Monteiro, Edison Leonis, Carlos Deviene e Vasco Fernandes Grillo. 

Na vida política, a exemplo do que ocorria no país como um todo Ourinhos vivia, após a Revolução de 1930,  a instabilidade na ocupação dos cargos de prefeito. De Outubro de 1930 a 1932 tivemos quatro prefeitos: drº Hermelino A. de Leão, Rodopiano Leonis Pereira, Drº Theodureto Ferreira Gomes e dº josé Felipe do Amaral.

Nas páginas do semanário "A Voz do Povo" encontramos em 1931 alguns fatos interessantes e engraçados:

Casamento
Senhor viuvo, respeitável, intelligente, com 35 annos de idade, deseja casar-se com senhorita ou senhora viuva,
cuja idade esteja entre  20 e 35 annos.
O pretendente pede ás que se quizerem candidatar a tal
casamento, enviarem suas photographias ou escreverem
ao «Senhor Viuvo», aos cui­dados da redacção d” A Voz
do Povo ”

O viúvo terá sido feliz na busca?





Cuidado com a vaca
No dia 17, na VILLA NOVA, em frente á residencia do sr. Manoel Pires, uma vacca brava investiu contra a sra. d. Deolinda Cruz, esposa do sr. Joaquim Cruz, produzindo-lhe ferimentos de pouca gravidade.
A victima foi medicada na "Casa de Saude", pelo dr. Hermelino Leão.


O Dr. Prefeito Municipal tratando do embellezamento urbano, mandou plantar diversas mudas de arvores, nas principaes ruas e ave­nidas.
Acontece, porem, que em dias desta semana, foram encontradas diversas mudas quebradas.
São por certo, espíritos malfeitores que  vêm prati­cando tão reprováveis ac­ções.
Ao povo compete zelar pelo desenvolvimenlo des­sas plantas, que irão mais tarde enfeitar nossa cidade.
Urge providencias enér­gicas para que taes actos não se repitam.

CONCERTO

Hoje, das 19 ás 20,30
horas haverá no Jardim, um concerto pela Banda Mu­nicipal, que obedecerá ao seguinte programma :
1ª. PARTE
Santa Cruz — dobrado;
Longe dos olhos— valsa;
Canja á carioca — samba;
Garibaldi in Caprera — symphonia
2ª PARTE
Beija-Flor — dobrado;
Cavatina da Opera Attila;
La Cumparsita — tango;
Sueno Chino — fox-trot;
Republica ou Morte — marcha

Luz no jardim
A Praça João Pessoa to­ma actualmente a physionomia colorida de uma ci­dade moderna. Os magestosos prédios que se levan­tam em roda, cercam o lo­gradouro publico nos do­mingos e dias festivos, co­mo atalaias que vigiam o povo que se diverte. 

Infe­lizmente esses Ciclopes, não perscrutam tudo o que se passa, devido a carência de luz. Julgamos opportuno lembrar a Camara Munici­pal a bella proposta do Agente da Cia. Força e Luz Santa Cruz, sr. Nelson Fleury,  installando a luz sobre postes de ferro com 
ligação terrea e interna; ou pelo menos augmentar o numero de lampadas nos passeios.
(A praça da cidade durante um curto período após a Revolução de  1930 foi denominada Praça João Pessoa, em homenagem ao político paraibano morto um pouco antes do deflagar da revolução)


29.3.14

O "CORREIO DE NOTÍCIAS" (1952-1957)



Essa foi a penúltima edição do semanário "O Correio de Notícias" (15-12-1957),  que circulou durante cinco anos após o fechamento de "A Voz do Povo". 
Nessa ocasião, tinha como diretor responsável o professor Norival Vieira da Silva. O conselho administrativo do jornal , era integrado por Américo Vieira Botelho, Basílio Vinci e Dalton Morato Villas Boas, com redação instalada na Rua Euclides da Cunha nº 64.
Quando do seu lançamento, 1952,  o semanário tinha como  membros do conselho administrativo:  Reinaldo Alves de Souza, Armando D'Andréa e Antonio Luiz da Costa. Cândido Barbosa Filho era o diretor responsável, o professor Norival Vieira da Silva um dos redatores. Também integrou a direção, em 1956,  José Galian Blasco.
Pelos nomes envolvidos via-se que o jornal tinha orientação udenista, a mesma que seria mantida pelo seu sucessor "Diário da Sorocabana" .
O jornal era de  propriedade da Sociedade Gráfica e Editora Ourinhos Ltda.


Na primeira página dessa edição, na coluna SOCIOLOGIA E POLÍTICA" sob o título "O ÚLTIMO , EM SEU VELHO UNIFORME", o diretor responsável fala sobre a origem  do jornal, seu objetivo  e anuncia o nascimento daquele que seria o seu sucessor, agora um jornal diário - o "Diário da Sorocabana". 

"Correio de Noticias" há cinco anos era fundado em Ourinhos. Dizia-se um jornal para servir aos interesses da cidade e da região.
Cumpriu sua promessa. Dele podemos dizer que combateu o bom combate. Por cinco anos, todas as semanas percorria os lares de Ourinhos e  de outras cidades, para levar as aspirações de todos.
"Correio de Noticias" sempre teve sua conduta firme, seus princípios, sua plataforma que foi seguida em todos os dias, Muitas vezes não agradou a todos. Natural, pois conduta, princípios e plataforma não são iguais para todos, decorrem do livre arbítrio de cada um.
Mas uma cousa é certa: todos lamentarão o desaparecimento do seu nome "Correio de Noticias", que  já se tornou leitura obrigatória. Já se habituara com suas páginas, modestas, mas que sempre procuraram servir.
Aqueles que por longos cinco anos de lutas e dificuldades vencidas trabalharam na redação, nas oficinas, na administração, nas colaborações, nas publicidades. também sentem o desaparecimento  do nome.
 Mas, uma coisa é clara, não desaparece o  Correio, ele  se transforma para melhor, atender ao pedido, à aspiração  da Média Sorocabana, para que tenha um órgão na defesa de seus interesses. 
Será ampliado, sua circulação  muito mais ampliada, não mais todos os domingos, mas todos os dias estará pelas ruas para o bom combate.
" Correio de Noticias" não desaparece, muda seu nome pois deverá atender a toda a região da Sorocabana e não mais somente Ourinhos e cidades vizinhas. 
Ourinhos terá o privilégio de ser a sede do diário da região, situada no centro da Media Sorocabana, para Ourinhos convergirão todas as  noticias e aspirações que o Diário da Sorocabana se encarregará de levá-las  por todo o Estado.
Sentimos também, como todos, o desaparecimento do Semanário " Correio de Noticias".
Mas é um sentimento  sufocado por uma alegria maior, alegria de ver aquele jornal, por que lutamos tanto, crescer, ampliar-se e transformar-se em "Diário da Sorocabana".
"Correio de Notícias" continuará nas páginas do Diário, onde leremos o Picareta, o Farpador, o Blivio, o H. O. S., e tantos outros colaboradores.
"Correio de Noticias" teve sempre um lugar no coração do povo de Ourinhos, Cede esse lugar para o "Diário da Sorocabana", pelo o que vamos dar todos, nossa atenção nosso esforço,  nosso apoio, maior  ainda do que recebeu o semanário "Correio de Notícias"

Era destaque nessa edição de 15-12,  em primeira página, a formatura dos alunos das duas escolas normais da cidade; a do Colégio Estadual  e Escola Normal Horácio Soares e a da Escola Normal Livre "Imaculada Conceição".  Também dava-se destaque à formatura em medicina de dois ourinhenses: Nilo de Freitas e Suel Abujamra.


Duas grandes produções norte-americanas  estreariam na semana: "O Ladrão de Casaca", de Alfred Hitchcok e " O Pecado Mora ao Lado", de Billy Wilder.
A coluna odontológica apontava a existência de 15 dentistas na cidade.
O semanário abria espaço para quatro profissões  religiosas: a católica, a presbiteriana independente, a metodista e a espírita. 
A famosa lanchonete "MAPEÚVA" comentava em seu espaço  sobre as virtudes do cloro.
Noticiava-se a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal: presidente - José Del Ciel Filho; vice - Alberto Santos Soares; secretário - Paulino dos Santos; 2º secretário - Esperidião Cury.
O "Correio de Notícias" foi o primeiro contato do jornalista José Carlos Marão com a imprensa. Levou-o para lá o professor Norival.


Solicitei ao Marão que fizesse um depoimento sobre esse período:

   "Acho que o Correio de Notícias tinha pelo menos um ponto em comum com algumas publicações de hoje: não havia redação. As pessoas escreviam em casa. O Norival me mandava buscar uma noticinhas e assim aprendi muito com ele. Eu usava uma máquina do escritório comercial.
   Se não fosse ter encontrado aqui nos velhos papéis minha carteirinha de repórter do Correio de Notícias (guardei todas), eu não ia me lembrar direito nem acreditar. Como que você dá esse tipo de serviço para um rapazinho de 16 anos? Era essa a idade que eu tinha em 1957. Até fiz uma matéria grande, contando a história da escola de comércio, do professor Jorginho.
   Esqueci o nome do velho gráfico que compunha as matérias, letra por letra. Os tipos ficavam em uma grande prancha, dividida em quadrados, cada quadrado cheio com as mesmas letras. O velho gráfico conhecia a posição onde estava cada “a”, cada “x”, cada “m”. Usava um aparelho que ficava apoiado no antebraço e ia compondo. Logo depois, Salvador Fernandes traria para Ourinhos sua primeira linotipo, que dispensava esse trabalhão.
   Em 57/58, o Correio virou o Diário da Sorocabana. Mas o Norival se encarregou de sugerir ao Salvador Fernandes uma equipe de estudantes. Hoje seriam chamados de estagiários. Eram o José Luiz Devienne, o Carlos Artur Zanoni e eu. Mas só eu fiquei. Se eu tinha feito um curso com o Norival, fiz uma “pós” com o Salvador Fernandes. Fiquei amigo do Salvador. Veio outro jornalista da grande imprensa, Redento Natali Jr, casado com uma das Abramo, que nos ensinou as malandragens da profissão.
   Hoje, aqui, depois de ter andado muito por essa grande imprensa, semi-aposentado, a cada vez que me reúno com aquelas feras do Observatório da Imprensa, onde fazemos um tipo de trabalho praticamente voluntário, nunca deixo de me lembrar das minhas origens, do Norival, do Correio de Notícias, do Salvador e do Diário da Sorocabana."


22.3.14

PRIMÓRDIOS DO TEATRO EM OURINHOS - ENTREVISTA COM EUCLIDES VALVASSORI





A partir de conversa que mantive com meu primo, o jornalista Jefferson Del Rios Vieira Neves após publicação de página neste blog a respeito dos primórdios do teatro em Ourinhos, ele interessou-se por uma conversa com o único remanescente desse grupo ainda vivo: Euclides Valvassori.
Em conversa com telefone que mantive com Euclides, impressionou-me o grau de lucidez numa pessoa com mais de 90 anos.
Jefferson foi a campo, entrevistando-o.
O resultado está aqui:
"O primeiro grupo amador teatral de nossa cidade tinha o engenhoso e bem humorado nome de GATO (Grupo de Amadores Teatrais de Ourinhos). Afirmação de  Euclides Valvassori um dos seus fundadores juntamente com o nosso tio Sebastião Neves.
 Nascido em São Manoel, em 1920,  o senhor Valvassori residiu em Ourinhos entre 1937 e abril de 1940. Seu pai negociava algodão  e ele foi alfaiate. Da pouca diversão ou vida cultural no cotidiano provinciano, surgiu a ideia do grupo amador vinculado à Congregação Mariana. Valvassori esclarece no entanto que não se tratava de proselitismo religioso e nem os artistas estavam subordinados às diretrizes do padre. Passados mais de 70 anos, Valvassori não guarda o nome de todos os integrantes do elenco, mas cita além de Sebastião dois outros tios nossos, Herculano e Maria Neves (que uma vez teria interpretado um pequeno papel) e Simão Pires do qual não tem notícias. O repertorio consistia em melodramas típicos de circo  e comédias de  Armando Gonzaga, autor então em grande em evidência. Dele, o GATO representou O Maluco Número 4 e a ainda conhecida  “Cala boca Etelvina”  levada ao palco por Procópio Ferreira (1925) e mais tarde ao cinema por Derci Gonçalves e Paulo Goulart (1959).
A equipe encarregava-se de toda produção incluindo cenários e figurinos. As apresentações eram pagas e parte da renda revertida para a paróquia. O GATO excursionava pela região e Valvassori lembra-se das viagens a Jacarezinho e Ribeirão Claro, no Paraná.
 Com o tempo, o grupo fundador se dispersou, outros vieram. Sebastião Neves mudou-se para Itapeva onde teve uma autoescola e era despachante nesta área, e Herculano Neves foi cursar direito na Faculdade São Francisco, em São Paulo, onde fez carreira como advogado. Maria Neves, tia Nim, trabalhou até se aposentar na antiga Cia Telefônica Brasileira e era uma pessoa conhecia e querida na cidade.  É hoje quase inacreditável descrever a telefonia desses anos em que a telefonista entrava na linha para intermediar as chamadas (o que se vê em filmes norte-americanos antigos)
Finalmente, em 1947, Valvassori, filho de brasileiro e italiana da região de Nápoles  deixou Ourinhos para sempre. Trabalhou inicialmente na extinta companha aérea Real Aerovias e a seguir tornou-se propagandista de laboratório farmacêutico até se aposentar. Viúvo desde o ano passado, reside no Alto da Lapa ao lado da filha Déa. Absolutamente lúcido e em boa forma física, colabora regularmente com uma crônica para  a revista Nosso Bairro (com sua foto no alto da página). Em São Paulo manteve contato com Herculano Neves e vez ou outra telefona para sua viúva, Geny.
Lamenta, mas não guardou nenhuma foto ou programa  dos espetáculos..
Esse grupo amador teatral Ourinhense  merece ser mais estudado porque continuou a existir até os anos 50 ou mais. Dou um testemunho, lembrança pessoal- uma faixa na praça Melo Peixoto anunciando o espetáculo “Morre um Gato na China”, de Pedro Bloch pelo mesmo G.A.T.O."

Foto: edição de foto por Francisco de Almeida Lopes, em 1941. Nela vemos Sebastião Neves, Euclides Valvassori (centro), Herculano Neves e Maria Neves.




16.3.14

A DROGASIL, ÁLVARO DE QUEIROZ MARQUES E HENRIQUE TOCALINO

Álvaro de Queiroz Marques, nascido em 11 de julho de 1900, era o mais de velho de uma família de 13 irmãos,  entre os quais quatro foram  farmacêuticos. Formou-se em 1924 pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Pindamonhangaba..
Estabelecido em Ourinhos, logo após a formatura, Álvaro teve participação ativa na vida empresarial,   partidária e social da cidade. 


Nesta edição de uma foto da inauguração da Clínica Ovídio Portugal (1938), Álvaro é o primeiro à esquerda (primeira fila). O terceiro é José das Neves Júnior.  Os três últimos são Mário Branco, Moacyr de Mello Sá e Narciso Nicolosi filho (Zico) . A última senhora, sentada, é dona Chiquinha Mano Filho, esposa de José Esteves Mano filho, que foi prefeito. 
A foto original é de autoria de Frederico Hahn.

Em 1934, vamos encontrá-lo fazendo parte do diretório local do Partido Republicano Paulista, como membro do conselho consultivo. Na primeira eleição para vereador (1936) após a promulgação da Constituição Paulista de 1935, foi eleito pelo PRP com 32 votos.
Em 1941, integrou a comissão organizadora da Santa Casa de Misericórdia.
Álvaro era sócio da Drogaria Amarante, uma das cinco tradicionais drogarias que vieram constituir a Drogasil (Sul América, Amarante, Ypiranga, Orion e Morse), como uma sociedade de quotas de participação limitada.
Em 1936, a Drogasil construiu um prédio em Ourinhos, ao lado do Hotel Comercial. Álvaro tornou-se o seu gerente.


Foto por Francisco de Almeida Lopes

A Voz do Povo, 4-4-1936
Prédios novos

A cidade, como indice de seu visivel progresso, atravessa uma phase de grande actividade no ramo de construcções. Em quasi todas as ruas notam-se alicerces, andaimes, escava­ções e prédios em construcção. Dentre estas, sem du­vida, avulta o bello predio da Drogasil, na avenida Altino Arantes, junto ao Hotel Commercial. Essa construcção, feita pelo com­petente profissional snr. Tocalino, é uma das mais bonitas e confortáveis da cidade. Seu aspecto externo é de uma belleza rara. 
Suas linhas architectonicas, vasadas em estylo moderno, são da maxima elegancia. 
E’ um predio que enfeita a cidade.

Nossos parabéns a Dro­gasil e ao illustre amigo sr. Tocalino.

Na segunda metade dos anos 1940, Álvaro adquiriu uma farmácia no bairro de Higienópolis, em São Paulo,  para onde mudou-se, convidando um de seus irmãos, Paulo, que tinha um laboratório em Ourinhos,  para ser seu sócio. Nasceu assim a Farmácia Buenos Aires.
Em São Paulo, Álvaro fez parte do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos e foi um dos primeiros conselheiros do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.
Seu irmão Paulo continua no ramo,   mantendo o laboratório de manipulação Buenos Ayres.

HENRIQUE TOCALINO

Foto de autoria desconhecida.

Henrique Tocalino (1874-1962), nascido em Buenos Aires, veio para  a região próxima a Ourinhos em 1914, mais precisamente para a Fazenda da Água do Bugre, em Cambará, onde construiu a sede da fazenda, o terreiro de café e as casas dos colonos. A casa sede foi construída com material importado: telhas e lajotas francesas, calhas de cobre, etc. Em seguida, fixou moradia em Ourinhos, .onde tornou-se um dos mais importantes construtores.  São de sua lavra os prédios do primeiro ginásio de Ourinhos e da Santa Casa de Misericórdia, a Clínica do drº Ovídio Portugal de Souza, ainda existente na Expedicionário, a residência do drº Hermelino de Leão, na Altino Arantes, já derrubada.


Prédio do Ginásio, anos 1940.

Na segunda metade dos anos 1930 e início da década seguinte, construiu a maior parte das casas financiadas para empregados da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná. Muitas delas ainda existem,  com fachadas totalmente renovadas, no quadrilátero Cardoso Ribeiro, Expedicionário, Monsenhor Córdova e Altino Arantes e também na Rio de Janeiro, Souza Soutello e Cardoso Ribeiro. 
As estações  da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná até Rolândia foram obra sua.
Sua última obra foi a sede da Fazenda das Furnas.
Henrique Tocalino foi casado com Emília Terçariol. O casal teve os filhos: Alzira, Henriqueta, Adalgisa, Leonilda, Bráulio, Mariquinha, Arlindo e Fausto.





8.3.14

A CONGREGAÇÃO MARIANA DE OURINHOS E O TEATRO



A existência da Congregação Mariana remonta ao século XVI.  De inspiração jesuítica, espalhou-se rapidamente.
No Brasil, passou a existir já durante o  período colonial, tendo praticamente desaparecido com a expulsão dos jesuítas, no século XVIII.
Renasceu em Itú, em 1870, crescendo novamente.
Em 1937, foi criada,  a Confederação Nacional,  com sede no Rio de Janeiro. A partir dessa data, o Brasil tornou-se o país com o maior numero de Congregações.
Em 1991, em Aparecida (SP), foi aprovado um novo Estatuto da Confederação Nacional, que fez das Congregações Marianas, "uma associação religiosa de leigos, autônoma, com a marca característica da devoção".
No portal jesuíta ela é definida como "associação pública, formada por leigos católicos, que procuram seguir melhor o Cristianismo através de uma vida consagrada à Mãe de Deus, a Virgem Maria".
No meus anos de criança e adolescência, os congregados marianos eram numerosos na Paróquia do Senhor Bom Jesus de Ourinhos. Eles eram reconhecidos por portarem uma fita na cor azul (a cor litúrgica da Virgem Maria, tendo na extremidade uma medalha prateada contendo as imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Maria, sua mãe santíssima.
Nos anos 1950 e 1960, seu líder por muitos anos foi Humberto Rosa.
Nesses anos, até o início de 1960, os congregados marianos mantiveram, ao lado da Igreja Matriz (a nova), um barracão de madeira onde realizavam as  suas reuniões. Nos finais de de semana, o barracão era transformado em um cinema, que muito frequentei. Era chamado pela molecada de "cineminha do padre". O duro era era ter que esperar a troca dos rolos de filme, já que havia apenas uma máquina de projeção. 
Acredito que a criação da Congregação Mariana em Ourinhos tenha sido obra do padre Vitor Moreno, que esteve à frente da paróquia  de 1931 a 1935.
Esta foto, com certeza,  é o registro de sua criação, na qual vemos os congregados em torno do padre Vitor ao centro, .  rodeando a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Entre os presentes somente identifico José  Mistugui Kanda, o quinto na primeira fileira de baixo para cima.
No final dos anos 1930 e início dos anos 1940, os congregados marianos de Ourinhos mantiveram um grupo teatral tornando-se assim um dos  pioneiros da atividade teatral na cidade.  
Transcrevo abaixo a crítica de uma apresentação do grupo:
"A VOZ DO POVO", 10-9-1938
Como  decorreu o Festival de Arte dos Congregados Marianos.
Da ribalta do Cine Theatro Casino local, presenciamos na noite de 29 ultimo, o debute do novel Gremio Dramatico Con­gregação Mariana, em homena­gem a Sua Excia., Rvma. D. Frei Luiz Maria de Sant'Anna, illustre bispo diocesano, que se fez representar pelo conego Miguel dos Reis e Mello, vigário da Parochia.
Dado o caracter beneficiente do festival, cuja renda foi destinada aos cofres pró construcção da nova Matriz, o theatro esteve litteralmente tomado por uma assistência, que infelizmente não foi de toda selecta, pois não fal­taram os «meninos-engraçadinhos», que nas phases principaes da interpretação do drama, quan­do necessário se fazia o silencio, começaram com suas «piadas» ridiculas e deselegantes.
A interpretação da peça Erro  de Pae, de um enredo subtilissimo, teve um desempenho quasi impecável por parte dos ama­dores locaes, fugindo apenas a essa regra o sr. Alberto Ribeiro, o principal personagem, que como já deve ser do conhecimento dos nossos fans é veterano no «metier», tendo integrado o elenco artístico de grandes companhias Theatraes do Rio, São Paulo e Santos.
Dos estreantes, é merecedor de destaque o trabalho da senhora Carolina Mella que emprestou ao seu papel um cunho todo na­tural, que revelou perfeitamente a sua sensibilidade artistica.
Secundou-a o jovem Sebastião Neves, apezar de occupar na peça, um papel secundário — o de criado.
A José Buenos Lopes, o galã, faltou apenas um pouco mais de jogo de scena e entonação de vóz no final do 2.o acto, dei­xando transparecer muita humil­dade quando foi expulso da casa do «seu patrão»...
Quanto a Manoel Camargo Diniz, no papel de cynico, peccou no final do 3.o acto, quando necessário se fazia muita vivaci­dade e jogo em scena, perdendo assim o caracter empolgante que deveria emprestar ao desfecho do drama.
Os srs. Affonso Lopes e José Mitsugui Kanda, funccionando como ponto e contra regra, são dignos de encomios.
Scenarios adequadros, caracte­rização e machilagem perfeitas.
Na segunda parte assistimos a um acto variado, que maugrado foi bem «avariado», pois a platéa teve que engulir diver­sos «abacaxis», taes como a exi­bição péssima de um Conjunto Regional; o «sktch» sem graça, do tal Parahybano; uns bailados por meninas mal ensaiadas; alem de uns inapreciaveis «solos» de violão, apresentados pelò sr. prof. Nicolau Julião Cardoso, que mereceu da platéa o cognome de «prof. do toquinho», pois para executar os seus numeros escolhidos, obrigava o cabaretier a carregar o «toquinho de madeira» delicadamente en­volto em papel de seda e uma fitinha...
Nós que conhecemos perfei­tamente os solistas de violão da broadeasting nacional, ficamos surpresos, pois aquelles na to­talidade não fazem uso do titulo de prof. e menos ainda exi­gem programmas especiaes e com clichês, quando convidados a participarem de festivaes beneficientes...
Não é necessário apontar aqui outras falhas do sulista em apreço, bastando citar que «Abismo de Rosa» e «Tico-Tico no fubá», são números do Arco da Velha e muito mal acompanhou o flautista e o sr. Alberto Ribei­ro em números de cantos.
Alguns números do acto va­riado agradaram sobremaneira, principalmente aquelle apresen­tado pela senh. Maria Ercilia, que infelismente teve a acampanIa um «boêmio» que «arranhava» um violão de 8$000!
Zampieri"

Carolina Mella  é a dona Cali.

Fontes: Wikipedia e portal jesuítico.
Foto de autoria desconhecida.

1.3.14

O CARNAVAL DE 1931 EM OURINHOS

No início dos anos 1930, os bailes de Carnaval em Ourinhos , já eram muito concorridos
Em 1931, a imprensa noticiava que o Grêmio Recreativo de Ourinhos havia marcado três bailes carnavalescos " a fantasia" para os dias 15, 16 e 17, os quais seriam abrilhantados pela Jazz Band Paulista, "que executará as novidades daquele ano".
Clique sobre a foto
Há muitos rostos conhecidos nesta foto de 1931: na última fileira, o segundo, enfaixado,  é Bráulio Tocalino; na segunda fileira, o primeiro é Telésforo Tupina, o segundo, que a luz encobriu,  é meu pai (fantasiado de Aladim), o 3º, Oswaldo Cardoso, os 6º e 7º, dois irmãos Amaral Santos; na fileira seguinte, a 4ª, fantasiada de odalisca,  é Mariquinha Tocalino.
No grupo de sentados no chão, o 1º é o drº Mano Filho, que foi prefeito, a antepenúltima é Ernestina Vendramini, na época namorada de meu pai, com a amiga Santa Devienne. 
Foto de autoria desconhecida.

Entre as novidades para o Carnaval de 1931 (foram muitas) achava-se o primeiro sucesso de Noel Rosa (1910-1937) - "COM QUE ROUPA", que trouxe o samba composto no morro para os salões da classe média, e que foi gravado  por Elza Soares, Martinho da Vila, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Zeca do Pagodinho. 

Leia mais sobre esse assunto em http://acervo.oglobo.globo.com/rio-de-historias/com-noel-rosa-samba-finalmente-desce-morro-conquista-asfalto-8886551#ixzz2u8CdBWnG 
© 2014. 


"Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta
Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Seu português agora deu o fora,
Já foi-se embora e levou seu capital.
Esqueceu quem tanto amou outrora,
Foi no Adamastor pra Portugal,
Pra se casar com uma cachopa,
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou? "


Noel Rosa - Com que Roupa ? - YouTube

www.youtube.com/watch?v=rETSGoLBjjk
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A imprensa ( A Voz do Povo) noticiou fartamente, no dia 22-2,   realização dos bailes momescos da cidade:

(CINE THEATRO CASSINO)
“A despeito da crise que atravessamos, os festejos carnavalescos este anno, excederam em muito a espectativa geral. A nota "chic” deram-na as commissões encarregadas dos bailes no Casino. O que de brilhante e animador pode haver durante o curto reinado de Momo, alli foi observado nos três dias de folia. Nem mesmo a chuva que se desencadeou inclemente, impediu que a mocidade em peso de Ourinhos, apparecesse no Casino para homenagear o Deus da Alegria. As phantazias mais bizarras, as mais ricas, as mais variadas, alli estavam para alegrar o ambiente com os seus tons multi-cores. As batalhas de serpentinas, de confettis, de lança- perfumes, foram animadíssimas, principalmente na terça-feira, em que a animação tornou-se em verdadeiro delirio, tendo o baile terminado, quando o dia começava a apparecer.”

(GRÊMIO RECREATIVO DE OURINHOS)
"No Grêmio, estiveram muito concorridas tambem as festas a Momo, notando-se com relevo a orchestra de S. Paulo vinda especialmente, contractada pela commissâo promotora das festividades. Foi um verdadeiro delirio os tres dias de folia. Ultrapassou a espectativa geral."

(HOTEL DO ADELINO)
"O operariado tambem entrou para a folia. Pois, no Hotel Adelino, um grupo de rapazes, na sua maioria operários, organisaram um baile carnavalesco que deu o que fazer ao “Jazz” do Américo, que n*um alarido retumbante, alegrava as familias que ali se achavam sob o reinado do Deus da Folia. Aqui, a crise foi só "papo” (...)”

Nancy Nicolosi Soares acrescentou outras identificações:

No alto,à esquerda,Andrês Castilho,casado com minha tia Leonilda,irmã de mamãe,
ao lado dele Bráulio Tocalino,irmão de mamãe.
Uma fileira abaixo,bem moreno,de chapéu preto,Tupiná;tem um nome meio comprido 
lembrar é que é........o quinto ; meu pai com um lenço amarrado de lado,ao lado dele
o sr. Benício.
Depois da tia Mariquinha,a terceira com turbante branco,filha do Mano Filho, Mariínha
No início da outra fila à esquerda,Mano Filho (este você já sabe)na mesma fileira,depois
desse de chapéu preto,tia Henriqueta,irmã de mamãe e a irmã do sr. Benício (perceba que 
são parecidíssimos).