Olá! Eu sou uma das Anda-açu que existem na Praça Melo Peixoto.
O professor José Carlos já falou a meu respeito pelas páginas da “Folha de Ourinhos”. Gostei muito do que ele escreveu certa ocasião dizendo que sou a mais bonita entre todas as minhas irmãs que se encontram na Praça.
Somos originárias do Brasil, e nossa presença se faz sentir principalmente nas regiões litorâneas. Os frutos que produzimos têm funções medicinais, e a nossa madeira é usada na fabricação de palitos. Isso significa que não produzimos tão somente uma boa sombra. Como somos muito populares, temos muitas denominações: anda, anda-guacu, andacu-joanesia, anda-assu, andaz, boleita, castanha-de-arara, coco-de gentio, coco-de-purga, conanda-acu, cotieira, fruta-de-arara, fruta-de-cotia, fruta-de-papagaio, fruta-de-purga, inda-acu, inda-guacu, indai-acu, noz-de-bugre, paulista, purga-de-cavalo, purga-de-gentio, purga-paulista.
Quem nos terá trazido para Ourinhos? Infelizmente não sabemos quem foi nosso padrinho Somente temos uma certeza: estamos na praça desde os finais dos anos 1920. Com certeza já somos octogenárias, portanto.
Essa foto, que o professor encontrou no arquivo de seu pai Francisco de Almeida Lopes, é de 1932. Nela se acham soldados que integraram o Batalhão Teopompo, criado em Ourinhos por ocasião da Revolução de 1932. A foto foi tirada por um dos mais antigos fotógrafos da cidade, o alemão Frederico Hahn. Nela, os soldados posaram em frente ao antigo coreto de 1927. Nessa ocasião, 1932, o senhor Frederico ainda não havia se mudado para Ourinhos, ele achava-se estabelecido em Chavantes, onde tinha o Photo Victoria, denominação que o fotógrafo manteve quando mudou-se para a nossa cidade.
O professor José Carlos, ao observar atentamente a foto, verificou que eu estou nela, e tratou de digitalizá-la com destaque para mim. Que maravilha! Eu apareço então no frescor da minha adolescência, ostentando os meus primeiros galhos.
É bom sabermos que fazemos parte da história dessa cidade que tanto amamos. O que nos entristece é ver que estamos envelhecendo sem ter deixado sucessoras. Nenhuma outra Anda-açu foi mais plantada nessa velha Praça. E quando morrermos? Restarão apenas algumas fotos do nosso passado?
Não está certo. Por que a Prefeitura não vai atrás de mudas e as planta na Praça. Se isso ocorrer vamos ficar muito felizes, e tenham a certeza de que zelaremos muito por essas crianças.
Até outro dia.