24.11.12

ECOS DA REVOLUÇÃO DE 1930-II



Nos movimentos revolucionários é comum a existência de várias correntes. Esses grupos disputam o controle do poder, o que provoca uma grande rotatividade nos cargos públicos após a tomada do poder.Em Ourinhos, com a Revolução de 1930, não foi diferente. O drº. Hermelino, nomeado em dezembro de 1930, foi substituído em fevereiro de 1931, por Rodopiano Leonis Pereira, presidente local do Partido Democrático, agremiação política que integrou Aliança Liberal.


O Partido Democrático, que fazia oposição ao PRP, tentou manter o poder no Estado. A aliança entre tenentistas e democráticos foi curta. Os “tenentes” se achavam os autênticos revolucionários, não desejando um mero revezamento de oligarquias no poder. Esse posicionamento acabou por resultar na nomeação do tenente pernambucano João Alberto Lins de Barros, ex-integrante da Coluna Prestes, para a interventoria paulista.

Como conseqüência desse clima político instável Ourinhos teve, em 1931, quatro prefeitos:

 drº Hermelino Agnes Leão;

 Rodopiano Leonis Pereira

 drºTeodureto Ferreira Gomes

 drº. José Felipe do Amaral

No ínicio de 1931, uma nova diretoria era eleita para o Grêmio Recreativo de Ourinhos:

“Willian Reid – presidente
Henrique Tocalino – vice
Guaraciaba Trench – 1º secretário
Osvaldo Pareto Torres – 2º secretário
Francisco Ciffoni – 1º tesoureiro
drº Wallace H. Morton. – 2º tesoureiro
 Arquipo Matachana, Rafael Papa e Ormuz Cordeiro – conselho fiscal”

 “A Voz do Povo” anunciava, em fevereiro, a realização de bailes carnavalescos no Cine Teatro Cassino, com orquestra de São Paulo, e no Hotel Adelino com o “jazz do Américo”.

O médico Drº Theodureto Ferreira Gomes era muito estimado na cidade onde morava já há alguns anos. Afinado com o movimento tenentista, chegou a ser governador militar da cidade durante a “Revolução de 1924”, (cf. “A Cidade de Ourinhos, 15/3/1931).



Com o tenentista, João Alberto no comando do estado de São Paulo, Theodureto assumiu a prefeitura.



Em março, o maestro Américo de Carvalho declarava que iria reorganizar a nova banda por conta própria, e que a prefeitura doaria os instrumentos musicais.



Em maio, deixava Paróquia do Senhor Bom Jesus o vigário Francisco de La Torre Lucena, sendo substituído pelo padre Vitor Moreno.





Theodureto era o médico do meu avô, José das Neves Júnior, que tinha por ele um grande apreço.

José das Neves, que tinha fazenda no município de São Pedro do Turvo, havia fixado residência em Ourinhos (outubro de 1930), onde construíra uma casa na rua Minas Gerais. Amigo de Theodureto, saiu em sua defesa fazendo publicar na Seção Livre de “A Voz do Povo” (31/5), um manifesto defendo o prefeito, e atirando contra “perrepistas e democráticos”.



Em agosto houve uma manifestação popular de apoio ao prefeito Theodureto.

Em 31 de julho, tinham início as festas do padroeiro da cidade, o Senhor Bom Jesus, com a realização de uma novena.


No dia do padroeiro, 6 de agosto, às 10 horas, foi realizada uma missa cantada acompanhada pela “Schola Cantorum”, composta por um “seleto grupo de senhorinhas da nossa sociedade”, sob a regência do maestro Andolfo Galileu, seguida de uma procissão, às 16 horas.Nesse mesmo dia, era inaugurada a luz elétrica no bairro da Vila Nova.

Sob o título “DATILÓGRAFO” publicava "A Voz do Povo”:


“Diplomou-se em datilografia no Externato Rui Barbosa, o aluno João Neves, que recebeu o diploma da “Escola Remington”, anexa ao mesmo Externato.O primeiro laureado completou brilhantemente o curso em 5 meses, atingindo as 150 palavras no espaço de 5 minutos, exigência necessária para a habilitação em datilografia.”


Em setembro, era constituída a Associação dos Lavradores com cerimônia no salão do Cine Teatro Cassino, tendo como diretoria provisória: Cel. Antônio A Leite, Olavo Ferreira de Sá, Antônio da Silva Nogueira, Antônio Corrêa de Souza, Bento Pereira, Manoel Rodrigues Martins e Domingos Perino.


Ainda nesse mês, sob o título “NASCIMENTO”, publicava o mesmo jornal:


“O lar do Sr. Narciso Nicolosi, sócio da importante firma Teixeira, Médici & Nicolosi, acha-se engalanado com o nascimento de uma graciosa menina, que, na pia batismal, recebeu o nome de Nice.”


Antes do final do ano1931, o drº Theodureto deixou a prefeitura sendo substituído pelo dentista drº José Felipe do Amaral, integrante da comissão diretora do Partido ´Democrático local.

20.11.12

PAULO AILTON RIBEIRO DE CARVALHO, 70 ANOS

                          Paulo Ailton Ribeiro de Carvalho, advogado, funcionário aposentado do antigo Banespa, um dos azes do basquete ourinhense da primeira  geração,  completou 70 anos  no dia 24 de outubro passado.



Filho de Agostinho Ribeiro de Carvalho e Francisca Nunes de Carvalho, é casado com minha amiga de longo tempo, Maria Alice Silva Carvalho, filha do saudoso Mário, um dos antigos farmacêuticos de Ourinhos, já falecido,  e de Aparecida Silva.
Ao lado dos amigos (as) e parentes comemorou essa data numa bela festa preparada por Maria Alice, e que foi documentada pela "Folha de Ourinhos" de 11/11/2012
A ele os parabéns de Memórias Ourinhenses.
Foto por Foto Martins 


18.11.12

ECOS DA REVOLUÇÃO DE 1930 - I


Mesmo numa pequena cidade como

Ourinhos no início dos anos 1930, os efeitos de uma

revolução se fizeram sentir. A cidade ficara semi-

abandonada; somente após vinte e um dias tudo

voltara à normalidade.


“(...) quem governa o País é aquele que a

popularidade queria! Quem governa o país é aquele

que acaba de dar à história Pátria o maior lance de

beleza, honra e glória. Finalmente quem governa o

País é o escolhido do povo que briosamente levou o

seu nome às urnas.”

O articulista de “A Voz do Povo” se referia

a Getúlio Vargas que as forças vitoriosas alçaram à

chefia do Governo Provisório.

Com a derrocada do Partido Republicano

Paulista, assumia o governo da cidade uma Junta

Governativa que conclamou a população para uma

passeata:

“Ao Povo”

A Junta Governativa desta cidade convida

a todos os Revolucionários e ao povo em geral para

uma passeata em regozijo à brilhante vitória da

Revolução em prol dos direitos do Povo conspurcado

e espezinhado pela camarilha de políticos

profissionais (...) passeata essa que se iniciará às

19 horas na Praça Melo Peixoto.

Viva a Revolução!

Drº Hermelino de Leão, governador da cidade”

Segundo o jornal a praça esteve lotada.

Em dezembro, o drº Hermelino foi

nomeado prefeito por decreto.

Em 1931, à semelhança do que ocorria

na chefia do governo estadual, iniciar-se- iam

mudanças sucessivas na governança da cidade.

“Não estando filiado a nenhum partido

político, recebi a investidura do meu cargo com

o espírito sereno e com a intenção inabalável de

agir com a mais absoluta ponderação e calma.

Dentro destes limites tenho procurado atender a

todos, adotando um rigoroso critério de justiça e

imparcialidade ”

Manifesto dirigido ao Povo de Ourinhos pelo

prefeito municipal Drº Hermelino de Leão.    (continua na próxima semana)

11.11.12

MONSENHOR CÓRDOVA

A Rua Monsenhor Córdova é uma via central. Sua criação deu-se no final dos anos 1930, quando o quarteirão que se inicia na Rua Cardoso Ribeiro foi urbanizado com a construção de casas pela Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, as quais foram financiadas para empregados do escritório central da ferrovia.



Lembrança distribuída na missa de 7º dia em intenção da sua alma,  guardada por minha avó.
 
A denominação foi uma homenagem a esse sacerdote, Antônio Córdova  que,  apesar de ter ficado pouco tempo à frente da paróquia, granjeou respeito, carinho e admiração dos seus paroquianos.
Ele assumiu a paróquia em 1935, com a retirada do Padre Vitor Moreno. 
Até então fora cura da Sé e vigário geral da diocese de Botucatu.

Ele faleceu em 19/7/1937, em Bebedouro para onde fora levado para tratamento de saúde, como noticiou “A Voz do Povo¨:



Na mesma edição, um paroquiano prestou-lhe homenagem:


4.11.12

RECORDANDO ANTIGOS PROFESSORES (AS): DALILA DE SOUZA






Lembram-se? Alta, gorda, extrovertida. Assim era dona Dalila, uma das melhores professoras primárias do Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, o Grupão. No final dos anos 1950 já havia dois grupos escolares estaduais na cidade, o Grupão e o "Virgínia Ramalho",chamado de Grupinho, embora fosse do mesmo tamanho ou talvez maior que o primeiro.  
Dona Dalila era casada com Diomar Antonio de Souza, que era proprietário de uma tipografia que havia ao lado do Cine Ourinhos, ou talvez sócio do Silvano Chiaradia nesse estabelecimento. 
O casal tinha vários  filhos homens, cujos nomes,  se  me engano, começavam todos com a letra D. Um deles, Dalton José (20/03/1947 - 17/12/2011) foi meu contemporâneo. 
Moraram na Expedicionário, logo após o Grupão.
Dona Dalila foi também vereadora, tendo sido eleita para a 3ª Legislatura (1956-1959), pela UDN, se não estou errado
A saudosa professora está nessa foto entregando o prêmio ao primeiro colocado da 4ª série A, de 1958, o aluno José Carlos Neves Lopes.
Saudades.
Foto por Francisco de Almeida Lopes




Foto de 1958: A professora Maria Auxiliadora Ramos Pompéia  (esquerda), a profª  Dalila de Souza e o drº Ortézio, que era o dentista do "Grupão".
Foto do acervo de Fernando Saraiva