28.11.15

MITHUO MINAMI, PREFEITO DE OURINHOS (1937-2015)




Foto Minoru, por mim editada.

Em 1968, o ourinhense Lauro Migliari, foi eleito prefeito.  Lauro já tinha experiência parlamentar, tendo sido vereador na quarta legislatura (1960-1963) e  presidente da Câmara Municipal (1960-1961. Seu vice era o engenheiro Mithuo Minami.
Em 13 de dezembro do mesmo ano, sobreveio o Ato Institucional nº 5, dando início ao período mais duro dos governos militares,  após a derrubada do presidente João Goulart em 1964.
Em 1º de julho de 1969,  com base no Ato Institucional nº 5, o jovem prefeito recém eleito foi cassado. Fato que traumatizou a cidade e, cujas causas até hoje não foram suficientemente esclarecidas. Há um artigo publicado pelo jornal "Debate", de Santa Cruz do Rio Pardo,  que procura lançar alguma luz sobre o ocorrido:
Com a cassação de Lauro Migliari, Mithuo Minami assumiu a prefeitura. Ele já havia sido vereador na quinta legislatura (1964-1968)
De 1977 a 1983, Mithuo foi também o vice do prefeito Aldo Matachana Thomé.
 Mithuo Minami, engenheiro civil, faleceu no dia 26 de outubro passado, aos 78 anos. Foi sepultado na cidade de Arujá. Ele foi casado com Alice Siduko Koga, irmã do comerciante Kenichi Koga.
O casal teve três filhas, todas engenheiras.
Profissional competente, além de ter realizado uma boa administração como prefeito da cidade, foi por muitos anos presidente da Companhia Estadual de Construções Escolares do Estado de São Paulo - CONESP, na gestão do governador Paulo Salim Maluf.
Nos últimos anos, Mithuo atuou na vida privada, tendo deixado Ourinhos após ter sido vice de Aldo Matachana Thomé.
Nesta foto de autoria desconhecida,  publicada anteriormente no  blog de Wilson Monteiro, temos um instantâneo de uma cerimônia religiosa na Igreja Matriz de Ourinhos na qual Mithuo Minami faz uma leitura. Ele tem ao seu lado o saudoso Thomas Lopes, tenor e mestre de obras da edificação da igreja matriz, o ex-prefeito Rubens Bortolocci da Silva e o congregado mariano Humbeto Rosa. Foto de autoria desconhecida.


Nesta outra foto, vemos Mithuo ao lado governador Paulo Egydio Martins e do deputado federal Silvestre Ferraz Egreja. Foto por Francisco de Almeida Lopes


Logo abaixo inseri dois comentários sobre o episódio da cassação do prefeito Lauro.


22.11.15

O BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO - BANESPA, EM OURINHOS


A origem do Banco do Estado de São Paulo  remonta a 1909, sob a denominação de Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo, com capital social francês e estatal. Em 1919, o seu capital foi nacionalizado, tornando-se o governo estadual paulista seu acionista majoritário. 
Em 4 de novembro de 1926, na gestão de Altino Arantes,  passou a denominar-se Banco do Estado de São Paulo, ocasião em que houve aumento do capital social e subscrição pelo Tesouro do Estado e pelo Instituto do Café de 98% do novo capital. 
Aos poucos o banco estadual paulista foi abrindo agências nas principais cidades do interior. A agência de Ourinhos foi criada em meados dos anos 1940,em prédio  localizado na Rua Arlindo Luz.
A sede do Banespa, então o mais alto edifício de São Paulo, foi inaugurada em 1947.


No início de 1995, o Banespa foi "federalizado",  e  após o seu saneamento, ocorreu a sua privatização em novembro de 2000. O Grupo Santander Hispano obteve o  controle acionário do Banespa, após adquirir no leilão 60% das ações com direito a voto. A denominação passou ser Santander Banespa e, posteriormente, apenas Santander.



Foto de autoria desconhecida - Acervo de Francisco de Almeida Lopes

Nessa foto vemos sua equipe inicial, na qual identificamos: Walter Hildebrandi, gerente (último à esquerda), Plínio de Campos , Marcos Reginato (último à direita na primeira fila), Arlindo Gomes (Cabo Arlindo), último na segunda fila e Evaristo Saraiva, o quarto da esquerda para a direita.
Em 1954, Walter Hildebrandi foi promovido e deixou a gerência da agência de Ourinhos que passou a ser administrada por Antônio Ferreira Batista, até então gerente em Itapeva,
Esta foto de 14 de maio de 1954 mostra essa passagem:


Da esquerda para a direita (3)Antonio Ferreira Batista, (4) Walter Hildebrand,(5) Evaristo Saraiva, (7) Marcos Reginato.
No degrau da porta(3) Arlindo Gomes
Foto de autoria desconhecida pertencente ao acervo da família de Antônio Ferreira Batista 

11.11.15

A NOMENCLATURA DE RUAS, HERÁCLITO SÂNDANO E A PRIMEIRA ESTAÇÃO DE OURINHOS


"A Voz do Povo", de 17.12.1949, publicou um artigo denominado NOMENCLATURA DE RUAS, propondo que se desse o nome  de Heráclito Sândano a uma das ruas de Ourinhos. Ao justificar a propositura, o artigo toca num assunto  que hoje talvez esteja esquecido: o local onde fora construída a primeira estação. 
"Este assunto, sempre em ordem do dia, tornou-se mais evidente, desde que foram aprovados projetos de  leis neste sentido. Ainda ha pouco, o vereador Camargo Junior comunicou á Camara, que o Executivo Municipal, iria enviar um projéto no sentido de se dar a denominação de José Felipe do Amaral a uma das nossas vias publicas. Muito justa homenagem, não  ha duvida e para a qual não regateamos aplausos. Entretanto, o primeiro habitante de Ourinhos não merecia ter o seu nome perpetuado numa via publica?
Quem foi o primeiro habitante, o primeiro chefe de familia que se radicou em Ourinhos, quando isto aqui era ainda plena mata?  A pergunta é facil de se responder, uma vez que Ourinhos é cidade fundada ha bem pouco tempo.
Quem primeiro fixou residência em Ourinhos foi o snr. Heraclito Sandano.
Vindo da ltalia em 1897, esteve em diversas localidades paulistas. Por fim,acompanhando a turma de construção da Empreza José 
​G
iorgi, veio dar com os costados em Ourinhos, mais ou menos em 1907.
De acordo c
​o
m os planos estabelecidos, a esta­ção de Ourinhos deveria ser no ponto onde a atual estrada de rodagem se bifur
​c
a, seguindo a direção do Paraná, de um lado e  Salto Grande do outro.
Porém, 
a falta de agua no local obrigou a localiza-la onde se acha.
A primeira estação foi construída no lado oposto á atual e por isso o hotel construído por Heraclito Sandano, entre a estação e a atual avenida Jacinto Sá, tomou o nome de “Explanada".
Com o tempo, vendeu-o e, de hotel, passou a pensão, que hoje ainda conserva o nome primitivo escrito em ortografia moderna.
(...)
Não é justo que este primeiro varão a se fixar em Ourinhos, tenha o seu nome perpetuado em via 
​p​
ublica?
Não é ele muito merecedor da gratidão e lembrança por parte dos que, mais tarde, conhecendo-o ou não, aqui vieram viver, em companhia de muitos dos seus descendentes? Aí fica a nossa lembrança, que, esperamos, seja apresentada em bôa hora.​"

Dona Cesira Migliari, filha de Heráclito e esposa de Narciso Migliari, dona de incrível memória, em relato feito há muitos anos já abordara esse assunto da localização da primeira estação.

Há anos, abordo nesta coluna a questão da injustiça que se cometeu para com alguns moradores de Ourinhos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o progresso da cidade, seja no exercício de cargo público, na atividade comercial e industrial  ou em alguns outros setores.
Fosse eu vereador ou presidente da Câmara Municipal, proporia a constituição de uma comissão para estudar a questão e reparar o esquecimento a que essas pessoas foram relegadas. Ainda é tempo, estamos nas cercanias do centenário da cidade.

PRESTES MAIA EM OURINHOS - 1949

Francisco Prestes Maia (19/3/1896 - 26/4/1965),engenheiro, foi por duas vezes prefeito da capital. A primeira como prefeito nomeado (1938-1945) pelo então interventor Ademar de Barros, a segunda como prefeito eleito (1962-1965).
Graças ao prestígio obtido por ter realizado uma excelente 
administração, foi escolhido pela União Democrática Nacional como candidato a governador do estado, nas eleições que ocorreriam em 1950.
Para tanto, as lideranças udenistas organizaram  visitas do candidato às principais cidades do interior, ainda em 1949.




Ourinhos recebeu a visita do engenheiro Prestes Maia em 14 de agosto de 1949, conforme organização elaborada pela Comissão Diretora local composta para esse fim, constituída por:
Dr. Alfredo de Almeida Bessa - presidente;
Francisco Rodrigues da Silva - vice-presidente;
Braulio Tocalino - l.o secretário;
Rubem Prado - 2.o secretário;
Olímpio Tupiná - l.o tesoureiro;
João Marciano de Melo - 2.o tesoureiro.
Vários prefeitos de cidades vizinhas estiveram na cidade para contato com o candidato. 
O comício foi realizado no Coreto da Praça Melo Peixoto, às 20 horas,  sendo transmitido pela ZYS7 Rádio Clube de Ourinhos. Falaram vários oradores entre os quais Auro de Moura Andrade, Silvestre Ferraz Egreja e Osni Silveira.  Por último falou o candidato, que foi muito aplaudido.
Prestes Maia não foi eleito, tendo vencido a eleição o candidato apoiado pelo governador Ademar de Barros, o também engenheiro Lucas Nogueira Garcez.
Fonte: "A Voz do Povo", agosto de 1949 - In "Tertuliana"

1.11.15

O HOTEL COMERCIAL EM TRÊS MOMENTOS


O primeiro proprietário do Hotel Comercial, na Rua Antônio Prado, foi o português Antônio Ferreira Dias, que o fez construir em 1924. Na foto que vemos abaixo, de autoria de Francisco de Almeida Lopes, o hotel é visto em  seu estilo original.



Segundo relato do professor Norival Vieira da Silva,  seu sogro,  Augusto Fernandes Alonso, teria sido o projetista do prédio que foi erguido em 1939, sobre o alicerce original (Diário de Ourinhos, fevereiro de 2011).O hotel aparece nesta foto, de autoria desconhecida. Na esquina com a Praça Melo Peixoto vemos "A Vencedora", famosa casa lotérica de propriedade Américo Facini.

Nos anos 1940, o hotel sofreu uma reforma que desfigurou o seu aspecto original. É nessa condição que ele se encontra ainda hoje, hospedando muitos visitantes que demandam a cidade. Esta foto é de autoria de Francisco de Almeida Lopes.



Outros dois portugueses foram seus proprietários:João Domingues de Sá e Carlos Rodrigues, genro de Antônio J. Ferreira, comerciante na Avenida Jacinto Sá. O proprietário atual é Paulo Suzuki.