28.2.15

A QUASE CENTENÁRIA IGREJA METODISTA DE OURINHOS

Este ano a Igreja Metodista de Ourinhos completará 100 anos!
O movimento metodista remonta à primeira metade do século XVIII, tendo iniciado graças ao sacerdote  John Wesley, que buscava uma renovação dentro da Igreja Anglicana. Após a sua morte, é que surge a Igreja Metodista.
O metodismo teve uma penetração grande no sul dos Estados Unidos, no século XIX.. 
No Brasil, sua presença data da segunda metade do século XIX. O primeiro núcleo foi fundado pelo pastor Junius Estaham Newman na Província de São Paulo, o chamado "Circuito de Santa Bárbara", em 1871. (em http://5re.metodista.org.br/ , há um bom resumo sobre a a história do Metodismo).
Em Ourinhos, o  núcleo inicial, segundo o reverendo João Francisco Ricardo Baptista,  era constituído por um grupo de 10 pessoas que se reuniam numa casa próxima à estação ferroviária. 
Jacinto Ferreira de Sá doou, em 1915,  um terreno na Rua São Paulo para a construção do templo. A inauguração do templo se deu em 13 de junho de 1915.
O crescimento do número de membros nas três décadas seguintes trouxe a necessidade de construção de um novo templo. A ação nesse sentido foi obra do reverendo Augusto Schwab, durante os anos de 1952 a 1958. 
Ergueu-se então esse belo templo da Rua  São Paulo, de perfil elegante externamente e muito bonito na parte interna. Sempre o admirei, desde criança.




Foto postal Colombo (1959)​

Cheguei a conhecer o reverendo Schwab e família que moravam na mesma rua (9 de Julho) que eu, a três casas do pontilhão de acesso à Vila Nova.
Uma das mais antigas senhoras metodistas frequentou muito a casa de meus avós, tendo sido a professora de corte e costura de minha mãe. Ela se chamava dona Inês.




A família era de Minas Gerais. Benedito era  um dos melhores alfaiates de Ourinhos. Foi para Santo André com a esposa e filho nos anos 1950. 

Dona Inês viveu bastante;  já bem idosa, a comunidade cedeu dois cômodos ao lado da Igreja para ela morar. Ali faleceu. Quando eu já estava   em São Paulo, visitava-a todas as vezes em que ia a Ourinhos. 
Nessa foto de membros da Igreja, acredito que Benedito seja o terceiro(à direita) na fileira atrás das senhoras sentadas. A segunda jovem sentada, de vestido branco,  (à direita) talvez seja  dona Inês.

Foto de autoria desconhecida, em http://5re.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=9983 

21.2.15

JULIO ZAKI ABUCHAM E O BAR PAULISTA

Considero o artigo publicado no semanário "A Voz do Povo", de 25 de fevereiro de 1939, uma obra prima. A descrição  do que se passava no interior do Bar Paulista feita pelo autor é tal qual um instantâneo feito por um fotógrafo detalhista. 
É também uma bela homenagem à figura de Julio Zaki Abucham, o caçula dentre os homens da família. Uma ode à sua simpatia que pude conhecer  de perto.
Infelizmente  o autor utilizou um pseudônimo, e assim nunca saberemos quem era.

O Bar Paulista ficava na Praça Melo Peixoto ao lado da Igreja Matriz. Foi inaugurado no ano de 1938. João e Júlio Zaki estavam no comando, contando com o auxílio competente das irmãs Budai, Maria e Júlia. A primeira, com seu sorriso franco sempre estampado no rosto. O bar tinha charme: longas prateleiras nas paredes laterais e central; o caixa do lado esquerdo, mesas espalhadas pela área central. À direita ficava o balcão do café. Tornou-se um ponto de encontro de gerações de toda condição social, até os anos 1970. Deixou uma marca registrada na cidade e muita saudade.

CHRONICA DA SEMANA

Domingo de Fevereiro de 1939, em Ourinhos.
Terminada a missa das 10, na igreja Matriz, quedamo-nos a observar o desfile triumphal das ourinhenses jovens e lindas, que passam aos bandos,alegres e gentis, distribuindo as suas graças, aqui e acóla, á turba numerosa dos que só sahiram á rua para ve-las e admira-las.



Duas jovens, minha mãe Amélia das Neves  e Ione Pierotti, passam pelo Bar Paulista após saírem da missa das dez, na Igreja Matriz, ao lado.

E dentro em pouco a praça Mello Peixoto fica deserta e vasia de encantos, Consulta-se o relogio: 11 horas.
Consulta-se o estomago: é a hora do apperitivo.
E eis-nos convergindo, entre um grupo de alegres companheiros, ao quartel general dos cock-tails gostosos e das «geladinhas» tentadoras, ao ponto obrigatorio de reunião da roda masculina de Ourinhos, ao pôpularissimo Bar e Café Paulista.
A rumorosa sessão ahi formada já vae em franca actividade e, do cantinho em que nos acommodamos nos pômos a observar, de longe, o rumo das palestras travadas entre os que se acotovelam ao re­dor das demais mesinhas.
O Bar e Café Paulista é um recanto sempre propicio ás indiscrições do observador anonymo e arguto.
Freqüentado por elementos de todos os matizes sociaes e profissionaes, dentre gente rica e gente pobre, bancarios, médicos, advogados,  ferrovia­rios, funccionarios publicos, lavradores, homens de negocios e ex-politicos, o Bar e Café Paulista asseme lha-se a um cenaculo onde os re­presentantes das diversas camadas da sociedade local encontram ambiente sempre favorável para a exposição dos seus pontos de vista e dos seus commentarios de todo o genero.
Hoje, por exemplo, as palestras são as mais generalisadas e interessantes possíveis. Falla-se de tudo e sobre tudo.
Lá ao fundo, uma ala de conspicuos cidadãos em que reconhecem os prestigiosos exmembros de pujante partido, já hoje letra morta no paiz, commenta acaloradamente a situação geral brasileira, numa mistura de themas em que vêm á baila as finanças nacionaes, a propalada descoberta do petroleo de Lobato, a nova era administrativa de S. Paulo, etc., etc.
Acolá, é um grupo de barbeiros e alfaiates, e que discorre com enthusiasmo sobre questões de futebol e esportes em geral, recapitulando episodios dos últimos encontro entre brasileiros e argentinos e entre paulistas e cariocas Aqui é uma roda de honrados funccionarios públicos, que empunhando seus copos a transbordarem de espumante «Antarctica», perora sobre religião, sobre a alta dos generos  e até sobre o decreto presidencial prohibitivo do jogo do bicho.
E naquella mesa próxima, finalmente, acotovela-se um grupo de homens do commercio e da lavoura, e os quaes, em meio de energicas gesticulações, estabelecem seus palpites sobre o termino do conflicto hespanhol, a paralyzação dos negocios e os effeitos da chuvarada destes últimos dias sobre a lavoura do algodão e cereaes.
E as palestras se avivam, e todos se enthusiasmam e vibram, emquanto que o fleugmatico Julio, obsequioso, com aquelle seu ar complacente e o seu indefectível sorriso, attende, solicito, os seus assí­duos e alegres freguezes, servindo mais um apperitivo a este, mais uma cerveja áquelle, mais um refresco áquelleoutro.


Foto de Júlio a postos na registradora do caixa do Bar. (In Jefferson Del Rios - memórias de uma cidade paulista, 1992). Autoria desconhecida.

 Satisfeita a nossa curiosidade, de posse de matéria para a nossa chronica de hoje, e depois de ingerirmos mais uma «batida», dispomo-nos para o almoço.
E em perfeita ordem fazemos a retirada, deixando o bom do Julio ás voltas com a sua freguezia, attendendo a todos com o sorriso sempre preso aos labios, aquelle sorriso que é ao mesmo tempo um traço marcante da sua bella alma, e um segredo que elle talvez mesmo ignore, do seu exito commercial...
                                                                                                                  FRABALE 

15.2.15

O INÍCIO DO CALÇAMENTO DE OURINHOS - 1948

Sábado, 4 de setembro de 1949, o jornal "A Voz do Povo" publicava em primeira página a notícia que a empresa Luiz Bicudo Júnior, dera início ao calçamento das via públicas, conforme contrato assinado ente essa empresa e a Prefeitura de Ourinhos, que tinha à frente o prefeito Cândido Barbosa Filho, eleito em 1947 pela coligação entre o Partido Social Progressista e a União Democrática Nacional.
O contrato fora assinado no salão de festas do Grêmio Recreativo de Ourinhos, no dia 19 de agosto de 1948,  contando com numerosa assistência. Aos presentes foi servida, "em regozijo, uma profusa taã de champanhe".
As obras foram iniciadas na Rua Paraná, principal artéria da cidade.
O governo do estado concedeu frete livre para o transporte do paralelepípedo a ser utilizado no calçamento.
Seriam pavimentadas 60.000 m2 de vias públicas.
Era a concretização de um sonho dos munícipes, tão pleitado quanto postergado desde os anos 1930.



Foto: autor desconhecido (pelo data, acredito que seja do Foto Machado ou Sakai)

Esta foto  mostra o momento da assinatura do contrato de calçamento, tendo à mesa o prefeito e proprietário da empresa de Itu, srº Luiz Bicudo Júnior.
A senhora com tailleur escuro é a esposa do prefeito.
São vistos na foto: José da Cruz Thomé, Tibério Bastos Sobrinho, Ciro Silva, Philemon de Melo Sá, padre Eduardo Murante, Reinaldo Azevedo, Armando D'Andrea, Joaquim Lino de Camargo, exercendo a presidência da Câmara, Domingos Camerlingo Caló, o tabelião Gama,  Mattar, sargento Sílvio Miranda, entre outros.

A foto abaixo mostra um dos momentos do calçamento, quando chegava à esquina da 9 de Julho com Rio de Janeiro.
Esta era a casa de meus avós e onde morei até 1955. Na esquina vê-se o estabelecimento de João Neves - a "Casa dos Lavradores. A construção era de 1930.

1.2.15

OURINHOS E AS FERROVIAS

Ao que tudo indica, Ourinhos vive a hora da verdade no que diz respeito a malha ferroviária que corta a cidade.
Cidade que nasceu em função do café,  teve  duas ferrovias cortando o seu perímetro urbano.
Até o final dos anos 1950, o cafezal dos Ferreira de Sá e dos Soares ainda faziam limite com a área urbana. O que restou da Fazenda Múrcia, situada no lado oeste da cidade,  foi loteada, surgindo assim novos bairros. 
Quem mais resistiu no tempo foi o restante dada propriedade cafeeira de Jacinto Ferreira de Sá, no lado leste,  hoje já rodeada pela área urbana.
Do leito ferroviário da Sorocabana, já na segunda metade dos anos 1920, partiu a ferrovia que demandava o Norte do Paraná - a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, passando por terras de Horácio Soares e seguindo até a divisa com o Paraná.
O centro de Ourinhos, com esse traçado ferroviário,  acabou tendo o formato de uma  ferradura, como pode ser observado nesta foto.
Foto do início dos anos 1970 - autoria desconhecida.
 
Ou seja, esse leito acaba tendo o  traçado de uma avenida perimetral tão cobiçada. 
O leito ferroviário na região encontra-se degradado há muitos anos, e as manobras realizadas nessa região causam há anos transtornos para a população da cidade, sem contar com os alegados  problemas de segurança apontados por estudiosos da questão. 
Ao  que indicam  as notícias essa situação vive os seus últimos momentos.
A remoção do leito ferroviário da área central já ocorreu em em Londrina, Araraquara e outras cidades paulistas.
Dificilmente Ourinhos conseguirá escapar desse destino. Tivesse o transporte ferroviário de passageiros sido mantido e aperfeiçoado, outra seria a situação, como ocorreu nas ferrovias europeias  e dos Estados Unidos.
Em breve, teremos que dar adeus aos trilhos com os quais convivemos por mais de cem anos.


Nesta foto dos anos 1950, por Francisco de Almeida Lopes, vemos o início do leito ferroviário 
da antiga Rede de Viação Paraná-Santa Catarina. A foto foi tirada a partir do pontilhão que liga a Rua 9 de Julho com a  Avenida Rodrigues Alves.