21.5.11

O PROFESSOR E O JORNALISTA


Esta é uma foto muito interessante. Mais pelo cenário ao fundo do que pelos dois personagens - eu e meu primo Jefferson Del Rios Vieira Neves.
Data de 25/12/1948, ocasião em que a família de minha mãe reuniu-se na casa da Rua 9 de Julho, 102. Eram 12 filhos e 12 netos, noras e genros. 
Além da foto oficial da família feita por José Machado Dias, a câmera de meu pai captou vários momentos, este inclusive.
Jefferson e eu éramos filhos únicos, daí a proximidade que nos uniu durante toda a infância; Na adolescência cada qual teve novas amizades e o distanciamento foi ocorrendo. A idade madura nos reaproximou. 
Os anos se passaram, eu segui a carreira do magistério e ele a de jornalista, tendo trabalhado nos dois maiores jornais de São Paulo - a Folha e o Estadão, além de ter sido colaborador na revista "Bravo". O teatro acabou por ser a sua especialidade, vocação já presente na adolescência, tendo lançado no ano passado os dois volumes de "Crítica Teatral", importante coletânea de críticas que vão de 1969 a 2000, lançados pela Imprensa Oficial. 
A foto tem como fundo a Rua 9 de Julho, no dia de Natal de 1948. A rua ainda não havia sido calçada. As obras  teriam início  no ano seguinte, e nelas brincaríamos muito.
 Em primeiro plano se vê a casa de Otávio Ferreira e outras construções desse quarteirão e do seguinte. 
Ao fundo, nas proximidades da Praça Melo Peixoto, segue um cavaleiro.
Uma curiosidade: vê-se na foto a sombra do fotógrafo, Francisco de Almeida Lopes   

15.5.11

AS GAROTAS DA CASA VERDE

Por um daqueles azares da web o arquivo  abaixo desapareceu do meu computador, por isso aparece aqui numa digitalização da coluna "Recordando....", publicada no jornal "Folha de Ourinhos" do dia 8/5/2011.
 A foto original aparece logo abaixo.



O TREM DE FERRO




O poema de Manuel Bandeira é de 1936.  Foi musicado pelo mestre Tom Jobim.

Café com pão 

Café com pão
Café com pão

Virge Maria que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)

Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo 
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)

(Manuel Bandeira)

A foto era uma das mais queridas do seu autor - Francisco de Almeida Lopes, que a batizou por ocasião de uma mostra com a designação "Transpondo fronteiras".
É o que essa bela locomotiva a vapor  está fazendo no momento em que foi captada pela objetiva do seu autor - transpondo um dos limites entre o Estado de São Paulo e o Estado do Paraná, sobre a bela ponte de ferro construída sobre o Rio Paranapanema, nos anos 1930.
Ao seu lado vemos a antiga ponte rodoviária. A atual foi edificada em outro local.
Essa locomotiva, muito provavelmente, foi uma dos últimos modelos pertencentes à Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná.  
A foto é do início dos anos 1950.

9.5.11

OURINHOS NO LIMIAR DOS ANOS 1960.


CLIQUE SOBRE A FOTO PARA VÊ-LA BEM GRANDE


Desconheço a autoria da foto, Editei-a para  melhor fazer determinados destaques e poder  apreciar a cidade dos meus anos de adolescente  - os anos sessenta.Iniciando pela esquerda, a Rua São Paulo, onde se pode apreciar a enormidade do Hotel Internacional, visto dos fundos, um dos mais antigos da cidade, na época ainda em mãos da família Beltrami. À sua direita a suja rodoviária. Em frente ao Hotel, na esquina, o "Mapeuva", lembram-se, onde saboreei a primeira vitamina. Em seguida, para a esquerda, no meio do quarteirão, a Companhia Telefônica Brasileira.
Subindo, vê-se o fundo dos sobrados do Frederico Hahn e do Alberto Matachana.Igualmente o fundo da enorme casa da família Ferrari. À direita, a Cia de Automóveis de Raul Silva. Em frente à Casa Alberto o sobrado da Caixa Econômica Federal, onde ficava o consultório do drº Ospar, dentista muito bom. Na extremidade esquerda, vê-se o sobrado do Banco Mercantil, com a residência do gerente na parte superior - Rolando Vendramini.
Subindo a Arlindo Luz o quarteirão dos Mori com a serraria ao fundo. O enorme terreno vago onde foi construído o novo cinema, a Igreja Matriz sendo revestida externamente.
Na extremidade esquerda a Padaria Oriente, já nessa altura de outro proprietário.
Na Cardoso Ribeiro, o sobrado do Fantinatti, a casa da dona Ivete, a bicicletaria e bar dos japoneses. Mais à esquerda, a casa do "Ditinho da Polícia" e o prédio da antiga Prefeitura.
Hoje paro por aqui.


1.5.11

OURINHOS E O RECENSEAMENTO DE 1940.


Em 1940, o Brasil realizava o seu 5º recenseamento.
Pela primeira vez  utilizava-se a propaganda de modo a  reduzir ou eliminar a desconfiança da população para com esse instrumento - o receio de sua utilização para fins de recrutamento ou cobrança de impostos, afinal o mundo vivia uma guerra mundial.
Para tanto, lançou-se mão de uma  campanha de publicidade de âmbito nacional.
O medo e a desconfiança da população se fizeram presentes na letra do sambista Assis Valente:

Recenseamento 

"Em 1940 lá no morro começaram o recenseamento
E o agente recenseador
esmiuçou a minha vida
que foi um horror
E quando viu a minha mão sem aliança
encarou para a criança
que no chão dormia
E perguntou se meu moreno era decente
se era do batente ou se era da folia

Obediente como a tudo que é da lei
fiquei logo sossegada e falei então:
O meu moreno é brasileiro, é fuzileiro,
é o que sai com a bandeira do seu batalhão!
A nossa casa não tem nada de grandeza
nós vivemos na fartura sem dever tostão
Tem um pandeiro, um cavaquinho, um tamborim
um reco-reco, uma cuíca e um violão

Fiquei pensando e comecei a descrever
tudo, tudo de valor
que meu Brasil me deu
Um céu azul, um Pão de Açúcar sem farelo
um pano verde e amarelo
Tudo isso é meu!
Tem feriado que pra mim vale fortuna
a Retirada da Laguna vale um cabedal!
Tem Pernambuco, tem São Paulo, tem Bahia
um conjunto de harmonia que não tem rival
Tem Pernambuco, tem São Paulo, tem Bahia
um conjunto de harmonia que não tem rival"

Intérprete: Carmen Miranda


Gravado em 27 de setembro de 1940
Disco Odeon 11923-B Matriz 6.468]



Acompanhamento do Conjunto Odeon
Direção de Simon Bountman


O  Chefe do Estado Novo, Getúlio Vargas, assinalava em discurso:
(...) O Governo, ao proceder ao recenseamento, não teve em mira objetivos outros 
 que não os puramente estatísticos. Para criar taxas ou impostos, jamais governo 
 algum necessitou fazer recenseamento. (...) Mas, só a falta de familiaridade com a 
índole e os fins de um recenseamento é que poderia induzir alguém a supor que as 
 operações de inquérito dessa ordem compreendessem objetivos fiscais, policiais, 
 políticos ou quaisquer outros, alheios ao campo da estatística. (...)
in  VARGAS, G., A nova política do Brasil, p. 3
Desse modo foi criada uma Divisão de Publicidade e Propaganda do Censo. 
No Estado de São Paulo, a Direção do Recenseamento foi entregue a Sud Menucci (1892-1948), natural de Piracicaba, educador, geógrafo, sociólogo, jornalista e escritor.
A foto, de autoria de Francisco de Almeida Lopes nos mostra a  população em frente ao prédio da Câmara Municipal e Prefeitura, na Avenida Altino Arantes, esquina com Cardoso Ribeiro, por ocasião do lançamento do Recenseamento no município.
O cartaz afixado contém os dizeres:
"Brasileiros, com o Censo preparei o futuro de vossos filhos."
Em primeiro plano, de costas,  alunas  do Ginásio de Ourinhos.