28.2.12

O BRIGADEIRO EDUARDO GOMES EM OURINHOS




Das fotos que meu pai fez de comícios políticos, essa é uma das mais bonitas.
Trata-se de um comício noturno, o do candidato da União Democrática Nacional - UDN à presidência da república, o brigadeiro Eduardo Gomes (1896-1981).
 O ano: 1950.
O local: a confluência da Altino Arantes com a 9 de Julho.
Ele aparece ao centro da foto trajando um terno claro.guerra
No palanque, à esquerda) identifico o juiz de direito Rocha Paes, a meia face do comandante do  Tiro de Guerra.
À direita o vereador pela UDN, Lino Martins de Camargo, irmão do prefeito Benedito Martins de Camargo.
Eduardo Gomes foi candidato  à presidência da república em duas  ocasiões: 1945 e 1950.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

18.2.12

O BAILE INFANTIL DE CARNAVAL. O BAILE INFANTIL DE CARNAVAL.




No Grêmio Recreativo de Ourinhos, os bailes infantis de carnaval tinham também direito a orquestra. A música era tocada ao vivo. 

Eles aconteciam à tarde, e as famílias que gostavam de carnaval levavam seus filhos, quase sempre fantasiados para brincarem no salão, repleto de serpentinas, confetes e de lança-perfume.
Eu fui um aficionado de carnaval desde tenra idade, não perdia um baile infantil, que  começei a frequentar com cincos anos.



Esta foto é de 1953. Já sendo um admirador dos  filmes de cowboy,  que nos encantavam nas vesperais de domingo, quis que a minha fantasia fosse  nesse gênero.
E aqui estou,  no jardim da casa de meu avós onde morávamos então, na Rua 9 de Julho 102, posando para a eternidade.
 E que pose ! Com cara de mau, cinturão com revolver e, como não podia deixar de faltar, um chapéu, que não me parece ser do meu pai, e sim algum antigo de meu avô. 
Prestes a sacar a arma e começar a atirar 
Tempos de grande inocência.
Duas marchinhas escritas para o carnaval daquele ano se eternizaram, entusiasmando os foliões até hoje: "Cachaça" e "Saca-rolha" Aqui estão as suas letras:


CACHAÇA
Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique 
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor 
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça

SACA-ROLHA
Zé da Zilda-Zilda do Zé-Waldir Machado, 1953)

As águas vão rolar 
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
Eu passo mão na saca saca saca rolha
E bebo até me afogar 
Deixa as águas rolar

Se a polícia por isso me prender
Mas na última hora me soltar 
Eu pego o saca saca saca rolha
Ninguém me agarra ninguém me agarra

Foto por Francisco de Almeida Lopes

A RENÚNCIA DO PREFEITO BENEDITO MARTINS DE CAMARGO (1937)

Deve ter sido um fato surpreendente na ocasião.



O prefeito Camargo nem aguardou a inauguração de sua principal obra: a remodelação da Praça Melo Peixoto.


É certo que pelas páginas de "A Voz do Povo", muitas críticas vinham lhe sendo dirigidas.







12.2.12

PADRE FELIPE DIMANTS, O PROFESSOR DE INGLÊS (1913-2001).




Já escrevi sobre o padre Felipe, mencionando-o também em outros artigos.
Torno a falar sobre ele hoje por força desta foto interessante, na qual ele aparece cercado por alunos, de uma de suas primeiras turmas, no Instituto de Educação Horácio Soares - IEHS.
Tendo vivido 88 anos, metade desse tempo ele passou em Ourinhos, para onde veio como professor efetivo de Inglês, em 1957.
Morou um longo tempo no então Asilo São Vicente de Paula, do qual foi capelão. 
Tendo lecionado no IEHS, ao longo de vinte e três anos, foi mestre  de várias gerações.
Foi meu professor de inglês nas 6ª, 7ª e 8ª séries (1960-1962). Era um professor rigoroso e sua didática não era das  mais felizes. Com notas baixas nos dois primeiros meses, eu tinha de me valer do paciente professor particular de inglês e português, o  Seu Zé, alfaiate autodidata  que morava na Rua Arlindo Luz. Graças ao professor particular, nos dois últimos bimestres, as notas melhoravam e eu escapava da segunda época ou da repetência.
No trato pessoal era um homem  afável.
O uso de uma batina branca,  óculos rayban e de uma romiseta,  carro minúsculo que fez sucesso nos anos 1960, tornaram-no uma figura impar na Ourinhos daquela década.
Exerceu o sacerdócio na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, onde celebrava missas.
Nos últimos    anos de vida, já aposentado como professor, dedicou-se à visitação de doentes, na Santa Casa e em em residências. 
A foto foi-me enviada por Antoninho Mantovani.
Os personagens, segundo Joaquim Bessa:

Yamamoto, Fredão Bessa, Homero João, Carlos Ostronoff, Pe Felipe, Joaquim Bessa, Nilson Zuim, Walter Ribeiro, R. Pellegrino.

De cócoras:

Diógines Ferreira, Toninho Mantovani, Paulo Santos, e Mingo Perino.

Algumas informações foram colhidas no livro de Eitor Martins -  MINHA VIDA - MEUS AMIGOS - MINHA CIDADE

Resgatando nossa história...

5.2.12

A RUA PARANÁ DOS ANOS 1940 E 1950


O trecho da rua Paraná que vemos nesta foto me é muito caro. Isso porque  traz gratas recordações da minha infância.
Nesse trecho um primo de meu pai, Alfredo Devienne e a esposa Isolina Catai tinham uma loja especializada na venda de fogões, geladeiras, rádios e outras utilidades domésticas, a famosa "Casa dos Fogões". 
Alfredo e meu pai cresceram juntos e eram muito amigos. A mesma amizade unia Isolina e minha mãe. Também era muito querida por nós,  uma irma de Isolina, Alzira Catai, que com ela morava. Alzira completará 89 anos em 2012.  Alfredo e Isolina foram os pais de Alfredo Júnior e Ademar, já falecidos.
Bem, cumprindo um costume que sobreviveu até ao aparecimento da televisão, quase diariamente um grupo de senhoras sentava-se à frente da loja jogando conversa fora. Quando Alfredo estava em Ourinhos, ele e meu pai iam para o cinema (os dois eram cinéfilos) e minha mãe se juntava ao grupo. Enquanto isso,  a criançada da redondeza dedicava-se às  brincadeiras de rua que duravam até as 22 horas.
 Eram: os japoneses do bar da esquina com a Cardoso Ribeiro, os garotos Rodrigues da minha geração, filhos da dona Zulmira, tia do José Carlos Marão, que moravam nas casas da vila existente na Cardoso, os meninos da bicicletaria da mesma rua, os garotos Fantinatti, ocasionalmente os Bastos e os  sobrinhos da dona Joana, comerciante no lado oposto da Rua Paraná.
Os proprietários das casas comerciais, nesse trecho,  tinham loja na frente e a residência nos fundos.   


CLIQUE SOBRE A FOTO

A foto é do início dos anos 1940, vendo-se em primeiro plano a "Casa Chic" , Em seguida seguem-se: o prédio onde anos mais tarde Benedito Rodrigues da Cunha instalou sua  loja de  componentes elétricos,  a casa onde veio a ser instalada a "Casa dos Fogões", a futura Loja Couraça, da dona Isaira (panelas e outras utilidades), a casa e barbearia do seu Conte, e o armazém dos Mori. Do outro lado da rua ainda se vê o depósito da "Fábrica de Cigarros Sudan". 
Foto de autoria desconhecida.