22.3.14

PRIMÓRDIOS DO TEATRO EM OURINHOS - ENTREVISTA COM EUCLIDES VALVASSORI





A partir de conversa que manteve comigo, meu primo o jornalista Jefferson Del Rios Vieira Neves,  interessou-se por uma entrevista  com o único remanescente desse grupo ainda vivo: Euclides Valvassori.Em conversa com telefone que mantive com Euclides, impressionou-me o grau de lucidez numa pessoa com mais de 90 anos.
Jefferson foi a campo, entrevistando-o.
O resultado está aqui:
"O primeiro grupo amador teatral de nossa cidade tinha o engenhoso e bem humorado nome de GATO (Grupo de Amadores Teatrais de Ourinhos). Afirmação de  Euclides Valvassori um dos seus fundadores juntamente com o nosso tio Sebastião Neves.
 Nascido em São Manoel, em 1920,  o senhor Valvassori residiu em Ourinhos entre 1937 e abril de 1940. Seu pai negociava algodão  e ele foi alfaiate. Da pouca diversão ou vida cultural no cotidiano provinciano, surgiu a ideia do grupo amador vinculado à Congregação Mariana. Valvassori esclarece no entanto que não se tratava de proselitismo religioso e nem os artistas estavam subordinados às diretrizes do padre. Passados mais de 70 anos, Valvassori não guarda o nome de todos os integrantes do elenco, mas cita além de Sebastião dois outros tios nossos, Herculano e Maria Neves (que uma vez teria interpretado um pequeno papel) e Simão Pires do qual não tem notícias. O repertorio consistia em melodramas típicos de circo  e comédias de  Armando Gonzaga, autor então em grande em evidência. Dele, o GATO representou O Maluco Número 4 e a ainda conhecida  “Cala boca Etelvina”  levada ao palco por Procópio Ferreira (1925) e mais tarde ao cinema por Derci Gonçalves e Paulo Goulart (1959).
A equipe encarregava-se de toda produção incluindo cenários e figurinos. As apresentações eram pagas e parte da renda revertida para a paróquia. O GATO excursionava pela região e Valvassori lembra-se das viagens a Jacarezinho e Ribeirão Claro, no Paraná.
 Com o tempo, o grupo fundador se dispersou, outros vieram. Sebastião Neves mudou-se para Itapeva onde teve uma autoescola e era despachante nesta área, e Herculano Neves foi cursar direito na Faculdade São Francisco, em São Paulo, onde fez carreira como advogado. Maria Neves, tia Nim, trabalhou até se aposentar na antiga Cia Telefônica Brasileira e era uma pessoa conhecia e querida na cidade.  É hoje quase inacreditável descrever a telefonia desses anos em que a telefonista entrava na linha para intermediar as chamadas (o que se vê em filmes norte-americanos antigos)
Finalmente, em 1947, Valvassori, filho de brasileiro e italiana da região de Nápoles  deixou Ourinhos para sempre. Trabalhou inicialmente na extinta companha aérea Real Aerovias e a seguir tornou-se propagandista de laboratório farmacêutico até se aposentar. Viúvo desde o ano passado, reside no Alto da Lapa ao lado da filha Déa. Absolutamente lúcido e em boa forma física, colabora regularmente com uma crônica para  a revista Nosso Bairro (com sua foto no alto da página). Em São Paulo manteve contato com Herculano Neves e vez ou outra telefona para sua viúva, Geny.
Lamenta, mas não guardou nenhuma foto ou programa  dos espetáculos..
Esse grupo amador teatral Ourinhense  merece ser mais estudado porque continuou a existir até os anos 50 ou mais. Dou um testemunho, lembrança pessoal- uma faixa na praça Melo Peixoto anunciando o espetáculo “Morre um Gato na China”, de Pedro Bloch pelo mesmo G.A.T.O."

Foto: edição de foto por Francisco de Almeida Lopes, em 1941. Nela vemos Sebastião Neves, Euclides Valvassori (centro), Herculano Neves e Maria Neves.




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