29.1.12

O HOTEL COMERCIAL




O Hotel Comercial, situado na Rua Antônio Prado, é uma referência em Ourinhos.
Dos hotéis existentes é o mais antigo, tendo sido edificado naquela rua em 1924, segundo narra o professor Norival Vieira da Silva, a partir da memória de Eurico Rodrigues,    em artigo publicado no "Diário de Ourinhos". 
Graças à câmera de Francisco de Almeida Lopes, sempre atenta ao dia-a-dia da cidade, temos uma foto do hotel nos anos 1920, que teria sido construído pelo português Antônio Ferreira Dias.  Tinha apenas um andar e aparência simpática graças ao formato das janelas frontais, tipicamente europeu.
A foto foi tirada a partir de uma das ruas da Praça Melo Peixoto, captando duas jovens que por ela passavam.

Clique sobre a foto.

Num banco à esquerda, dois amigos sentados viam o tempo passar, enquanto ao fundo outros dois que acabavam de se cruzar jogavam conversa fora.
Na esquina da Antônio Prado, vê-se o prédio onde Américo Facini viria a instalar a sua lotérica: "A Vencedora".
Alguns carros marca Ford encontram-se estacionados. Em seguida,  o prédio do Hotel Comercial. 

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O prédio atual teria sido levantado sobre as estruturas desse primeiro, em 1939, a partir de um projeto de Augusto Fernandes Alonso, marceneiro espanhol, um homem inteligente e muito  culto (artigos dele em "A Voz do Povo", o demonstram, apreciava ópera). Foi sogro do professor Norival, que ainda mora num sobrado muito original, avançado mesmo para a época, construído pelo seu Alonso na esquina da Cardoso Ribeiro com Expedicionário.
 Lembro-me dele sentado à porta de sua casa, (um costume típico dos anos 1940 e 1950) ao lado da marcenaria na Avenida Altino Arantes, logo após o reservatório de água.
Também de sua lavra, além das belas escadarias em madeira  dos sobrados construídos nos anos 1930 e  1940, o do meu avô é um deles, foi o gracioso púlpito da Igreja Velha, que deveria estar  hoje na Catedral. 
O novo prédio do Hotel  era  estiloso, agora com  dois andares. A foto dá provas disso. O acréscimo de  um sotão,  mais tarde,  realmente quebrou a harmonia do projeto original.  
Um de seus proprietários, nos anos 1940 e 1950 foi o comerciante Carlos Rodrigues, genro do também comerciante português Antonio Joaquiml Ferreira, estabelecido na rua do Expedicionário. Coincidentemente, no início dos anos 1970,  Carlos Rodrigues era dono de um prédio em São Paulo, onde comprei meu primeiro apartamento, e acabou me passando a escritura.
Nessa foto, também captada por Francisco de Almeida Lopes, vemos ainda  o prédio construído para abrigar a Drogasil. Em seguida, vê-se  a porta de entrada da casa onde morou o ex-prefeito Antônio Luiz Ferreira.

25.1.12

FRANCISCO DE ALMEIDA LOPES (1909-1987)

Esta é a sua foto mais bonita quando estava já quarentão. Feita no estúdio do seu Machado. A ação da água danificou-a um pouco, mas consegui restaurá-la.



22.1.12

O FOTÓGRAFO MIRA A CIDADE


Gosto muito dessa foto (anos 1950) feita por meu pai a partir do topo  da Igreja Matriz (a nova). O fotógrafo, muito provavelmente,  queria captar através de sua câmera um dos limites da cidade - aquele que faz fronteira com o Estado do  Paraná.
A câmera focaliza, em primeiro plano,  parte das casas que haviam sido construídas no início dos anos 1940 pela Companhia Ferroviária São Paulo- Paraná,  com o fim de  serem financiadas para alguns de seus empregados.
O olhar do fotógrafo detalha bem a parte frontal de  algumas das casas da Rua Rio de Janeiro. 
Em seguida, capta o cafezal da fazenda pertencente aos herdeiros de Horácio Soares, que margeava os trilhos da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina e também algumas  casas de colonos.
Mais ao fundo,  nos mostra o que era a Vila Odilon naqueles anos - uma vila de oleiros. Nada menos do que 15 chaminés de olarias podem ser vistas na foto.  
Por fim, mais ao fundo,  os limites do município a Oeste.  
Dalva Maria Ferreira, poetisa, em seu blog "Poesias Soltas" -  http://poesiasecasos.blogspot.com/ -  publicou sua primeira poesia para 2012, que vem a calhar para o assunto de hoje:

"VEM CÁ DE NOVO"

Vem cá de novo,
voltemos juntos pelas ruas do passado,
alegremente, desviajando pela vida.

Vem cá, menino,
olhar as cores que brotaram encantadas
depois da chuva que caiu, eternamente.

Me dá tua mão,
vamos brincar de faz-de-conta
na areinha que se formou da enxurrada.

Sejamos deuses,
ou então gigantes dominando as formiguinhas
nesse mundinho que contém o outro mundão.



Foto por Francisco de Almeida Lopes.

8.1.12

MEMÓRIAS DE UM BEBÊ FELIZ



Devo ter sido um bebê feliz. Tive tudo para isso.
Minha mãe somente engravidou quatros anos após seu casamento, portanto,  um filho era muito esperado. 
Tive o privilégio de haver nascido na casa de meus avós, onde havia três irmãs solteiras de minha mãe. Enfim, tudo para ser paparicado.
Cheguei a este mundo na segunda metade do século passado, sob a regência de um signo bom - Libra, às 21h30 de uma quinta feira. Por isso gosto tanto da noite.
Parto normal, parteira dona Luisa.
Não nasci com muitos quilos, os quais foram sendo adquiridos depois graças ao mingau de maizena.
Segundo vontade de minha mãe, meu nome deveria ter sido José Eduardo. Minha avó lhe disse: Ah, ponha  Carlos, eu sempre quis dar esse nome para um dos meus filhos e seu pai nunca concordou". Daí ficou José Carlos.
José, pela devoção de minha mãe para com o santo de mesmo nome, que acabou sendo meu padrinho também, já que fui batizado somente cinco meses depois, no dia de são José (19/3/1948).

Aos nove meses já começei a andar.
Dizem que fui um bebê muito bonito, o que as fotos confirmam, justamente por isso sempre às voltas com o quebranto (Estado mórbido atribuído pela crendice popular ao mau-olhado).

Hoje já não se fala mais em quebranto, o qual somente sarava com benzeção.
Em Ourinhos,nos anos 1950,  havia dois benzedores famosos, pai e filho. O pai ficou conhecido como "Manuel Pegatudo", justamente por livrar as pessoas que o procuravam dos males que as acometia. 
Morava na atual Antonio Carlos Mori, ao lado da garaparia do seu Leonel. Na sala, havia um grande altar com várias imagens de santos e santas, onde se realizava a benzeção, que funcionava mesmo. 
O filho morava na "Vila Nova", se não me falha a memória de nome José Nascimento. Também me vali de sua benzeção.
Havia também benzedeiras famosas. Lembro-me de uma senhora negra que morava numa casa de madeira muito grande fronteiriça à linha do trem, na altura do atual prédio do correio. Era especialista em benzer erisipela. Havia espécia de flor branca e de flor rosa.
Minha tia-avó paterna, Fausta Godoy de Lima, também benzia erisipela com sucesso.
Ela utilizava a folha de um arbustivo (Datura Stramonium), chamado popularmente de trombeta, trombeteira, saia branca, aguadeira, buzina, zabumba ou lírio
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Untava-se a folha com óleo, a qual era então passada sobre a perna com erisipela.  A benzeção tinha sucesso. 
Os dizeres de minha tia Fausta  eram semelhantes a este que encontrei na web, pelo menos o início era idêntico

"Pedro Paulo vem de Roma.
Jesus Cristo o encontrou:

- Donde vens, Pedro Paulo?
- Senhor, venho de Roma.
- O que e que há lá?
- Morre muita gente.
- De que?
- De erisipela e erisipelão bravo.
- Pedro Paulo, volta para lá e cura-me essa gente toda.
- Com o que, Senhor?
- Com ramo de oliveira e três pingadas de azeite.
- Volta para trás (nomeia-se o paciente), que te hei de queimar e te hei de abrasar.
- Nem 'me hás de queimar, nem me hás de abrasar, mas hás de me curar.
Em honra de Pedro Paulo e da Virgem Maria, Padre Nosso e Ave Maria."

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A planta que está à esquerda dessa foto é uma  "Buzina"
Em Ourinhos há ainda uma benzedeira famosa, a querida Dalva Vita, em cujas orações minha mãe tanto confiava.
Dalva continua utilizando seus poderes de benção para confortar todos que a procuram.