25.4.10

PASSEIO DE MEMÓRIA


Completando este passeio de memória pelo entorno da Praça Melo Peixoto, vemos a face da 9 de Julho. Era a mais importante porque lá se achava a Matriz do Senhor Bom Jesus, edificada na década de 1920.
Tendo sido erguida uma nova Igreja na Praça Benedito Camargo, a "Igreja Velha " foi desativada e demolida nos anos 1950. Deixou muitas saudades nos corações de muitos ourinhenses católicos que lá haviam sido batizados, feito a primeira comunhão, se casado e se despedido de seus mortos.
A Igreja ocupava o centro do quarteirão; era simples no seu exterior, mas bela no interior. A foto é do início dos anos 1930, mostrando na extremidade direita o belo prédio do Banco Comercial do Estado de São Paulo (recém construído) que destoava da simplicidade característica do entorno da praça. Em seguida havia um prédio abrigava uma pensão. Ao lado da Igreja havia uma pequeno coreto utilizado para o leilão de prendas por ocasião de quermeses beneficentes. Seguiam-lhe dois prédios que abrigariam dois bares importantes: o "Bar Internacional", da família Mayoral e o Café Paulista da família Zaki.
No canto direito da foto podemos ver os alunos do primário em frente ao velho Grupo Escolar localizado na rua Paraná.
Poucas árvores ocupam a praça, na qual há alguns toscos bancos e postes de madeira
Já a Praça Melo Peixoto com a qual convivi na infância era muito mais acolhedora, repleta de grandes árvores onde faziam ninhos as andorinhas, de canteiros floridos e bem cuidados e de confortáveis bancos com encosto.

Como escreve Dalva Maria Ferreira, que conviveu com a cidade na sua adolescência:
VOLTANDO ATRÁS
Eu, voltando atrás bem atrás
lá aonde a memória ainda alcança
- ser criança

e estar sentada no último degrau
vendo o mundo virado em boiada
que desfila perante os meus olhos
e o medo, 
e a surpresa, 
e o cheiro gostoso da terra.
Eu, lá no meio do pasto
era noite,era o medo,era o cheiro que vinha da terra
com o corpo tocando na grama
com a boca tocando nos astros
que eu sentia ser parte do todo
eu, rodeada de mil vagalumes.

17.4.10

AS LOJAS DE TECIDOS E A COSTURA DOMÉSTICA



Nos anos 1950 e 1960, as lojas de tecidos eram estabelecimentos comerciais fundamentais para todas as donas de casa. Lojas de roupas prontas eram exceções, e essas custavam muito caro. Portanto, era necessário recorrer à costura doméstica no caso de a mulher haver aprendido essa arte, ou senão, depender daquelas que fizeram da costura uma profissão.
Eu fui criado numa casa onde a máquina de costura era um dos mobiliários mais importantes. Minha mãe era de uma época em que saber costurar era uma das qualidades da moças. Assim, frequentou uma escola de costura na cidade, aperfeiçoando-se depois com uma senhora mineira, chamada Inês, que viveu muitos anos e tornou-se muito querida de toda a família Neves. Ela tinha um irmão que era exímio alfaiate ,  popularmente conhecido “Dito Chintan”.
Minha mãe ganhou uma máquina de costura Singer de seu pai e fez dela seu ganha-pão, ajudando no orçamento doméstico de seu lar após o casamento.
Tinha uma freguesia refinada. Fazia um molde com a maior facilidade. As freguesas vinham até sua casa e descreviam o modelo que desejavam ou traziam uma revista como referência. Ela, com a fita métrica sempre enrolada no pescoço, debruçava-se sobre uma mesa para dar início ao seu ato de criação Confeccionou vestidos para uso diário, de baile, de casamento, de primeira comunhão, de debutantes, blusa de todos os tipos, saias, roupas para crianças. Sua última criação especializada foi a confecção de camisas masculinas.
Nunca aderiu à máquina de costura com motor, permanecendo fiel à manual, toda de ferro fundido que ganhou do pai e está na sua casa até hoje.
Seu companheiro nessa atividade diária era o rádio, que ficava ao seu lado desde as primeiras horas da manhã até o entardecer, sempre sintonizado na Rádio Nacional do Rio de Janeiro por onde acompanhava as “novelas de rádio”
Por fim, quando essa atividade foi rareando, dedicou-se ao crochê que aprendera com sua mãe quando ainda criança, produzindo toalhas, toalhinhas e colchas
A costura rendeu-lhes boas amizades que persistem até hoje.
Essas duas artes – a costura e crochê – pô-las a disposição do Bazar da Santa Casa, ao qual se dedicou por mais de dez anos.
Bem, voltando às lojas de tecidos, seu número na cidade era grande, citando apenas aquelas das quais me lembro: a pioneira”Pernambucanas”, “Loja dos Retalhos”, “Ao Preço Fixo” (que aparece na foto) “Jaraguá”, “Nossa Casa”,Buri. Muitas delas abandonaram o ramo de tecidos e passaram a explorar outros.
A Buri ficava na rua Paraná, tendo se instalado em Ourinhos nos anos 1950. Seu primeiro gerente, é conhecido até hoje como o “Irineu da Buri”. Vindos da vizinha Cambará, ele e a esposa Maria foram morar numa casa ao lado da nossa, na Rua Arlindo Luz. As lojas Buri deixaram de existir, compradas que foram pelas “Lojas “Ponto Frio”. Irineu passou a dedicar-se ao ramo da construção civil. Maria, infelizmente, partiu muito cedo, deixando muitas saudades.
A indústria de confecções foi-se afirmando e ganhando terreno, com isso as lojas de tecidos foram se escasseando e, com elas as costureiras, hoje uma raridade.
A foto, por Francisco de Almeida Lopes, é do final dos anos 1950 , mostrando o trecho da Praça Melo Peixoto na face da rua São Paulo. Nela vemos a loja "Ao Preço Fixo e o início da obra de construção do primeiro edifício de Ourinhos, que passaria a abrigar no térreo o Bradesco, obra do arquiteto ourinhense Toshio Tone, formado pela Faculdade de Arquitetura da USP.

10.4.10

DE PRAÇAS E DE REFORMAS





A anunciada reforma da Praça Melo Peixoto levou-me a refletir sobre o destino das duas praças centrais da cidade. A outra a que me refiro é a Praça Prefeito Benedito Camargo, no entorno da Catedral.
Embora eu acredite ter sido um desrespeito ao patrimônio histórico o que se fez com a Melo Peixoto na gestão Paschoalick nos finais dos anos 1950, há que convir que ela hoje já é uma senhora de mais de quarenta anos. Enfim, é a praça das gerações atuais. Haveria que restaurá-la, dotando-a de novos equipamentos que trouxessem as pessoas de volta para ela, sem alterar por demais o seu perfil.

A outra praça, a Benedito Camargo, foi uma filha enjeitada por muitos anos. Abrigou a nova Igreja Matriz, atual Catedral, permanecendo anos e anos em terra bruta, território que os meninos dos anos 1950 adotaram como seu. Eu fui um deles.

No início dos anos 1960, com a conclusão da fachada externa da Matriz, não era mais possível manter a Praça Prefeito Benedito Camargo naquele estado, e o prefeito Antonio Luiz Ferreira deu-lhe uma “vestimenta” decente.

Enquanto a prefeitura nela manteve jardineiro, o sr. Nelson, seu aspecto de jardim foi mantido. Com sua aposentadoria, não houve substituição e o jardim está abandonado. O srº Nelson tornou-se jardineiro de muitas famílias da região, da minha inclusive. Hoje é uma praça que, por nada oferecer aos moradores e aos que demandam o centro comercial da cidade. tornou-se um mero ponto de passagem. Assim, está a merecer do poder público um olhar especial.

Aproveitando o assunto, editei duas fotos feitas por meu pai, Francisco de Almeida Lopes, no entorno da Praça Melo Peixoto. Os das ruas Altino Arantes/Antonio Prado e Paraná. No primeiro destacam-se a Casa Nortista, de Tufy Zaki, a Livraria Thomé, o Bar Central, a Casa Médici & Nicolosi e o Banco Frances e Italiano para a América do Sul. No segundo, a casa de João Fiorillo, a de Miguel Cury, o prédio da Singer, o foto Machado, as Pernambucanas e a Casa Vasco.

3.4.10

OTÁVIO FERREIRA, O AMANTE DA PESCARIA







Rodeado por dois rios de porte grande - Pardo e Paranapanema, sem falarmos do pequeno Turvo, e a proximidade com estado do Mato Grosso, Ourinhos oferece forte atrativo para aqueles que apreciam a caça e a pesca.
Já na década de 1950 (5/7/1955), foi criado o Clube de Caça e Pesca, com a seguinte diretoria:
Carlos Eduardo Devienne – presidente
Paulino dos Santos – vice
Nelson Vieira da Silva – tesoureiro
Geraldo Ribeiro Abujamra – secretário
Antonio Segala - diretor social
A sede do Clube ficava numa ilha, alguns quilômetros abaixo da Usina Salto Grande, nas proximidades do ponto Jaú. O bar do Daniel, na Rua Paraná era a sede urbana do clube.
Anualmente, seus membros seguiam em excursão para o Mato Grosso.
Em frente ao Grêmio Recreativo de Ourinhos, existiu uma grande loja de artigos de caça e pesca. Na rua Paraná ainda há uma das mais antigas.
Um grande pescador foi Otávio Ferreira, cuja família era proprietária de um banco de areia. Seu pai Benedito Ferreira, falecido em 1950, aos 83 de idade, era um dos mais antigos habitantes da cidade.
Otávio foi vizinho de meus avós, residindo na Rua 9 de Julho, esquina com a Rio de Janeiro. Lembro-me dele sentado numa poltrona, em frente de sua casa todos os finais de tarde, vendo o movimento da rua e proseando com aqueles que ali passavam e paravam. Sua esposa chamava-se Isabel. Tiveram os filhos: Homero, Diógenes, Clodoaldo, Raph,  Edméia, Benedito, Otávio, Glauco, Nilza, Iara e Itapema. Otávio era uma pessoa muito popular
Encontrei um negativo de foto de Otávio feita por meu pai nos anos 1930. Sem dúvida, um belo instantâneo provavelmente feito no Paranapanema. Fica assim registrada essa homenagem, na pessoa de Otávio Ferreira, a todos os antigos ourinhenses amantes da pesca e da caça.



Renato Ferreira, Octavio Ferreira e a dupla infernal Tiguera e Clodo. Pantanal matogrossense.








OS MILANI.
A partir desta publicação, José Rubens, filho de Iara e José Milani, mandou-me  essas duas fotos onde estão seu pai e Otávio Ferreira no Paranapanema. Não consegui identificar a terceira pessoa. 
Tanto Zeca Milani como Iara sua esposa já faleceram. O casal morava na casa que fica entre a casa paroquial e a de Oriente Mori. José Rubens era afilhado de Oriente e Dirce.
Os Milani eram primos dos Mori. Eram cinco irmãos: Oswaldo, José, Diva, Ziza e Nadir. 
Oswaldo foi casado com uma filha do Júlio Mori, Anita. Teve, por muitos anos, uma papelaria em frente a Casa Alberto, na 9 de Julho.