MARJORY MORTON E MARIA REMÉDIOS RIBEIRO GABRIOTI


O engenheiro inglês, Wallace Morton,  veio para Ourinhos em 1929 a fim de exercer o cargo de engenheiro ajudante da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, uma empresa de capital inglês.
Em 1932, ele assumiu a superintendência da ferrovia em substituição ao engenheiro Hamilton, que havia pedido demissão por questões de saúde. Exerceu esse cargo até 1944, quando a ferrovia foi encampada pelo governo federal, passando a integrar a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina.
Sua esposa chamava-se Marjory. Em 1940, nasceu a filha do casal,  Rosemary Morton.
Maria Remédios era filha de um português chamado Anastácio Ribeiro,  primo de uma das pastorinhas que presenciara a aparição da "Virgem" em Fátima. A mãe de Maria  era Dolores Robles Godoy, filha de espanhóis. Robles é um antiga família ourinhense de origem espanhola. Com a morte do pai, quando tinha apenas seis anos, a menina, segundo a filha Maria Aparecida Gabrioti Pires de Oliveira, "começou uma vida difícil de trabalho em casas de famílias".
Sua mãe ficara viúva aos 28 anos, tendo que assumir a direção de uma casa com quatro filhos, a mais nova ainda bebê.Desse modo, os dois mais velhos, embora crianças, tiveram que começar a trabalhar para ajudar na manutenção da família.
Para Maria Remédios foi um período difícil de trabalho em casas de famílias até chegar  na enorme e bela casa da Rodrigues Alves, onde residia o casal Morton.
Maria Aparecida narra:

Foram patrões especiais. Muito respeito, carinho e reconhecimento. Eles não cuidavam só do bem estar físico. Nas folgas semanais o motorista levava minha mãe até o cinema e depois ia buscá-la ao término da sessão. Essa era uma das mordomias; existiam muitas mais. No final de 1940,  minha mãe conheceu meu pai, que era viúvo (com 3 filhos) e tio dos Brandimarte (eles eram filhos de sua irmã mais velha, Albina). Começou o namoro, D. Marjory deu a maior força e eles  se casaram em dezembro de 41. D. Marjory preparava-se para fazer o meu enxoval de bebê quando faleceu.
Minha mãe viveu a vida toda bendizendo esse casal. Eu, como não podia deixar de ser, aprendi a amá-los e respeitá-los."
Em 1942, Marjory contraiu pneumonia, na época uma doença muito grave. Ela foi para São Paulo para se tratar e lá faleceu em Agosto de 1942.
O semanário "A Voz do Povo" assim noticiou o seu falecimento:

18 de Julho de 1942

Falecimento
D. Marjorie Izabel Morton
 Em S. Paulo, onde se encontrava em tratamento, fa­leceu domingo ultimo, a sra. d. Marjorie Izabela Morton, virtuosa consorte do snr. dr. Wallace Morton, superintendente da S. Paulo-Paraná. A extinta contava 30 anos de idade, era natural da Escócia, deixando uma filhinha de 3 anos de idade. A noticia do seu falecimento consternou profundamente toda a cidade, onde a extinta tinha um largo circulo de amizades. O Rótari Clube de Ourinhos  do qual o dr. Morton é presidente, prestou uma justa e sincera homenagem á memória da extinta, suspendendo a reunião jantar do dia 14, terça-feira, e a diretoria telegrafou ao dr. Morton, dando-lhes os sentidos pesames, em nome da população de Ourinhos, pelo doloroso transe por que passou.
A «A Voz do Povo», renova ao dr. Morton os seus sinceros pesames, extensivos á sua exma. Familia.


Marjory, a filha Rosemary e Maria Remédios são vistas na foto abaixo por ocasião de férias em Guarujá, provavelmente em 1941.


Nesta outra foto, dona Maria está no Bar Cinelândia, de propriedade de seu marido, do qual todos nós nos lembramos com saudade. O bar ficava em frente ao Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá", hoje Diretoria de Ensino.
Ao seu lado,  Mauro Gabrioti,  já falecido. Dona Maria foi mãe de Agostinho, meu colega de ginásio, já falecido.


Drº Morton registrou  num documento de 1986, pouco antes de seu falecimento em "Camberley":

Com orgulho, posso dizer que nos anos de 1932 até 1944, em que eu era superintendente da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, se  operação da estrada foi um grande sucesso, foi devido à leal cooperação e dedicação ao trabalho que recebi de todos os empregados da estrada, e a todos devo o meu sincero obrigado.
In Jefferson Del Rios - Ourinhos - memórias de uma cidade paulista, 1992 p.89

Comentários

Ivonete disse…
Justa lembrança e homenagem à querida d. Maria. Esposa, mãe e avó dedicada. Muito prendada, fazia crochê diariamente. Saudade.