28.10.16

O DIA DA BANDEIRA DURANTE O ESTADO NOVO 19-11-1939

Clique sobre a foto para desfrutar de alta resolução
O ato em frente a Igreja Matriz. O Tiro de Guerra (primeira turma) à frente, logo atrás o prefeito Horácio Soares e o Juiz de Direito drº Francisco de Barros Pinheiro. 
Ano de 1939, há dois anos o país achava-se sob a égide do Estado Novo, cujo Departamento de Imprensa e Propaganda, o famoso DIP enfatizava os valores nacionais. Assim, do Rio de Janeiro, sede do governo, instruções foram emanadas para todos os municípios no tocante às comemorações do Dia da Bandeira. Comemorações essas das quais deveria participar toda a  população brasileira, sem contar com as louvações ao chefe do governo Getúlio Vargas, e com ênfase ao culto da personalidade, próprias dos regimes autoritários.

 A Voz do Povo, 18-11-1939

Chovera na véspera, sendo assim os desfilantes tiveram de enfrentar o amassa barro nas ruas da cidade, ainda não calçadas. 
 O desfile de estudantes desce a Avenida Altino Arantes, na altura da atual Antonio Carlos Mori. À esquerda a casa de Henrique Tocalino, foram identificados Pedrinho do Bazar e Helio Migliari( ambos de terninho branco), de calça branca um dos filhos de Pedro Médici,  à esquerda da bandeira, de vestido branco (somente roso), minha tia Maria Neves, recitaria uma poesia ao final da cerimônia em frente a igreja. 

Contornando a Praça Melo Peixoto na confluência com a Paraná. Praça que, por força de decreto municipal , passaria chamar-se Praça da Bandeira (denominação que teve vida curta)



O desfile deixa a Avenida Jacinto Sá e sobe a Antonio Prado, na altura da porteira do trem

A cerimônia conforme reportagem de A Voz do Povo, de 25-11-1939:



22.10.16

LIBERTO RESTA (1914-1984), O CHEFE DO ESCRITÓRIO DA SANBRA



Nessa foto de autoria de meu pai,vemos Liberto e Ditinho acompanhados por Arlindo (trabalhava na seção pessoal da Sanbra) no acordeão e Robertinho (trabalhava na Coletoria Estadual), por ocasião de uma homenagem a Ourinhos no programa televisivo de Homero Silva, no final dos anos 1960.


Nesta foto vemos o casal Liberto e Ynira, a filha Rosa Maria, Ivone Duarte de Souza, esposa do gerente da Sanbra José Fernandes de Souza e a filha Cristina por volta de finais dos anos 1950.


Os dois anos e meio em que trabalhei na Sanbra foram marcantes para mim
Muitos dos empregados da fábrica e do escritório tornaram-se um paradigma para minha vida profissional ao longo de 50 anos.
Um deles foi Liberto Resta.
Ingressei com 15 anos no escritório, na condição de aprendiz. Liberto era o chefe do escritório.
Foi o responsável pla formação da primeira equipe do escritório da Sabra em Ourinhos.
Na foto abaixo vemos Liberto juntamente com alguns empregados do escritório e da fábrica, no ínicio dos anos 1950.
Agachados, partindo da esquerda Orlando Albano, Liberto, João Olante e Alberico Albano. Atrás, o único que identifico é Antônio Capatto, o chefe da fábrica, terceiro partindo da esquerda.



Graças à confiança em mim depositada por Liberto, mesmo antes de vencer o meu período de aprendizagem, passei a fazer parte da equipe do Controle Orçamentário, sob a chefia de Mario Ramalho Pereira, ao lado dos colegas Lauro Zimmermann Filho e Walter Breve.
Conterrâneo de José Fernandes de Souza, o gerente da unidade fabril, Liberto, com sua afabilidade comandava o escritório composto por cerca de 40 empregados.

Nesta foto, provavelmente do início dos anos 1960, no interior do escritório vemos Liberto e alguns dos empregados:





Partindo da esquerda, Liberto é o terceiro, seguido por José Carlos Monteiro, o quinto é João Olante, seguido por Rubens Bortolocci da Silva (, chefe da seção de pessoal, que veio a ser prefeito de Ourinhos, e por último, a mais eficiente secretária que conheci, e com a qual trabalhei, Cleide.

Dois momentos de um almoço de Natal entre a direção e os empregados do escritório, numa cantina italiana da Avenida Jacinto Sá.


À direita: Leonel, José Maria, Oswaldo Marques,  do Caixa, João Olante, Ademar
à esquerda: Dirce, Lauro Zimmermann, Rubinho Bortolocci


Em primeiro plano Cleide, José Hernandes, do setor de Transportes, José Carlos Neves Lopes, Brandimarte (Laboratório) e Yara (Vendas)

Escreve o neto de Liberto, Mário Sérgio:
" Liberto Resta nasceu em Bauru (SP) em 25 de outubro de 1914.
Foram seus pais, Cesare Fortunato Resta e Marcela Andreotti, ambos italianos.
A infância, passou-a quase toda na terra natal, à exceção de um curto período em Jundiaí, devido a circunstâncias políticas da época , que obrigaram seu pai a sair de Bauru por causa de perseguições ideológicas.
Possuía apenas mais um irmão, Severo, e cinco irmãs, Ada e Alba, mais velhos, Zoraides, Leda, Ilka e Clorinda (Dinda),
Liberto casou-se em 18 de maio de 1940 com Inyra Gomes de Carvalho. O casal teve três filhos: César Fortunato Resta (Nato - 10 de fevereiro de 1941), Sérgio Roberto Resta (Serginho - 14 de maio de 1942) e Rosa Helena Resta (Rosinha - 13 de outubro de 1945).
Possuía duas grandes paixões em sua vida: a Família, que gostava de ver sempre reunida, e a música, que começou a estudar ainda criança e foi desenvolvendo com o decorrer do tempo, chegando a compor várias obras, desde valsas até sambas e chorinhos, passando por canções e marchinhas carnavalescas
Quando se aposentou na Sanbra passou a ter o tempo inteiramente livre para tocar, fosse em casamentos, restaurantes, ou, mais tarde, no Clube do Choro, já em Londrina, para onde se mudou quando deixou Ourinhos, após também ter passado por Maringá.
Ainda em Ourinhos viu nascer o primeiro neto, Cláudio César, filho do Nato. Logo depois viriam, pela ordem: Cláudia Celina (também do Nato), Ivan (da Rosinha), Mário Sérgio (do Serginho), Regina Helena (da Rosinha), Roberto D'Alessandro e André Luciano (do Serginho), Marco Aurélio (da Rosinha), e Carla Cristina (do Nato).
Liberto faleceu em 29 de janeiro de 1984, vítima de um segundo ataque cardíaco, enquanto ainda se recuperava do primeiro, antes de ver nascer os bisnetos Joyce, Virgínia, Raul, Vitória, Tiago, Miguel,  Álvaro, Beatriz, João Vitor, Murilo, Rafaela, Caio e José Carlos, além de Gabriel e Guilherme, que são filhos do primeiro casamento da Patrícia (esposa do Marco)
Conservador e inovador ao mesmo tempo, foi um grande companheiro dos netos, muitas vezes participando de suas invenções, sempre incentivando suas descobertas, criatividade e iniciativas. Tanto assim, que uma das coisas que mais gostava era tocar junto com eles, que tentaram seguir seus passos no caminho da música, ensinando, acompanhando e cobrando os aperfeiçoamentos necessários, chegando algumas vezes a exagerar um pouco em perfeccionismo."

Esse foi Liberto Resta. 

Fiquei feliz ao saber que a municipalidade de Bauru homenageou-o, dando seu nome a uma das ruas da cidade.

15.10.16

GALILEU ANDOLFO (1879-1960) O MAESTRO DA IGREJA MATRIZ DO SENHOR BOM JESUS


No Jardim Paulista, há uma rua denominada Galileu Andolfo, embora a grafia de seu nome no localizador por CEP seja:

Rua Adolfo Galileu, Jardim Paulista, Ourinhos - SP - CEP 19906455.


Hoje a grande maioria dos que residem ou trabalham nessa rua, talvez não saibam quem foi Galileu Andolfo.



Galileu Andolfo, nascido em 22 de  setembro de 1879,  era natural de Pozzonovo, Pádova, Itália. Sendo o filho mais velho, adotou a profissão do pai, alfaiate,  como era de hábito entre aqueles que eram artesãos, porém, a sua grande vocação era a música. Aconselhado pelo cunhado Heráclito Sândano, que estava radicado em Ourinhos, veio para o Brasil em 1917 com a esposa Gema Sândano e dois filhos, Aristides e Fernanda.
O seu estabelecimento em Ourinhos praticamente coincidiu com a criação da Paróquia do Senhor Bom Jesus, em 1919. Desse modo, o jovem músico italiano era a pessoa ideal para ser a responsável pela música litúrgica na Igreja do Senhor Bom Jesus da Paróquia de Ourinhos, já em condições de celebração de missas, em 1923.  E assim foi por mais de quarenta anos.
Na Avenida Jacinto Sá edificou sua casa,  onde residiu até a sua morte. Uma casa que tinha o mais lindo canteiro de flores da cidade, como recordam seus vizinhos e outros moradores da Barra Funda.
Na Igreja Matriz, localizada na Praça Melo Peixoto, organizou o coral que atuava em várias cerimônias religiosas. O maestro era o organista que tocava nos casamentos, cerimônias, casamentos e missas fúnebres.
Eu, um garoto de sete anos, presente na missa de sétimo dia de meu avô, José das Neves Júnior, em janeiro de 1955, subi os degraus que levavam ao "côro", e me postei ao lado do pequeno órgão vendo aquele senhor com pequenos dedos executando uma música que ficou gravada nos meus ouvidos. Era um trecho do "Réquiem" , de Giuseppe Verdi, o grande compositor italiano. Daí até ao início da minha adolescência, tornei-me um frequentador assíduo do coro em casamentos para poder  vê-lo tocar acompanhando os dois maiores cantores da cidade: Thomas Lopes e Carolina Mela Ribeiro da Silva, a dona Cali; isso na "Igreja Velha"e na Igreja Nova". 
Também professor piano, Galileu passou a lecionar em casa das famílias mais abastadas, ensinando meninos e meninas a tocar o instrumento; no Cine Cassino, acompanhava as  projeções de filmes mudos.

Foto de autoria desconhecida.

Famílias Rosa  e Andolfo

 O Antonio é o quarto da esquerda para a direita da última fila. O primeiro é o Humberto Rosa, Maestro Galileu, Hugo Rosa, Antonio, Augusto, Ernesto Rosa, Joaqim Rosa e o meu avo Alexandre Rosa.

Por ocasião de sua morte em 14 de junho de 1960, foi homenageado pela Câmara Municipal de Ourinhos em sessão especial, na qual discursaram os vereadores Salvador Fernandes e Alfredo de Almeida Bessa. Este último assim encerrou a sua saudação:
"Galileu nasceu, viveu e morreu de acordo com o primado de sua bondade. Se foi pequeno física e monetariamente,  não deixou de ser grande, exuberante, de bondade, de afetividade (...).
Este foi o Galileu da Itália,o Galileu de Ourinhos."

Fontes: "Diário da Sorocabana" e depoimentos de seu filho Ulisses e da neta Irma Canizela , em 2001.
Artigo meu na "Folha de Ourinhos", do dia 23 de setembro de 2001, reescrito nesta ocasião.


8.10.16

1944 - O ENCERRAMENTO DA COMPANHIA FERROVIÁRIA SÃO PAULO-PARANÁ

Por cerca de quase vinte anos, Ourinhos sediou a administração da última ferrovia de capital inglês existente no Brasil, a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná que foi uma das responsáveis pela colonização do Norte do Paraná. Embora houvesse um escritório em São Paulo, a administração sediava-se em Ourinhos na pessoa do Superintendente da ferrovia, primeiramente o Engenheiro T. D. Hamilton e, posteriormente, ,  até a sua encampação do engenheiro Wallace Morton.
A história da constituição e  expansão dessa ferrovia, com fotos, pode ser conhecida por uma das obras a respeito,   da qual sou co-autor, disponível online no endereço eletrônico:


A incorporação da São Paulo-Paraná à Rede de Viação Paraná-Santa Catarina deu-se por meio do Decreto-lei 6412, de 10-4-1944.





No dia 15 de junho de 1944, os empregados que faziam parte da Contadoria da São Paulo-Paraná, juntamente como  contador o srº Benedito Monteiro ( no centro da foto)  posaram para uma foto de despedida, feita pelo fotógrafo Frederico Hahn. 


Grande parte dos que estão nessa foto, à exceção do contador (sentado, no centro da foto) , que permaneceu como chefe do escritório em Ourinhos, foi transferida para Curitiba, onde se localizaria a sede da nova ferrovia. Alguns se demitiram da empresa. No dia 1º de julho de 1944, o jornal A Voz do Povo publicava na primeira página, uma despedida dos empregados do escritório que iriam para Curitiba:



O chefe de tráfego, Hermínio Soci, desligou-se da empresa, publicando no jornal a sua despedida do povo de Ourinhos:



Muitos dos signatários,   entre os quais meu pai, recém casado, conseguiram retornar para Ourinhos, permanecendo na Rede  até a sua aposentadoria.
Empregados de outros setores da ferrovia extinta  também foram transferidos para Curitiba. 

1.10.16

O ADEUS A NICE NICOLOSI CORRÊA (1931-2016)





Sua origem familiar remonta aos primórdios de Ourinhos,  neta de Henrique e Emília Tocalino e  filha de Narciso Nicolosi Júnior (Seu Zico) e Alzira Tocalino. 



Seu irmão Carlos foi meu professor na Escola Técnica de Comércio de Ourinhos,  e fomos vizinhos, na Rua Arlindo Luz,  de sua irmã caçula, Nanci, que foi casada com Alberto Santos Soares, Bertico.
Nessa ocasião,  conheci também sua mãe Alzira, de quem gostávamos muito
Fomos praticamente vizinhos de Nice, que morava a uma quadra de nossa casa na Rua Rio de Janeiro.
Nosso contato mais próximo deu-se a partir de uma visita que lhe fiz para obter informações sobre seu avô, Henrique Tocalino. A predileção pela música clássica, que aflorou na conversa, acabou nos aproximando.
A partir daí, todas as vezes que ia a Ourinhos visitar minha mãe, passava em casa de Nice à tarde para levar-lhe gravações em cd e vídeo de música clássica
Sempre foi muito agradável estar em sua bela casa, obra do arquiteto ourinhense já falecido,  Toshio Tone. À exemplo de  outra casa de concepção de Toshio, a de Antônio Ferreira Batista (nosso vizinho na Arlindo Luz) ,ela tem uma ampla sala  na frente, seguida pela copa/cozinha e pelos quartos no fundo. A sala tem um pé direito enorme, que lhe dá um toque todo especial. Destaca-se nesse cômodo o piano que foi de seu pai. do pai de Nice.
Nice foi a aluna predileta do maestro Andolfo Galileu, o mestre de capela da Igreja Velha, que disse ter ela todos os requisitos para se tornar uma concertista.
O destino traçou um outro caminho para Nice. O amor por Antonio Carlos Corrêa falou mais forte, e uma união que durou mais de cinquenta anos  foi o caminho que ela seguiu. 
Formaram uma bela família, premiada  com muitos netos e netas, todos seguindo caminhos que trouxeram orgulho para  os avós.

Nice e Antonio Carlos

Mas Nice não abandonou o piano, tornou-se  professora do instrumento como o Mestre Galileu, e uma professora de que Ourinhos deve ser  orgulhar, por ter formado muitos alunos na Escola de Música, que ela tanta amava.
Participou também da formação de uma sociedade musical o Grupo de Amantes da Música.
Andolfo Galileu


Além desse talento musical, Nice herdou o dom culinário que é  uma tradição na família Tocalino, atingindo já a terceira  geração. Nas visitas que lhe fiz, tive o prazer de experimentar seus doces, geleias e conservas deliciosas.
Nice partiu deixando uma bela lembrança no coração  de todos os que com ela conviveram, e um exemplo de esposa, mãe, avó e mestra.
A municipalidade de Ourinhos lhe deve uma homenagem