27.9.10

ME RICORDO... , POR ROBERTO PELLEGRINO

...de muitas coisas. Talvez de coisas demais, ou de menos, sabe-se lá.

...dos sabores excêntricos da primeira garapa e da primeira manga que provei. Nem ruins, nem bons,  apenas estranhos, exóticos.  

...do meu “amor à primeira vista” pela feijoada.

...do primeiro dia de aulas na 4ª  série A, que condicionou o meu futuro. Conheci a Maria Inês.

...da primeira vez que vi Pelé jogar. Era 1957, jogo amistoso Santos x Corinthians (2 a 1 para o Timão). “Prestem atenção nesse garoto chamado Pelé, de quem dizem
   maravilhas", falou o locutor da TV.

...da decepção ao tomar meu primeiro café em terras brasileiras, no Rio. Café de coador!

...do primeiro banho da Sílvia, minha filha, aos 15 dias de vida, dado pela Maria das Graças, esposa do Joaquim Bessa. Insegura, a Maria Inês  não tinha coragem...

...da Maria Inês, com a bolsa rompida, rumar para a maternidade na garupa de uma moto.

...do chiquérrimo centro de São Paulo na década de 1950.

...da feia, suja e... adorável Ourinhos de1951.

...dos bombardeios em Roma.

...do barulho dos motores das Fortalezas Voadoras.

...do “assobio” das bombas caindo.

...de Suor Giulia, minha 1ª professora.

...do despeito do Roberto Abucham por eu tocar o surdo-mor (“bijuzeiro”) na fanfarra do Horácio Soares.

..da mortadela, das balas, dos pés-de-moleque e das paçocas do Brandimarte.

...dos guaranás Caiçara e Ivoran.

...dos incomparáveis quibes do Abrão.

...dos bondes e dos casarões na av. Paulista.

...das internas do Colégio Sto. Antônio.

...dos correios-elegantes nas quermesses.

...da minha desastrada performance como cantor, em Palmital.

...da minha maravilhosa viagem à Itália com a Maria Inês.

...das festas de Ano Novo na nossa casa de Itanhaém.

...de muito mais coisas, pessoas e acontecimentos.


Pelleberto Rogrino

Há muito mais em minhas lembranças
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26.9.10

OURINHOS NO INICIO DOS ANOS 1950.



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Há sessenta anos Ourinhos ainda era uma cidade pequena. Seu calçamento havia sido iniciado há  apenas dois anos.
 Possuía 394 propriedades agrícolas, das quais a maioria tinha menos de vinte alqueires(322).
Na agricultura predominavam: café,  algodão, milho, arroz e alfafa.
As principais casas de secos e molhados eram: Casa Zanotto, F. Mateus & Cia, Antônio J. Ferreira & Cia Ltda, Tone & Cia, Tertuliano Vieira & Filhos, Carlos Amaral e Irmãos Mori.
986 operários trabalhavam em 160 indústrias distribuídas  taxadas no Imposto de Indústrias e Profissões.
As consideradas grandes indústrias se dividiam nas categorias: benefício de algodão, serraria, oficina mecânica e fundição, carpintaria, ferraria, serralheria, beneficiamento de arroz, bebidas, farinha de milho, artefatos de metal, torrefação e moagem de café, vendas e reparos de carros Chevrolet, vendas e reparos de carros Ford, fábrica de balas, frigorífico.
Duas estradas de ferro serviam o município: E.F. Sorocabana e Rede de Viação Paraná-Sta Catarina. 
Três trens faziam diariamente a ligação Ourinhos-São Paulo, com duração média de 12 horas de viagem.
O tempo de médio da viagem  Ourinhos-São Paulo por estrada de rodagem era de 8 a 10 horas.
Os vereadores eram: Moacir de Melo Sá, Francisco Cristoni, Benedito Monteiro, Telésforo Tupina, Alberico Albano, Alberto Braz, Altamiro Pinheiro, Joaquim Lino de Camargo Júnior,Álvaro Franco de Camargo Aranha, Domingos Camerlingo Caló, Horácio Soares, Alfredo Monteiro e João Bento Vieira da Silva Neto.
Estavam qualificados 3.335 eleitores .
Na foto, por Francisco de Almeida Lopes, dois moradores cultivam o ócio nos bancos que rodeavam o Coreto.

22.9.10

A "IGREJA VELHA"






A antiga Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus marcou toda uma geração católica. Sua demolição, após o início dos ofícios religiosos na nova igreja matriz, foi chorada em verso e prosa. Do ponto de vista arquitetônico, seu exterior não era grande coisa. A ação do tempo, o sol causticante e a poeira vermelha da terra roxa, haviam lhe castigado bastante. Já o seu interior possuía uma decoração graciosa e três belos altares. Não obstante esse seu estado material, a população católica amava aquele pequeno templo.
Sua localização era defronte à Praça Melo Peixoto, onde hoje se encontra o prédio da Telefônica.
Por que condenaram-na à demolição? Sem dúvida uma história a ser resgatada.
Todos os que a conheceram lamentam ainda hoje o fato.
O professor Luciano Correia da Silva dedicou-lhe um soneto no livro "Poemas do Vale":


ENTRE DEUS E O DIABO

Um dia destruíram-no sem pena,
num gesto de desprezo e desamor.
E a praça, que é do povo, agora encena
lembranças do seu templo protetor.
Pois, em lugar da torre, há outra antena
rumando para o céu, que é do condor.
Diz que o Diabo ri, mas Deus condena.
E assim, toda manhã fala o Senhor:
"Seu Satanás, devolve a minha igreja.
Hosana, hosana, hosana nas alturas...
Que o teu pecado perdoado seja."
E o Demônio, fingindo sobressalto,
responde sempre, em meio às diabruras:
"Alô ! não posso ouvir! fala mais alto!...

13.9.10

JOSÉ BONIFÁCIO COUTINHO NOGUEIRA, EMPRESÁRIO E POLÍTICO




José Bonifácio Coutinho Nogueira, nascido em 1923 e falecido em 2002, tinha nas veias o sangue empresarial e político. Era filho de Paulo Nogueira Filho, que foi deputado e um dos fundadores do Partido Democrático, em 1926. A família de sua esposa era proprietária da Usina Ester, fundada em 1898 e até hoje em funcionamento.
Ainda estudante militou politicamente, tendo sido presidente da UNE, em 1945, tedno se filiado à União Democrática Nacional - UDN.
Assumiu, em 1958, a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo no governo Carvalho Pinto. Responsável por uma gestão dinâmica, criou o Ceasa, dando início a uma construção de silos e armazéns por todo o estado, que deu origem à Ceagesp. Foi também responsável pela adoção do Programa Revisão Agrária, que dinamizou a agricultura paulista e tinha um forte conteúdo social e de política ambiental.
Seu dinamismo resultou na candidatura ao governo de São Paulo, apoiado por uma coligação formada pelos partidos: UDN, PR, PDC, PTB e PRP. Perdeu as eleições para Ademar de Barros.
Em 1975, Paulo Egydio Martins, governador de São Paulo, nomeou-o Secretário de estado da Educação. Em sua gestão foi realizada a reforma administrativa da Secretaria da Educação, a qual vigora até os dias atuais.
Foi ainda o primeiro presidente da Fundação Padre Anchieta e membro do Conselho Nacional de Economia no governo Castelo Branco.
A foto, por Francisco de Almeida Lopes, é de sua visita a Ourinhos e região, por ocasião de sua candidatura ao governo do Estado, em 1962. Ao seu lado (à direita) está o jornalista Salvador Fernandes, então proprietário e editor do jornal ourinhense – Diário da Sorocabana.