29.5.10

A PRIMEIRA ESTAÇÃO RODOVIÁRIA DE OURINHOS

Em 1940 Ourinhos passou a contar com uma estação rodoviária, pertencente à firma Mattar & Cia. Ela ficava bem no centro da cidade, à rua 9 de Julho, esquina com Arlindo Luz. O conjunto era formado por residência, posto de gasolina e rodoviária. Não teve vida longa, pois seis anos depois o local passou a abrigar a Sociedade de Automóveis Irmãos Silva, que ocupou o prédio até a década de 1970, creio. Hoje, no local, há  um conjunto de lojas.
O anúncio que aqui vemos foi publicado na edição de 8/6/1940, do jornal "A Voz do Povo".
Foto por Francisco de Almeida Lopes

23.5.10

LUÍS FORTI

O casal Forti e filhos







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A casa dos meus avós tinha uma larga e comprida varanda que dava para a rua (9 de Julho). Nos anos 1950, era costumeiro ficar-se sentado naquele local, no final de tarde, vendo passarem as pessoas que iam e vinham da Vila Nova (Margarida). É assim que a minha memória reteve a imagem de Luís Forti.
Era pai de Raquel Forti, colega de trabalho de minha tia Nim (Maria) na Companhia Telefônica Brasileira. Desde criança estive nesse local de trabalho muitas vezes, levado por minha tia. Para uma criança, a sala de trabalho das telefonistas parecia um mundo encantado com aqueles inúmeros fios que elas colocavam e tiravam na mesa de operações.
Raquel era mulher de cabelos louros, olhos azuis como os do pai. Calma e com um coração de ouro. Excelente funcionária, ela aposentou como chefe das telefonistas.
No Natal, as telefonistas promoviam uma bela festa, à qual compareci muitas vezes, e das quais há fotografias.
Nos anos 1960, a chefe das telefonistas era uma senhora de Santos, Lurdes Reclusa. Ela morou muitos anos, na casa de minha avó, até retornar à cidade natal após a sua aposentadoria.
Luis Forti era natural de Jundiaí, onde nasceu em 1899, filho de italianos. Com a esposa Maria fixou-se em Ourinhos em 1924 O casal teve nove filhos.
Luis, após outros empreendimentos, tornou-se um tintureiro muito conhecido, proprietário da Tinturaria Forti, com larga freguesia e muito estimado no bairro em que morava.
Foi membro ativo da Congregação Mariana.
Viveu mais de 90 anos.
A foto à esquerda é de uma das festas de Natal na Telefônica. Ao centro, vemos Raquel Forti com o sobrinho Oswaldo Luís Forti Vascon ao colo e Lurdes Reclusa. Na outra vemos Raquel, um irmão e o pai Luís Forti.
Como diz o poeta:
Em Tudo quanto Olhei Fiquei em Parte
Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.
Ricardo Reis, in "Odes" Heterônimo de Fernando Pessoa

9.5.10

PARA MINHA MÃE


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Hoje é o Dia das Mães. Portanto, uma ocasião para homenagear minha mãe, Amélia Neves Lopes, hoje com 86 anos.
Como a coluna se chama "Recordando..." e refere-se a Ourinhos, a foto escolhida deveria estar associada à cidade.
Fiho de um amante da fotografia, Francisco de Almeida Lopes, não me foi difícil encontrar uma foto na qual eu estivesse ao lado de minha mãe, na Praça Melo Peixoto. Há outras.
Reparem no seu belo vestido todo pregueado, obra de uma estilista da costura que, com certeza, ela foi.
A foto nos dá uma idéia de como era a praça no último ano da década de 1940. Com seus canteiros repletos de folhagens e flores, todas bem cuidadas pelos zelosos jardineiros, anônimos funcionários da prefeitura local. O calçamento de suas vias era no padrão português, obra da administração que estava prestes a se findar, a da professor Cândido Barbosa Filho, o "Barbozinha".
Sim, o velho Grupão deu-nos dois prefeitos: Barbozinha e Paschoalick.
Para minha mãe todas as homenagens são poucas pelo muito que fez pela família, pelos amigos (as) e nas associações de caridade da qual fez parte.
Beijos mãe.

Esta poesia, de Dalva M. Ferreira , denominada "SAUDADE" tem muito haver com a ocasião


Talvez não existam palmeiras,
nem sabiá,
talvez seja só a saudade
que eu tenho de lá.

Dos bancos de pedra na sombra
do jacarandá,
do sino da igreja matriz
- o mais triste que há.

Da procissão de casinhas
nem muito feias, nem lindas,
com seus alpendres floridos,
e dos manacás.

Talvez lá não existam palmeiras,
e nem sabiá.
talvez seja só a saudade
do que já não há.


4.5.10

O CENTRO DE OURINHOS NO LIMIAR DOS ANOS 1960 - I

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Esta é uma edição de uma foto de Ourinhos no limiar dos anos 1960. Deve ser 1961 ou no máximo 1962, pois o novo prédio do Instituto de Educação Horácio Soares já é visto no limiar da cidade.

A área selecionada nesta edição é a compreendida entre as ruas Altino Arantes e Expedicionário.

Observem a imensa área verde que rodeava a casa do drº Hermelino no pico da Altino Arantes. Uma outra pode ser vista no entorno do belo conjunto do reservatório de água, na mesma rua. O antigo prédio da prefeitura também não havia sido derrubado. Nesses anos lá funcionava uma pensão.

Também já existia o novo prédio que abrigava o Fórum, numa travessa da Expedicionário.

A imensa área que ficava atrás do IEHS e da Santa Casa ainda não havia sido loteada.


2.5.10

ERA UMA VEZ UM GRUPO DE ESTUDANTES EM 1962.



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O ano de 1962 estava findando e essa turma danada logo iria separar-se. Alguns iriam estudar fora de Ourinhos, outros iriam para o científico (ainda não havia o clássico) e outros para o ensino técnico. Pedi a meu pai que fosse fazer uma sessão de fotos no IEHS. Fizemos uma meia duzia. Essa é a que eu mais aprecio:

Luiz Gonzaga Tone, Luis Antonio Cal de Oliveira e Silva (por onde andará o Cal?), Mario Hisao Kobuti, Toninho Muraro, Roberto Shinoharo, Auro Tanaka, Moacir Sanchez Lopes, João Batista Dora, Mávilo Perino, Mário Vascão, Carlos Lopes Bahia (agachado). Sentados: Odair Marques da Silva, Estevam Arthur R. Margutti, Hideo, José Carlos Neves Lopes, Luiz Cordoni Júnior, José Agostinho Gabriotti, Licínio Fantinatti.

"VOLTANDO ATRÁS", por Dalva M. Ferreira em seu blog:


Eu, voltando atrás

bem atrás
lá aonde a memória ainda alcança
- ser criança

e estar sentada no último degrau
vendo o mundo virado em boiada
que desfila perante os meus olhos

e o medo,
e a surpresa,
e o cheiro gostoso da terra.

Eu, lá no meio do pasto
era noite,
era o medo,
era o cheiro que vinha da terra

com o corpo tocando na grama
com a boca tocando nos astros
que eu sentia ser parte do todo
eu, rodeada de mil vagalumes.