28.5.16

OURINHOS A CAMINHO DO CENTENÁRIO: O PRIMEIRO GINÁSIO DE OURINHOS






Propaganda da escola.

Alunos do Ginásio de Ourinhos - Autoria desconhecida

Num esforço de identificação  cito:
Agachados
1-Hélio Migliari, 2-Joaquim Teixeira, 4-Oswaldo Devienne, 7-Jandir Fernandes, 9-Clodoaldo Ferreira, 10-Farid Abujamra, 11-Sigueo Kanda, 12-Antonio Vieira da Silva
Primeira Fileira
4-Mário Santos Soares, 8-Nelson Cury, 10-Herculano Neves, 
Segunda Fileira
1-Alípio Braz, 10-Selma Abucham, 14-José Luiz Médici
Terceira Fileira
2-Suely Alves da Silva , 7-Alice Teixeira
Estão aí também: Inês Souza Leal , Elza Torres Galvão, as irmãs Anair Ferreira e Nilda Ferreira, Lavinia de Azevedo, Lucia Prado, Lourdes de Freitas Oliveira


A "Sociedade Expansão Cultural de Ourinhos" , constituída em 1938, foi a responsável, juntamente com a prefeitura municipal, pela criação do primeiro ginásio em  Ourinhos, portanto uma iniciativa público-privada. A direção da escola foi entregue ao professor José Augusto de Oliveira, que já havia organizados e dirigido ginásios em outras cidades paulistas e do Paraná.
A primeira turma do Ginásio de Ourinhos constituiu-se em 1939, com aulas num prédio provisório, na Rua São Paulo, enquanto era construído o prédio próprio.
Autoria desconhecida.

Na foto, o profº José Augusto é visto com óculos escuros. Ao seu lado (à direita), o drº João Batista de Medeiros, na época também professor do Ginásio, seguido pelo profº  Pedro Alves dos Anjos, que deixou posteriormente Ourinhos junto com o profº José Augusto. 
Abaixo vemos uma relação dos alunos e suas notas finais em dezembro de 1941 (A Voz do Povo), 3-1-1942.

Quadra do Ginásio de Ourinhos e galpão do recreio. Foto por Frederico Hahn

l.a Série—Turma «A»
Aracy Alves de Freitas, 54; Ada Vieira Guerreiro, 51: Amadeu Matsumura, 68; Antonio José Marques, 58; Benedito Airton Monteiro, 65; Celso Sanchez, 51; Clodoaldo Ferreira, 50; Carlos Lopes, 50; Euridice Marques Ribeiro, 62; Herman Mora, 51, Izaki Muraoka, 56; Jandir Fernandes, 52; Maria de Lourdes Toledo, 52; Nicéa Guimarães, 51; Ney Carlos Esteves, 56; Nelson Pontara, 53; Oswaldo Sanchez, 51; Osvaldo Abib, 50; Rosa Moherer, 64; Sussumo Takafaci, 53 e Zenith Santos, 57 
l.a Série— Turma «B»
Aparecida Benta Vara, 62; Augusta Ostronoff, 54; Alipio Bras, 51; Brasileira de Queiroz, 50; Clarisse Funck, 52; Carlos Devienne Filho, 50; Dirce Soares, 51: Evaristo Teixeira Tucunduva, 51; Eduardo Ioshio Kuya, 52. Eddie Domingos Massuti, 52; Faride Abujamra, 56; Gilda da Costa Melo, 50; Julieta Abujamra, 50; Joaquim Teixeira, 51; Lery Rodrigues Carvalho, 52; Maria Vicentina de Almeida, 73; Maria Conceição Batista, 51; Maria do Patrocínio Bras, 51; Maria Helena Exel, 67; Mario Santos Soares, 50; Mario Sacchelli, 52; Nelson Tupiná, 52; Orlando Bertaco, 51; Valdo Antunes Ribeiro, 71 e Zenith Corrêa, 62
 2.a Série—Turma Unica 
Antonio Vieira da Silva, 50; Aurora Simões, 52; Alice Abujamra, 54; Alzira Matachana, 51; Armelindo Fiorini, 50; Djahna Pinheiro Cabete, 53; Edméa Bras, 53; Emery Sá Trench, 53; Elza Torres Galvão, 73; Flavio Roberti, 50; Haroldo de Freitas, 52; Horacio Marques, 51; Herculano Neves, 50; Ines de Souza Leal, 78; José Luiz Medici, 52: Lavinia de Azevedo, 52; Lourdes de Freitas Oliveira, 51; Maria de Lourdes Mori, 53; Maria Abujamra, 51; Nelson Cury, 50; Nielse Sá Trench. 51; Osvaldo Fernandes Alonso, 61; Rogério Bueno dos Reis, 61; Selma Abuchan, 58; Sigueo Kanda, 78; William Peçanhuk, 63; Yolanda Lopes, 54 e Heni Dias Ribeiro, 7
3.a Série — Turma Unica
Alaide Carvalho, 78; Alice Teixeira, 65; Anézia Teixeira, 58; Anair Ferreira, 53; Emilia Gomes de Freitas, 65; Hení Gião, 83; Hélio Migliari, 56; Julio Assao 73; José Mauro Gomes de Mattos, 66; Jorge Teshima, 50; Lucia Prado, 50; Luiza Teshima, 50; Leovil Martins de Almeida, 53; Maria Aparecida Batista, 84; Maria Terezinha Galvão, 51; Maria Nazaré Brás, 77; Nilda Ferreira, 59; Newton José Santos Soares; 53; Osvaldo Deviene, 51; Pedro Ostronoff, 65; Célia Gonzalez Vicente, 72.

20.5.16

OURINHOS A CAMINHO DO CENTENÁRIO: A FILARMÔNICA MUNICIPAL "LIRA CARLOS GOMES" (1942)



Foto por Frederico Hahn.

No século passado, toda cidade, por menor que fosse, envidava esforços para constituir uma banda municipal. 
As praças tinham coreto, o qual entre outras finalidades, tinha a de abrigar uma  banda. Numa época em que poucos tinham rádio em casa, dirigir-se à praça para assistir a concertos de banda era um programa que agradava a muitos. 
Ourinhos, desde a inauguração do coreto da Praça Melo Peixoto, em 1927, passou a ter uma banda municipal. É certo que volta e meia ela acabava se extinguindo, mas renascia depois de algum tempo.
A banda criada em 1937, extinguiu-se, vindo a renascer no início da década seguinte, graças a ação do prefeito Horácio Soares. A inauguração deu-se na gestão do prefeito seguinte,  drº Hermelino Agnes de Leão".
Em 3 de janeiro de 1942, o jornal "A Voz do Povo" noticiava a inauguração de uma nova banda

"Dar-se-á amanhã, ás 19 horas, a inauguração solene da nossa Filarmônica Municipal «Lira Carlos Gomes», organisada e dirigida pelo competente e esforçado maestro Francisco Leite de Camargo. A nova corporação musical, cujos componentes, na sua maioria, são músicos novos, discípulos com menos de meio ano de aprendizado, trabalhados pelo maestro Camargo, sem favor, um artista de méritos, apto e energico, é formada por 36 figuras, uniformizadas garbosamente. O seu repertorio não é atualmente, como facil será aquilatar pelo seu tempo de organisação restrito, vasto, mas é, contudo, primorosamente escolhido e bem ensaiado, com números de musicas modernas, de sensa­ção, todas de autoria do proprio maestro Camargo, o qual, alem de bom maestro, é ainda compositor de musica de bela escola e de muito gosto.
A banda de musica incorporada, fará amanhã, inicialmente, uma visita aos paraninfos da mesma corporação, Sra. Dona Maria Gomes de Leão, digníssima esposa do Sr. Dr. Hermelino de Leão, prefeito municipal e Horacio Soares, onde fará uso da palavra, numa saudação de reconhecimento, em nome da corporação, o jornalista e farmacêutico Edison Pinheiro. Logo depois, encaminhará a filarmônica para o corêto da praça Melo Peixoto, tendo então o Sr, Edison, ainda por solicitação do maestro Camargo, ensejo de fazer a apresentação da banda de musica ao povo ourinhense.como mais um patrimônio da cidade, seguindo-se o primeiro concerto publico pela corporação, de acordo com o programa anteriormente divulgado. Esse acontecimento constituirá, por certo, motivo de agrado geral, vindo atestar tambem os esforços bem sucedidos do maestro Camargo, na formação da banda local, lacuna que em nossa cidade vinha se fazendo sentir. "



No dia aprazado, deu-se a inauguração que contou com a presença "de mais de mil pessoas".
À frente da casa do prefeito Hermelino, às 19 horas,  o jornalista e farmacêutico Edison Pinheiro,  saudou os paraninfos da banda, falando em seguida o ex-prefeito Horácio Soares que, ao final, presenteou o maestro Francisco Leite de Camargo com uma batuta de prata. Desse local a banda dirigiu-se à Praça Melo Peixoto, e iniciou a sua apresentação após uma fala do prefeito ocupando o microfone da Rádio Comercial de Ourinhos.
 O programa executado era composto de músicas  de autoria do maestro Camargo. O mesmo programa foi reprisado no dia seguinte.
A população estava feliz, pois tinha de volta a sua banda municipal.

14.5.16

OURINHOS A CAMINHO DO CENTENÁRIO: A FACE SUL DA CIDADE E A FAZENDA MÚRCIA




Esta é mais uma das fotos que meu pai, Francisco de Almeida Lopes, fez da cidade a partir do topo da Igreja Matriz nos anos 1950 (primeira metade, acredito).
Ela é muito importante pelo registro de  vários aspectos do passado ourinhense. A paisagem que a foto descortina  acha-se hoje completamente alterada.
Em primeiro plano vemos um trecho da  da Rua Rio de Janeiro, compreendido entre as Ruas Cardoso Ribeiro e Souza Soutello. Nele se acham 12 casas, 6 do lado esquerdo e 6 do lado direito, que foram construídas em área da Fazenda Múrcia. Elas constituíam o segundo lote de residências que a "Caixa" da Companhia Ferroviária  São Paulo-Paraná ergueu e financiou a empregados seus. O primeiro lote, foi aquele compreendido entre a Avenida Altino Arantes e a atual Expedicionário, na altura da Rua Monsenhor Córdova.



(Rua Monsenhor Córdova)


As duas primeiras casas na Avenida Altino Arantes: a do contador Benedito Monteiro e a do chefe de movimento Carlos Devienne (na varanda, minha tia Benedita Lopes Devienne) 

No segundo lote,  vamos encontrar algumas casas em novo estilo, mais leve eu diria, caracterizado por varandas em arco. O responsável por esse novo estilo foi o construtor  Ezelino Zório, sobrinho de Henrique Tocalino.

Uma das casas no novo estilo, a de meu pai, edificada em 1943, ( Souza Soutello, 194, esquina com Rio de Janeiro)

Mais adiante, vemos  grande parte de uma das fazendas que rodeava a cidade - a Fazenda Múrcia, de propriedade Horácio Soares (1894-1952), que foi casado em primeiras núpcias com Emília Santos e em segunda com Hermínia Vicentini. A fazenda de café foi adquirida em 1925. O cafezal que nela existia circundava e atravessava  a linha férrea que demanda o Paraná 
No centro da foto vemos uma área arborizada. Era o local onde se achava a sede da Fazenda Múrcia. Após a morte de Horácio, seus filhos lotearam o que restava da fazenda  dando origem a novos bairros.
Mais adiante vemos uma ampla visão da Vila Odilon, tomada por  inúmeras olarias com suas belas chaminés, e a perder de vista a divisa com o estado do Paraná.



7.5.16

OURINHOS A CAMINHO DO CENTENÁRIO: O EXTERNATO RUI BARBOSA

O prédio do Externato Rui Barbosa, que  ficava na Avenida Altino Arantes,  é o que tem uma placa grande na varanda. Nesse local hoje está instalada uma agência da Caixa Econômica Federal.


O Externato Rui Barbosa, fundado em 1928, foi a primeira escola particular a oferecer uma modalidade de  curso ginasial em Ourinhos.
Seu proprietário era Constantino Molina,  professor espanhol muito preparado, colaborador de "A Voz do Povo", onde escreveu muitos artigos sobre diversos assuntos ao longo dos anos 1930, tendo ainda publicado uma alentada narrativa sobre a Revolução de 1932 na região de Ourinhos.





Os alunos dessa modalidade de curso ginasial eram preparados na escola e, ao final do ano, iam até São Paulo prestar exames em escolas autorizadas pelo governo federal. 
Em 1937, um grupo de alunos submeteu-se a  exames na Faculdade Comercial Brasil, em São Paulo. A nota mais alta entre as alunas foi 8, obtida por Rosa Fragão, Ivone Pierotti e Amélia das Neves Lopes. A mais alta entre os alunos foi 7, obtida por José Fernandes, Hermínio Nogueira e Jairo Diniz.




Nesta foto editada vemos Amélia das Neves Lopes e
Jairo Teixeira Diniz 









Vários outros cursos eram também oferecidos pelo Externato:


Dois de meus tios, João e José e  minha mãe, Amélia estudaram nessa escola. Meus tios fizeram o curso comercial e Amélia o curso secundário.
Em 24 de maio de 1935, o jornal "A Cidade de Ourinhos publicava:
"Resultado do segundo exame bimensal de março e abril:
1º lugar - João Neves, com 100 pontos; 2º lugar - Agripino Braz, com 91 pontos; 3º Orlando Vendramini, com 87 pontos; 4º José Neves Neto, com 78 pontos(...)"



Com a criação do Ginásio de Ourinhos, uma escola particular com subvenção da prefeitura, oferecendo o curso secundário regular, o Externato Rui Barbosa foi perdendo a sua clientela. Isso levou o professor Molina a deixar cidade em outubro de 1942, indo para São Paulo. O prédio onde funcionava a escola foi comprado pelo professor Aparecido Lemos, que ali manteve por muitos anos um curso de datilografia.