30.8.12

O DIÁRIO DA SOROCABANA

 Clique sobre a página do jornal para poder lê-lo.

Para os que não conheceram, aqui está um exemplar de "O Diário da Sorocabana", dos anos 1960. Este foi um dos melhores jornais que a cidade teve ao longo de sua história. Órgão declaradamente udenista, tinha como Diretor Responsável um grande jornalista: Salvador Fernandes.
Abriu o jornal aos estudantes ourinhenses, reservando-lhes uma página aos domingos.
A coleção completa do jornal está sendo digitalizada pela Biblioteca Municipal de Ourinhos e, em breve, estará disponivel para acesso online.
Agradeço à amiga Cristina Souza, a cessão deste exemplar.   Sobre Lourdes Reclusa, que nessa época morava em casa de minha avó leia em : http://ourinhos.blogspot.com.br/2012/03/lourdes-reclusa-chefe-das-telefonistas.html
Sobre José Fernandes de Souza: 









25.8.12

RECORDAÇÕES DE SANTA BÁRBARA DO RIO PARDO (ÁGUAS DE SANTA BÁRBARA)


CLIQUE SOBRE AS FOTOS



Nos anos 1950, a cidade ainda se chamava Santa Bárbara do Rio Pardo (hoje Águas de Santa Bárbara) e tinha esse aspecto bucólico que as fotos feitas por meu pai nos mostra.


Creio que nossa primeira ida à cidade tenha ocorrido por volta de 1958. Fomos para lá de trem, fazendo baldeação na estação de Cerqueira César, de onde uma jardineira nos levou até Santa Bárbara por uma estrada ainda não pavimentada.

Nesta foto, vêm-se alguns hóspedes. Selma está atrás. O garoto sou eu e a garota minha namorada, da família Pacolla, de Lençóis Paulista.

Nas estações termais daqueles anos ainda não havia rede hoteleira. As pessoas que as demandavam se hospedavam principalmente em pensões.
Havíamos ido para lá com a indicação de uma pensão que se localizava numa das quatro ou cinco ruas da cidade, e que ficava numa área elevada, podendo ser vista à direita na foto. Ela pertencia a uma família síria. Quem a dirigia era uma filha dos proprietários de nome Selma. Uma moça alta, aí por volta de seus vinte anos, muito bonita, cabelos negros, e que exalava simpatia.
A casa era grande, com vários quartos, daquele tipo que dava para a rua e possuía uma grande varanda. Comportava umas quatro ou cinco famílias.
A comida era deliciosa.




A rua  onde se localizava a pensão,  era a única de caráter comercial, e tinha na sua parte inferior, em direção ao rio Pardo, um sobrado onde ficava  o cinema, com sessões em dias alternados. Naquele tempo toda cidade, por menor que fosse tinha um cinema.
No centro, como se vê na foto, ficava a Igreja Matriz, de linhas graciosas, na qual se entrava por uma ampla escadaria. Ao redor da “Matriz”, uma bela pracinha com canteiros repletos de flores. O pároco tinha idade avançada e praticava o exorcismo com muito sucesso.
Um pequeno caminho dava acesso às termas, ainda modesta (no início dos anos 1960 iniciou-se a construção de um grande edifício para abrigá-la).



Foto por Francisco de Almeida Lopes
No fundo das termas, havia um bosque que dava acesso às margens do rio Pardo, onde praticávamos a pescaria. À sua frente uma área de recreação infantil e um amplo bosque elevado.
À noite, o programa após o jantar se constituía de rezas na Igreja seguida de ida ao cinema. Nos dias em que não havia sessão, brincávamos até às 22 horas na praça.
Namoricos também havia. Lá estava uma família Paccola de Lençóis Paulista, cuja filha acabei namorando. Ela é a garota que aparece na foto abaixo:




O grupo da pensão na primeira viagem.



Eu e Selma, na segunda viagem.








Como escreveu o professor Luciano Correia da Silva:
VOLTA
"Estive aqui faz cem anos,
mas que foi ontem parece...
(....)
(...)"
Foto por Francisco de Almeida Lopes

18.8.12

A CLASSE DO 3º ANO PRIMÁRIO DE 1938 DO GRUPO ESCOLAR JACINTO FERREIRA DE SÁ.


Esta é uma das raras fotos de alunos do Grupo Escolar de Ourinhos nos anos 1930.A foto pertencia a meu tio Herculano Neves que  é o último à direita, na primeira fileira (alunos sentados). São alunos do 3º ano. O professor da  classe chamava-se Laudelino de Campos. Foi também professor de minha mãe. Por sinal, um excelente mestre segundo o relato de famílias antigas da cidade.Identifiquei na  foto o professor Carlos Nicolosi, recentemente falecido. Ele é o penúltimo na quarta fileira de baixo para cima. Ele e meu tio também se formaram juntos no ginásio.   Foto de autoria desconhecida


Herculano e Antoninho Neves prontos para irem à escola (1937). 

Tinha uma janela antiga
num prédio também antigo,
daqueles que havia antes
- não tem mais.

Tinha um balcão e uma flor
plantada em lata de óleo 
e bandeirinhas coloridas
- não tem mais.

Tinha uma senhora velhinha,
morando ali com seus gatos 
e as lembranças da vida
- não tem mais.


agosto 2007

http://poesiasecasos.blogspot.
com.br/

16.8.12

ECOS DE "A VOZ DO POVO"

Donato Sassi se tornaria um dos fundadores do Bradesco. Edu Azevedo, grande amigo de meu pai e seu colega na São Paulo-Paraná , também conheci. Joaquim Azevedo, o proprietário de "A Voz do Povo"  não conheci. Bento Pereira, era lavrador  e avô da Cesira Migliari e da Maria Elvira casada com meu primo Sérgio Devienne.






 (Março de 1940) Dona Laudelina do Amaral sobreviveu muitos anos ao marido, que foi prefeito de Ourinhos. Cheguei a conhecê-la já bem velhinha e sempre faceira.João Lopes Martins, lavrador, era o pai da menina Josefina que se tornaria a esposa do meu tio Antoninho. Alberto Matachana  criaria a famosa "Casa Alberto", na rua 9 de Julho, sempre estilosa.O professor Constantino Molina era o proprietário do Externato Rui Barbosa, na Altino Arantes, primeira escolar particular de Ourinhos, onde minha mãe e alguns irmãos estudaram.Álvaro Rolim também cheguei a conhecer já idoso. Avô do meu amigo de infância e adolescência Álvaro Rolim Potenza, cuja mãe Violeta foi colega de trabalho do meu pai na São Paulo-Parana´.Antonio Joaquim Ferreira também conheci velhinho, comerciante de secos e molhados na Ruda do Expedicionário.De João Garbin me lembro muito bem. Foi um dos pioneiros do teatro em Ourinhos. Fabricante de ladrilhos e vasos, ao lado de sua casa na Rua São Paulo. Os ladrilhos que recobrem a Catedral são de sua lavra e lá estão em perfeito estado até hoje. Horácio Soares não conheci, apenas alguns dos filhos. Quando ele morreu eu tinha um ano de idade. Conheci muito sua segunda esposa a saudosa professora Hermínia Vicentini Soares, mãe da linda Elisabete, que partiu tão cedo, e do Anselminho, que hoje mora em Botucatu. O prefeito devia estar interessado em estimular os esportes na cidade, criando para isso a "Comissão de Esportes". Dos membros dessa comissão conheci o professor Paschoalik que se tornou prefeito anos depois, Alcides Salgueiro, dono do famoso e saudoso Bar do Tide, filho da dona Amélia, que cozinhava maravilhosamente e Antônio Luiz Ferreira, cujo filho foi meu contemporâneo. O "Bar do Tide" merecia uma crônica. Esse bar merecia uma crônica.







(1937) Ourinhos estava prestes a constituir o seu "Tiro de Guerra"

(1937)  Otilinda Ramos, se tornou a esposa do Bija Zanotto.
A garotinha Amélia, se tornaria minha mãe.
Os colegiais em férias, Nilo Ferri seria um dos grandes industriais de Ourinhos e Mário Cury, responsável pela construção de grande número dos  edifícios de Ourinhos.


(1940) A Farmácia Nossa Senhora Aparecida ainda existe no mesmo local (Rua Paraná). Seu proprietário era um farmacêutico de velha cepa, José Arruda Silveira, o seu Arruda, que alcançou os anos 2000, creio. Meu pai tinha uma latinha de pomada preparada por ele, "milagrosa", " um santo remédio", como se dizia popularmente.
Na parede onde fica o caixa da farmácia há uma foto grande do seu Arruda quando se formou. 
Fica aqui esta  homenagem ao decano dos farmacêuticos de Ourinhos.



.
 

 Bráulio trabalhou com Rafael Papa, seu cunhado  no Banco Comercial do Paraná, fundado por Papa e Avelino Vieira. Ele trabalhou já como diretor. Papa e o sr Avelino desfizeram a sociedade e este fundou outro banco, o Banco Mercantil e Industrial de São Paulo, logo depois abriu o Mercantil e Industrial de Mato Grosso (tranformou-se em  Bamerindus).  Bráulio era Diretor Regional, abriu 16 agências, após isso é que abriu em São Paulo. 


 
 

  Na foto abaixo vemos a garotinha Emireza, filha do casal. 




Bráulio Tocalino, ( foto abaixo) 




12.8.12

A PRIMEIRA CÂMARA MUNICIPAL ELEITA PELO VOTO SECRETO EM OURINHOS




O ano de 1936 foi marcante para Ourinhos. Afinal, seria constituída  a primeira câmara de vereadores da cidade sob a égide da nova Constituição do Brasil, a de 1934.


A cidade contava então com quatro seções eleitorais.


Dois  partidos  concorreram: o Partido Republicano Paulista, sobrevivente da República Velha, e o Partido Constitucionalista, fundado pelo então interventor de São Paulo, Armando de Salles Oliveira, em 1934, então já governador do estado, congregando em suas fileiras uma parte do PRP e os remanescentes do Partido Democrático, que havia sido criado em São Paulo em 1926 para fazer oposição ao PRP.



Pelo Partido Constitucional concorriam:  
Vasco Fernandes Grillo, comerciante;
Rodopiano Leonis Pereira, industrial;
Olavo Ferreira de Sá, lavrador;
José Duarte de Medeiros, operário;
Hermínio Socci, ferroviário;
Benedito Monteiro, ferroviário;
Benedito Martins de Camargo, comerciante;
Antonio Carlos Mori; comerciante.
Os ferroviários eram já um grande contingente na cidade pela presença  de duas ferrovias: a Sorocabana e a São Paulo- Paraná, Os dois ferroviários candidatos eram da cúpula da São Paulo-Paraná. 
No final dos anos 1940, os ferroviários constituiriam a maior ala do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB.
Pelo Partido Republicano Paulista, os candidatos eram:
Carlos Amaral, comerciante;
José Felipe do Amaral, cirurgião dentista;
Álvaro de Queiroz Marques, farmacêutico (Drogasil);
Narciso Nicolosi Filho, (Médici, Nicolosi & Cia) comerciante;
Antonio Lopes, ferroviário;
Telésforo Tupiná, comerciário;
Anuar Dabus, comerciante;
drº Ruy Coelho de Alverga; advogado.
Venceram as eleições:
PC 
Benedito Martins de Camargo - 191;
Rodopiano Leonis Pereira - 77;
Vasco Fernandes Grillo - 43;
Olavo Ferreira de Sá -  35;
Antonio Carlos Mori - 35;
Benedito Monteiro - 34
PRP
Carlos Augusto do Amaral - 136
Narciso Nicolosi Filho - 51
Álvaro Queiroz Marques - 32   
A eleição do prefeito se daria pelo voto secreto dos vereadores (maioria absoluta em primeiro escrutínio), o que assegurava a prefeitura ao Partido Constitucionalista, que tinha a maioria 6x3).
A posse da Câmara se deu em 24/7/1936, a qual elaborou o  primeiro ato a Lei nº 1, o Regimento Interno da Casa. 
O prefeito eleito foi Benedito Martins de Camargo, comerciante bastante popular na cidade, proprietário da Casa Camargo, localizada na confluência das ruas Paraná e Souza Soutello, e que recebera a maior votação na eleição para vereador.  Camargão, como era conhecido, residia na Rua 9 de Julho, onde hoje se encontra o Colégio Anglo, sendo vizinho do meu avô, de quem era muito amigo. Foi fundador do Partido Democrático em Ourinhos e teve participação destacada na Revolução de 1932.




Benedito M. de Camargo e familiares em Petrópolis, 1934


Benedito M. de Camargo

Fez uma gestão atuante, destacando-se nela a reforma da  Praça Melo  Peixoto e a construção do novo Grupo Escolar, na Rua 9 de Julho.
Renunciou ao cargo em 1937, vindo a falecer em 1939 após ter sido submetido a uma operação de apendicite.
Na foto,  vemos Benedito Martins de Camargo com a esposa, Alzira Portela  e a filha caçula, Maria Helena, o padre Vitor Moreno, pároco local e o Bispo de Botucatu.



PARA BENEDITO MARTINS DE CAMARGO


Cerraste os olhos plácidos, serenos

Cerraste-os calmamente
Despreocupadamente
Como quem se cansou, na longa viagem,
De admirar a paisagem...
Dormes agora nas regiões incertas
Que já conheces e não conhecemos...
Dormes o sono eterno, impenetrável,
No leito do infinito,
Rodeado de estrelas luminosas...
A eternidade é tua alcova silenciosa,
Onde não chega o dolorido grito
Dos homens que inda choram cá na Terra.
Dorme sereno o teu sonho de justo,
Sono de quem lutou desesperado,
Em prol do bem,
Em prol da paz,
Em prol do amor...
Dorme... Hás de ouvir a doce sinfonia
Que os anjos, te embalando, vão cantar.
Sinfonia da paz, Sinfonia de glória...
Enquanto aqui, na Terra, A tua História humilde de um herói humilde,
Será contada e repetida sempre
Por cada coração que socorreste
Por cada olhar em que o pranto suspendeste!
Dorme... Descansa que tua alma,
Alma de santo, há de ficar na terra,
Coroada de louros, espalhando o bem!

Paulo Flanklin

7.8.12

AGOSTO DE 1937 MANDA NOTÍCIAS



Aristides Silveira, amigo de meu pai, era também empregado da São Paulo-Paraná. Os poemas que publicou em "A Voz do Povo" formariam o conteúdo de um livro de muitas e muitas páginas.


Um santo remédio que ainda existe, creio.


Vencedores da loteria. meu avô era um deles.




Uma das muitas grandes mestras do antigo Grupo Escolar.


Alívio para as mulheres.





Um repórter atento aos problemas da cidade. 



Surgia o Tiro de Guerra em Ourinhos