29.7.16

TORATARO TONE, EMPRESÁRIO, COMERCIANTE E AGRICULTOR



Tive a felicidade de haver usufruído  por inúmeras vezes da hospitalidade de Torataro Tone  e de sua segunda esposa dona Clara,  no belo e confortável sobrado que seu filho, o arquiteto Toshio Tone,  planejou para o pai  na Rua Paulo Sá.
Lá moravam, no final dos anos 1950,  o casal Tone, os pais de dona Clara e o filho caçula Luiz Gonzaga Tone, meu amigo de longa data e  colega de escola, hoje Professor Titular e Coordenador do Laboratório de Pediatria do Departamento de Puericultura e Pediatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP.



Nascido em Nara, Japão, em 1º de agosto de 1902, Torataro  veio para o Brasil em 1921.



Antes de completar trinta anos, vamos encontrá-lo trabalhando na Casa Camargo, situada na Rua Paraná, esquina com Souza Soutello, onde tornou-se o braço direito do proprietário, Benedito Martins de Camargo (foi prefeito de Ourinhos 1934-1937), que residia na Rua 9 de Julho, sendo vizinho de cerca de meu avô, José das Neves Júnior. 
A essa altura, Tone já contraíra matrimônio com Mituo  com quem teve os filhos Toshio (arquiteto), Nair (nutricionista), Paulo (dentista) e  Rui (engenheiro civil). Sua esposa faleceu muito jovem e Torataro casou-se alguns anos  depois com dona Clara, nascendo então o meu amigo Luiz Gonzaga Tone.













Torataro Tone e Clara na praça que leva o nome do filho Toshio, e onde foram plantadas cerejeiras, espécime que Toshio tanto apreciava.



Professor doutor Luiz Gonzaga Tone


Sabedor da importância da educação, assegurou a seus filhos formação superior de qualidade.

 Transcrevo a narrativa que Cláudia Camargo Toni, neta de Benedito Martins de Camargo fez  a Neusa Fleury sobre o convívio do avô com Torataro Tone:

"Pois bem, acho que os japoneses chegaram aí com a missão primordial de cuidar das lavouras de café, mas pouco a pouco foram se diversificando.
História de família: quando meu avô se candidatou, achou que não poderia cuidar direito do armazém de secos e molhados sem prejudicar a cidade e então contratou um comprador assíduo - Torataro Tone - para trabalhar com ele. Tone fazia as compras para o patrão fazendeiro e assim conheceu meu avô. Meu avô gostava dele.
Pois bem, pouco depois ofereceu sociedade ao empregado que logo tratou de encomendar uma esposa no Japão, a D. Mituo. Ela chegou ao Brasil sem saber uma só palavra de português. Minha avó foi quem ensinou a ela a língua falada e escrita, a cozinhar e a costurar. (.... )
Meu avô morreu aos 38 anos e minha avó decidiu voltar para SP depois de um ano de viuvez, quando permaneceu calada. Sim, ela não disse uma só palavra durante um ano após a morte de Benedito. Tinha então 7 filhos e também 38 anos.Sua família inteira estava na Capital e a solidão era grande, além da dificuldade de criar 7 crianças.
A fortuna do casal eram duas casas em Ourinhos e metade do armazém, que ficou aos cuidados de um dos irmãos de meu avô. O jeito para os negócios falhou e então Torataro comprou a parte de minha avó e ali foi a semente da rede de mercados. Durante anos, ele mandava presentes para ela:porcos, perus, galinhas, caixas de frutas.


O filho de Torataro , Paulo, dentista, forneceu mais detalhes sobre o contato entre seu pai e Benedito Martins de Camargo:
Certo dia, "Camargão" lhe falou:


" Tone você é um japonês diferenciado, não pode ficar perdendo tempo, “carpindo mato”, precisa vir trabalhar comigo como sócio em minha casa comercial, sob duas condições: primeiro, naturalizar-se brasileiro, tarefa essa que eu resolvo , segundo tem que casar, isto cabe a você. Aceitou a proposta e escreveu ao seu irmão mais velho do Japão e contraiu matrimonio com minha mãe por correspondência que era uma pessoa amiga da família, união esta chamada “Miai” tão comum naquela época.

Após 60 dias minha mãe aportou em Santos para a alegria do meu pai, vindo direto para Ourinhos."



Inovador, Tone introduziu nos anos 1940 o sistema de entregas de mercadorias aos seus clientes, feito inicialmente por uma carrocinha.


Diversificou suas atividades, investindo no ramo de cerâmica e na agricultura.

Cerâmica São Joaquim


Sitio Monjolinho


 No início  dos anos 1970, Tone inova mais uma vez criando o primeiro supermercado de Ourinhos, na Rua Paraná, ao lado da antiga Casa Tone. 
Diário da Sorocabana, 8-3-1970:
Supermercado Tone será brevemente inaugurado na Rua Paraná - Mais uma importante e bem montada casa comercial que estará enriquecendo o patrimônio de Ourinhos



Alguns anos depois, com o sucesso do empreendimento na Rua Paraná, Tone ousa e cria um grande supermercado na Rua Expedicionário, a poucos metros do seu sobrado residencial.





Na primeira foto vemos a família Tone por ocasião da inauguração do Supermercado Tone, na segunda, a cerimônia de inauguração com a presença do prefeito Rubens Bortolocci da Silva.

Torataro Tone ainda abriu um outro supermercado na Avenida Jacinto Sá.
Acredite se quiser. Esse grande empreendedor até hoje não tem uma rua ou praça com seu nome!

Sobre os japoneses em Ourinhos leia visite também:




23.7.16

O ESCRITÓRIO DA COMPANHIA FERROVIÁRIA SÃO PAULO-PARANÁ EM OURINHOS


Em 1930, a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, de capital inglês iniciava a sua  expansão pelo Norte do Paraná.
O núcleo inicial do escritório foi estendido e novos empregados contratados. Esta foto mostra alguns dos primeiro empregados.


Francisco de Almeida Lopes é o que está com gravata borboleta. Também estão no grupo Hermínio Socci (chefe de tráfego), Carlos Eduardo Devienne (chefe de movimento), Benedito Monteiro (contador), Osvaldo Pareto (chefe do escritório), Heitor Dias Negrão,e Rolando Vendramini (o garoto de calça curta),e Hercília Bugeli, a primeira mulher   a  trabalhar na empresa, Castorino Ferraz, Olímpio Moraes, Dirceu Viana.



Nesta outra tomada, o segundo da esquerda é o engenheiro Wallace Morton, recém chegado da Inglaterra, e que assumiu a superintendência a partir de 1932. O engenheiro Morton integrou-se no dia a dia da cidade, vindo a ser um dos fundadores do Rotary Clube de Ourinhos. Exerceu uma administração dinâmica e incentivando a prática de esportes entre os empregados da ferrovia: tênis, futebol e basquete.



Estas duas fotos são de finais dos anos 1930. No grupo estão: Américo Granato, Flávio de Menezes, José Luiz Del Ciel, Chiquinho Saladini, Aristides Silveira, Rolando Vendramini e Teobaldo Costa.


Aqui vemos Alberico Albano, Oswaldo Cardoso, Isaltino Menezes, Olímpio Morais, Dirceu Viana, Chiquinho Saladini, Castorino Ferraz, Edu  Azevedo, Francisco de Almeida Lopes, Dirceu Corrêa, José do Nascimento, Orlando Albano, Santo Perino, Euclides Colino



Nesta foto vemos um dos departamentos do escritório.

16.7.16

IRINEU OLIVATO E A CASAS BURI



Nesta foto, de autoria desconhecida vemos o jovem Irineu com o filho mais velho e os dois filhos do proprietário (Yamaji) da loja ao lado da Buri, a "Casa Ipiranga".




Irineu, o pai Guido Olivato e dois filhos


No final dos anos 1950, toda cidade tinha um número grande de lojas de tecidos. Não era para menos, a "roupa feita" era ainda uma raridade e de preço elevado. Desse modo, havia muitos alfaiates e costureiras  na cidade ainda era grande.
A pioneira em Ourinhos,  em matéria de tecidos, foi a Casas Pernambucanas, ainda nos anos 1930; outras se seguiram nas décadas de 1940 e 1950.
Uma delas, que se tornou muito popular, foi a Casas Buri S/A Comercio e Indústria, fundada em 1942. Seus fundadores foram Mário Bussab e Paulo RibeiroEm pouco tempo as lojas se espalharam pelo interior de São Paulo e do Paraná.
Em Ourinhos, a loja foi inaugurada no dia 28 de fevereiro de 1957. Para gerenciá-la veio um jovem empregado da loja de Cambará chamado Irineu Olivato. Nesse mesmo ano, Irineu contraiu matrimônio em setembro com a  jovem cambaraense Maria Pirolo.






O casal alugou uma casa vizinha da nossa, na Rua Arlindo Luz. Irineu, que às vezes tinha de viajar a serviço, pedia a meus pais para que eu posasse em sua casa a fim de fazer companhia a Maria.  Foram vizinhos muito queridos.
"Irineu da Buri", como tornou-se conhecido, ficou à frente da loja até 1966. O casal teve quatro filhos: Paulo Cesar, Luis Sérgio Maria Cristina e Márcia Regina.  
Maria faleceu em 2005, Irineu, hoje com 85 anos, ainda goza de boa saúde.
A loja de Ourinhos ficava no térreo de um sobrado da Rua Paraná (hoje calçadão) entre a Praça Melo Peixoto e Rua Antonio Carlos Mori.





8.7.16

1932 - A REVOLUÇÃO EM OURINHOS, A POPULAÇÃO SE ORGANIZA.

 Assim se inicia o capitulo da narração feita pelo professor Constantino A. Molina, proprietário do Externato Rui Barbosa na publicação de sua autoria -   SALVE 9 DE JULHO, Em http://www.tertulianadocs.com.br/



Desse modo, foi organizado em Ourinhos um batalhão, denominado BATALHÃO CEL THEOPOMPO  DE VASCONCELOS, composto por  90 integrantes, entre os quais procedeu-se  a escolha dos oficiais, que recaiu entre aqueles que demonstravam "maior competência e aptidão para assumir o comando":
Capitães - sr. Francisco Coccapieller e drº Ribeiro Cruz;
Sargentos - Benedito Martins de Camargo, Carlos Amaral, Telésforo Tupiná, João Petronilho Ribeiro, Hermenegildo Simonassi, Osvaldo Pareto e Eduardo Sandano.

Abaixo duas fotos de integrantes do Batalhão Teopompo. Na primeira,  vê-se a quase totalidade de seus  integrantes.






Fundou-se um hospital de emergência -  CRUZ VERMELHA - do qual as enfermeiras são vistas na foto abaixo: 



Senhoritas Laura Jamal, Adalgisa Tocalino, Maria Alonso, Alice Pedroso, Cecília Ferraz, Mariinha Mano, Aída Zaki Abucham, Zizzi Coccapieller, Olinda Zanoto, Eurídice Madureira, Maria Braz, Ercília Bugelli e dona Anita Amazonas. Entre elas minha certeza é em relação às duas senhoritas na fileira em pé (as que têm uma cruz na boina) (2) Adalgisa Tocalino e (3) Aída Zaki Abucham


Aspecto da Praça Melo Peixoto em 1932.


É sabido o engajamento da Diocese de Botucatu ao movimento, na pessoa do Bispo Dom Carlos Duarte. Desse modo, um panfleto conclamando para um ato e missa campal na praça foi distribuído entre a população, o qual se encerrava com a afirmação:


A população acorreu ao chamado do vigário local, Pde Vitor Moreno.
Missa campal no ato de entrega das bandeiras ao batalhão.


Vemos abaixo as senhoritas organizadoras do Café Soldado: da esquerda para a direita: Alzira Santos Pereira, Chiquinha Mano Filho, Emilieta Sassi, Emília Tocalino e a filha Alzira. 


1.7.16

A INAUGURAÇÃO DA CENTRAL HIDRELÉTRICA GOVERNADOR LUCAS NOGUEIRA GARCEZ - 28-4-1958


 Diário da Sorocabana, 27-4-1958

Em 28 de abril de 1958 foi  inaugurada a  Central Hidrelétrica Governador Lucas Nogueira Garcez, localizada no Município de Salto Grande. 
O evento contou com a presença do presidente  Juscelino Kubitschek,
do  governador de São Paulo, Jânio Quadros, do governador do Paraná, Moisés Lupion, do ministro da Guerra General Henrique Teixeira Lott, do senador Souza Naves, ​d​o ex-governador Lucas Nogueira Garcez, e dos deputados Silvestre Ferraz Egreja, Carlos Castilho Cabral e Ulisses Guimarães.



Lucas Nogueira Garcez


Presidente Juscelino Kubitschek


Governador Jânio Quadros
Acredito que as três fotos sejam da autoria de José Machado Dias






Segundo o jornal   Diário da Sorocabana, a cerimônia foi simples, tendo feito uso da palavra o presidente da Uselpa, o engenheiro Mário Lopes Leão,  o ex-governador Lucas Nogueira Garcez e o governador Jânio Quadros.
Diário da Sorocabana pôs à disposição da população ourinhense seis caminhões para o transporte até Salto Grande.
Foi servido um almoço para os convidados.
José Fernandes de Souza, gerente da fábrica da  Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro - Sanbra,  esteve presente juntamente com a sua família. Amante da fotografia, levou consigo uma  câmera fotográfica  e fez este belo instantâneo do salão onde seria servido o almoço.

Na foto abaixo  as senhoras Ivone Duarte de Souza e Maria Vinci e as filhas  Maria Cristina e Leninha. Maria era esposa de Basílio Vinci, presidente da Associação Comercial de Ourinhos na ocasião.