24.10.15

1948 - UM GINÁSIO ESTADUAL PARA OURINHOS


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No dia 5 de agosto de 1948, ocorreu a cerimônia de instalação do Ginásio Estadual de Ourinhos.
Com isso, alcançava o município um objetivo há muito tempo almejado. Desde 1938, o ensino secundário era oferecido, na modalidade ginasial, por uma instituição privada com subvenção da prefeitura, o Instituto Educacional de Ourinhos. No entanto, o acesso a essa modalidade não era universal na cidade, limitando-se aos que podiam pagar a mensalidade ou aqueles poucos alcançados com a subvenção municipal. 
A criação do ginásio estadual foi obra do Partido Social Progressista - PSP, que estava no poder em São Paulo. O comitê local, que havia apoiado a eleição do prefeito recém eleito Cândido Barbosa Filho, desde o início do ano de 1948 desenvolvera gestões junto ao governo do Estado para alcançar aquele objetivo.
Estiveram presentes à cerimônia, que ocorreu nas dependências do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, às 15 horas: Horácio Soares,  presidente da Câmara a Municipal local, prof. Cândido Barbosa Filho, prefeito municipal da cidade prof. Dalton Morato Vilas Boas, diretor do 2º Grupo Escolar local, profa. d Hilda Saraiva, diretora substituta do Grupo Escolar «Jacinto Ferreira de  dc Sá»  e outros.
O  prof. José Camarinha Nascimento, técnico de educação, instalou o Ginásio Estadual e empossou os  professores e pessoal administrativo  já nomeados. Para responder pela direção do novo estabelecimento de ensino foi designado o professor de português, drº Júlio dos Santos. O contador Romeu de Paula Lima assumiu o cargo de secretário do estabelecimento.
Professores nomeados:
Dr. Julio dos Santos, professor de português; Profa. d. Dirce Alvarenga, professora de Latim; Dr. Aristino Flauzino Teixeira de Almeida, professor de francês; Profa. d. Maria da Penha Santos Garcia de Oliveira, de História Geral e do Brasil; Profa Maria José Santos Soares, de Geografia Geral e do Brasil; Profa. Judite Leonis, de Desenho; Prof. Lourenço Dias Machado, de Trabalhos Manuais seção masculina.
Provisoriamente, o Ginásio Estadual funcionou nas dependências do Grupo Escolar "Jacinto Ferreira de Sá", no período noturno.
No mês anterior, o semanário "A Voz do Povo" noticiara:

A Diretoria do Ensino Secundário, autorizou transferências para as primeira e segunda séries do novo estabelecimento. Destarte, é necessário que os interessados requeiram à Diretoria do Ensino Secundário as transferências. O ensino no Ginásio do Estado é INTEIRAMENTE gratuito. O corpo docente do nosso ginásio oficial é dos mais idôneos e tem longo tirocínio, e a cada professor compete reger uma unica cadeira, o que torna o ensino eficientíssimo. Além disso, os professores do Ginásio do Estado são bem remunerados e sendo bem remunerados, têm eles interesse no ministrar o ensino. Ourinhos, está, pois, de parabéns com a instalação de seu ginásio oficial De parabéns estão, lambem, o Snr. Prefeito Municipal, que não mediu esforços para que nossa cidade possuísse um Ginásio do Estado, e todos quantos, irmanados, trabalharam pela criação e instalação do ginásio oficial. De parabéns, ainda, estão os que têm filhos para ingressar no ensino secundário, pois o estudo nos ginásios oficiais é gratuito. 31-7-1948.


No final de 1948a sociedade civil “Expansão Cultural de Ourinhos”, constituída em finais de 1938 com a finalidade dotar Ourinhos do curso secundário, foi extinta, nos moldes do que estipulava os seus estatutos, sendo transferido o antigo prédio para o patrimônio público estadual. 

Iniciava-se  uma nova era no ensino secundário em Ourinhos. 

Alguns dos primeiros professores do Ginásio Estadual "Horácio Soares"

Sobre este assunto acesse também: 


http://ourinhos.blogspot.com.br/2006/01/o-ginsio-de-ourinhos-o-primeiro-ginsio.html


http://ourinhos.blogspot.com.br/2011/12/sociedade-expansao-cultural-de-ourinhos.html





17.10.15

AS FORMATURAS ESCOLARES AO LONGO DE TRÊS DÉCADAS

Já em finais do século passado, as cerimônias de colação de grau foram deixando de existir.
Isso tanto nas escolas estaduais de 1º e 2º graus, estaduais e particulares, com raríssimas exceções.
Na Universidade de São Paulo, quando conclui o bacharelado em História, em 1970, eram marcados dias na Reitoria nos quais grupos de alunos colavam grau sem qualquer aspecto solene.
No curso de Direito, a tradição da cerimônia ainda persistia, apesar de seu alto custo. Passei por ela em 1980, no Mackenzie. Não sei hoje como está.
Nos anos 1940, 1950 e 1960, as cerimônias ocorriam no primário, no secundário e no ensino superior.
As fotos que aqui seguem proporcionam uma ideia de como essas cerimônias eram bonitas, tanto em escolas estaduais que congregavam alunos de todas as camadas da sociedade, como em escolas particulares.
As cerimônias ocorriam nos salões  de clubes  e em cinemas. No caso de Ourinhos, eram utilizados o Cine Ourinhos e o Grêmio Recreativo de Ourinhos. Já o Educandário Santo Antônio  possuía um grande auditório e o utilizava para essa finalidade.

Em 1948, o Ginásio de Ourinhos, ainda um estabelecimento privado com subvenção da prefeitura, realizava a festa de formatura da primeira turma de normalistas da cidade utilizando-se do Cine Ourinhos.
À esquerda achavam-se os professores (as) e à direita as formandas.
Na foto, discursa o diretor do estabelecimento, drº João Batista de Medeiros. 


Em 1954, ainda no Cine Ourinhos, o Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá realizava a festa de formatura dos alunos do curso primário. Na foto, o diretor da escola, professor José Maria Paschoalick entrega o diploma à garota Marisa Ferreira Batista, que tem ao seu lado o pai, Antonio Ferreira Batista, gerente do Banco do Estado de São Paulo. À esquerda, a professora do quarto ano, dona Dalila Souza aguarda o momento de entregar à aluna o seu prêmio pela classificação.  


Alunas do curso ginasial do Educandário Santo Antônio, na cerimônia de formatura, em 1959. Entre as formandas está a aluna Marli Ferreira Batista, a primeira à direita.


As duas fotos abaixo são da formatura do curso normal do Educandário Santo Antônio. Na primeira discursa a irmã Celestina,  à mesa se encontram o professor Norival Vieira da Silva, o padre Duílio Liburdi, do Seminário Josefino e o Inspetor Federal drº Salem Abujamra.



Das mãos de seu pai, Marisa Ferreira Batista recebe o anel de professora



Em 1958, o garoto José Carlos Neves Lopes, orador da turma do curso primário do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, lê o discurso. Ao fundo Tufy Zaki Abucham, Miguel Farah e o professor Aparecido Lemos.
Cerimônia realizada no Grêmio Recreativo de Ourinhos. 



1962, as turmas do ginásio (primeira fileira) e do científico  (somente os cinco últimos), do Instituto de Educação Horácio Soares cantam o Hino Nacional, em cerimônia no Grêmio Recreativo de Ourinhos





 Nesta  foto, o ginasiano José Carlos Neves Lopes recebe o diploma das mãos do Inspetor Federal, drº Salem, sendo observado pelo diretor do "Grupão, profº Luiz Cordoni Junior; na ponta da mesa, padre Felipe, professor de inglês e irmã Celestina.



Alunos do curso ginasial do IEHS em cerimônia de formatura, no ano de 1957.
A quarta aluna, da esquerda para a direita, é Maria Inês Pizzolante, que foi casada com Roberto Pellegrino.


Alunos do curso técnico de contabilidade do ano de 1965, em cerimônia realizada no ano de 1965, no GRO. A cadeira vaga é a minha. Eu fui o orador da turma, e fazia o discurso naquele momento. 





10.10.15

A PRAÇA PREFEITO CAMARGO, UMA HOMENAGEM A BENEDITO MARTINS DE CAMARGO

A Praça Prefeito Camargo foi criada em 1948 para homenagear o prefeito Benedito Martins de Camargo (1934-1937), falecido em 1939.Como o prefeito Camargo foi vizinho de cerca de meu avô, fui criado ouvindo referências a esse ilustre morador de Ourinhos.
As novas gerações que passam diariamente por essa praça central, já nem se lembram de sua denominação, hoje é mais comum referir-se a ela como a "praça da Catedral".



Essa praça ficou muitos e muitos anos abandonada pela municipalidade, embora ali estivesse localizada a Igreja Matriz, que somente foi concluída interna e externamente nos anos 1960. 
O único "adorno" que lhe deram foi nos anos 1960 com o plantio de várias mudas de flamboyant em seu entorno. Trata-se de espécime originária da ilha de Madagascar, cujas raízes externas assumem formas diversas,e que,  anualmente, nos oferece belos cachos de  flores vermelhas.
Até o início dos anos 1960, a praça era ocupada por nós, garotos que moravam nas suas proximidades para brincadeiras e jogos diversos, principalmente o jogo de bets e de bolhinha de vidro (gude). Também a Congregação Mariana ocupou uma parte do seu entorno para construir um barracão onde funcionava sábado à noite o denominado "cineminha do padre".
Com a conclusão da parte externa da Igreja Matriz e edificação de suas torres, a Praça Prefeito Camargo recebeu um trabalho paisagístico,e nossas brincadeiras e o "cineminha"tiveram fim. Bem,  nessa altura já éramos adolescentes e tínhamos outros centros de atenção.



Foto por José Carlos Neves Lopes


A praça chegou a ter por muitos anos um jardineiro da prefeitura que cuidava dos seus canteiros, o saudoso senhor Nelson, que depois de aposentado tornou-se jardineiro de muitas famílias da redondeza, inclusive a minha.
Feita essa apresentação, transcrevo aqui parte da notícia publicada em 31 de julho de 1948 sobre o ato de emplacamento da"praça da
Nova Matriz"


Dona Alzira com a filha Maria Helena ao colo, Padre Vitor Moreno, vigário de Ourinhos, o bispo de Botucatu, Dom Carlos Duarte Costa e Benedito Martins de Camargo, na varanda da casa na Rua 9 de Julho, onde hoje se encontra o Colégio Anglo. Foto de autoria desconhecida.

Praça Prefeito Camargo
De grande prova de apreço e de reconhecimento, foi a homenagem póstuma, que Ourinhos, por sua Municipalidade, prestou, segunda-feira p. passada, ás 17 horas, á memória do seu saudoso e sempre reverenciado amigo, Prefeito Benedito Martins de Camargo, dando a uma das praças desta cidade o nome de Praça Prefeito Camargo. Ao ato da imposição da nova placa, compareceram o Snr. Prefeito Municipal, membros da Camara Municipal, autoridades, representantes da imprensa, a viuva do homenageado, d. Alzira Portela de Camargo, destacadas personalidades políticas e sociais de Ourinhos. A placa, dando a nova denominação á praça da Nova Matriz, estava coberta pela Bandeira Nacional, cabendo á viuva do saudoso homenageado, d. Alzira Portela de Camargo, desvenda-la, o que foi feito por entre salva de palmas dos presentes. O nosso digno e acatado Prefeito Municipal, Prof. Cândido Barbosa Filho, deu por inaugurada a nova denominação da referida praça, delegando a palavra ao Dr. Salem Abujamra, para, em nome da Prefeitura e do povo de Ourinhos, saudar d. Alzira Portela de Camargo, rendendo na sua pessoa, uma homenagem ao seu extinto esposo, cujo nome vinha de ser dado a uma das praças mais centrais de Ourinhos. O dr. Salem Abujamra, com a palavra, desincumbiu-se magnificamente da missão, relembrando, com eloquencia, o que foi a vida de Benedito Martins de Camargo para esta cidade, que ele amou muito e a ela se dedicou de coração. O discurso do dr. Salem Abujamra agradou sobremaneira, recebendo o orador, ao findar, fartos aplausos. Agradecendo, em nome da sra. d. Alzira Portela de Camargo e da familia Martins Camargo, respondeu o Snr. vereador Joaquim Lino de Camargo Junior, mostrando-se sensibilizado com aquela homenagem á memória de seu irmão, que de perto tocava a todos eles, da familia. Findo o seu discurso, muito aplaudido, foram batidas varias chapas do ato. Para assisti-lo vieram de S. Paulo, acompanhando d. Alzira Portela Camargo, os Srs. Deocleciano P. Camargo, José Luiz Camargo, Paulo Brasilio Camargo, Carlos Alberto Mendes e sua esposa, d. Lidia Camargo Mendes, que regressaram á capital no mesmo dia. 
Prefeito Benedito Martins de Camargo. Foto de autoria desconhecida.


Desse modo, Ourinhos prestou, em 1948,uma justa homenagem a Benedito Martins de Camargo, que hoje tem seu nome perpetuado numa das mais importantes praças da cidade.

A DEMOLIÇÃO DA "IGREJA VELHA"
Sempre que é postada uma foto da "Igreja Velha", os (as) mais velhos (as) lamentam a sua derrubada, apesar de que seria difícil para a Cúria manter duas igrejas numa mesma paróquia, além do fato de a "Igreja Nova", ainda necessitar de muitos recursos para o seu término, o que somente ocorreu em meados dos anos 1960.
Descobri outro dia o projeto de lei nº 15, de 1949, que jogou mais luzes sobre o que ocorreu. A "Igreja Nova foi edificada num terreno que pertencia à Prefeitura e, que, em 1949, recebeu a denominação de Praça Prefeito Camargo. Para legalizar a situação, houve na verdade uma troca entre a Diocese de Botucatu e a Prefeitura, a primeira doou o terreno da Igreja Velha para a Prefeitura, e esta recebeu em troca o terreno onde se edificou a "Nova" .

A Prefeitura, então, teve que demolir a igreja antiga e deve ter doado aquele terreno para a Telefônica ou o vendido a esta.

3.10.15

A QUINTA LEGISLATURA DA CÂMARA MUNICIPAL DE OURINHOS (1964-1968)

Foto de autoria desconhecida, publicada por Wilson Monteiro, em seu blog.



"O período das atividades da Câmara compreendido entre a posse dos Vereadores e o término de seus respectivos mandatos é denominado LEGISLATURA".

Nos municípios brasileiros as primeiras eleições de vereadores pelo voto direto deram-se em 1947, após as eleições para o Senado, Câmara dos Deputados, Presidente da República, Governador de Estado e Assembleia  Estadual. 
Numa cerimônia que ocorre na Câmara Municipal, o vereador recebe da Justiça Eleitoral um documento oficial que reconhece a validade de sua eleição - o diploma, de posse dele, são então empossados.
Nesta foto vemos algum dos vereadores da 5ª Legislatura na cerimônia de posse. Dois deles têm nas mãos o seu diploma: Ibraim Roberto Ribeiro Abujamra e Esperidião Cury. A eles seguem-se:  Mithuo Minami, Geraldo Bernardini, Ary Francisco Negrão e Luciano Correia da Silva
O pai de Ibrahim, Abrahão Abujamra, havia sido vereador nas 2ª e 3ª legislatura
Abrahão deixou Salto Grande com a esposa Alice  e os filhos  Alix, Geraldo, Ciro, Alceu, Ibrahim, Irineu e Décio, e veio para Ourinhos em 1939 em função da transferência da comarca. O 1º Tabelionato  de Ourinhos tem à frente hoje a terceira geração dos Abujanra. O filho Geraldo sucedeu ao pai e teve ao seu lado o irmão  Ibraim Roberto. A filha de Geraldo,  Deise Abujamra Bozon Verduraz​, responde  hoje pelo tabelionato. 
​Ibrahim Roberto foi também vereador na 6ª legislatura, tendo sido presidente da Câmara em 1969. ​
Esperidião Cury, que anos depois seria eleito prefeito, exerceu esse mandato por três legislaturas.
Geraldo Bernardini, Luciano Correia da Silva  e Mithuo Minami, mais tarde  prefeito, exerceram apenas essa legislatura

1964 a 1968   (5ª. Legislatura)

  1. Álvaro Ribeiro de Moraes
  2. Antônio Jorge
  3. Ary Francisco Negrão
  4. Benedito Pimentel
  5. Dirceu Correia Custódio
  6. Espiridião Cury
  7. Geraldo Bernardini
  8. Harugi Seno (Presidente 1966)
  9. Ibraim Roberto Ribeiro Abujanra
  10. João Newton César (Presidente 1965/1967/1968)
  11. Jorge de Barros Carvalho
  12. Luciano Correia da Silva
  13. Manoel Teodoro de Mello
  14. Mithuo Minami
  15. Oriente Mori (Presidente 1964)