22.2.14

A NOVA PRAÇA MELO PEIXOTO - RECORDAÇÕES DE 1937

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O novo "jardim" foi  inaugurado em 11/7/1937, obra da administração Benedito Martins de Camargo. Passou a ser um orgulho para os moradores da cidade. Uma de suas fotos na ocasião tornou-se um cartão postal. É a foto que aqui vemos.
O cartão foi  enviado por minha avó Maria Augusta Neves para seu filho José Neves Netto, na ocasião 1º cabo da Aviação Militar, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro:

"Boas Festas, feliz entrada de Ano Novo, são os meus votos.
Salve 1938.

Maria Augusta Neves"

Na foto, vê-se que a mais bela Andá-Açu da praça já oferecia sombra aos seus frequentadores. Em destaque: o belo coreto que já contava dez anos; o tanque de areia destinado às crianças e a fonte ao centro. 
Os postes em ferro trabalhado são os que hoje iluminam uma parte do calçadão da rua Paraná.
Ao fundo, a Farmácia Santa Terezinha.
Quem seria o jardineiro que acabou posando para a foto? Foto, aliás, que deve ter sido feita a partir do terraço do  sobrado da família Cury.
Em 16/8/1937, foi fundada a Linha de Tiro em sessão no Cine Cassino. A ídéia foi do prefeito Mano Filho e do farmacêutico Antônio Garcez Novais .
No dia 18, cerca das 18 horas, irrompeu um incêndio de grandes proporções na máquina de beneficiar algodão da firma Anderson Clayton, próxima à linha férrea, na altura da Antonio Prado. Essa empresa fazia fundo com as construções familiares e comerciais de Adriano José Brás, Ítalo Ferrari, Arquipo Matachana e Olívio Minucci, na rua Antônio Prado, os quais sofreram prejuízos materiais. 
Meu pai chegou a fazer fotos do sinistro. Lembro-me delas, porém, não as encontrei no acervo que ele deixou.
No dia 19, falecia em Bebedouro onde se achava em tratamento de saúde, o Monsenhor Antônio Córdova, vigário da paróquia de Ourinhos.
Uma nova banda de música foi organizada, e a regência entregue ao maestro Ernesto Jardim. Para adquirir novos instrumentos organizou-se um "Livro de Ouro" para receber subscrições dos munícipes. Cheguei a ver esse livro na biblioteca do Grêmio Recreativo de Ourinhos, nos anos 1960. Onde estará hoje?

Foto: autoria desconhecida

10.2.14

OURINHENSES NO PROGRAMA DE TELEVISÃO DE HOMERO SILVA (1968)

Homero Silva (1918-1981), nascido em São Paulo, fez a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco juntamente com o irmão Gilberto. Formados. Após a formatura , Gilberto seguiu carreira jurídica, Homero, impulsionado por sua veia artística fez um concurso de locutor na Rádio Tupi e foi aprovado. Iniciou-se assim a sua longa carreira no rádio, na TV e no cinema. 
Mais tarde enveredou-se na vida política, tendo sido vereador e deputado.
Em 1968, ourinhenses compareceram a um programa de TV no Canal 9, em São Paulo,  a fim de propagandear a Feira Agro Industria de Ourinhos - FAPI,  que tivera sua primeira edição no ano anterior.
Esse programa era conduzido por Homero Silva, que aparece na  foto abaixo entrevistando Maria Aurora Gomes de Leão, a dona Tata. À sua esquerda se acham o marido drº Hermelino Agnes de Leão, ex prefeito municipal, Domingos Camerlingo Caló, prefeito municipal e o padre Arnaldo Beltrami, vigário local. À direita se acham dois filhos de Hermelino e Tata. Ao fundo se vê o brasão de Ourinhos.


Na segunda foto, vemos :



Homero Silva entrevistando o padre Arnaldo Beltrami, que tem à sua esquerda o vereador João Newton Cruz, presidente da Câmara Municipal, Oswaldo Egídio Brisola, vice-prefeito e o jornalista Salvador Fernandes, diretor responsável do jornal "Diário da Sorocabana.
Na terceira foto vemos:



a apresentação do conjunto de seresteiros ourinhenses formado por Benedito Andrade (Ditinho da polícia), violino; Liberto Resta, chefe do escritório da Sanbra, violino; Arlindo Gobbi, da seção de pessoal da Sanbra e Robertinho, funcionário da Coletoria Estadual, violão.



À esquerda Otávio Ferreira, Luciano Correa da Silva, Homero Silva, Tufy Gabriel e  Antonio Pimentel
Na ponta direita, Tibério Bastos Sobrinho, em frente a ele seria o drº Fariz Freua?

 O jornalista José Carlos Marão, o vereador Múcio Correa da Silva, o professor Alfredo Devienne Júnior, o vereador e professor Harugi Seno. À direita de Homero Silva, o professor Dalton Morato Villas-Boas.


O mesmo grupo da foto anterior e outros que não consegui identificar.

Meu pai, Francisco de Almeida Lopes, residindo  em São Paulo, na ocasião, fotografou o evento.

9.2.14

DOIS MOMENTOS DA PRAÇA MELO PEIXOTO.





Esta foto é dos anos 1950, provavelmente entre 1955 e 1956. 
Na esquina da praça com a Rua Antônio Prado, estavam se iniciando as obras do primeiro edifício da cidade  - o Bradesco.
Ao seu lado ainda existia o prédio a loja"Ao Preço Fixo". A outra metade desse trecho ainda era um terreno vazio. 
Carroças ainda circulavam pela cidade.
A Praça Melo Peixoto  não havia sido reformada, podendo ser visto o calçamento de suas vias no"padrão português", obra da administração "Barbosinha".


Esta foto é dos anos 1960. O prédio Bradesco já construído e duas novas construções ocupavam o espaço onde antes havia a loja "Ao Preço Fixo"; a segunda dela era a nova Livraria Thomé, o tradicional estabelecimento do português José da Cruz Thomé, há muitos anos ocupando um espaço na praça principal da cidade. Era um sobrado  contendo  a livraria embaixo e a residência do proprietário na parte superior (onde se vê um toldo na ampla sacada)
Em seguida vemos o sobrado da sede da Companhia Telefônica de Ourinhos, sociedade anônima idealizada por Odair Alves da Silva, que começou a funcionar provisoriamente em 8 de dezembro de 1963. 

A inauguração oficial deu-se em  1º de maio de 1964. O empreendimento visava a suprir o elevado déficit de telefones que a cidade enfrentava . 
A CTO encerrou suas atividades em 1976, sendo encampada pela Telesp.
Odair, entre outras atividades foi também o fundador do jornal " O Progresso de Ourinhos", em 1965. Esse órgão de imprensa teve uma duração de cerca de 20 anos
Na foto vemos Odair discursando durante a inauguração da CTO. Ao seu lado os jornalistas Benedito Pimentel e Miguel Farah.



A autoria da primeira foto é de Francisco de Almeida Lopes e a segunda de José da Cruz Thomé.
A terceira é de autoria desconhecida. 
As informações sobre a CTO foram colhidas em entrevista concedida por Odair ao jornal "Debate", de Santa Cruz do Rio Pardo.







1.2.14

CLAUDE LEVI-STRAUSS E OURINHOS

RECEBI O TEXTO ABAIXO DE JOSÉ RUBENS, COM UMA OBSERVAÇÃO MUITO IMPORTANTE SOBRE A CITAÇÃO DE OURINHOS NO LIVRO DOANTROPÓLOGO CLAUDE LÉVI-STRAUSS

Tenho dois livros de Claude Lévi-Strauss: “Saudades de São Paulo” e “Saudades do Brasil”. Há muitos anos que os comprei. Deve ter sido em 2002.
Ambos os livros trazem textos do autor, mas são, essencialmente, livros com fotos. “Saudades de São Paulo”, traz fotos de São Paulo e do litoral. O livro “Saudades do Brasil” traz muitas fotos de aldeias indígenas.
Quero me referir, em particular, ao livro “Saudades de São Paulo” (foto 1).


No prefácio, há observações muito interessantes escritas pelo autor.
“A palavra saudade seria intraduzível, dizem os brasileiros. (...) Seja pela percepção ou pela rememoração, seres, coisas, lugares são o objeto de uma tomada de consciência impregnada do sentimento agudo de sua fugacidade”.
Claude Lévi-Strauss diz que o termo “saudade”, que empregou nos títulos “Saudades de São Paulo” e “Saudades do Brasil” não foi por lamento de não mais estar lá. “De nada me serviria lamentar o que após tantos anos não reencontraria. Eu evocava antes aquele aperto no coração que sentimos quando, ao relembrar e rever certos lugares, somos penetrados pela evidência de que não há nada no mundo de permanente nem de estável em que possamos nos apoiar.”
Ele chegou ao Brasil, aos 27 anos, casado, integrando a missão universitária francesa. O casal habitou uma casa na Rua Cincinato Braga. O autor diz que as fotos do livro “Saudades de São Paulo” foram tiradas entre 1935 e 1937.
Mas eu só conseguir perceber um detalhe três anos depois da compra. Que detalhe? Me refiro a uma das fotos, que traz o cartaz sobre a imigração japonesa (foto 2).

Qual o detalhe da foto? O de citar Ourinhos (foto 3). Isto tem a ver, suponho, com o fato de Ourinhos ser divisa com o Paraná. E muitos imigrantes japoneses foram morar no norte do Paraná. Mas a foto tem uma relevância especial para os ourinhenses, porque cita nossa cidade. E é possível que vários ourinhenses tenham o livro “Saudades de São Paulo” e não perceberam o detalhe da foto.


ROBERTO CARLOS EM OURINHOS 10-2-1966

O cantor, em início de carreira, estava fazendo apresentações no norte do Paraná e interior de São Paulo.



  
O evento foi comentado na edição de 16-2-1966 do jornal "O Progresso de Ourinhos":




"No dia 10, quando da apresentação do grande cantor Roberto Carlos, o "Monstrinho" esteve tão repleto de expectadores, que mal cabia uma pessoa a mais na arquibancada.
E quando interpelamos um jovem perguntando-lhe se havia gostado do espetáculo disse-nos ele:
__ As músicas, já as conhecemos, precisamos guardar os gestos do Roberto Carlos apresentados na noite de quinta-feira, para que quando ouvirmos uma de suas músicas, possamos completar o espetáculo.





__ Mas ele não se apresentou cantando?

__ Sim, mas não o ouvimos devido aos ensurdecedores e irritantes gritinhos das garotas exaltadas."





Fotos por Francisco de Almeida Lopes