22.12.13

O GAROTO E O BARBEIRO ISAAC BENATTO

Ao longo da história, a figura do barbeiro sempre teve uma importância muito grande na vida das pessoas, até uma ópera há cujo principal personagem tem essa profissão -  "O Barbeiro de Sevilha"(Rossini).
Na primeira metade dos anos 1950, quando a maioria dos homens ainda usavam bigode, a ida ao barbeiro era ainda mais frequente. 
Cada um tinha o seu barbeiro de preferência, ao qual  era completamente fiel.
Logicamente os  meninos eram levados ao barbeiro do pai para o primeiro corte de cabelos.  Invariavelmente, herdava assim o barbeiro do pai, que passava a ser o seu também.
Somente havia mudança de barbeiro quando o mesmo morria ou  aposentava.
Como não podia deixar de ser, herdei o barbeiro de meu pai, o senhor Isaac Benatto. Ele foi casado com  Idelma Bruno Benatto, com quem teve os filhos  Isaíra, Íria, Inês, Idelma, Ivanil, Ivone, Isaac e Ivam . 
Meu primeiro corte de cabelo somente ocorreu quando tinha dois anos de idade.

Eu morava em casa de meus avós maternos, onde havia um pé de fruta do conde, no qual abelhas fizeram moradia. 
Quando fiz o primeiro corte contei para o barbeiro que na minha casa havia um "pé de abelha". Daí em diante ele sempre me perguntava como estava o "pé de abelha"



Muitos anos depois, já morando em São Paulo (1966), retornei ao Salão do Benatto, que ficava na rua Souza Soutello ao lado do "Bar do Daniel" (Daniel Leirião), e seu Isaac assim que me colocou a capa perguntou:

" _ Como vai o "pé de abelhas", ainda existe?"

Quando resolvi dedicar a última página deste blog ao "seu Isaac", fiz uma consulta no Google e fiquei feliz por ver que sua memória ficou preservada ao ser dado o seu nome a uma das ruas da cidade.
Como ilustração foram inseridas duas fotos: na primeira o autor desta coluna está sentado no degrau de entrada do Foto Machado, onde ia frequentemente com seu pai, tendo os cachos caindo sobre os ombros; na segunda estou todo sorridente, feliz  com o primeiro corte de cabelo, feito pelo "seu Benatto".
Agradeço a atenção dos leitores (as) deste blog ao longo deste ano, desejando-lhes Feliz Natal e um excelente 2013.

15.12.13

UMA PRIMEIRA COMUNHÃO NOS ANOS 1940.



Clique sobre a foto

Numa de minhas estadas  em Ourinhos vi, numa manhã de domingo, grupo de meninos e meninas enfileirados em frente a Catedral. Logo pensei, será uma primeira comunhão? Aproximei-me e constatei que estava certo ao ver os dizeres da camiseta que usavam. Tratava-se de uma primeira comunhão. Veio-me então à memória a celebração desse Sacramento no passado: os meninos trajando terno branco e as meninas com belos vestidos brancos, parecendo noivinhas . Minha mãe, que era exímia modista, fez muitos desses vestidos. De alguns ela ainda se lembrava dos detalhes e os descrevia às vezes. Assim é a vida, em constante mutação dos costumes.
As primeiras Irmãzinhas da Imaculada Conceição logo que vieram para Ourinhos, no final dos anos 1940, deram uma apoio muito grande ao Padre Eduardo Murante na organização da primeira comunhão, procurando facilitar aos meninos e meninas da zona rural (grande ainda nessa época) o acesso a esse sacramento tão importe para os católicos. Após a missa, ela ofereciam, nas dependências do Colégio Santo Antônio, um reforçado café da manhã para as crianças.
Muitas famílias faziam questão de levar seus filhos e filhas a um estúdio fotográfico para registrar essa ocasião importante. Foi o que aconteceu comigo. 
Fomos ao estúdio do seu Machado, na Praça Melo Peixoto, para registrar a foto de minha primeira comunhão, num domingo de maio de 1955.


Foto Machado.

A primeira foto deve ser das primeiras turmas organizadas pelas Irmanzinhas, ainda antes da conclusão do prédio do colégio. Nela se  vê o padre Eduardo na última fileira. 
Foto de autoria desconhecida.

8.12.13

OURINHOS EM DOIS MOMENTOS (DÉCADAS DE 1940 E 1950)

Na semana retrasada chegaram-me on line, duas fotos de Ourinhos deveras interessantes porque retratam dois momentos do centro da cidade em momentos diferentes. Elas pertencem ao acervo de Roberto Pellegrino.
A primeira acredito que seja da segunda metade dos anos 1940, e deve ter sido tomada do alto do silos da Cargill, que ficava à beira do trilho no final da Cardoso Ribeiro em direção à Vila Boa Esperança.
Clique sobre a foto.



Nela vemos a antiga Rua Sergipe, hoje Rua Antonio Carlos Mori desde o seu início nos trilhos da Estrada de Ferro  Sorocabana, até o seu final nos trilhos da Rede de Viação Paraná Santa Catarina. Ainda não havia sido erguido ainda o novo prédio do Grêmio Recreativo de Ourinhos, na Avenida Altino Arantes. À direita se destaca a torre da antiga Igreja Matriz que seria derrubada alguns anos depois. Mais adiante vemos portentosa a nova Igreja Matriz já totalmente erguida e coberta.

Ao fundo (esquerdo) vê-se a área onde havia o cafezal da fazenda de Horácio Soares, anos mais tarde loteada. À direita se distingue o quarteirão inicial da  Avenida Rodrigues Alves onde se localiza as casas que foram erguidas,  nos anos 1930,  para servir de residência da alta administração da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná. 
  
Na segunda foto, vemos a mesma rua Antonio Carlos Mori cerca de 10  anos depois. 
(Clique sobre a foto)

Nela se destaca a arborização recente das ruas da cidade e, no primeiro plano direito, o Pastifício Ourinhos pertencente à família Segalla, que tinha residência em frente. Mais ao fundo, o penúltimo quarteirão da Rua 9 de Julho, onde se destacam o conjunto de casas dos anos 1930, o prédio do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, onde hoje se encontra instalada a Diretoria de Ensino da Região de Ourinhos, e o antigo Cine Ourinhos, hoje Teatro Municipal Miguel Cury. Ao fundo (direita), vemos o primeiro edifício construído em Ourinhos - o Edifício Bradesco, na confluência da Antônio Prado com a Praça Melo Peixoto, obra do arquiteto ourinhense formado pela FAU, Toshio Tone. Obra do mesmo arquiteto é o prédio do Grêmio Recreativo de Ourinhos, já funcionando na nova sede por ocasião dessa  foto. Também se destaca nesse ângulo, a torre do novo templo da Igreja Metodista, da Rua São Paulo. 
As fotos são de autoria desconhecida.