31.1.15

DOIS VIGÁRIOS DE OURINHOS: O CÔNEGO MIGUEL DOS REIS MELLO E O PADRE EDUARDO MURANTE - VIGÁRIO DE OURINHOS (1941-1955)


A Voz do Povo


No dia 20 de março de 1941,o vigário de Ourinhos, Cônego Miguel dos Reis Mello, se despedia dos paroquianos, ele que estivera à frente da Paróquia do Senhor Bom Jesus por quase 4 anos (07/08/1937-21-3-1941 ).


      (Foto editada) Cônego Reis Mello entre o Drº Ovídio e sua esposa Helena 

Apesar de não ter sido vigário por um longo período, uma notícia publicada pelo semanário  "A Voz do Povo", de 22-3-1941, denota que era  bastante estimado:


 (Foto editada) Cônego Reis Mello entre o Drº Ovídio e sua esposa Helena 




Na semana seguinte, em 29-3-1941, o jornal noticiava que um novo clérigo havia assumido a Paróquia:


 Padre Eduardo por ocasião do lançamento da pedra fundamental  da nova Agência dos Correios, em 25-9-1950. Foto por Francisco de Almeida Lopes. 



O primeiro ato publico de que tomou parte o novo vigário foi o lançamento da pedra fundamental da Santa Casa de Misericórdia, em 23-3-1941.
Ele era o padre certo para aquele momento, em que a comunidade católica, já muito grande demandava a edificação de um um novo templo.  Culto, jovem e dinâmico, era a pessoa certa para esse desígnio.
De fato, passados dois anos  era constituída uma comissão para cuidar da construção da nova Matriz.
Em 1944 (2-2), um decreto desapropriava as poucas construções que existiam num terreno entre as  ruas Arlindo Luz e Rio de Janeiro, a fim de lá  a "Igreja Nova". No ano seguinte  iniciava-se a construção.
Quermesses, jogos, sessões cinematográficas, rifas, entre outras coisas, levantaram os fundos para o erguimento da Igreja, cuja cobertura foi concluída em 1949, tendo ali sido celebrada a  "Missa do Galo.

Esta é uma das últimas fotos do padre Eduardo durante a Primeira Comunhão, em maio de 1955 na nova Igreja Matriz. Foi a minha turma, na foto eu estou prestes a receber a comunhão ( o quarto da esquerda para a direita)

O Padre Eduardo esteve à frente da Paróquia por 15 anos, sendo substituído,  em 1956, pelo padre  Padre Domingos Trivi. Jamais se esqueceu da cidade que o acolhera de braços abertos. 
Já idoso e doente,  retornou a Ourinhos para ser homenageado (1968).
Padre Eduardo entre o pároco de Ourinhos Arnaldo Beltrami e o  Arcebispo de Botucatu, Frei Dom Henrique Golland Trindade (1897-1974).

Após a sua morte, graças a Nilo Ferrari teve um lugar reservado no Cemitério de Ourinhos, bem próximo ao Jazigo da família Ferrari, que tanto fez pela  Igreja Católica de Ourinhos.
Numa bela homenagem ao Padre Eduardo, escreveu o professor Luciano Correa da Silva:


“Poeta, visionário, sonhador?
Batina rude, o velho Ford usado...
“Lá vai padre Eduardo...” – era o clamor
Da gente humilde, por quem era amado.
O amigo Bastião, Tomás cantor,
O vicentino, o antigo congregado.
Quem viu dá testemunho, sem favor,
Do seu querido sonho, tão sonhado!
Queria uma nova igreja para Ourinhos.
E a areia, a cal (parece que o contemplo!)
Ele juntava à fé, sempre aos pouquinhos...
E mais do que a visão de um templo novo,
Deixou para a cidade o grande exemplo
De como se trabalha para o povo.”
In Poemas do Vale, por Luciano Correia da Silva – Ourinhos, Prefeitura Municipal, 1993, p.67.
(Sebastião (Bastião) era um quebra galhos da casa paroquial e das funções religiosas muito querido de todos; Tomás Lopes, o tenor solista e integrante do coral,  e mestre de obras da edificação da igreja) 

24.1.15

HOMENAGEM AOS CONTADORANDOS DE 1965 DA ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DE OURINHOS

EM MEMÓRIA DE

NEUSA VICTORINO DA SILVA, 01/01/15, 73 anos de idade, aposentada, residente e domiciliada na Rua Graciano Racanello, 204, Jd. Tropical, em Ourinhos/SP, era solteira, deixa 1 filha. O sepultamento foi realizado no Cemitério da Saudade de Ourinhos/SP.
(na foto em que os formandos ouvem o meu discurso, ela é a segunda, na primeira fila e na dos formandos é a 12a. da primeira fileira) 


Na visão dos fundadores do "Ginásio de Ourinhos", drºs José Augusto de Oliveira e João Batista de Medeiros em finais dos anos 1930, ao curso ginasial seguir-se-ia o curso normal para a formação de professores e o curso  comercial técnico.
De fato, em finais dos anos 1940, formou-se a primeira turma de normalistas. Já a criação do curso comercial técnico ocorreu em 1948, no momento em que a instituição vinha passando por uma série de problemas, razão pela qual, a sociedade mantenedora foi extinta, passando os cursos ginasial e normal para o governo do estado. 
Restava o curso comercial, que foi salvo pelo interesse do professor Jorge Herkrath em assumir o seu controle. De fato, ele venceu a concorrência aberta pela prefeitura e assumiu a escola.
O professor Jorge morava,  na ocasião,  numa grande casa na Rua 9 de Julho, nº 76,  vizinha da casa de número 102, residência de meu avô. A casa em que o professor Jorge morava fora do prefeito Benedito Camargo, falecido em 1939.
Na parte da frente dessa casa, o professor Jorge fez erguer uma construção com dois pavimentos para acolher o curso comercial. Nascia ali a Escola Técnica de Comércio de Ourinhos .
As instalações foram ampliadas nos anos 1960, com a construção de outra ala, nos fundos do casa. Foi nessa ala que estudei durante os três anos do curso técnico de  1963 a 1965. 
Várias turmas de contadores ourinhenses e de cidades vizinhas foram formados por essa escola.

A turma de 1965 era grande, mais de 40 alunos. Muitos haviam sido meus colegas no curso ginasial. O curso era noturno. 
A comissão organizadora da formatura foi muito competente. Conseguimos rifar um carro e com isso havia muito dinheiro, o que nos possibilitou fazer uma churrascada  na chácara cedida pelo senhor Tufy Zaki Abucham, às margens do Paranapanema; jantar; a ornamentação do salão do GRO para a entrega dos diplomas e, por fim, o baile de formatura, que foi um dos melhores já havidos na cidade, abrilhantado pela Orquestra de Waldomiro Lemcke, de São Paulo.
Fui o orador dessa turma.
Aos colegas,  a minha homenagem pelos 50 anos de formatura.






Os formandos ouvem o discurso do colega José Carlos Neves Lopes


Comemorando o final do ano.


O baile de formatura. Na mesa, três primas: Maria Leonor Soares Neves, Clênia e Maria Isabel Teixeira.
Na mesa ao lado, Olenka de Melo Sá.

Dados obtido em artigo de José Carlos Marão sobre a Escola Técnica de Comércio.

17.1.15

MARLI FERREIRA BATISTA E O BAILE DA MISS ELEGANTE BANGU DA MÉDIA SOROCABANA DE 1960

A Companhia Progresso Industrial do Brasil Fábrica Bangu, que situava-se  na cidade do Rio de Janeiro, foi fruto do surto industrial que se seguiu ao advento da República, o período chamado "Encilhamento".   Muitos dos empreendimentos desse período falharam, mas essa empresa fundada por dois banqueiros famosos, o Conde de Figueiredo e o Barão de Salgado Zenha, do Banco Nacional Brasileiro, sobreviveu até 2005.


Foto  por  Jean Manzon, cerca de 1950 , in http://rjantigo.blogspot.com.br

A empresa construiu uma vila operária, já que a fábrica ficava a 31 quilômetros do centro do Rio.
A fábrica de tecidos contava com 1200 teares, 1900 cavalos vapor de força e 1600 operários.
Em 1951, a esposa de um dos donos da empresa, criou o Concurso Miss Elegante Bangu, evento beneficente. Esse certame logo virou atração nacional. Clubes de todo o país escolhiam suas representantes.


No ano de 1958, desfilaram no Rio de Janeiro 104 representantes. A vencedora  recebia como prêmio  uma viagem à Europa.
Os trajes eram confeccionados com tecidos Bangu.
Por meio de  artigo do jornal - DEBATE - , de Santa Cruz do Rio Pardo, ficamos sabendo que o baile Miss Elegante Bangu da da Média Sorocabana iniciou-se logo após a inauguração do Icaiçara Clube, em 1959. A primeira "Miss Elegante Bangu" foi Edméia Elisa Silva Corazza. Segundo Edméia, quem vendia tecidos Bangu era  a Loja Riachuelo. O vestido fora confeccionado por sua mãe. (http://www2.uol.com.br/debate/1539/cadd/cadernod01a.htm)

Nas páginas de "O Diário da Sorocabana", de  8-10-1961, encontramos um anúncio sobre esse baile:
 

Minha amiga  Marli Ferreira Batista (1944-2006) teria completado 70 anos no dia 10 de outubro passado.
Em sua homenagem este artigo foi concebido, ela que foi a representante de Ourinhos, no baile do dia 22-10-1960, em Santa Cruz do Rio Pardo. 



Anteriormente a esse desfile, Marli desfilou no Grêmio Recreativo de Ourinhos.  






10.1.15

"TRIBUNA ESCOLAR" UMA PUBLICAÇÃO VOLTADA PARA A EDUCAÇÃO

No meu arquivo de fotos e recortes de jornais, encontrei outro dia um exemplar do jornal "Tribuna Escolar", de 1º de janeiro de 1959, em seu número 5. 
Era uma publicação de natureza exclusivamente educacional, com circulação quinzenal e de propriedade da Indústria e Comércio Silvano Chiaradia Ltda. 
A redação e oficinas localizavam-se na Rua 9 de Julho, 482, ou seja onde Silvano Chiaradia possuia a sua loja "A Cidade de Ourinhos" e tipografia. 
O diretor gerente desse jornal  era o marido da professora Dalila, Diomar Antonio de Souza. O diretor responsável era o professor Norival Vieira da Silva, tendo como redatores o professor Rafael Orsi Filho, inspetor escolar da 35ª Zona, de Ourinhos, e meu primo José Luiz Devienne.
Destaco algumas manchetes dessa edição:
 - "Em vigor, a partir de hoje, a lei sobre aulas extraordinárias"   
 - "Vila Odilon teve sua festa de formatura"
 - "Os Diretores de Colégios terão seus Assistentes"  
 - "Deverá funcionar no corrente ano a Escola Normal de Cerqueira      Cesar"
 O artigo de fundo tinha como título "Vestibulares ao Curso Normal", prova de seleção para o ingresso no referido curso, que havia sido adotada há pouco tempo. O articulista comenta o alto índice de reprovação na disciplina matemática, destacando o fato de que em alguns colégios ela alcançara " a porcentagem incrível de 100 % reprovações", concluindo que a "verdadeira causa parece ser, não resta a dúvida, a falta de preparo dos candidatos".
Destaca o fato de  a "Escola Normal Imaculada Conceição", (do Educandário Santo Antonio) ter alcançado uma boa média de aprovação em matemática, após ter oferecido uma boa preparação "às  suas alunas que visavam o curso Normal" ( um professor dava aulas diariamente aulas às alunas da quarta série, fora do horário escolar).
Por fim, defendia a manutenção do vestibular como meio "de elevar o nível do Ensino Normal no Estado de São Paulo" .
A edição trazia dois artigos: um  sobre Rui Barbosa, de autoria do drº Júlio dos Santos, advogado de renome na cidade, e outro do professor catedrático do Instituto de Educação de Jaú, Rui Gutierres, sobre a "Liberdade de Cátedra.
Por fim, uma notícia que me é cara, ou seja, sobre a entrega de diplomas a 277 alunos do curso primário do Grupo Escolar "Jacinto Ferreira de Sá", realizada no dia 13 de dezembro de 1958, no Grêmio Recreativo de Ourinhos. A cerimônia teve como paraninfo o professor José Maria Paschoalick, prefeito municipal, que tinha sua filha Zelinda como uma das concluintes.


Recebo o diploma das mãos do prefeito Paschoalick. Ao lado o diretor do Grupo Escolar, profº Luiz Cordoni.
Ao fundo, a profª Josefa Cubas da Silva

Eu tive a honra de ser o orador dessa turma.


Na foto, discursa o aluno José Carlos Neves Lopes. Atrás, da esquerda para a direita, Tufy Zaki Abucham, representando o Rotary Clube de Ourinhos e Miguel Farah , proprietário do jornal "A Folha de Ourinhos". Ao fundo, o professor Aparecido Lemos, proprietário do externato "Rui Barbosa", cujo filho Osmar era também um dos formandos.



Após a cerimônia, professoras foram almoçar: Maria Auxiliadora Ramos Pompéia, Dalila Souza, e o dentista do Grupão drº Ortésio.


 Recebo o prêmio de melhor aluno da minha classe das mãos de dona Dalila.