30.9.12

A REVOLUÇÃO DE 1932 VISTA PELO IMIGRANTE PORTUGUÊS, JOSÉ DA CRUZ THOMÉ


José  e Mário da Cruz Thomé, dois  irmãos portugueses, imigraram para o Brasil nos anos 1920.
Ambos estabeleceram-se em Ourinhos. Mário casou com Gaudência Matachana e tiveram  o filho Aldo, que foi prefeito de Ourinhos. José casou com Maria Tocalino (Mariquinha). Dessa união nasceu a filha Neuza.  
Em  2009, já escrevi aqui sobre os dois ( http://ourinhos.blogspot.com.br/2009/04/jose-da-cruz-thome-o-livreiro.html ).
A neta de J. C. Thomé, Valéria Thomé de Oliveira enviou-me a cópia de uma carta que ele escreveu para o irmão Augusto, que vivia em Coimbra. Nela, o jovem de 24 anos analisa a recém findada Revolução de 1932. Trata-se de um importante documento histórico porque mostra esse movimento sob o olhar de um imigrante português a poucos anos estabelecido no Brasil.




“São Paulo, 20 de outubro de 1932
Meu caro Augusto
Que a ventura e a saúde continuem sendo constantes moradoras de sua casa. Graças a Deus, com minha Mariquinha, vamos vivendo bem.
Para variar… desculpa a demora desta: recém-casado, a princípio, depois a Revolução Paulista, que nos isolou do mundo de 9 de julho a 10 de outubro. Gostaria de te descrever o que foi este sublime movimento de civismo, mas muitas folhas de papel, muito tempo e todas as minhas faculdades descritivas não dariam sequer para os preâmbulos; limito-me a te dizer que os 7 milhões que povoam este grande Estado de S. Paulo fizeram uma Revolução na verdadeira acepção do termo, e só deixaram de sustentar o fogo da defesa de seus ideais quando a última das traições foi superior a todo o seu formidável esforço.
Foram 3 meses de luta, na qual participaram nacionais e estrangeiros, como se todos formassem um só cérebro e uma só ação. S. Paulo queria, e quer, o restabelecimento do regime constitucional. As ditaduras faliram e não passam, onde já passaram, de manifestos fracassos e de perfeitas expressões de tudo menos de civilização. Uma numerosa facção do exército, tal e qual como na nossa Pátria, apoderando-se do Governo, não o quer mais deixar. Regime de Espada sem balança. A sentença ditada pelo arbítrio sem passar no prisma da justiça. Força sem lei – despotismo. Foi contra isto que o mais adiantado dos Estados da Federação se levantou, tendo sido vencido pela traição de uma parte das forças em operações, justamente aquela a quem mais cabia o dever de defender o Estado a que pertence: a Força Pública (Polícia) composta de um efetivo de 15.000 homens e que no infame gesto arrastaram mais de 80.000 voluntários que, empolgados pelo patriotismo, a ela estavam incorporados. 5.000 baixas nos soldados constitucionalistas. 12.000 nos ditatoriais. (…) É minha opinião que as coisas vão melhorar no Brasil, particularmente no Estado de S. Paulo e limites, após a convulsão interna porque vimos de passar. As necessidades desta verdadeira guerra, com todas as suas custosíssimas (?) despesas, obrigaram a circulação monetária do numerário já existente e, ainda, do que foi emitido, sendo que o primeiro estava retido nos bancos devido à instabilidade dos negócios e a deficiência de transações. Cidades que foram totalmente, e outras parcialmente, destruídas precisam ser, de novo, alevantadas; consequentemente, teremos trabalho para os operários e movimento para o comércio e a industria (S. Paulo é o maior centro industrial da América do Sul). E, conquanto esta atividade, que já se inicia, não seja propriamente essencial, é, pelo menos, aparente, o que, afinal, não deixa de ser atividade e esta, naturalmente, traz a abundância.
Não importa, para os que têm, sua residência fixa no país, que a moeda fique, como forçosamente ficará, desvalorizada. O que importa é que haja essa moeda em circulação.”
Foto: José e Mariquinha quando noivos


23.9.12

OS LICENCIADOS DE 1970






Essa foto me fez viajar no tempo.
Alguns dos formandos do curso ginasial do Instituto de Educação Horácio Soares, do ano de 1962,  concluíram o curso superior oito anos depois.
Eu fui um deles, terminando  o bacharelado e a licenciatura em história na  USP.
Colegas da turma ginasial de 1962, que fizeram a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho, também concluíram o curso superior em 1970:
1 - Carlos Lopes Baia (história), da turma de 1962 do IEHS;
2 - Maria Lúcia Haddad de Leão (letras) foi minha colega na Escola Técnica de Comércio (turma de 1965);
3 -  Helena Komatsu;
4 - Simone Lahan (história) foi minha colega no Jardim de Infância e Pré-Primário do Colégio Santo Antônio;
5 -  Maria Vitória Brisola Malaquias, também colega no Jardim de Infância e Pré-Primário do Colégio Santo Antônio;
6 - Ivone Bortolato, da turma de 1962 do IEHS.
A sétima desse grupo é uma Ferrazoli com certeza.
As demais ourinhenses não consegui identificar.
Também se formou nesse ano em Jacarezinho outro colega do ginásio, Helton dos Santos (matemática).

VEM CÁ DE NOVO:

"Vem cá de novo,
voltemos juntos pelas ruas do passado,
alegremente, desviajando pela vida"




12.9.12

A PROFESSORA HERMÍNIA VICENTINI SOARES

A professora Hermínia Vicentini, recém-formada professora primária, deixou Botucatu e veio para Ourinhos no início dos anos 1940 para lecionar no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá.
Competente, em pouco tempo logrou o reconhecimento pelo trabalho que desenvolvia naquele estabelecimento de ensino, a ponto de tornar-se vice-diretora. Sua ação nesse cargo
repercutiu na imprensa local:

"A Voz do Povo", junho de 1944



Eu tive a felicidade de conhecê-la porque ela frequentava nossa casa, freguesa que era do serviço de costura de minha mãe da qual tornou-se amiga.
Dona Hermínia tinha uma afeição especial por mim e a visitei algum tempo antes de sua morte, ocasião em que lhe dei uma cópia da nota acima.
Ela foi a segunda esposa de Horácio Soares, fazendeiro  que foi prefeito de Ourinhos. Teve com ele dois filhos, Anselmo e Elisabete, com os quais convivi na infância.
Quando fui escolhido para ser o orador da minha turma do curso primário em 1958, ela orientou-me na elaboração do discurso juntamente com o drº Ospar, que era o dentista do Grupão.
A foto abaixo nos mostra dona Hermínia em conversa com o Secretário da Educação Luciano de Carvalho Vasconcelos, quando da inauguração do novo prédio do Instituto de Educação Horácio Soares, em 22 de abril de 1961. 





DEMÉTRIO GARDIM

O corpo de Demétrio Gardim foi sepultado ontem em Ourinhos.
Demétrio e sua esposa Aida Fittipaldi (já falecida) foram  vizinhos de meus pais por muitos anos. 
Ele trabalhou quando jovem na Mecânica Fittipaldi, de Rafael Fittipaldi,  existente na Rua Paraná, posteriormente tornou-se funcionário do INSS, órgão pelo qual se aposentou.
À família os nossos sentimentos.



Ele está  nesta foto do início de funcionamento da Mecânica.
é o segunda da direita para a esquerda.

Foto publicada originalmente em FOTOS ANTIGAS DE OURINHOS/WILSON MONTEIRO

"Mecânica Fittipaldi

A familia Fittipaldi,tinha na rua Paraná sua oficina.Ali tanto se consertava de tudo,como tambem fabricava muita coisa para as fazendas,usinas etc.Nesta foto de 1944,vemos:Antonio Prestes,Guerino Garcia,Carlos Garcia,Donato Fittipaldi,Demetrio Garbim e Alfredo Fittipaldi."

9.9.12

MAIO DE 1937

1937 foi o ano em que o Brasil tornou-se uma ditadura, o chamado "Estado Novo". Imaginem, um presidente eleito segundo o estabelecido na Constituição de 1934 fecha o Congresso Nacional e outorga uma nova Constituição, a de 10/11/1937.
Apoiado pelo Exército, a resistência ao golpe  estava fadada ao fracasso.
  Seis meses antes, quando o golpe estava sendo urdido, nesse ano haveria eleição para presidente da República, Sansão Ferreira, redator de "A Voz do Povo",escrevia:
(15/5/1937)




 

O jornal noticiava nesse dia  uma comemoração ao "24 de maio", que seria para sempre lembrado como o "MMDC":


Joaquim Pedroso era o diretor do Grupo Escolar.
Edison Leonis era  filho de Rodopiano Leonis Pereira, que foi prefeito de Ourinhos em 1931. Foi casado com Oslávia Braz, filha de Adriano José Braz.. Abaixo a foto de casamento deles. Edson era o líder do Movimento Integralista Brasileiro em Ourinhos, agremiação que fora fundada por Plínio Salgado nos anos 1930. Ele casou trajando o uniforme do MIB. 



Foto postada originalmente em http://monteirowilson.fotoblog.uol.com.br/

Maria Inês de Camargo Pires foi bibliotecária do IEHS, a quem conheci. Foi candidata a vereadora no final dois anos 1940. Era irmã do drº Luiz de Camargo Pires. Mãe de minha amiga Ivelina M. Marques. 
Aparecida Pontes, Quinha Martins e Geralda Vilches foram colegas de escola de minha mãe.
Também conheci as irmãs Santa (mãe de Mariza Brandimarte) e Otilinda Ramos ( foi casada com Bija Zanotto, já falecida).
Diva Ferreira foi a segunda esposa de Romeu Silva, gerente do cinema.
Antonieta era filha de João Simão Yared, o João Chic, dono da Casa Chic.
Mário Branco foi figura de destaque na cidade. Criador da Biblioteca do GRO. 
Dedé Carvalho era irmã de Geraldo de de Barross Carvalho, casado com a profª Maria Teresza Caetano..

8.9.12

DESFILES DE SETE DE SETEMBRO EM OURINHOS AO LONGO DE CINCO DÉCADAS


Francisco de Almeida Lopes foi o pioneiro em fotografar desfiles em Ourinhos.
Iniciou essa atividade nos anos 1930, como passatempo.
Com a chegada de José Machado Dias a Ourinhos, no final dos anos 1940 fez com ele uma parceria nesse sentido.
Fotografar desfiles era com ele. Saía de casa antes das 8 horas com a máquina a tiracolo e somente retornava quando o desfile terminava, percorrendo todas as ruas selecionadas para a festa.
Quando morou em São Paulo, de 1967 a 1974 fotografou desfiles em diversos pontos da cidade.
Retornando a Ourinhos,  continuou a fazê-lo, somente abandonando esse hábito quando adoeceu.
Seguem abaixo algumas fotos:



Início dos anos 1940
Na Rua Antônio Prado, próximo à cancela da ferrovia.



Início dos anos 1950
Na Avenida  Altino  Arantes, esquina com a atual Antonio Carlos Mori


Na Rua 9 de Julho, entre a Paraná e a Arlindo Luz, alunas do Colégio Santo Antônio. A primeira à direita é Edna Silva  Matozinho.



1959
Na Praça Melo Peixoto, alunos da 5a. Série do IEHS: 1 - Roberto Ribeiro da Silva,  2 - Ismael, 3 - Antonio Romani, 5 - José Carlos Neves Lopes.



1965
Na Rua Antonio Prado, alunos da ETC de Ourinhos: à esquerda 1 - Walter Brandimarte - 2 - José Carlos Neves Lopes



Segunda metade dos anos 1970
Avenida Altino Arantes entre Cardoso Ribeiro e Souza Soutelo

Fotos por Francisco de Almeida Lopes 

1.9.12

A IRMANDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS DE OURINHOS



Na primeira metade do século passado,  ainda era marcante a presença de diversas irmandades no seio da Igreja Católica. Essa presença remonta ao início da colonização portuguesa.
Uma delas foi a Irmandade do Sagrado Coração de Jesus.
Essa irmandade era composta por senhoras casadas, mães de família, vestidas de preto, as cabeças cobertas por véus de filó negro; no peito portavam fitas rubras de cetim. Contrastava com a Irmandade das Filhas de Maria, constituída por mulheres solteiras, vestidas de branco, cabeças cobertas por véus de filo branco, portando no peito uma fita azul.
Outra irmandade importante era a do Santíssimo Sacramento, constituída por homens. Eram os chamados de Irmãos do Santíssimoos quais carregavam o pálio, sob o qual o sacerdote portava o Santíssimo Sacramento nas procissões, e acompanham as cerimônias ladeando o altar. Eles usavam uma "opa" (capa na cor rubra) e carregavam uma espécie de tocha. Ainda estão presentes em muitas igrejas do interior. 
Na foto,  vemos senhoras da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus de Ourinhos, nos anos 1940, sustentando um andor com a imagem que ficava num dos andares laterais da Igreja. Ao lado delas acham-se dois "Irmãos do Santíssimo". O vigário já era o padre Eduardo Murante.
As duas senhoras que estão à frente são: Alice Machado, que foi  agente do Correio e sogra de Mário Branco, e Izaira Saladini Crivellari, esposa de "Ico" Crivellari, tio de Nilo Ferrari. 
Quem seriam as meninas vestidas de anjo?
A foto, de autoria desconhecida, foi postada inicialmente em http://monteirowilson.fotoblog.uol.com.br/ .