31.8.14

PROFESSOR JOSÉ MARIA PASCHOALICK, PREFEITO DE OURINHOS



Nesta foto, Paschoalick está à direita,  no novo coreto da Praça Melo Peixoto.
Autoria: Francisco de Almeida Lopes.
A aluna Marisa Ferreira Batista, tendo ao seu lado o pai Antonio Ferreira Batista (gerente do Banespa) recebe o diploma do curso primário, em dezembro de 1954, das mãos do diretor José Maria Paschoalick.
Outro flagrante da entrega do diploma a Marisa, no qual se vê à esquerda a profª Dalila S. Souza. 

Desde criança, guardo simpatia para com o prefeito José Maria Paschoalick (1956-1959). Quais seriam as razões? Talvez porque tenha sido de suas mãos que recebi o meu diploma do curso primário,  realizado no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá (1958). Muitos anos depois, os problemas que enfrentou logo após o golpe de 1964 (chegou a ser aposentado compulsoriamente como professor da rede estadual) devem ter contribuído também para isso.
Ele foi professor e diretor do Grupo Escolar Jacinto ferreira de Sá´("Grupão"). Sua vinda para Ourinhos deve ter ocorrido em finais dos anos 1930.
Pela leitura das páginas de "A Voz do Povo", percebe-se que era um homem dinâmico, envolvendo-se em atividades outras que não a do cotidiano de um professor do ensino primário.
Em 1º de setembro de 1940, um grupo de jovens ourinhenses partiu  em direção ao rio Paraná até o porto de Guaíra, na divisa com o Paraguai. Os participantes dessa expedição, denominada “Bandeira de Ourinhos”, tinham como objetivo estudar as riquezas do Brasil desconhecido. Chefiava-a o profº José Maria Paschoalick,  O percurso foi feito por canoa seguindo as margens do rio Paraná.
Meu pai deve ter acompanhado a saída desse grupo, pois recordo-me de algumas fotos do grupo em um de seus álbuns, infelizmente somente restou o negativo da foto abaixo.
O retorno dos “bandeirantes’ ocorreu no dia 27 de setembro, ocasião em que foram recepcionados à noite, no “largo do jardim”, com um comício público no qual falaram o prefeito Horácio Soares, o profº José G. de Matos, do ginásio local e, em nome de Salto Grande, o jornalista Miguel Farah. Pela “Bandeira”, agradeceu o professor Paschoalick (fonte - "A Voz do Povo", 28-7-1940) 
Ainda nos anos 1940, Paschoalick foi secretário do Sindicato dos Ferroviários, o que  deve  lhe ter assegurado muitos votos nesse meio quando candidatou-se a prefeito  em 1955.  Há manifestações positivas na imprensa a respeito do excelente trabalho que desenvolveu nesse sindicato.
Sua gestão foi marcada por uma forte oposição da União Democrática Nacional - UDN - local. Uma leitura de páginas  de alguns exemplares do "Diário da Sorocabana",  durante a sua gestão, dá mostra disso.
Apesar de  muito criticado pela iniciativa, levou adiante a construção do Ginásio de Esportes de Ourinhos, em 1958, ano em que se deu  também a inauguração da nova Praça Melo Peixoto.
Durante a sua gestão, a Câmara Municipal de Ourinhos achava-se na sua 3ª legislatura, e teve a seguinte composição:

1956 a 1959   (3ª. Legislatura)
  1. Abrahão Abujamra (Presidente 1956/1957)
  2. Aimoré Ferreira
  3. Alberto Santos Soares
  4. Américo Botelho Vieira
  5. Aparecido Gonçalves Lemos
  6. Dalila S. Souza
  7. Domingos Camerlingo Caló
  8. Esperidião Cury
  9. José Del Ciel Filho (Presidente 1958)
  10. José Domingues da Costa
  11. Manoel Teodoro de Mello
  12. Oriente Mori (Presidente 1959)
  13. Osvaldo Egydio Brizola
  14. Paulino dos Santos
  15. Reinaldo Azevedo
 
Foi seu líder na Câmara Municipal,  o jovem Alberto Santos Soares (Bertico), um dos filhos de Horácio Soares. Pela análise que faço dessa composição da câmara, acredito que Paschoalick  nela contava com  maioria.
Pesquisando na web encontrei um artigo ("Jornal da Cidade" - Ribeirão Preto) do qual deduzo que a família tenha se radicado em Ribeirão Preto. Nesse artigo ( "Jonas carrega no sangue o "legado da luta" http://www.jornalacidade.com.br/noticias/cidades/NOT,2,2,938025,Jonas+carrega+no+sangue+o+legado+da+luta.aspx encontramos notícia sobre o filho (José Maria)  e um neto do prefeito Paschoalick.  
Houve duas homenagens públicas a Paschoalick em Ourinhos. O ginásio de esportes que ele construiu leva o seu nome e também uma escola estadual,  a Escola Estadual José Paschoalick ( LEI N. 4.921, DE 17 DE DEZEMBRO DE 1985).


17.8.14

JOÃO GARBIM E O TEATRO EM OURINHOS




Vemos na foto João Garbim e a esposa Hermínia em baile carnavelesco no Grêmio Recreativo de Ourinhos. Foto do Acervo de Wilson Monteiro.

A respeito de João Garbim sabíamos  de seu dom como escultor, sendo  fabricante de artefatos de cimento, cujo estabelecimento, com residência na frente,  ficava na Rua São Paulo, onde hoje se encontra a Biblioteca Municipal.
Tendo nascido e sido criado na Rua 9 de Julho, era comum para mim passar pela rua São Paulo naquele trecho.
Lembro-me bem da residência da família que tinha uma vasta varanda na frente. Ao lado, na entrada da fábrica,  encantavam-me os belos anões de cimento que lá se achavam.
A qualidade da sua produção ceramista  pode ser comprovada por qualquer um que adentre a Catedral de Ourinhos e observe o piso que lá se encontra, firme e bonito, há mais de sessenta anos. 
Segundo Maria Aurora Brochini Ortela, sua sobrinha:

Meu pai Hermelindo e meu tio Arnaldo Brochini.....sobrinhos do João Garbim....quem fazia as esculturas era meu pai Hermelindo....que fez as obras da matriz Nova...e da capela das irmãs....verdadeira maravilhas......me lembro como meu pai travalhava com gesso para fazer as formas....aprendeu com tio João.....verdadeiro mestre...um genio.



Pois bem, na pesquisa que venho realizando há anos nas páginas de “A Voz do Povo”, descubro os dotes teatrais do srº João Garbim, que foi um dos precursores dessa arte em Ourinhos.


21 de Março de 1942
FESTIVAL DRAMÁTICO BENEFICENTE
"Realizou se a noite de sex­ta-feira ultima, dia 20, no Cine Teatro Casino, com enchente á cunha, o esperado espetá­culo dramatico em beneficio da Santa Casa de Ourinhos, organizado e representado por um grupo de moços ourinhenses esforçados, sob a direção artística do sr. João Garbim. No palco, depois de uma breve alocução alusiva e enaltecendo o gesto filan­trópico dos Amadores Tea­trais Ourinhenses Reunidos, feita com a eloquencia de sempre pelo dr. Hermelino de Leão, dinâmico prefeito de Ourinhos e a quem devemos a construção da Santa Casa, foi apresentado o importante trabalho dramatico de autoria de J. Vieira Pontes, entitula- do «A Filha do Estalajadeiro», em 3 atos, agradand o muito, pelo cabal desempenho dado á peça pelos moços da turma bamba ensaiada por João Garbim.
Merecidos aplausos con­quistaram os rapazes do A.T. O. R.,conseguindo eles os mais francos sucessos tambem de bilheteria, vendo assim coroado de pleno exito a fi­nalidade dos seus esforços  favorecer a construção da Santa Casa, doando a renda do espetáculo.
O festival teve ainda a abrilhanta-lo, na ouverture, a fi­larmônica municipal «Lira C. Gomes», sob a regencia do maestro Camargo, registrando mais um sucesso.
Ao Garbim e aos rapazes Amadores Teatrais Ourinhenses Reunidos, os nossos pa­rabéns pelo tento lavrado e pela generoso gesto que tive­ram de beneficiar o nosso hospital em construção, cujo acabamento depende, agora mais do que nunca, do auxi­lio decidido de todos os ourinhenses amigos do progres­so local e da nossa gente pobre, que é a que mais vem a se beneficiar com o hospital"
In www.tertuliana.com


9.8.14

MARJORY MORTON E MARIA REMÉDIOS RIBEIRO GABRIOTI


O engenheiro inglês, Wallace Morton,  veio para Ourinhos em 1929 a fim de exercer o cargo de engenheiro ajudante da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, uma empresa de capital inglês.
Em 1932, ele assumiu a superintendência da ferrovia em substituição ao engenheiro Hamilton, que havia pedido demissão por questões de saúde. Exerceu esse cargo até 1944, quando a ferrovia foi encampada pelo governo federal, passando a integrar a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina.
Sua esposa chamava-se Marjory. Em 1940, nasceu a filha do casal,  Rosemary Morton.
Maria Remédios era filha de um português chamado Anastácio Ribeiro,  primo de uma das pastorinhas que presenciara a aparição da "Virgem" em Fátima. A mãe de Maria  era Dolores Robles Godoy, filha de espanhóis. Robles é um antiga família ourinhense de origem espanhola. Com a morte do pai, quando tinha apenas seis anos, a menina, segundo a filha Maria Aparecida Gabrioti Pires de Oliveira, "começou uma vida difícil de trabalho em casas de famílias".
Sua mãe ficara viúva aos 28 anos, tendo que assumir a direção de uma casa com quatro filhos, a mais nova ainda bebê.Desse modo, os dois mais velhos, embora crianças, tiveram que começar a trabalhar para ajudar na manutenção da família.
Para Maria Remédios foi um período difícil de trabalho em casas de famílias até chegar  na enorme e bela casa da Rodrigues Alves, onde residia o casal Morton.
Maria Aparecida narra:

Foram patrões especiais. Muito respeito, carinho e reconhecimento. Eles não cuidavam só do bem estar físico. Nas folgas semanais o motorista levava minha mãe até o cinema e depois ia buscá-la ao término da sessão. Essa era uma das mordomias; existiam muitas mais. No final de 1940,  minha mãe conheceu meu pai, que era viúvo (com 3 filhos) e tio dos Brandimarte (eles eram filhos de sua irmã mais velha, Albina). Começou o namoro, D. Marjory deu a maior força e eles  se casaram em dezembro de 41. D. Marjory preparava-se para fazer o meu enxoval de bebê quando faleceu.
Minha mãe viveu a vida toda bendizendo esse casal. Eu, como não podia deixar de ser, aprendi a amá-los e respeitá-los."
Em 1942, Marjory contraiu pneumonia, na época uma doença muito grave. Ela foi para São Paulo para se tratar e lá faleceu em Agosto de 1942.
O semanário "A Voz do Povo" assim noticiou o seu falecimento:

18 de Julho de 1942

Falecimento
D. Marjorie Izabel Morton
 Em S. Paulo, onde se encontrava em tratamento, fa­leceu domingo ultimo, a sra. d. Marjorie Izabela Morton, virtuosa consorte do snr. dr. Wallace Morton, superintendente da S. Paulo-Paraná. A extinta contava 30 anos de idade, era natural da Escócia, deixando uma filhinha de 3 anos de idade. A noticia do seu falecimento consternou profundamente toda a cidade, onde a extinta tinha um largo circulo de amizades. O Rótari Clube de Ourinhos  do qual o dr. Morton é presidente, prestou uma justa e sincera homenagem á memória da extinta, suspendendo a reunião jantar do dia 14, terça-feira, e a diretoria telegrafou ao dr. Morton, dando-lhes os sentidos pesames, em nome da população de Ourinhos, pelo doloroso transe por que passou.
A «A Voz do Povo», renova ao dr. Morton os seus sinceros pesames, extensivos á sua exma. Familia.


Marjory, a filha Rosemary e Maria Remédios são vistas na foto abaixo por ocasião de férias em Guarujá, provavelmente em 1941.


Nesta outra foto, dona Maria está no Bar Cinelândia, de propriedade de seu marido, do qual todos nós nos lembramos com saudade. O bar ficava em frente ao Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá", hoje Diretoria de Ensino.
Ao seu lado,  Mauro Gabrioti,  já falecido. Dona Maria foi mãe de Agostinho, meu colega de ginásio, já falecido.


Drº Morton registrou  num documento de 1986, pouco antes de seu falecimento em "Camberley":

Com orgulho, posso dizer que nos anos de 1932 até 1944, em que eu era superintendente da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, se  operação da estrada foi um grande sucesso, foi devido à leal cooperação e dedicação ao trabalho que recebi de todos os empregados da estrada, e a todos devo o meu sincero obrigado.
In Jefferson Del Rios - Ourinhos - memórias de uma cidade paulista, 1992 p.89

2.8.14

ORLANDO ALBANO

Orlando faleceu dia 26-7 aos 89 anos de idade. Era casado com Olenka Volpini. 
A  família Albano é uma das mais antigas de Ourinhos. 


Orlando e a esposa Olenka


Orlando e tias: Maria,  Filomena, Vilma, Concheta e Helena.

Minha mãe contava que seu vestido de noiva (1943) fora confeccionado por dona Maria Petroline, uma das tias dos Albano,  "costureira de mão cheia", a  qual cheguei a conhecer tal qual está na foto abaixo. 

Maria Petroline

Orlando começou a trabalhar ainda adolescente na Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, onde já era funcionário seu irmão mais velho Alberico, (Bio). Lá foi colega de meu tio Antônio Neves.

Orlando é o segundo à direita em pé, com os colegas da São Paulo-Paraná.

Quando a ferrovia foi encampada pelo governo federal em 1944,  Bio, Orlando e  Toninho Neves foram trabalhar na empresa "Moinho Santista", depois Sanbra.
Quando meu pai foi registrar o meu nascimento, encontrou Orlando e Antoninho no "Jardim" e pediu-lhes que servissem de testemunha da declaração,  como era de lei na época. Assim, na minha certidão de nascimento original consta o nome dos dois.
Orlando como Bio foi também jogador de futebol dos mais notáveis em sua época.



Membro ativo da comunidade católica da Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, sempre esteve atuante nas atividades religiosas e sociais que lá se realizavam. 
À família de Orlando os nossos sentimentos .